quinta-feira, 24 de julho de 2014

Considerações sobre o que as religiões pensam sobre a possibilidade de vida extraterrestre...

O que será que os principais teólogos das diferentes correntes religiosas pensam sobre a vida alienígena? Será que quando falamos em aliens e seres de “outros mundos” estamos anulando a crença em Deus (ou deuses)? Esta é uma questão muito polêmica que tem sido debatida no meio religioso com o suporte da ciência. Até mesmo o Vaticano já se pronunciou sobre isso, e vamos falar sobre este posicionamento hoje.


1. Muitos teólogos de diferentes ramos religiosos acreditam, inicialmente, que a comprovação da vida extraterrestre não abalaria a fé das pessoas, nem traria descrédito às religiões;

2. Conforme o ponto de vista de ufólogos e alguns teólogos, o Cristianismo poderia ser a religião mais afetada pela confirmação da existência de extraterrestres, uma vez que sempre pregou o planeta Terra como sendo o ponto máximo da criação de Javé, junto com o homem, criação máxima da inteligência divina;

3. De acordo com os teólogos, as religiões orientais – como o Hinduísmo, o Budismo, o Sikhismo e o Xintoísmo – são as que mais se adaptaram à ideia de seres de outros planetas, pois suas teologias variadas falam da existência de seres vindos das estrelas, sendo alguns chamados “irmãos galácticos”;

4. De acordo com um grupo de teólogos luteranos dos Estados Unidos, a existência da vida alienígena não é um assunto recente a ser debatido pela religião, mas discutido filosoficamente há, pelo menos, 800 anos, e isso não romperia com a fé em Deus, mas mostrando ainda mais a sua grandiosidade;

5. Anos atrás, o astrônomo e diretor do Observatório do Vaticano, José Gabriel Funes, afirmou que a Igreja Católica não teria problemas com a possibilidade da existência de vida inteligente em outros lugares do cosmos;


6. No ano 2010, houve enorme polêmica. Guy Consolmagno, astrônomo do Vaticano, especulo que, se os alienígenas realmente existem, eles devem ter almas e se ofereceu para batizá-los pessoalmente. Isso virou um escândalo porque remontou a época das Grandes Navegações, quando a Igreja forçou o batismo dos indígenas americanos e escravos africanos;

7. De acordo com o Judaísmo, há comprovações de que existem bilhões de galáxias no universo visível, e isso não contradiz a teologia judaica, mas pelo contrário: não se pode limitar a obra criadora de Deus, uma vez que no próprio planeta Terra existem milhões de espécimes diferentes de animais, e por que não, também, no universo?

8. Teologicamente, o Catolicismo também pensa o mesmo. O Observatório Vaticano diz que a criação de Deus é imensa, infinita, e que seres inteligentes podem, sim, viver neste vastíssimo universo ainda desconhecido para a capacidade e tecnologias humana;

9. Um dos poucos ramos que ainda encontramos “problemas” ao abordar a questão extraterrestre é o neopontecostal fundamentalista, uma vez que para este ramo teológico, Deus é tão perfeito que não criaria outros seres em outros recantos do universo. De acordo com os ufólogos, isso parece o pensamento católico da Idade Média;

10. A fim de abordar a questão de como as religiões da Terra reagiriam ao contato com uma civilização alienígena, o ufólogo americano Peters elaborou um questionário que tem sido enviado a diversos líderes religiosos. A conclusão de suas pesquisas indica, segundo ele, que os religiosos estão muito mais dispostos a louvar a Deus juntamente com um alienígena do que poderíamos esperar;


11. De acordo com uma pesquisa realizada em 2011 pelo Instituto Gallup, nos Estados Unidos, pessoas de religiões e denominações diferentes acreditam que a realidade da vida extraterrestre não faria mal à sua fé;

12. De acordo com alguns ufólogos europeus que estudam a relação das grandes religiões com a crença na vida alien, fica uma pergunta: “Jesus Cristo morreu na cruz pelos aliens e sua salvação também?”. É que de acordo com o Cristianismo, o evento histórico teve efeito para salvar toda a criação divina;

13. Veja como vai o debate: se toda a criação inclui 125 bilhões de galáxias com centenas de bilhões de estrelas em cada uma, como os astrônomos pensam, então o que aconteceria se algumas dessas estrelas tivessem planetas com civilizações avançadas também? Por que Jesus Cristo veio à Terra, de todos os planetas habitados no universo? Para salvar os terráqueos e abandonar o resto das criaturas de Deus?

