quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A polêmica do elo perdido: fato ou farsa?!

Hoje vamos debater sobre um dos assuntos mais polêmicos relacionados à Teoria da Evolução Darwinista, a história da possível falta de um “elo perdido”; ou seja, aquilo que poderia ligar o homem ao macaco, segundo a teoria do inglês Charles Darwin (foto abaixo). Isso é polêmica porque envolve, principalmente, grupos religiosos. Mas, primeiro, nosso interesse é debater o que é o “elo perdido”.


Na Paleontologia, dá-se o nome de “forma de transição” – ou de “fóssil de transição” – a um organismo conhecido apenas do registro fóssil, que combina diversas características dos seus descendentes e antecessores evolutivos. Fora do ambiente acadêmico, esses fósseis são conhecidos popularmente como “elos perdidos” da evolução, embora o termo seja pouco preciso em termos científicos, uma vez que a evolução das espécies é mais complexa que uma simples cadeia onde há um elo em falta.

De fato, a grande maioria dos fósseis de transição não é antecessora direta de formas atuais. Tendo em conta que a evolução das espécies é um processo contínuo, todos os organismos vivos num dado momento representam formas transicionais, mas algumas são particularmente importantes para perceber a relação filogenética entre grupos distintos.


A existência de possíveis formas de transição – elos perdidos – foi proposta pela primeira vez recentemente, considerando-se a história do conhecimento humano. Somente no século 19 através de Darwin, no seu clássico “A origem das espécies”, publicado numa altura em que a paleontologia dava os seus primeiros passos enquanto ciência.

A ausência de fósseis de transição conhecidos era um grande obstáculo à teoria da evolução, reconhecido pelo próprio Darwin. Dois anos mais tarde, porém, foram descobertos fósseis de Archaeopteryx, numa formação geológica alemã, que combinavam as penas e asas de aves com mandíbulas e cauda de réptil. Nas décadas seguintes, a existência de fósseis de transição foi confirmada por mais descobertas, em particular pelos estudos do paleontólogo Othniel Charles Marsh, que reconstruiu a evolução dos equídeos com base em várias formas transicionais.


No entanto, de acordo com Simon Conway-Morris, da Universidade de Cambridge, o resultado líquido está muito longe de um tapete perfeito de forma que permitiria que um investigador lesse a Árvore da Vida, simplesmente por encontrar os intermediários – vivos e extintos – que, em princípio, conectam todas as espécies. Pelo contrário, os biólogos estão muito mais impressionados pela descontinuidade de forma biológica, e a ausência geral de intermediários.

Os argumentos dos religiosos...
A grande polêmica envolvendo a história do elo perdido começou assim que Darwin publicou sua obra-prima e divulgou sua teoria. Na Inglaterra, os membros religiosos questionavam como o ser humano – criação perfeita de Deus, à sua imagem e semelhança – poderia ter algum parentesco com o macaco. Isso era inconcebível para a sociedade falsamente puritana nos tempos da Rainha Vitória.

Como argumentação por parte da ala religiosa, decidiu-se refutar a teoria da evolução das espécies darwinista através da pergunta: “O que ligaria o Homem ao macaco?”. Ou seja, onde estaria o elo perdido desta cadeia que ainda continua em composição? Até os dias de hoje esse debate continua em aberto e muitas escolas religiosas proíbem o ensino de biologia evolucionista, em detrimento da teoria religiosa criacionista, que afirma que o ser humano nunca passou por nenhum tipo de evolução, mas já estava pronto na Terra, criação última de Deus.

Mesmo a ciência ainda procurando com afinco através de pesquisas paleontológicas o chamado elo perdido da cadeia de evolução humana, havendo certo dissenso entre as partes, não há tanta discussão como entre a ciência e fé neste assunto. Grande parte dos artigos e fóruns são entre os que creem no evolucionismo e aqueles que acreditam na teoria máxima do criacionismo, de um mundo pronto.