quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Você conhece a história do “Código de conduta dos piratas”? Fato ou farsa?!

O código de conduta dos piratas é um código de conduta seguido pelos bucaneiros, corsários e piratas da região do Caribe, que disciplinavam o comportamento a bordo dos navios, a divisão dos tesouros capturados e saques realizados, além da compensação para quem os ajudasse e o que fazer com os capturados e feridos durante uma incursão. Portanto, não podemos dizer que se trata de uma farsa das fábulas envolvendo navios piratas singrando os mares do Atlântico: pelo contrário, ao longo dos séculos 16, 17 e 18 esse código era muito comum para compor uma ordem nas naus.

As regras variavam de acordo com o navio, com a viagem e com o capitão, mas todos os membros deveriam cumprir juramento e assinar os artigos do código. O primeiro código pirata foi proposto pelo pirata português Bartolomeu Português. Um dos códigos mais conhecidos é o de Morgan que foi editado em 1720.


Com a popularização destes códigos de conduta, os piratas começaram a atuar seguindo um conjunto de regras variadamente chamado de: “Chasse-partie”, “Charter party”, “Custom of the coat” ou “Jamaica discipline”. Mais tarde, no Caribe, essas regras ficaram conhecidas como “Articles of agreement” e no Brasil e em Portugal conhecidas como “Código de conduta pirata”.

As regras piratas variavam de um capitão para outro, não havendo uma uniformidade. Às vezes, essas regras mudavam de uma viagem para outra, mas geralmente assemelhavam-se no que dizia respeito à manutenção da disciplina, às especificações sobre a divisão dos tesouros entre os tripulantes e compensação aos feridos durante as incursões.


De acordo com os pesquisadores destas práticas piratas, cada membro da tripulação era convidado a assinar ou deixar sua marca no código (uma vez que maior parte dos piratas era formada por homens broncos e analfabetos) para, em seguida, fazer um juramento de fidelidade ou honra. Em geral, o juramento era feito sob uma Bíblia; entretanto, um dos homens de John Phillips, que não tinha uma Bíblia em mãos, fez seu juramento sob um machado (ou seja, explicitamente um recado de que se o código fosse rompido, a mão poderia ser cortada). De acordo com algumas lendas, houve piratas que juraram sobre pistolas cruzadas, espadas, crânios humanos e até sobre canhões.

Geralmente, após o início de navegações piratas novos recrutas – provenientes de navios capturados – eram persuadidos a assinar o código, algumas vezes voluntariamente, outras, eram torturados ou ameaçados de morte. Artesãos do mar e navegadores eram os mais suscetíveis de serem forçados a assinar regras sob coação e raramente seriam libertos independentemente da sua decisão de assinar ou não. Em alguns casos, mesmo os recrutas voluntários pediam aos piratas para forçá-los a assinar o código. Faziam isso para, em caso de serem capturados pela lei, poderem alegar que tinham sido forçados a assinar o código.


Exemplos de códigos...
Quatro códigos completos, ou parcialmente completos, sobreviveram. Foram publicados principalmente na obra “A general history of the pyrates”, de Charles Johnson, em 1724. Um código parcial de Henry Morgan foi preservado no livro “The buccaneers of America”, de Alexandre Exquemelin, em 1678. Muitos outros piratas tiveram códigos. Muitos destes se perderam devido à conduta pirata de, na iminência de uma captura ou rendição pela lei, queimar ou jogar as regras no mar para que as mesmas não fossem usadas contra eles em seus julgamentos.

Durante muitos anos, muitos historiadores disseram que esses códigos de conduta dos piratas eram espécie de lenda justamente porque poucos sobreviveram, e os que sobreviveram eram descartados como prova histórica, sendo taxados de fraude de colecionadores do século 19, mas as pesquisas avançaram e provou-se a veracidade destes poucos códigos que sobreviveram ao tempo. Abaixo temos algumas das regras destes códigos ainda existentes:

- Todo pirata da nau tem que seguir o código de conduta;
- O código de conduta tem como objetivo listar uma série de regras básicas para convívio durante a incursão nos mares, por isso deve ser seguido por todos sob risco de pena de morte;
- Todo homem tem direito a voto nas questões do momento, direito a uma porção igual de provisões e utilizá-las ao seu modo, a não ser que a escassez obrigue o racionamento;
- Todo homem só pode ser chamado no seu turno, conforme a lista, pois fora dele está livre para descansar e fazer o que desejar. Porém se defraudar a companhia, o castigo é ser abandonado numa costa deserta para ser encontrado por outro navio;
- Ninguém pode jogar cartas ou dados valendo dinheiro;
- Não se pode fazer qualquer tipo de aposta valendo dinheiro ou nenhum objeto de valor como tesouros e joias;
- As velas devem ser apagadas às oito horas da noite. Depois desta hora quem desejar continuar a beber o deve fazer no convés;
- As pistolas, espadas e demais armas devem sempre estar limpas e prontas para a batalha;
- Crianças e mulheres não são permitidas a bordo. Quem embarcar pessoas disfarçadas é punido com a morte;
- Desertores durante combates são punidos com abandono em uma costa deserta ou morte;
- É proibida qualquer espécie de sodomia, e os que a praticar serão punidos com abandono em uma costa deserta ou morte;
- As disputas são resolvidas em terra com um duelo de pistolas ou espadas. Vence o duelo de pistolas quem não for atingido. No duelo de espadas perde o primeiro a sangrar;
- Ninguém pode desistir da pirataria enquanto não juntar mil libras. Se tornar incapacitado deve ser indenizado com oitocentas libras e assim proporcionalmente para ferimentos menores;
- O capitão e o contramestre devem receber dois quinhões do saque ou tesouro. O imediato, o mestre e o oficial armeiro, um quinhão e meio e demais oficiais um quinhão e um quarto;
- Músicos podem descansar na noite do sábado, mas não nos demais dias a não ser que tenham um favor especial.