14. O professor de filosofia Christian Weidemannof, que se autodescreve como cristão protestante sugeriu algumas soluções possíveis. Talvez os extraterrestres não sejam pecadores, como seres humanos, e, portanto não precisem de salvação. No entanto, o princípio da mediocridade – a ideia de que o seu exemplo é mais provável, a menos que você tenha provas em contrário – lança dúvidas sobre isso. “Se existem seres inteligentes extraterrestres, é seguro assumir que a maioria deles são pecadores também”, disse Weidemann. “Se for assim, Jesus irá salvá-los também? Provavelmente não. Então, a nossa posição entre os seres inteligentes no universo seria muito excepcional”;

15. Na visão do Espiritismo e de algumas filosofias religiosas do Oriente, outra possibilidade é a de que Deus encarnou várias vezes, enviando uma versão de si mesmo para salvar cada planeta habitado separadamente. No entanto, com base nas melhores estimativas de quantas civilizações poderíamos encontrar no universo e por quanto tempo os planetas e as civilizações são esperadas para sobreviver, encarnações de Deus teriam que estar em cerca de 250 lugares simultaneamente em um dado momento, assumindo que cada encarnação levou cerca de 30 anos;


16. Se Deus realmente se tornou corpóreo e tomou forma humana quando Jesus Cristo nasceu, as várias reencarnações não teriam sido possíveis. Embora a descoberta de inteligência extraterrestre provavelmente estimule um profundo exame de consciência nas pessoas de todas as crenças, muitas das religiões do mundo podem facilmente se acomodar ao conhecimento do que ao Cristianismo;

17. Isso parece ser um problema somente para o Cristianismo. No Islã, por exemplo, Maomé era um profeta, ou mensageiro de Deus, não Deus encarnado. Por isso, profetas adicionais poderiam simultaneamente visitar outros planetas para salvar espécies extraterrestres;

18. Em última análise, no entanto, a descoberta de alienígenas inteligentes não é suscetível de constituir uma grave crise para o Cristianismo. Afinal, a religião já sobreviveu a desafiadoras revelações científicas antes, como por exemplo, a forma arredondada da Terra enquanto ela pregava que o planeta era plano como uma mesa;

19. O interesse do Vaticano pela ufologia e a vida extraterrestre começou a chamar a atenção do mundo a partir do dia 18 de janeiro de 1997, quando a revista oficial da Conferência dos Bispos da Itália publicou uma entrevista com o Padre Piero Coda, um dos mais importantes teólogos do Vaticano. Em suas declarações, Padre Coda afirmou que, “criados por Deus e tendo suas falhas, os extraterrestres também precisam de redenção através das palavras salvadoras de Jesus Cristo”;

20. Padre Coda afirmou que se existirem seres inteligentes e livres em outros lugares do universo, a solidariedade religiosa exigirá que a eles também seja oferecido o caminho da salvação. O religioso ainda disse que “pode até haver algum enriquecimento cultural, exatamente como aconteceu no passado, quando a cultura europeia entrou em contato com mundos que eram até então absolutamente desconhecidos”;


21. Meses antes da entrevista do Padre Coda, outros teólogos do Vaticano haviam declarado ao respeitado jornal italiano “Corriere Della Serra” que os extraterrestres também devem ser considerados filhos de Deus;

