sábado, 24 de janeiro de 2015

Você já ouviu falar nos “meninos-peixe” do Peru?! Fato ou farsa?!

Na cidade de Pucallpa, localizada na província peruana de Coronel Portillo, três irmãos – Samuel, Jesús e George, com 9, 11 e 13 anos de idade – sofrem de uma condição genética extremamente rara e assustadora chamada ectodermia (Síndrome de Christ-Siemens-Touraine ou Displasia ectodérmica hipohidrótica), que os obriga a permanecerem dentro da água para evitar danos à saúde, principalmente à pele, ou então podem acabar morrendo.

A cidade onde eles moram fica no coração da Amazônia Peruana e é muito quente e úmida, fazendo mal a qualquer pessoa que não esteja acostumada ao clima equatorial. Está também localizada próxima à fronteira do Brasil, na borda com o Acre.


Em consequência de uma das características mais nefastas dessa diferença genética, os meninos não têm glândulas sudoríparas (ou, quando os portadores têm elas tais glândulas são atrofiadas, não funcionam). Eles não suam e, por isso, devem ser mantidos em temperaturas abaixo de 20ºC. Nessa condição, residindo em uma região na qual as temperaturas chegam facilmente a 30ºC, os garotos precisam ser molhados a cada dez minutos para poder sobreviver.

A rotina dos meninos chega a ser parecida com a de qualquer criança, mas só em termos. Frequentam a escola com o auxílio de baldes de água colocados próximos a cada um deles, necessários para manter a umidade que não produzem e que, evaporando-se, deveria refrescar e ajudando o metabolismo a manter a temperatura do corpo. Além disso, não podem correr porque isso seca a pele e aumenta sua temperatura. Durante a noite, devem acordar de tempos em tempos para se refrescarem, ou então dormem, os três, numa piscina de plástico.

Além disso, como não suam, os meninos ficam privados desse importante agente de eliminação de toxinas deletérias ao organismo: a sudorese. Em Pucallpa, são conhecidos como os “meninos-peixe”. Olivia Oré, mãe das crianças conta: “Meu bebê chorava muito e eu não sabia o porquê, mas, ao molhar sua cabeça, ele dormiu”. Os três garotos, de idades diferentes, padecem do mesmo mal. Quando vão passear em terra a mãe tem de levar recipientes com água para mantê-los frescos. O casal (o pai, Olímpio Oré) tem duas outras filhas que não portam a anomalia porque esta somente é transmitida a indivíduos do sexo masculino.

A divulgação do caso mobilizou as autoridades da região, especificamente, a Defensoría Municipal del Niño y Adolescente (DEMUNA) de Pucallpa, que disponibilizou todo apoio às crianças. Os garotos foram levados para a capital do país, Lima, onde, no Instituto Nacional de Salud del Niño, poderão receber cuidados mais adequados. O representante do DEMUNA informa que eles não tinham identificação (documentos) então, providenciaram a papelada para que eles tenham acesso ao seguro de saúde integral do país. Os médicos disseram que eles precisam de tratamento especializado.

O ator norte-americano Michael John Berryman (foto abaixo) também é portador da mesma displasia que os meninos-peixe do Peru. Ele desenvolveu uma carreira como ator, trabalhando, geralmente em filmes e séries de terror e ficção científica como “Star Trek: The Next Generation” e “Arquivo X”.


A ectodermia produz malformações na pele, como escamas de peixe e os portadores dessa mutação precisam manter-se em constante contato com a água para sobreviver. Os principais sintomas dessa estranha condição são: ausência de suor, queda de cabelo e má formação dos dentes, que são pontiagudos.