sábado, 2 de maio de 2015

Fatos, farsas e demais curiosidades sobre o Apocalipse, o livro mais temido da Bíblia...

No post de hoje, vamos falar um pouco de um assunto teológico bastante controverso: o livro do Apocalipse, por vezes conhecido como o livro da Revelação e, ainda, Apocalipse de São João. Trata-se do último livro do cânon bíblico; controverso porque, de acordo com o Cristianismo, ele falaria sobre os sinais do fim dos tempos, quando Cristo estaria para retornar e, assim, iniciar o período de guerra crucial entre o bem e o mal, quando haverá o Juízo Final.


A palavra “apocalipse” tem origem no grego “apokálypsis”, significando “revelação”, “descoberta”. Assim, um apocalipse, nas teologias judaica e cristã, seria a revelação divina de coisas que até então permaneciam secretas a um profeta escolhido por Deus. Por extensão, passou-se a designar de “apocalipse” aos relatos escritos dessas revelações. Devido ao fato de, na maioria das bíblias em língua portuguesa se usar o título “Apocalipse” e não “Revelação”, até o significado da palavra ficou obscuro, sendo às vezes usado como sinônimo de “fim do mundo”.

O título do livro pode sugerir “a grande revelação de Jesus Cristo”, sendo a ideia básica de que os eventos descritos no livro foram revelados a Jesus Cristo, e este mostrou a seus servos, há mais de dois mil anos ou mais de 20 séculos atrás, as coisas que aconteceriam, teoricamente, em breve. De acordo com os historiadores da religião, São João, o escritor do livro, não é seu autor, apenas o escriba, que escreveu o livro ditado pelo autor, Jesus. Por duas vezes, João relata que o conteúdo do livro foi revelado através de anjos.

Neste livro da Bíblia, conta-se que antes da batalha final, os exércitos se reúnem na planície abaixo de “Har Meggido” (a Colina de Meggido, um lugar no meio do deserto em Israel). Entretanto, a tradução foi mal feita e “Har Meggido” foi erroneamente traduzido para Armagedom, fazendo os exércitos se reunirem na planície antes do Armagedom, a batalha final.


Autoria e questões de interpretação do livro...
Exegetas católicos e protestantes atribuem a sua autoria a São João, o mesmo autor do Evangelho de São João, conforme o descrito no próprio livro do Apocalipse, em seu início: “Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino, e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: ‘O que vês, escreves-o num livro, e envias-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodiceia’”.

Entretanto, existem correntes que acreditam que o João mencionado no versículo acima (referido como “João de Patmos”) é outro indivíduo, diferente do apóstolo João. De acordo com Clarence Larkin, o fato do estilo deste livro ser totalmente diferente das epístolas de São João é porque o autor do livro é Jesus Cristo, sendo João apenas seu escriba. Portanto, para alguns teólogos de renome, o Apocalipse seria mais um Evangelho, mas com revelações assustadoras e perturbadoras mostradas por Jesus Cristo, em reunião com seu ministério mais próximo.

Para os cristãos, o livro possui a previsão dos últimos acontecimentos antes, durante e depois do retorno de Cristo a este mundo. A interpretação, feita por protestantes e católicos, é dividida em três grupos: preterista (as revelações já ocorreram, e falam de eventos do tempo de Jesus como homem na terra), historicista (a ocorrência das revelações já começou desde os tempos de Jesus, e se dá com o passar da própria história seguindo para um futuro distante e incerto) e futurista (tais revelações deste livro só ocorrerão num futuro, mesmo sendo este muito distante, tenebroso, medonho e indeterminado).


A literatura apocalíptica tem uma importância considerável na história da tradição judaico-cristã-islâmica, ao veicular crenças como a ressurreição dos mortos, o dia do Juízo Final, o céu, o inferno e outras que são ali referidas de forma mais ou menos explícita. Mesmo assim, vale ressaltar que os judeus não têm o Novo Testamento em suas respectivas Bíblias, portanto eles não creem nas palavras de São João; apenas acreditam que haverá, sim, um dia em que um Messias virá (não sendo este Jesus) para, finalmente, confrontar todos os males colocando um fim à própria história.

