sábado, 27 de setembro de 2014

Você conhece os usos medicinais da cocaína, da maconha, do ecstady e do LSD?! Fatos controversos da medicina e da história...

Algumas pessoas defendem a liberação das drogas no Brasil para “uso medicinal”, alegando poderes curativos de drogas como maconha, cocaína, ecstasy e LSD. Mas será que essas drogas um dia já foram usadas para esse fim dentro dos hospitais e dos consultórios? A resposta é sim! Durante muitos anos vários médicos fizeram uso de algumas drogas, que justamente foram sintetizadas em laboratórios para esta finalidade. Atualmente, em vários países a maconha já é liberada para fins medicinais e recreativos (como o cigarro de tabaco).

Este é o tema de hoje: um post falando sobre a história dos processos medicinais da cocaína, da maconha, do LSD e do ecstasy, que são as drogas mais usadas no Ocidente. Poderíamos colocar aí tantas outras, como anfetaminas, anabolizantes musculares, ópio etc. Entretanto o nosso foco é falar sobre essas drogas citadas acima.


A história do uso medicinal da cocaína...
- A cocaína foi isolada das folhas de coca, uma planta sulamericana pela primeira vez entre 1855 e 1856, pelo cientista alemão Friedrich Gaedckë;
- O uso da cocaína espalhou-se gradualmente após cientistas italianos levarem sementes de coca para a Europa, em 1863 e a criação do vinho Mariani, uma espécie de vinho misturado com extrato da coca;
- Curiosamente, o Papa Leão 13 fazia uso frequente de chás de folha de coca para suas insistentes dores de cabeça;
- A Coca-Cola seria inventada em parte como tentativa de competição dos comerciantes americanos com o vinho Mariani importado da Itália. A Coca-Cola continuaria desde a sua invenção até 1903 a incluir cocaína nos seus ingredientes, e os seus efeitos foram sem dúvida determinantes do poder atrativo inicial da bebida;
- No final do século 19 a cocaína ficou popular entre as classes altas dos Estados Unidos e da Europa. Sigmund Frued foi um dos médicos que receitava cocaína em certas medidas para seus pacientes estressados e vítimas de Síndrome do Pânico;
- Em muitas oficinas industriais, cujo trabalho durava de 12 a 16 horas por dia, era muito comum os patrões darem pequenas doses de cocaína para os empregados cheirarem e darem conta do serviço pesado;
- Freud deixou o uso da cocaína de lado ao ver que vários pacientes e colegas seus ficaram viciados na droga, muitos deles morrendo de overdose suicida;
- Em 1884, o médico amigo de Sigmund Freud, Karl Köller, usou a cocaína pela primeira vez como anestésico para cirurgias nos olhos de seus pacientes. Ele aplicava gotas de uma infusão de cocaína nos olhos dos pacientes antes da operação;
- No final do século 19 a cocaína ganhou um grande terreno e um comércio legal enorme. A companhia americana Park Davis vendia livremente até para crianças cigarros de cocaína, cocaína em pó ou líquido injetável sob a publicidade: “Substituir a comida; tornar os covardes corajosos, os silenciosos eloquentes e os sofredores insensíveis à dor”;
- O famosíssimo personagem fictício Sherlock Holmes (personagem de Sir Arthur Conan Doyle) chega mesmo a injetar cocaína nas veias numa das histórias.



