quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Você conhece a chamada “Conspiração judaico-maçônico-comunista internacional”?! Fato ou farsa?!

A Conspiração judaico-maçônico-comunista internacional, às vezes chamada de Conspiração judaico-maçônico-marxista internacional, ou simplesmente Conspiração judaico-maçônica, é uma teoria da conspiração envolvendo uma suposta aliança secreta entre judeus, maçons e comunistas de todo mundo. O objetivo obscuro da aliança seria a dominação de todo mundo.


A ausência de evidência de uma conspiração mundial desse porte é tida como demonstração da influência dos conspiradores, pois trabalham para suprimir a evidência da sua atividade. Entretanto, muitas pessoas adeptas da extrema-direita afirmam que essa conspiração está ativa desde pelo menos 1922 (ano da formação da União Soviética) e segue em curso através da grande mídia norte-americana (os grandes estúdios de cinema, geralmente, estão nas mãos de judeus e de maçons). Há um debate muito forte, por vezes controverso em torno desta história.

A existência do antissemitismo na Europa pode ter origem na Idade Média, que liga sociedades sem sistema capitalista desenvolvido para um amplo grupo de preconceitos ideológicos, principalmente o desprezo pelas atividades econômicas, independentemente da sua função econômica, além de a Igreja, naquela época, condenar quem emprestava dinheiro a juros.

Naquela época os judeus eram impedidos nos feudos de terem terras, portanto eram condenados a estudar e a vagar de vila em vila fazendo comércio e emprestando dinheiro. Isso fez com que eles se tornassem importantes mercadores, pessoas letradas em uma sociedade de analfabetos, e serem acusados de “terem causado a morte de Cristo” em uma sociedade teocêntrica.


No período do medievo a única maneira socialmente aceitável de ficar rico sem suspeita era através da renda feudal, acessível somente para os privilegiados, que foram certamente muito mais do que os judeus. Em vez disso, destacaram-se nelas, porque sua condição impediu-os de modo geral ao acesso a outros tipos de ocupações (embora alguns dos judeus europeus eram agricultores que se dedicam em diferentes postos de trabalho manual e intelectual). A manipulação desses preconceitos foi uma maneira útil para desviar os conflitos sociais (o descontentamento dos desprivilegiados em momentos críticos), utilizando os judeus como bodes expiatórios. A eles atribuíram toda sorte de más intenções (como a peste negra, o sequestro e assassinato de crianças em rituais, profanação dos sacramentos cristãos etc.)


Junto a esse contexto temos, com o tempo, a popularização da Maçonaria. Como esta instituição tem uma série de códigos secretos cujos segredos são revelados somente para os iniciados, a Igreja católica passou a ver ali na instituição uma possível ameaça à sua hegemonia política, social e cultural. Por isso passou a organizar movimentos proibitivos aos católicos romanos de participarem da Maçonaria. Assim sendo, passamos a ter dois “perigos” à hegemonia católica do mundo: o Judaísmo letrado e capitalizado e a Maçonaria, com suas reuniões secretas.

Mas desde a divulgação do suposto “Os protocolos dos sábios de Sião” estas teorias de conspiração foram se tornando cada vez mais complexas. (Neste blog, há algum tempo, já abordamos a questão desta fraude contra os judeus, com nascimento na Rússia czarista). O fato de Karl Marx – um dos idealizadores das teorias do comunismo/socialismo – ter nascido numa família judaica, junto à origem judaica de proeminentes líderes comunistas, permitiu acrescentar à conspiração movimentos sindicais e socialistas, membros de sua ideologia.

A Maçonaria recebeu condenação papal desde o século 18, e seu papel na formação das chamadas Revoluções Liberais, especialmente dos primeiros ciclos (Independência dos Estados Unidos, a Revolução Francesa, revoluções de 1820), foram controversas. Sua condição de sociedade secreta excitava a imaginação, e levava a todos os tipos de fantasias na época romântica.


Com o tempo, a suposta Conspiração judaico-maçônico-comunista internacional ganhou o mundo capitalista em dois momentos após a Revolução Russa (1917): durante a Crise de 1929 e logo após a Guerra Fria (1945-1991). No primeiro momento, em 1929, temos os grandes capitalistas norte-americanos e europeus acusando os judeus, comunistas e maçons de estarem conspirando uma trama internacional para desestabilizar a economia do planeta, e é assim que vemos a subida ao poder do Nazifascismo na Europa. Mais tarde, na Guerra Fria, o governo dos Estados Unidos vai buscar forças no passado recente para acusar possíveis espiões comunistas, judeus e maçons contra a própria pátria; assim, temos o início da perseguição pública na figura do Macartismo.

Pelo o que podemos analisar, temos um tripé que eternamente será acusado de diversas coisas nos acontecimentos da História. O Judaísmo como reflexo de um possível interesse exacerbado em dinheiro; a Maçonaria com um possível interesse em desestruturar as instituições a seu favor durante reuniões secretas; e o Comunismo, com o objetivo de acabar com a propriedade privada e coletivizar tudo.

Mas, como vimos, essa conspiração está embasada no preconceito total. Tendemos a demonizar e a criticar aquilo que não temos conhecimento, e foi isso que aconteceu no passado a fim de regularizar as mentalidades das populações contra um inimigo que o sistema não conseguia compreender bem, criando factoides. Entretanto, muitas pessoas permanecem acreditando nessas teorias que mais parecem loucas, pois desde o século 19 estamos observando falar-se delas e até hoje não aconteceram.