quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Considerações sobre o movimento do anticristianismo e sobre a figura do Anticristo: fato ou farsa?! Ele já estaria entre nós?!

O anticristianismo não é uma religião, mas sim um movimento político e filosófico que visa fazer frente às instituições ligadas ao Cristianismo, possuindo uma série de dogmas, fundamentos e regras, por isso muitas pessoas teorizam esse movimento como uma religião, que não pode ser confundida com o Satanismo. Dentre as regras básicas há a base na visão niilista de Friedrich Nietzsche (foto abaixo) através dos livros “Assim falou Zaratustra” e “O Anticristo”.


O anticristianismo tenta construir uma sociedade alternativa ao Cristianismo com valores não-cristãos e laicos. O movimento anticristianista pode se basear em religiões e formas espirituais alternativas, ou numa ciência ateia, ou também incorporando os movimentos pagãos, místicos diversos, telêmicos, satanistas, helenos ou new ages que vão contra a doutrina religiosa, mas não obrigatoriamente. Não confundir o movimento anticristão filosófico e intelectual com outras vertentes. Por ser tão variado, pode ser facilmente confundido.

Os anticristãos consideram-se contra todas as formas de Cristianismo: todas as doutrinas católicas, protestantes e reformistas. Cada anticristão possui personalidade própria e não é obrigado a ter uma veste específica ou estilo de vida (muitos não os têm), pois, como já dito, ele se incorpora. Também não se deve confundir anticristianismo com anticlericalismo (contra todas as formas de clero: que nem todos os anticristãos serão) nem com o ateísmo. Os ateus acreditam na realidade e alguns têm as crenças cristãs como loucura, por vezes placebo ou coisas criadas sem fundamento, lógica ou racionalidade pelos crentes eles próprios. Os ateus crêm, pois, na realidade a ponto de se fazerem eles mesmos, e a crença no mundo material, perceptível pelo Homem. Pelas razões expostas, não se pode identificar anticristianismo com ateísmo.


O anticristianismo pode se encaixar no ateísmo ou ceticismo, mas também pode ser independente, pode se incorporar em demais religiões, mas pode existir sem a afirmação de nem uma delas. Os anticristãos muitas vezes são vítimas de preconceito. Como os ensinamentos de Jesus Cristo se difundem ao Islamismo (que o tem como um profeta), os anticristãos podem reagir negativamente ao Islamismo. Anticristianistas não são obrigados a estar vinculados ao marxismo ou comunismo (este último promove o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida), mas pode se incorporar a eles assim como a ideologias capitalistas.

Anticristãos acreditam na independência da religião, qualquer que seja o motivo que os inspire a ser anticristãos. Para os anticristãos, a religião cristã é uma ditadura, baseada em dogmas, verdades absolutas impostas, onde será impossível qualquer grupo que não concorde conviver pacificamente. Para os anticristãos, o Cristianismo é uma ditadura onde apenas os cristãos podem se pronunciar ou criticar qualquer outro seguimento, e o contrário não o pode ocorrer. Para os anticristãos, o cristianismo é uma filosofia que não cabe na sociedade, pois consideram que religiões e filosofias não-cristãs, mulheres, homossexuais, dentre outros, são, pelo seu proselitismo homogenizador, objeto de constrangimento da parte do Cristianismo. Para os anticristãos, portanto, o Cristianismo, onde se manifeste, gera um relacionamento conturbado, logo é uma religião de falsa paz. O anticristianismo define-se essencialmente por este conjunto de crenças.

Anticristianismo como movimento na história...
Logo na Idade Média os anticristãos foram perseguidos sem distinção por serem considerados hereges e blasfemos, também foram mortos, perseguidos com eles as bruxas, os ciganos, os filósofos diversos, ateístas, as religiões indígenas, ameríndias, as religiões pagãs, as crenças africanas, os homossexuais e as prostitutas da época. Também com eles a Maçonaria, muito da ciência e algumas das crenças orientais, muitas religiões/filosofias simplesmente desapareceram, independente o que estavam dizendo ou não.

O anticristianismo teve princípio logo no início do Cristianismo. O anticristianismo, todavia, teve auge no Iluminismo: corrente cultural que reclamava trazer “luzes” ao obscurantismo (do qual, em certa medida, culpava a religião) e uma filosofia que não incluía dogmas, perseguições ou moralidade dúbia. No “século das luzes”, filósofos como René Descartes, John Locke, Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau começam a lançar as bases da independência ao Cristianismo.


