terça-feira, 28 de outubro de 2014

Os mistérios de Akakor, a cidade perdida na Amazônia brasileira...

Hoje vamos falar sobre uma das curiosidades mais interessantes envolvendo o território brasileiro, o que poderia ser uma lenda de séculos ou, então, um incrível achado arqueológico esperando para ser descoberto. No interior da Amazônia, na imensidão daquele mar verde e “diabólico” (para os pesquisadores) estaria escondida uma cidade perdida conhecida como Akakor.


Akakor é uma suposta cidade perdida que estaria localizada dentro da imensidão da Floresta Amazônica, dentro do território brasileiro, possivelmente próxima à fronteira de algum país andino (Venezuela, Colômbia, Peru ou Bolívia). Akakor teria origem pré-colombiana e seria uma cidade perdida de origem inca.

A existência de Akakor é semelhante a duas lendas envolvendo também a Amazônia: a cidade de Eldorado, que tudo seria de ouro, tão procurada pelos exploradores espanhóis no século 16 (assunto já abordado neste blog anteriormente), e a lenda das amazonas – temíveis guerreiras das matas brasileiras. Por ser um local exótico aos europeus colonizadores e conquistadores, sempre foi um lugar repleto de histórias envolvendo monstros, seres míticos etc.

O criador do mito é um alemão chamado Günther Hauck (fotos abaixo), usando o codinome de Tatunca Nara, que fugiu para o Brasil em 1968 depois de inventar uma história baseado em mitos já conhecidos como o Eldorado e o Paititi, refúgio onde os incas teriam escondido as toneladas de ouro que seriam pagas como resgate ao conquistador espanhol Francisco Pizarro pelo imperador Atahualpa.




Muitos aventureiros morreram ou simplesmente desapareceram nas selvas do Brasil, do Peru e da Colômbia procurando por essas supostas ruínas. Akakor acabou se tornando uma espécie de Machu Picchu dos tempos atuais, isso porque ela se manteve escondida dos olhos ocidentais por mais de quatro séculos até ser descoberta por arqueólogos no século 20. A esperança é que o mesmo aconteça com Akakor e o nome do “descobridor” entre para os anais da história e da arqueologia.

De acordo com os arqueólogos e historiadores, há duas possibilidades dentro dessa história contada no post de hoje, uma positiva e outra negativa – mas ambas muito difíceis de se comprovar. (1) A positiva diz que a Amazônia tem uma área muito grande explorada somente por ar e espaço e que muito pode estar enterrado e debaixo de milhares de árvores, impossível de se observar do alto, necessitando de enormes expedições por terra, o que seria impossível. Assim sendo, o aspecto positivo é que realmente pode haver algo sob o sedimento florestal de séculos e séculos. (2) A negativa diz respeito aos povos indígenas da região amazônica. Eles não fundaram nenhuma grande civilização, ainda estavam na Idade da Pedra quando conheceram os europeus pioneiros e não deixaram nenhuma estrutura oral falando sobre essa cidade perdida. Para piorar a situação, nenhum grupo indígena brasileiro tinha a tradição da escrita, portanto não deixou praticamente nada para a posteridade a não ser a memória oral.

Como podemos observar, a situação de Akakor é bastante complicada para os crédulos nesta teoria criada por um alemão que veio para o Brasil fugido e buscando moradia por questões políticas no período da Ditadura Militar, em um país cujos moradores fugiram em busca de asilo político na Europa – lembre-se do lema: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.


É muito importante pontuar que Günther Hauck (Tatunca Nara) nada mais era do que um informante dos órgãos oficiais de repressão da Ditadura Militar, que tinha como objetivo descobrir se havia grupos guerrilheiros sendo formados no Norte do país, dentro da floresta, como havia acontecido décadas antes em Cuba. Inclusive Karl Brugger, o jornalista que publicou a história relatada por Günther Hauck (Tatunca Nara) foi assassinado em 1984 no Rio de Janeiro. Isso fez aumentar ainda mais as conspirações envolvendo a possível existência de Akakor, e muitos conspiracionistas alegam que os militares queriam esconder o fato de alguma forma, o que na verdade não tem nenhum embasamento.

Em 2008, o arqueólogo mais famoso da ficção visitou a Pirâmide de Akator (nome propositalmente modificado), no coração do “inferno verde”, a Amazônia, no filme “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, mas a real existência das ruínas recriadas eletronicamente pelos produtores do filme nunca foi cientificamente comprovada.

Em compensação, muitas pessoas acreditaram na história relatada por Günther Hauck (Tatunca Nara) devido ao seu passado obscuro e também ao fato de que até hoje são encontrados sítios arqueológicos e ruínas de civilizações pré-colombianas nas regiões próximas às fronteiras do Brasil.


Akakor é uma das lendas envolvendo a Amazônia mais conhecida no mundo e menos conhecida no Brasil, país onde estaria esse legado maravilhoso de índios brasileiros. O grande problema é que temos uma área gigantesca para procurar, poucos indícios de verdade e nenhum relato ou documento escrito deixado pelos antepassados. Ao que tudo indica tudo não passa de uma farsa criada por um alemão cujo objetivo era investigar possíveis movimentos de guerrilha comunista no interior do país nos anos da dura Ditadura brasileira (1964-1985).