quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Profecias e premonições sobre mortes: fato ou farsa?!

Na noite de 11 de abril de 1865, Abraham Lincoln (foto abaixo) recebia convidados na Casa Branca. Apesar de Robert Lee ter se rendido no tribunal de Appomattox apenas dois dias antes e a Guerra de Secessão estar praticamente ganha pelo norte, o presidente americano estava triste. Os convidados passaram a falar de sonhos, e Lincoln comentou que eles eram muito citados na Bíblia, acrescentando: “Se acreditamos na Bíblia, temos de aceitar a ideia de que antigamente Deus e os anjos surgiam e se manifestavam em sonhos”. Contou então um sonho que tivera e que o incomodava há vários dias.


No sonho, Lincoln percorre os cômodos da Casa Branca, que estava tomada por um silêncio mortal, quebrado apenas pelo som de soluços. O presidente acabou entrando na Sala Leste, onde viu um caixão num estrado alto guardado por soldados e cercado por pessoas enlutadas. Perguntou a um guarda quem havia morrido e ouviu que o presidente fora assassinado. Nessa altura, Lincoln ouviu um terrível lamento e acordou. “Não consegui mais dormir e, embora fosse apenas um sonho, fiquei muito perturbado”, disse ele aos convidados. Três dias depois, Lincoln foi atingido a tiros por John Wilkes Booth, quando assistia a uma peça de teatro em Washington, e morreu às 7h22 da manhã seguinte.

Prevendo a própria desgraça...
Existem, claro, argumentos racionais que podem explicar fenômenos desse tipo – por exemplo: Lincoln sabia que aqueles que apoiavam o sul na Guerra de Secessão, vencido, tinham ódio dele e havia bons motivos para temer um assassinato em emboscada. Mesmo assim, há histórias que não são fáceis de explicar. Uma delas ocorreu no século 18, com o plantador de fumo Robert Morris, cujo filho e homônimo ficou conhecido como “o banqueiro que financiou a Revolução Americana”. Morris tentou cancelar a inspeção de um navio de guerra depois de sonhar que fora morto pelo tiro de um dos canhões da embarcação. Acabou se convencendo a ir, mas só quando o capitão do navio prometeu que os canhões dariam as salvas depois que ele estivesse seguro em terra. O grupo de Morris inspecionou o navio e estava voltando para terra quando o capitão levantou o braço para afastar uma mosca. Um canhoneiro confundiu o gesto com a autorização para as salvas; Morris foi atingido por estilhaços e morreu conforme tinha previsto no sonho.

Um caso mais antigo ainda trata de um membro ilustre da família italiana Sforza, o qual sonhou em 1523 que morrera afogado. No dia seguinte, passando perto do castelo de Pescara, viu uma criança cair no rio e mergulhou para tentar salvá-la. Mas o peso da armadura que usava fez com que afundasse, e ele morreu. Morreu afogado conforme havia sonhado dias antes.


Mensageiro da morte...
Outro caso de morte vista em sonho foi na Londres do século 18. No dia 24 de novembro de 1779, Thomas Lyttelton, um nobre de 35 anos, teve o sono perturbado pouco depois da meia-noite pelo som parecido com o de um pássaro preso entre as cortinas do dossel da cama. Viu então uma mulher de branco apontando para ele, acusadora, e dizendo que morreria três dias depois.

A história logo circulou pelos cafés da cidade a à previsão de morte do jovem lorde se tornou o tema das conversas. Ele estão se recolheu à sua casa de campo para passar os três dias de prazo. Quando os ponteiros do relógio chegavam ao final do dia 27 de novembro, ele sentiu um alívio, pois estava se sentindo muito bem. Foi para o quarto às onze da noite, certo de que não tinha o que temer. Seu criado o ajudou a trocar de roupa e saiu do quarto, voltando minutos depois para encontrar o patrão passando mal. Antes que o relógio marcasse meia-noite, Lorde Lyttelton tinha morrido. Teve um ataque cardíaco, e o aviso se confirmou.