Na França, Voltaire foi considerado o maior dos filósofos iluministas e um dos maiores críticos do Antigo Regime e da Igreja. Defendeu a liberdade de pensamento e de expressão. Mas as liberdades de pensamento e expressão, no caso dele, significavam liberdade de pensamento e de expressão desvinculada da doutrina cristã. Além de combater a Igreja como instituição, Voltaire combate também a sua doutrina. Voltaire defendia a ideia de uma fraternidade em bases puramente humanas, sem a necessidade de Deus ou superior a Deus. Além da de Voltaire, também a ação difusora dos filósofos Diderot e D’Alembert foi fundamental para que os valores iluministas ganhassem muita popularidade e tivessem êxito.

Algumas pessoas usavam e usam de ambiguidade e de citações dúbias tais, que poderão levar outras a identificar os primeiros com o anticristianismo. Entre os que se pronunciariam ambiguamente pode-se citar Shakespeare, Leonardo da Vinci, Freud (ateu declarado e pai da psicanálise), Aldous Huxley, Charles Darwin e Nietzsche. Freud, por exemplo, era contra a religiosidade e a favor de o Homem acreditar em si. Albert era outro que também criticou muito o Cristianismo em várias cartas a seus colegas físicos e demais cientistas.


A figura do Anticristo de acordo com as correntes teológicas...
A origem da palavra Anticristo é grega: “Antixristós”, ou “opositor a Cristo”. Denominação comum no Novo Testamento da Bíblia para designar aqueles que se oponham a Jesus, e também designa um personagem escatológico, apocalíptico, que segundo a tradição cristã dominará o mundo perto do fim dos tempos.

Perfil do Anticristo...
De acordo com os textos, será um ser humano de capacidades e habilidades incríveis, o maior líder de toda Terra. Esse personagem é mencionado principalmente nos livros de Daniel (Velho Testamento), II Tessalonicenses e Apocalipse (ambos no Novo Testamento). A Bíblia em si através dos seus versículos dá vários outros adjetivos ao Anticristo: “o pastor inútil”, “o pequeno chifre”, “o príncipe que há de vir”, “o homem vil”, “o rei que fará segundo sua própria vontade”, “o homem da iniquidade”, “filho da perdição”, “iníquo”, “o Anticristo”, “a besta”, “o abominável da desolação”, “assolador”.

O Anticristo será um líder, alguém de cargo político muito importante: ele chegará à liderança mundial formando uma nova era de paz e segurança global. Ele vencerá pela diplomacia, pacificamente, convencendo todos os líderes mundiais, com sutileza, engenhosidade e sabedoria. Ele será um homem “complexo”, diferente de todos os demais, alguém que abraçará, em seu caráter, as habilidades e poderes de Nabucodonosor, Napoleão, Alexandre Grande, e de César Augusto.

Possuirá o admirável dom de atrair as pessoas e a irresistível fascinação de sua personalidade, suas versáteis conquistas, sua sabedoria sobre-humana, sua grande habilidade administrativa e executiva, aliadas ao seu poder de consumado lisonjeador, brilhante diplomata, e soberbo estrategista, vão torná-lo o homem mais notável e importante de todos os Tempos. Terá uma personalidade gentil, inofensiva, compassiva e se dedicará à paz e prosperidade do mundo. Esse líder estará pronto para solucionar grandes problemas mundiais: guerras, crises, pobreza, desigualdades etc.


II Tessalonicenses, 2:7 diz: “Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; então, será, de fato, revelado o iníquo”. Assim, para os crentes nesta crença, esse mistério já está operando e preparando o caminho para a entrada do Anticristo. Com certeza Anticristo já está presente, camuflado em algum lugar, aguardando apenas o momento de manifestar-se.

Alguns dos aspectos do seu futuro governo mundial, segundo a Bíblia, são: governará o mundo todo, governará com consentimento de todos, controlará a economia mundial, fará um acordo de paz com as terras de Israel, terá grande sabedoria e inteligência, enorme poder intelectual, será um gênio político, estrategista militar, grande orador, gênio do comércio e da administração e falso religioso.