22. Em outubro de 1998, ao divulgar a mais recente edição do Dicionário do Vaticano, a Santa Sé admitiu ter incluído a expressão “objeto voador não identificado” que, na obra, é chamada em latim de “res inexplicata volans”, algo como “coisa voadora inexplicada”. Ainda no mesmo mês, o influente jornal inglês “The Sunday Times” informou que o Vaticano começará a construir um dos maiores observatórios astronômicos do planeta, a ser localizado no deserto do Arizona, Estados Unidos. Os planos do Vaticano são de que o observatório venha a ser um dos mais bem equipados do mundo, para que possa contribuir intensamente na busca de outros planetas com condições de sustentar a vida;

23. “Procurem as digitais de Deus”, disse o Papa João Paulo II aos 20 padres astrônomos que estão trabalhando no projeto e à toda a equipe que o está desenvolvendo. Aparentemente complementando as declarações do Papa, o diretor do observatório, Frei George Coyne, comentou no dia seguinte: “Acreditamos que a Igreja tem de se juntar a esse esforço científico internacional de busca por vida no espaço. A graça trazida pela encarnação de Cristo estende-se a todos os campos da atividade humana”;

24. A conversão de extraterrestres ainda não teve seus procedimentos e rituais definidos pela Santa Sé, pois o assunto não está sacramentado, mas dificilmente seria idêntico aos realizados com humanos. Tudo isso porque se deu a lembrança histórica da conversão forçada de índios e escravos no processo conhecido como Grandes Navegações, dos século 15 ao 18;

25. Este ano a agitação está por conta de Monsenhor Corrado Balducci, teólogo do Vaticano e uma das pessoas mais próximas de João Paulo II. Monsenhor Balducci é assíduo na televisão italiana e fala abertamente sobre ET’s e Ovni’s. Segundo ele, que disse não estar se expressando oficialmente pelo Vaticano, a Santa Sé está recebendo muitas informações sobre os extraterrestres e seus contatos com os terráqueos. Essas informações, de acordo com o monsenhor, vieram principalmente de seus núncios no México, Chile e Venezuela;


26. O teólogo reafirmou que a Igreja Católica está analisando o assunto com muito interesse, lembrando que os encontros com extraterrestres “não são demoníacos, nem provenientes de problemas psicológicos ou, muito menos, de casos de possessão por entidades. Este tema deve ser estudado com muito cuidado”;

27. O que chama atenção de modo especial é que Monsenhor Balducci é um exorcista consagrado no Vaticano, cujo hábito é extirpar do meio católico todas as práticas consideradas estranhas ou desconhecidas – o que, entretanto, não fez com a ufologia;

28. Do outro lado da história estão algumas das igrejas protestantes neopentecostais mais fundamentalistas, que chegam até mesmo a negar o catastrófico efeito estufa no planeta Terra. Para essas denominações, Deus seria tão perfeito que a existência de outros seres inteligentes romperia com as profecias bíblicas. Na mesma pauta de assunto, o Judaísmo e o Islamismo acreditam que a ufologia e a existência de seres inteligentes não atrapalham a fé;

29. Desde 1995 as religiões começaram a debater o assunto depois que o então Papa João Paulo II afirmou que a ufologia poderia ser uma ciência inovadora e que não interrompe a corrente de fé dos católicos, mas sim ampliaria os conceitos das maravilhas de Deus, chegando a chamar os aliens de “nossos irmãos”;

30. O diretor do Observatório Vaticano, Padre José Funes, declarou que as perguntas que nos fazemos sobre a origem da vida e a possível presença de vida fora do planeta Terra, no universo, são legítimas e merecem uma séria consideração;


31. Em entrevista à imprensa, promovida pela Academia Pontifícia para as Ciências e o Observatório do Vaticano, Padre Funes disse que “mesmo se não encontrarmos vida, as pesquisas nos ensinam coisas importantes e úteis sobre nosso mundo”, o que, segundo ele, seria um grande avanço para todas as ciências e concepções de vida – fora e dentro da Terra.