A história do uso medicinal da maconha...
- A maconha como uso medicinal tem vários efeitos benéficos bem documentados entre aqueles que defendem a liberação da droga para uso medicinal e até recreativo. Entre eles estão: melhora de náuseas e vômitos, estimulação do apetite entre pacientes que usam tratamentos quimioterápicos e em doentes com AIDS, diminuição da pressão intraocular (o que se demonstrou eficaz no tratamento de glaucoma), além de efeitos analgésicos gerais;
- Estudos individuais menos confirmados também foram realizados indicando que a maconha pode ser benéfica para uma grande variedade de doenças, da esclerose múltipla à depressão;
- Atualmente, a FDA, dos Estados Unidos, não aprova o fumo de cannabis para qualquer condição ou doença, em grande parte porque a FDA afirma que ainda faltam evidências científicas de qualidade que comprovem que a utilização da planta é eficaz. Outras instituições, como a American Society of Addiction Medicine, argumentam que não existe “maconha medicinal”, porque as partes em questão da planta não cumprem os requisitos das normas para medicamentos aprovados;
- Estudos recentes comprovaram a eficácia do THC, principal substância da maconha, contra as células cancerígenas. Além de pesquisas com injeções intramusculares de concentrações de D9-THC retardarem a progressão da imunodeficiência em macacos infectados com HIV;
- Dezoito estados dos Estados Unidos, além do Distrito de Colúmbia, já legalizaram a maconha para uso médico através de leis estaduais. Países como Canadá, Espanha, Holanda, França, Itália, República Tcheca e a Áustria legalizaram de alguma forma a cannabis, ou o extrato contendo uma dose baixa de THC, para uso medicinal. Recentemente, o Uruguai também tem tomado medidas para legalizar e regulamentar a produção e a venda da droga.



A história do uso medicinal do ecstasy...
- O ecstady, também conhecido como “pílula do amor” é uma droga sintética, ou seja, feita em laboratórios e seu nome farmacêutico é bem complicado: metilenodioximetanfetamina;
- Ao ser descoberta, a droga foi pouco usada para problemas psiquiátricos porque causa euforia, sensação de bem estar e muita fome. Era comum no tratamento da depressão e da bipolaridade;
- É um erro pensar que o ecstasy, com suas substâncias sintéticas, seja um acelerador da libido – e por isso é erroneamente conhecido como “pílula do amor”. O que ocorre, na verdade, é um aumento na euforia do ser humano;
- O registro da patente do ecstasy aconteceu em 1912 pelo químico alemão Anton Köllisch, que fez a patente em nome do laboratório onde trabalhava na Merck. Foi desenvolvido inicialmente para militares, pois combatia o sono e a fome;
- Dependendo da quantidade ingerida, o ecstasy demora tipicamente meia hora para surtir efeito. Ao contrário de outros psicoactivos, o efeito é muito rápido: muitas vezes quando o consumidor percebe que os efeitos estão surgindo, já se encontram muito próximos do “pico”;
- Em 1916, a Merck chegou a comercializar o ecstasy associado à cafeína para casos de hiperatividade e falta de apetite. Era um meio de substituir a comercialização da cocaína, que como vimos acima, foi muito popular, mas neste período já se encontrava marginalizada por causa do vício criado na sociedade;
- Durante o período de intensidade do ecstasy podem surgir circunstâncias perigosas: náuseas, desidratação, hipertermia, hiponatrémia, hipertensão. Estes sintomas são frequentemente ignorados pelo consumidor devido ao estado de despreocupação e bem estar provocados pela droga, o que pode ocasionar exaustão, convulsões e mesmo a morte;
- Como substituto à comercialização da cocaína, o ecstasy acabou sendo também marginalizado porque causava, também, enorme dependência química, aumento da depressão quando o uso é muito prolongado e registro de vários casos de suicídio. Assim, na década de 1930 já havia a proibição do uso e comercialização da droga.