O Anticristo de acordo com a escatologia muçulmana...
Como o Islamismo acredita que Jesus Cristo tenha sido o penúltimo profeta a vir à Terra (o último foi Maomé), então eles creem que Dajal, o Anticristo, será uma figura maligna que supostamente retornará antes do Juízo Final. De acordo com textos tradicionais do Islamismo, “dizem que ele terá um olho danificado e o outro será normal”. Para alguns, o fato do Anticristo ter um olho danificado e o outro normal relaciona-se com a representação do Olho da Providência, ou simplesmente, o “olho que tudo vê” dos movimentos da Maçonaria e dos Illuminati.


Considerações gerais sobre a figura do Anticristo...
O termo “Anticristo” ocorre apenas quatro vezes na Bíblia, todas elas nas cartas do apóstolo São João. As passagens são I João 2:18, 2:22, 4:3 e II João 1:7, onde o termo Anticristo é definido como um “espírito de oposição” aos ensinamentos de Cristo. O Cristianismo crê, no entanto, que este “espírito” seja uma personificação de um “messias demoníaco” que virá nos últimos dias. Por essa razão, os cristãos creem que este Anticristo é descrito em outros textos, tais como o livro de Daniel, as cartas de Paulo (como “o homem do pecado”) e o Apocalipse como a “besta que domina o mundo”. Para certos grupos cristãos, incluindo a Igreja católica, tal besta chegou a ser personificada através do imperador romano Nero – grande perseguidor dos cristãos primitivos.

Segundo muitos teólogos, o Anticristo mencionado pelos cristãos do primeiro século era alguém que já atuava naqueles dias. Não era personagem de um futuro tão distante, nem futuro próximo, como o texto de I João 4,3: “[...] Anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo”. Ao longo da história, diversas correntes cristãs acusaram-se entre si ou atribuíram aos seus inimigos a designação de “anticristos”, sendo exemplos de utilização de tais argumentos o Cisma Papal, as Cruzadas (referindo-se a Maomé), na Reforma Protestante (referindo-se ao Papa) e na Contrarreforma (referindo-se a Lutero), entre outros diversos acontecimentos. Também há os que consideram que o termo Anticristo poderá estar ligado aos modernos movimentos satânicos ou pensamentos liberais.

Atualmente, o termo é bastante popular, sobretudo no meio cristão protestante, onde existe uma interpretação por parte de muitos grupos de que o Anticristo será uma pessoa que se oporá aos mandamentos da Bíblia e organizará uma sociedade baseada em valores outrora atribuídos ao paganismo, onde todos os cidadãos poderão ser controlados através de uma marca na mão ou na testa à semelhança da marca que os romanos impunham sobre seus escravos ou à que era colocada nos prisioneiros dos campos de concentração durante a Alemanha nazista, e que seria o número 666. Este Anticristo, por fim, seria derrotado por Cristo em sua segunda vinda, quando se estabelecer seu reinado milenar.


São Policarpo, através da Epístola aos Filipenses (livro apócrifo bíblico) alertou aos filipenses que todos que pregassem uma falsa doutrina em nome de Cristo seria um Anticristo. Santo Ireneu especulou que seria “muito provável” que o Anticristo poderia ser chamado “Lateinos”, que é o grego de “homem latino”, ou seja, do Império Romano. São João Crisóstomo alertou contra especulações e antigas histórias sobre o Anticristo, dizendo: “Não nos deixe saber sobre estas coisas”. Ele pregou que conhecendo as descrições de Paulo do Anticristo em II Tessalonissences, os cristãos evitariam a decepção. Por fim, Santo Agostinho escreveu: “É incerto em qual templo o Anticristo deve se estabelecer, e ainda se será na ruína do templo que foi construída por Salomão, ou na igreja”.

Aliados do Anticristo...
Assim como Nero foi taxado como o primeiro Anticristo da história, por perseguir os primeiros cristãos, também Napoleão foi chamado como tal pelos seus inimigos ingleses e portugueses. Adolf Hitler também foi acusado de ser o Anticristo contemporâneo, tanto pelos judeus que perseguia quanto pelos seus inimigos, os Aliados. A braçadeira, a saudação da mão direita e a marca recebida pelos presos nos campos de concentração foram identificadas como sinais da besta. Outras figuras históricas também foram identificadas como aliadas do Anticristo: Osama Bin Laden, Josef Stálin, George W. Bush etc.

