terça-feira, 21 de outubro de 2014

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (38)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Quem realmente inventou o avião, os irmãos Wright ou Santos Dumont?
Sempre que assistimos a filmes, desenhos e seriados norte-americanos que mencionam a invenção do avião, estes se referem à façanha aos chamados irmãos Wright. Entretanto, aqui no Brasil estamos acostumados à história de que o brasileiro Alberto Santos Dumont seria o “pai da aviação”. Na realidade, os irmãos Wright realizaram o primeiro voo, mas este não foi feito com um motor, mas através de uma espécie de catapulta, que jogou o avião que, por sua vez, planou alguns metros acima do chão. Santos Dumont que seria, mesmo, o “pai dos aviões”, pois seu 14-Bis voou por propulsão de um motor próprio, e não foi catapultado como ocorrera nos Estados Unidos; tanto que em todo o mundo é o brasileiro considerado o inventor do avião, menos na América do Norte.


É verdade que antigamente a sociedade via os epiléticos como possuídos pelo demônio?
Sim, e não somente os epiléticos. De acordo com os especialistas em história da medicina e dos processos sociais, epiléticos em crise, esquizofrênicos, autistas, portadores das Síndromes de Tourette e do Pânico eram vistas como potenciais maus agouros dentro de casa e na sociedade. Isso porque havia dois quadros importantes, principalmente na Idade Média: (1) nas crises epiléticas ou esquizofrênicas, por exemplo, as pessoas ficam sem controle algum quando não estão medicadas, falam o que não devem e agem em dicotomia com o que a sociedade prega, ou seja, antissociais demonizados – já que não havia diagnóstico psiquiátrico; (2) nos casos de pessoas com depressão e pânico havia um outro problema: as pessoas não queriam tomar sol nem ir à igreja (rito máximo da sociedade na época), sendo assim uma pessoa que gosta de escuro (típico de deprimidos e melancólicos) e com medo de tudo, se recusando em ir à igreja, era um péssimo sinal de possessão demoníaca. A situação só começou a mudar um pouco com o desenvolvimento maior das teorias da psiquiatria no século 18.

Quais são os possíveis benefícios do sal de cozinha ao corpo humano?
Apesar de ser essencial para saúde, pois auxilia na manutenção do equilíbrio hídrico e o funcionamento regular das células, é importante consumir sal com moderação para evitar a hipertensão. O sal de cozinha é composto por 40% de sódio, um nutriente essencial para nosso organismo, o qual contribui para a regulação osmótica dos fluídos e atua na condução de estímulos nervosos e na contração muscular. De acordo com o “Guia alimentar da população brasileira” e a Organização Mundial da Saúde, o consumo máximo de sal por dia não deve ultrapassar 5g por dia. Além de conferir sabor ao alimento industrializado, o sal funciona como um conservante natural de tais produtos. Logo, há maior tempo de prateleira (validade), garantia na segurança sanitária, além de apresentar funções tecnológicas como textura e estrutura nos produtos.


Os seres humanos só usam 10% da capacidade do cérebro?
O mito do uso de 10% do cérebro é uma lenda urbana. Segundo a crença popular, se todo o cérebro fosse utilizado, o indivíduo desfrutaria de habilidades sobre-humanas. Alguns argumentam que a porção inativa do cérebro esconde funções psicocinéticas e psíquicas. Afirma-se que algumas pessoas de QI muito elevado usariam mais do que 10% do cérebro, tal ideia é muitas vezes atribuída a Albert Einstein. Portanto, sugere-se que a inteligência de uma pessoa está ligada à porcentagem do cérebro que ela utiliza. Embora a capacidade intelectual do indivíduo possa aumentar ao longo do tempo, a crença de que grande parte do cérebro é inutilizada e, essencialmente, só se faz uso de 10% do seu potencial efetivo não tem base científica e é desmentida pela comunidade científica. Uma hipótese para a origem do mito refere-se à teoria da reserva de energia, criada pelos psicólogos de Harvard William James e Boris Sidis na década de 1880. Eles basearam a teoria na análise de William Sidis, uma criança prodígio que teve resultados em testes de QI similares a de adultos. William James disse em audiências públicas que as pessoas só encontram uma fração de todo o seu potencial mental, o que é uma afirmação plausível. Em 1936, o escritor americano Lowell Thomas resumiu essa ideia adicionando uma porcentagem falsa. De acordo com uma história de origem semelhante, o mito dos 10% mais provavelmente surgiu de um mal-entendido ou de uma deturpação de pesquisas neurológicas do final do século 19. Por exemplo, as funções de muitas das regiões do cérebro (especialmente do córtex) são complexas o suficiente para que efeitos de danos sejam notados, levando cedo os neurologistas a conhecerem o que essas regiões faziam. O neurologista Barry Gordon descreveu o mito como ridiculamente falso. Assim, se 90% do cérebro é normalmente inutilizado, então danos nessas áreas não deveriam prejudicar o seu funcionamento. O cérebro é muito custoso ao resto do corpo em termos de consumo de oxigênio e nutrientes. Isso pode consumir vinte por cento da energia do organismo, mais do que qualquer outro órgão, apesar de ser apenas 2% do peso do corpo humano. Se 90% do cérebro fosse desnecessário, haveria grande vantagem evolutiva em seres humanos com cérebros menores e mais eficientes. No episódio de “Mythbusters”, os apresentadores utilizaram magnetoencefalografia (MEG) e ressonância magnética para formar uma imagem do cérebro de alguém resolvendo uma tarefa mental complicada. Constatando que muito mais de 10%, de fato, quase 100% do cérebro estava ativo, eles declararam o mito como detonado.


O que é e o que faz um guru?!
Grosso modo, simplificando, os gurus estão presentes nas principais religiões orientais – Budismo, Hinduísmo, Sikhismo e Xintoísmo – e a origem da palavra vem do sânscrito, significando “professor” ou “mestre”. De acordo com os dogmas destas religiões, uma pessoa se torna um guru quando ela quase chega a atingir a perfeição de vida, servindo de exemplo para as demais pessoas através da simplicidade, sabedoria, espiritualidade, vivacidade, experiência de vida etc. O guru espiritual ajuda as pessoas a lidarem com seus defeitos e suas qualidades a fim de atingirem o máximo que essas religiões pedem às almas e espíritos dos seres praticantes destas fés. Seria, assim, uma espécie de elo entre o plano terreno e o plano espiritual (os vários deuses e almas encarnadas). Entretanto, existe uma hierarquia muito importante entre os gurus, desde os iniciantes na prática até os mais experienciados na função religiosa-filosófica-mística. É por conta disso que aqui, no Ocidente, as pessoas experts em determinados assuntos e que ensinam as demais pessoas a lidarem com determinados acontecimentos são chamadas de “gurus”: guru da informática, guru da administração, guru da economia, guru da consultoria financeira etc.