Teologia amilenista...
Uma vez que o livro é escrito em linguagem simbólica, profética, dá margem a inúmeras interpretações pelos diversos segmentos cristãos. A teologia amilenista traz em seu bojo a interpretação não-literal, isto é, as imagens que aparecem no livro significam algo, e, por isso, entende que o Milênio não será formado de mil anos literais, mas um período de tempo indeterminado (3 anos e meio, um tempo, dois tempos e metade de um tempo, 42 meses e 1.260 dias são sinônimos e representam inexatidão de tempo). Neste tempo inexato, os povos serão chamados para servir Cristo e os que o seguirem serão marcados para a salvação.

Assim, já estamos no Milênio e, a Grande Tribulação ainda está por vir, apesar de os salvos já viverem a tribulação dentro de um mundo corrupto e mau. A Grande Tribulação está sendo implantada à medida que a era da pregação do Evangelho (Milênio) termina. No final do Milênio aparecerá o Anticristo (que trará a Grande Tribulação) e será eliminado pela Palavra do Senhor, isto é, Jesus Cristo. O fim é descrito com o aprisionamento definitivo da besta, do falso profeta, de Satanás e de seus demônios no lago de fogo e enxofre. Segue-se a isso o Juízo Final e o destino eterno dos salvos – a Nova Jerusalém.


Teologia pré-milenista...
A teologia pré-milenista (significando que Jesus viria antes do Milênio), traz em seu bojo a interpretação literal das imagens/figuras e, por este modo, entende que os sete anos da Grande Tribulação, onde após o arrebatamento da igreja, a Terra passaria por três anos e meio de paz. Tal marca, diz o profeta, seria posta na testa ou na mão das pessoas e haveria três anos e meio de grande aflição. Após esse período, ocorreria o início do Milênio (onde a igreja reinaria com Cristo na Terra). Terminado o Milênio, dar-se-ia início ao Juízo final, onde o Messias reinaria definitivamente, lançando Satanás e seus anjos (demônios) no lago de fogo.

Neste livro o autor discorre sobre as consequências do acatamento ou não dos apelos do Novo Testamento (“voltem-se para Deus”; “arrependam-se de seus pecados”) dividindo então os santos (aqueles que se converteram a Deus, por meio da fé em Jesus Cristo) e os que se negaram a viver com Ele.

Voltando ao assunto...
O sinal ou marca da besta é alvo de diversas interpretações. Existem aqueles que dizem que o sinal será literalmente posto na mão direita ou na testa, e acusam o Verichip de ser esse sinal. Outros preferem uma visão mais simbólica e interpretam que o sinal da besta na mão direita ou na testa significaria respectivamente atitudes e pensamentos segundo as intenções da besta, e contrários a Deus. Um exemplo de tal interpretação tem os adventistas, que creem que se pode identificar o sinal da besta identificando qual o sinal contrário, isto é, o “sinal de Deus”, que eles creem ser a observância do sábado. Neste caso, para eles, a marca da besta seria a observância do domingo, reconhecido como dia do Senhor tanto por católicos como por protestantes.

Porém correntes atuais ponderam que o sinal da besta nada mais é que algo compreensível, que quem recebê-lo saberá exatamente o que está fazendo, pois a expressão “é número de Homem” remete a algo comum, notório para todos, pois até mesmo pessoas iletradas reconhecem números com facilidade, ao contrário da corrente que há alguns anos acusava o código de barras e agora o Verichip. Existe também a possibilidade de ser um número bem no centro da testa escrito “666”.

Visão espíritualista do Apocalipse...
Segundo a visão espírita-cristã acerca do Apocalipse, São João Evangelista, sob a orientação do Alto, deixa registrada para a posteridade uma carta em forma de revelação profética; uma revelação autêntica sobre o futuro próximo a aquela época, e os tempos do fim. As mensagens e revelações contêm linguagem figurativa, que sugere as realidades espirituais em torno e por trás da experiência histórica. Evidências encontradas no próprio texto, indicariam que o Apocalipse fora escrito durante período de extrema perseguição aos cristãos, provavelmente no período compreendido entre o reinado de Nero, em julho de 64 d.C., e a destruição de Jerusalém, em setembro de 70 d.C., como relata Santo Estêvão.

A mensagem central do Apocalipse é que já reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso. O objetivo da mensagem apocalíptica era fornecer estímulo pastoral aos cristãos perseguidos, confortando, desafiando e proclamando a esperança cristã garantida e certa, além de ratificar a certeza de que, em Cristo, eles compartilhavam o método soberano de Deus. Por meio da espiritualidade em todas suas manifestações, haveriam de alcançar a superação total das forças de oposição à nova ordem que se estabelecia, pois que essa constituía a vontade do Altíssimo.