sábado, 10 de janeiro de 2015

Ateísmo, deísmo e agnosticismo: quais as principais diferenças entre esses pensamentos religiosos?!

Durante muitos séculos, em diversas sociedades, dizer-se ateu era assinatura de condenação à prisão perpétua, ao degredo ou até mesmo à morte. Sócrates, por exemplo, exímio pai da filosofia clássica, foi condenado à morte sob a acusação de “degenerar as mentes dos jovens e não seguir e venerar os deuses do Olimpo”. Entretanto, o período mais obscuro para o ateísmo e suas vertentes foi entre o final da Idade Média e a Idade Moderna, quando a caça às bruxas colocou no palco da história a Santa Inquisição.

No entanto, muitas pessoas não compreendem quais são as diferenças entre o ateísmo (o ateu), o deísmo (o deísta) e o agnosticismo (o agnóstico). Para o senso comum, todas essas correntes filosófico-teológicas têm um mesmo fundo: renegar a existência de um Deus ou dos deuses, independentemente de religião – não podemos confundir o ateísmo com o anticristianismo e o antissemitismo. Portanto, na postagem de hoje, vamos descrever as principais características destas três correntes de cunho teológico.


1) Ateísmo – A palavra tem origem no grego “a” (prefixo de negação) e “théo” (deus). Seria o pensamento mais radical dentre as três filosofias apresentadas. Assim, o ateísmo prega a não-existência e não-interferência de nenhum deus ou deuses na cultura e na vida dos seres humanos. Para os ateus, não há necessidade de rezarmos e seguirmos religiões (nenhuma delas) porque haveria aí uma perda de tempo e de racionalidade, uma vez que, segundo os ateus, as religiões tolhem a humanidade do raciocínio pleno e do uso total das suas potencialidades em debates éticos que não têm nenhuma conclusão.

2) Deísmo – Palavra que tem origem no latim “dei” (deus). Ao contrário do ateísmo, essa ala da sociologia teológica compreende que não há um deus específico ou vários deuses em separado. Independentemente de religião ou credo, há uma entidade superior, sem nome e sem lacre de validade, que rege as leis universais. O deísmo ganhou força com o advento das filosofias da Nova Era (sobre a Nova Era, recentemente publicamos um artigo neste blog explicando o que ela é especificamente), e após a popularização de filosofias deístas da Índia através de gurus norte-americanos. Assim, um deísta não crê especificamente em Javé, Buda, Shiva, Vishnu, Amaterasu, mas sim crê na existência de uma entidade superior que os seres humanos ainda não conheceram completamente.

3) Agnosticismo – Palavra de origem grega, “a” (prefixo de negação) e “gnósis” (conhecimento, saber). Ou seja, “não sabemos”. De acordo com a filosofia agnóstica, o ser humano é muito incompleto e pequeno para tentar entender através de sua inteligência ínfima a existência, ou não, de um deus, de vários deuses ou de entidades superiores a nós. Assim, o agnóstico prefere se abster da discussão teológica e por isso o nome desta filosofia significa, no grego “não sei” ou “não sabemos”. Por muitas vezes as pessoas se dizem ateias por não conhecerem as nomenclaturas das correntes teológicas, mas não é que ela não creia em Deus, mas ache o assunto controverso demais para debatermos; assim sendo, ela é transformada num ateu, sendo na verdade, sem saber, um agnóstico.


A falta de conhecimento das pessoas faz com que elas não compreendam muito bem essa divisão, e, como dito anteriormente, um indivíduo com pensamentos deístas ou agnósticos pode passar como ateu na sociedade, como se, também, ser ateu fosse um crime de morte e todos os ateus fossem criminosos escondidos e prontos para atacar. Vale ressaltar o pensamento de Samuel Huntington, grande sociólogo do século 20: “De todas as guerras empreendidas pela humanidade, desde seu nascimento, quase todas foram proclamadas e batalhadas na defesa do nome de um deus”.

O objetivo deste post foi resumir, grosso modo, quais as diferenças de pensamentos e atitudes entre um ateu, um deísta e um agnóstico. Sabemos muito bem que há mais detalhes nestes raciocínios e que mereciam maior detalhamento, mas o espaço da postagem não pode ser enorme e há um limite. Fizemos o trabalho de tentar resumir ao máximo possível no que consistem esses pensamentos. Não queremos abrir polêmicas.