terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Você conhece o tratamento médico de diagnósticos conhecido como “iridologia”: fato ou farsa?!

A “iridologia”, “iridodiagnose” ou “irisdiagnose” é uma forma de diagnose (na etmologia: “conhecer através da íris”) na qual a análise de padrões, cores e outras características da íris permite que se conheçam as condições gerais de saúde baseada na suposição de que alterações na íris refletem doenças específicas em órgãos. Os praticantes dessa técnica se utilizam de “mapas da íris” ou ainda “cartas topográficas” que divide a íris em zonas que estão relacionadas a porções específicas do corpo humano. Com a exceção de doenças que também atingem a íris, como intoxicações por cobre, no entanto, não há nenhuma evidência científica que comprove o princípio ou a eficácia do método.

Sabendo quais os órgãos mais fracos, o iridólogo indica a pessoa para o médico especialista que cuida de determinado problema e ainda para outros profissionais da área da saúde como, por exemplo, nutricionistas, fisioterapeutas, naturólogos, dentistas, psicólogos, educadores físicos, entre outros.


O diagnóstico feito por meio da íris...
Uma das metodologias é o da identificação de “lacunas”. As lacunas aparecem na íris como pequenos buracos, covas onde as fibras da íris se separam. Basicamente, quando se observa uma lacuna na íris, pode-se concluir que já existiu ou existe um problema na parte do corpo correspondente a essa lacuna. Através da cor e da profundidade da lacuna consegue-se determinar em que estágio se encontra. O corpo reage a estas lacunas, aumentando a circulação de sangue e linfa no tecido irritado. Quando o sangue e a linfa não consegue chegar ao tecido afetado, os órgãos começam a atrofiar, as lacunas começam a aparecer mais profundas afetando a segunda parte da íris. Desta forma há vários tipos de lacunas e através destes tipos poderia se identificar qual órgão estaria afetado.

Métodos de concepção do diagnóstico da íris...
Iridologistas geralmente usam equipamentos como lanternas, lentes de aumento, câmeras ou lâmpadas de fenda para o exame detalhado da íris. Os achados são geralmente comparados a um gráfico que correlaciona zonas específicas da íris com porções específicas do corpo humano. Os gráficos típicos dividem a íris em 80 a 90 zonas e nem sempre relacionam a mesma porção da íris ao mesmo órgão. De acordo com os iridologistas, detalhes da íris supostamente refletem mudanças específicas nos tecidos dos órgãos. Por exemplo, sinais de inflamação aguda, inflamação crônica e catarral corresponderiam a envolvimento, manutenção ou cura dos órgãos correspondentes à zona da íris afetada.

Outra corrente da iridologia afirma ser possível identificar deficiências nutricionais e de oligoelementos, que causam predisposição ao aparecimento de doenças e podem ser corrigidas antes que as mesmas se desenvolvam. Afirma-se também ser factível determinar como o indivíduo aprende, se expressa, se modifica e como gera seus relacionamentos, desde a infância, dando a oportunidade de agir sobre distúrbios psicológicos.


História do diagnóstico através da iridologia...
O hábito de examinar os olhos de uma pessoa para ajudar a avaliar a sua saúde existe pelo menos desde a Grécia Antiga. A primeira descrição de princípios da iridologia é encontrada na “Chiromatica Medica”, obra publicada em 1665 por Philip Meyen von Coburg. Trinta anos mais tarde, em 1695, mais um livro surgiu, intitulado “Os olhos e seus sinais”, de autoria de Cristian Haertls.

O primeiro uso da palavra “Augendiagnostik” (“diagnóstico do olho”) é atribuído a Ignatz von Péczely, um médico húngaro do século 19. A história mais comum sobre como o método foi criado é a de que Péczely encontrou linhas na íris de um paciente que estava tratando de uma fratura na perna que eram muito semelhantes às de uma coruja cuja pata Péczely havia quebrado anos antes (no entanto, essa história foi desmascarada como falsa pelo sobrinho do mesmo, August von Péczely, no primeiro Congresso Internacional de Iridologia).

Outros nomes importantes na história da iridologia foram o pastor germânico Felke, que no início do século 20 descreveu novos sinais iridológicos, desenvolveu uma forma de homeopatia para doenças específicas e fundou o Instituto Felke; Bernard Jensen, um quiroprata norte-americano que popularizou a prática nos Estados Unidos, defendia o uso de alimentos naturais para desintoxicação de toxinas e dava aulas sobre iridologia, entre outros.


Iridologia e ciência...
Poucos pesquisadores investigaram cientificamente os fundamentos da iridologia. Em um estudo publicado na revista “Medical Hypotheses”, um grupo tentou explicar os parâmetros observados na transparência da íris que distribui luz na “ora serrata” (borda da retina ótica) postulando a chamada “functio ocularis systemica”, baseada na qual tentaram desenvolver o método terapêutico terapia de luz transiridal, mas não houve nenhuma confirmação independente da teoria ou da terapia. Também se tentou desenvolver imagens computadorizadas da íris com o objetivo de aprimorar o diagnóstico.

Alguns estudos procuraram analisar a validade da iridologia como método diagnóstico. Em 1979, um grupo de pesquisadores utilizou dispositivos de 143 pacientes, sendo 95 saudáveis, 24 com doença renal leve e 24 com nefropatia severa, que foram sequencialmente analisados por três iridologistas que separadamente procuraram diagnosticar doença e gravidade. Os diagnósticos foram incorretos na grande maioria dos casos e praticamente não houve concordância entre os iridologistas. Outro estudo com método semelhante, utilizando pacientes saudáveis e portadores de colecistopatia, obteve os mesmos resultados. Em ambos, os iridologistas consentiram em participar do estudo, concordaram com o método e tiveram a possibilidade de excluir as fotografias que considerassem de qualidade insuficiente para avaliação.

No entanto, para os defensores da iridologia, há um documentário divulgado recentemente pelo canal de TV Discovery Home & Health que abordou o tema. Três iridologistas norte-americanos, com trabalhos independentes, analisaram as íris de cinco pacientes: dois saudáveis, um diabético, um aidético e outro com leucemia. Os três iridologistas acertaram nos diagnósticos dos cinco pacientes.


Argumentos favoráveis à prática...
- A Iridologia não é ferramenta de diagnóstico, apenas dá noção da constituição do indivíduo.
- O exame iridológico não é invasivo. A única coisa que os pacientes teriam que tolerar é a luz intensa nos olhos.
- Iridologistas têm uma visão holística da saúde e procuram descobrir desequilíbrios que predispõem ao aparecimento de doenças, podendo recomendar hábitos saudáveis.

Argumentos contrários à prática...
- A iridologia seria um método diagnóstico sem qualquer comprovação científica de eficácia e com evidências científicas suficientes que demonstram a sua ineficácia.
- A íris é uma estrutura que praticamente não se altera durante a vida do ser humano, sendo um dos objetos mais estudados da biometria por essa característica.
- A iridologia não é legitimizada por qualquer efeito placebo decorrente da mesma ou por evidência anedótica.