O aviso de morte nem sempre chega por sonho. Outra pessoa famosa que previu o próprio fim foi o conhecido escritor norte-americano Mark Twain. Ele disse a um amigo que, como havia nascido num ano em que o Cometa Halley passou perto da Terra, esperava morrer na próxima passagem. E assim foi. Twain morreu no dia seguinte à volta do cometa, 75 anos depois, em 20 de abril de 1910.


O compositor Arnold Schöenberg era supersticioso com números, principalmente com o 13. Convenceu-se de que morreria aos 76 anos de idade, pois é a soma do número 13. No final de 1950, aos 76 anos, esperava com apreensão o dia 13 de cada mês. Em julho de 1951, quando caiu numa sexta-feira 13, ele resolveu não sair da cama, mas o cuidado não adiantou. Schöenberg morreu faltando exatos 13 minutos para a meia noite!

Previsão de morte de outra pessoa...
A previsão da própria morte pode se confirmar porque, claro, o estresse causado pelo medo pode acabar causando um ataque cardíaco mortal. Por isso, prever a morte de outra pessoa é mais difícil de explicar, mas tais premonições aparecem em todas as culturas.

Um exemplo clássico deste tipo de previsão está na obra de Nathaniel Wanley, “Maravilhas do pequeno mundo”, um interessante livro publicado em 1788. Conta a história de um cavalheiro inglês que morava em Praga e acordou um dia com a certeza de que o pai tinha falecido na Inglaterra. Ficou tão assustado com o realismo do sonho que anotou a hora e os detalhes numa agenda, que guardou numa caixa com outros documentos e mandou para a Inglaterra. Logo soube do falecimento do pai, e quatro anos depois voltou para seu país, onde reuniu as irmãs e alguns amigos da família para assistir à abertura da caixa. As pessoas puderam então confirmar que o dia em que anotou o sonho tinha sido, mesmo, o dia da morte do pai.

Segundo o autor do livro, o mesmo cavalheiro dizia ter previsto junto com o irmão a morte da mãe, anos antes de ocorrer. Quando eram estudantes, os dois sonharam juntos na mesma noite que a mãe lastimava não poder comparecer à formatura dos filhos em Cambridge. A se acreditar na história, uma “premonição” pode ter vida independente e ser experimentada por mais de uma pessoa.

Visões que salvam vidas...
Às vezes, a premonição pode salvar vidas. Há muitos relatos de pessoas que escaparam da morte por acidente graças a um sonho ou uma intuição. Nesse caso, há também exemplos bastante curiosos, inclusive do poeta renascentista Francesco Petrarca. Um amigo dele estava muito mal de saúde, e Petrarca sonhou com o doente avisando que receberia a visita de uma pessoa que poderia ajudar muito a salvá-lo. Pouco depois, o poeta acordou e ouviu alguém batendo à porta: era o médico do amigo avisando que o doente estava bastante mal. Graças ao sonho, Petrarca pediu ao médico que não perdesse a esperança e voltasse à cabeceira do doente. Depois de algumas providências, o doente se recuperou.

Um caso ocorrido na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) sugere que acontecimentos maiores do que a morte de um indivíduo podem aparecer em sonhos. É a curiosa história de um cabo alemão de 28 anos, em serviço na região francesa de Somme, que não estava conseguindo dormir no abrigo que dividia com 12 companheiros. Sonhou que estava soterrado sob toneladas de terra e um anjo o avisava de mau agouro e, ao acordar, achou que poderia ser um aviso, embora na hora houvesse uma trégua no frequente bombardeio das artilharias às trincheiras imundas e cheias de água e feridos. Aproveitando a trégua, o cabo saiu para pegar ar puro. Curiosamente, assim que saiu, ouviu o silvo da granada. Virou-se e viu que ela caíra bem na trincheira onde estava. Quase todos os seus companheiros morreram na hora, e ele seria um deles se não tivesse saído de lá avisado pelo anjo no sonho. Nesse caso, a própria história nos conta que poderia ter havido outro rumo, pois o jovem cabo era Adolf Hitler!