terça-feira, 25 de novembro de 2014

Você já ouviu falar no bicho conhecido como “jackalope”, ou “lebrílope”, mistura de lebre com antílope? Fato ou farsa?!

O “jackalope” é um animal mítico do folclore norte-americano (às vezes chamado pelos índios como “criatura terrível”), descrito como uma lebre com chifres de antílope ou de veado e, às vezes, descrito ainda com caudas de faisão. Em português também é conhecido como “lebrílope”, com a junção das palavras “lebre” e “antílope”.


A história do jackalope/lebrílope foi popularizada no estado americano do Wyoming na década de 1930, depois que um caçador local usar habilidades de taxidermia para enxertar chifres de veado em uma lebre morta durante uma caça, vendendo a criatura como curiosidade para um hotel local. É muito provável, de acordo com os folcloristas, que as histórias envolvendo o jackalope/lebrílope foram inspiradas por avistamentos de lebres e coelhos infectados com o vírus do papiloma Shope, que provoca crescimento de tumores e “chifres” pela cabeça dos animais – talvez por isso os índios chamavam esses animais de “criaturas terríveis”. O conceito de animais híbridos ocorre em todas as mitologias, folclores e culturas – como a sereia, o grifo, o dragão e a quimera, por exemplo – e jackalopes/lebrílopes também aparecem em alguns textos renascentistas fantásticos.

O mito do jackalope/lebrílope...
O jackalope/lebrílope tem levado a muitas pessoas a reivindicarem que a ciência deveria estudar melhor os relatos, pois ele poderia ser real. É dada, inclusive, uma nomenclatura científica: “Lepus temperamentallus”. Diz-se ser o cruzamento de veados-pigmeus com coelhos ou lebres selvagens, tornando uma espécie de “coelho assassino”. De acordo com os textos míticos, o jackalope é extremamente tímido, a menos que se sinta ameaçado; outras lendas dizem que jackalopes/lebrílopes fêmeas podem até ser ordenhadas tirando-se o leite para alimentação humana. Ainda segundo o mito, esses animais podem ser capturados e caçados quando deixadas bebidas alcoólicas como isca – semelhante à caça às gambás. Outros índios dizem que um animal deste pode repetir a voz humana, como papagaios. Segundo relatos nos tempos do Velho Oeste, homens diziam que podiam ver vários jackalopes/lebrílopes rondando a fogueira dos acampamentos da Califórnia; outros folcloristas contam a história que alguns índios diziam que esses bichos só se reproduzem no inverno rigoroso e uma fêmea só tem um filhote por vez, o que faz com que eles sejam tão raros. Alguns folcloristas chamam os jackalopes/lebrílopes de “unicórnios americanos”.


Os desenhos de jackalopes em obras renascentistas podem ser a fantasia do Novo Mundo logo após as descobertas de um “mundo maravilhoso” nos tempos das Grandes Navegações. Foi nessa época que se acreditava no poder da natureza em criar seres míticos em outros continentes distantes da Europa, tais como hidras, dragões, unicórnios, sereias, scylas etc. Entretanto, cada folclorista conta o mito dos jackalopes/lebrílopes de uma forma, com uma origem diferenciada, dependendo da região dos Estados Unidos.

O famoso jornal “New York Times” atribui a origem da história ao ano de 1932, envolvendo o caçador Douglas Herrick durante a sua adolescência na cidade de Douglas, no estado norte-americano do Wyoming. Herrick e seu irmão estudaram taxidermia por correspondência, e depois de terem caçado algumas lebres, Douglas Herrick separou uma lebre para fazer o serviço de taxidermista. Na oficina, ele decidiu, de brincadeira, colocar pequenos chifres de veado no animal e, assim, foi “construído” o primeiro jackalope/lebrílope. Depois disso, os irmãos venderam a dez dólares o bicho a Roy Ball, que colocou em exposição no Hotel La Bonte, na mesma cidade. Em 1977, o jackalope/lebrílope foi roubado enquanto a Câmara de Comércio de Douglas fazia dinheiro vendendo licenças de caças de jackalope/lebrílope a vários turistas curiosos. A prefeitura chegou a criar, nos anos 1960, a “temporada de caça ao jackalope”, em junho.

A verdade sobre o mito...
De acordo com os folcloristas, os irmãos Herrick não criaram nenhum ser mitológico, mas sim reproduziram fisicamente o primeiro ser concebido pela fantasia de índios norte-americanos. Esses índios chamavam os jackalopes/lebrílopes de “criaturas terríveis”; e isso tem mais verdade do que mito: avistamentos de lebres e coelhos infectados com o vírus do papiloma Shope, que provoca o crescimento de tumores parecidos a chifres na cabeça dos animais, causando deformações desastrosas e extremamente contagiosas. Veja as fotos abaixo:




Reconhecimento oficial...
Em 2005, a legislatura estadual do Wyoming reconheceu o jackalope como criatura mitológica oficial do estado. Com isso, muito da cultura indígena, considerada morta por muitos estudiosos, passou a viver através da mentalidade fantástica das pessoas, algumas que ainda creem na existência desses animais.

Desde o experimento dos irmãos Herrick nos anos 1930, vários taxidermistas têm vendido para todo mundo, através da internet, exemplares de jackalopes/lebrílopes de diversos tipos e jeitos. No meio disso tudo ainda aparecem os curiosos em capturar animais realmente infectados com os vírus apresentados acima.