A história do uso medicinal do LSD...
- LSD é a sigla de “Lysergsäurediethylamid”, palavra alemã para a dietilamida do ácido lisérgico, que é uma das mais potentes substâncias alucinógenas conhecidas. Foi sintetizado pela primeira vez em 1938 e, em 1943, o químico suíço Albert Höffmann, enquanto trabalhava na Sandoz, acidentalmente descobriu os seus efeitos;
- Uma das maiores tristezas de Höffman, que morreu aos 102 anos é que a droga que ele sintetizou acabou sendo proibida até dos laboratórios químicos porque as pessoas fizeram dela uma droga de lazer, enquanto ele esperava que fossem estudados os efeitos químicos e farmacêuticos para uso no caso de algumas doenças;
- Timothy Leary foi o grande disseminador do uso irrestrito e consequentemente descomedido da droga, por muitos também considerado o grande responsável pelo banimento da mesma;
- Os efeitos psicológicos durante e após o uso do LSD podem ser devastadores (pânico, desencadeamento de psicose, estresse pós-traumático, síndrome serotoninérgica entre outros). É consumido por via oral, absorção sub-lingual, injetada ou inalada. Ademais, inibe a atividade dos neurônios do rafe (importantes em nível visual e sensorial), no entanto há hiperatividade e alteração de todos os sentidos;
- Hoje é menos utilizada clinicamente, posto haver dificuldade em conseguir permissão dos governos, mas já foi extensivamente usada e pesquisada em décadas passadas. Há pesquisas quanto a sua administração em pacientes terminais de câncer em alguns países desenvolvidos – acredita-se que a substância pode ajudá-los a lidar com a idéia do óbito e também funcionar como potente analgésico;
- Após certa experimentação e maior divulgação na comunidade científica, tornou-se prática frequente seu uso clínico em sessões de psicoterapia, pois se acreditava que o inconsciente tornava-se intensamente acessível por meio do LSD, ajudando o paciente a chegar a uma nova percepção acerca das questões que envolvem seu universo psico-afetivo;
- Atribui-se auxílio na descoberta da estrutura do DNA, que rendeu o prêmio Nobel a Francis Crick, à mente brilhante do cientista sob o LSD. Similarmente ao modo como a molécula de benzeno foi descoberta no século 19 em um sonho por Friedrich von Stradonitz, Crick visualizou a dupla hélice do DNA pela primeira vez, em meados do século 20, sob a influência essencialmente onírica do LSD;
- Outra mente inventiva famosa que considerava a experiência com LSD como uma das mais importantes de sua vida foi Steve Jobs, co-fundador antigo CEO e da Apple Inc.;
- A dietilamida do ácido lisérgico atingiu o apogeu de sua popularidade na década de 1960, estando seu consumo constantemente associado ao movimento psicodélico, que abrange imenso número de artistas; estão entre nomes famosos Jim Morrison, Emerson Lake and Palmer, Pink Floyd, King Crimson, Jethro Tull, Tom Zé, Beatles etc.;
- Especula-se que Salvador Dalí tenha feito uso da substância, visto ser bastante próximo ao vulgo “guru do LSD” Timothy Leary (apresentou-o à sua futura esposa, Nena Thurman, mãe da atriz Uma Thurman). Nos anos dourados, o LSD, em seu auge, também teve sua proibição;
- Curiosamente, até 1966, o LSD era fornecido comercialmente pelo laboratório Sandoz pelo nome comercial “Delysid” nos Estados Unidos. O uso destes compostos por psiquiatras para obterem um entendimento subjetivo melhor de como era a experiência de um esquizofrênico foi uma prática aceita;
- O LSD também foi inicialmente utilizado como recurso psicoterapêutico e para tratamento de alcoolismo e disfunções sexuais e obteve grandes êxitos até o início do vício por parte dos pacientes;
- Nos anos 70, o LSD era usado ilegalmente pela CIA, dos Estados Unidos, em interrogatórios. Isto porque supostamente o LSD era conhecido como a “droga da verdade” porque poderia, segundo a crença, abrir a mente das pessoas em efeitos psicotrópicos e elas poderiam falar o que se desejava saber. Desta forma, milhares de pessoas foram interrogadas sob efeito desta droga;



Este post teve como objetivo mostrar como as drogas mais comuns e usadas um dia foram associadas a tratamentos médicos no passado, criando um falso argumento para a liberação das mesmas em outros tratamentos contemporâneos. Entretanto, acreditamos que se trata de uma faca de dois gumes, pois os efeitos supostamente benéficos são muito pequenos frente e comparados aos efeitos destrutivos e viciantes destas substâncias que um dia foram liberadas e cujo uso fora, um dia, incentivado pelos governos.