Algumas doutrinas protestantes acreditam que a dominação mundial pelo Anticristo acontecerá após o arrebatamento do povo de Deus (Mateus 24-40,41), esse período é chamado de período pré-tribulacional, porque acontecerá antes da Grande Tribulação.

Ascensão ao poder do Anticristo e sua derrota...
O Anticristo será um homem que surgirá em meio às crises mundiais existentes, de forma que sua aparição surpreenderá o mundo. Seu governo se tornará, em um curto espaço de tempo, num forte governo mundial unificando com sucesso todos os blocos de relações econômicas e políticas existentes no momento. Com a finalidade de trazer a paz, será reconhecido e aceito, e combaterá as crises mundiais implantando um largo sistema de integração financeira: o sistema 666 de compra e venda (Apocalipse 13:16–18). Neste momento, com o auxílio de um “deus estranho” (Daniel 11:39, Isaías 14:12), exaltará a si próprio como sendo o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” e exigirá ser adorado como Deus, declarando-se então ser o Messias de Israel (Daniel 11:36). Será então que, perseguirá todo aquele que, na Terra, não se curvar a ele para adorá-lo como Deus, manifestando-se ser o que a Bíblia chama de “o filho da perdição” (II Tessalonicenses 2:3), o então Anticristo. Descumprirá o seu tratado mundial de paz e estabelecerá, então, a guerra. Se voltará contra Israel e Jerusalém no lugar do antigo templo, para lá pôr o trono do seu governo mundial (Daniel 11:31).

De acordo com a interpretação comum da Bíblia, o Anticristo será derrotado no retorno de Jesus Cristo à Terra, e lançado no lago de fogo e enxofre, a que se chama “segunda morte”. A isso se seguirão mil anos de reinado de Cristo, e, por fim, o Julgamento Final a chegada da Nova Jerusalém.


A Reforma Protestante e a Contrarreforma Católica no contexto do Anticristo...
Na Reforma Protestante, Martinho Lutero, João Calvino, Thomas Kranmer, John Knox, Cotton Mather, e John Wesley chamaram o Papa de Anticristo. Na Contrarreforma Católica, por sua vez, Martinho Lutero e outros reformadores foram chamados de Anticristo por terem ocasionado a suposta perda da unidade cristã, e “amputado e desmembrado o Corpo de Cristo”. Atualmente, muitas correntes cristãs retiraram estas afirmações para reatarem relações. Porém, outras ainda as mantêm em suas confissões de fé.

Lutero, em 1522: “Oh! Quando não me custou, apesar de que me sustente a Santa Escritura, convencer-me de que é minha obrigação encarar sozinho com o Papa e apresentá-lo como o Anticristo! O Papa, quer apagar a luz do Evangelho destinada a iluminar ao mundo. É, então, o Anticristo predito por Daniel, pelo Senhor Jesus Cristo, Pedro, Paulo e o Apocalipse”.

Kranmer, em 1555: “E quanto ao Papa, eu o abomino como inimigo de Cristo, e Anticristo, com todas as suas falsas doutrinas”.

Confissão de fé irlandesa, de 1615, da Igreja Episcopal: “O Bispo de Roma é, longe de ser a cabeça da Igreja Universal de Cristo, o que sua doutrina e obras, de fato revelam, que ele é aquele ‘homem do pecado’ predito nas Santas Escrituras, a quem o Senhor há de consumir com o espírito de Sua boca, e abolir com o resplendor de sua vinda”.

Confissão de fé de Westminster, de 1647, da Igreja Presbiteriana: “Não há outro cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo. Em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, senão que ele é aquele Anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus”.

Confissão de fé de Londres, de 1689, da Igreja Batista: “O Senhor Jesus Cristo é o cabeça da Igreja, aquele que, por designação do Pai, todo poder para o chamamento, instituição, ordem ou governo da igreja foi investido de maneira suprema e soberana; nem pode o Papa, de forma alguma, ser o cabeça dela, mas ele é o Anticristo, aquele homem do pecado, e filho da perdição, que se exalta a si mesmo, na igreja, contra Cristo e a tudo que se chama Deus; a quem o Senhor destruirá com o resplendor da sua vinda”.