quinta-feira, 3 de julho de 2014

Considerações sobre o mistério da Ilha Bermeja, no Caribe: fato ou farsa?!

A Ilha Bermeja, também conhecida como Ilha Encarnada, não é mais do que um grupo de rochedos bem sólidos algumas centenas ao norte da Península de Yucatán, no Golfo do México. Marinheiros e cartógrafos do período das Grandes Navegações – séculos 15 a 17 – tinham conhecimento da sua existência. Entretanto, quem hoje procura a Ilha Bermeja no Google Earth não a encontra nas fotos de satélite. É aí que surge o mistério. A ilha é como se fosse um local fantasma, que some e aparece de vez em quando, de tempos em tempos. Alguns exploradores usaram determinadas coordenadas e a encontraram entre um denso nevoeiro; outros foram nas mesmas coordenadas e nada encontraram, misteriosamente.


Estava lá. Aliás, sempre esteve lá! Foi marcada e apontada nos antigos mapas de navegações e muitos exploradores a viram, outros nem tanto”, diz o cartógrafo mexicano Pablo Casablanca, que estuda a Isla Bermeja há muitas décadas. Segundo ele, recentemente ela chegou a aparecer no Google Earth, mas após uma atualização no sistema das fotografias, ela simplesmente desapareceu. Esse misterioso pedaço de terra no meio do mar pertenceu ao México, mas hoje faz parte do território estadunidense, e ninguém compreende o que aconteceu, ou acontece, à Ilha Bermeja.

Tratado polêmico...
O suposto desaparecimento da ilha começou a atrair a atenção no final do século 20, quando o então presidente do México Ernesto Zedillo estava negociando com o então presidente norte-americano Bill Clinton um tratado sobre a delimitação da plataforma continental com as chamadas “águas internacionais”. O México ficou em convesações diplomáticas na ONU para garantir o controle do domínio da Baía de La Dona e o ponto de referência dos mexicanos foi a Isla Bermeja. Mas, em 1997, descobriu-se, simplesmente, que não havia nenhuma ilha no lugar marcado em vários mapas.

Perplexo, o governo mexicano designou uma missão militar para localizar a Ilha Bermeja. Um navio da Marinha, o Onjuku, navegou até a latitude indicada por pesquisadores para confirmar a existência da referida ilha. Entretanto, chegando ao local, nada foi encontrado e os sonares não detectaram nenhum sinal de formação rochosa próximo à linha de água.

Em 28 de novembro de 2000, Zedillo e Clinton assinaram o acordo e, agora, toda a área pertence aos estadunidenses. Agora sim, de vez em quando, a Ilha Bermeja aparece para alguns pesquisadores e desaparece para outros. As estimativas são de que existem na área algumas reservas de 22 bilhões de barris de petróleo, que o México perdeu nesta transação.


Teoria da conspiração...
No entanto, o caso não foi encerrado. Muitas pessoas começaram a falar em conspiração. Era inexplicável o desaparecimento de uma ilha mencionada há três séculos por tantos marinheiros e exploradores. A primeira menção oficial é de 1568 e ainda era citada até 1946. Alguns senadores mexicanos fizeram petição de uma investigação oficial e mais abrangente e profunda. No México o assunto mais comum é que a CIA teria explodido a ilha com a conveniência dos negociadores mexicanos; um inquérito científico concluiu que não há nenhuma possibilidade de isso ter acontecido, nem mesmo fenômeno natural como afundamento ou submersão.

O cientista Jaime Ujuta, do Instituto Geofísico da Universidade Autônoma da Cidade do México chegou a sugerir que uma bomba de hidrogênio (muito mais potente que uma bomba atômica) poderia ter desintegrado a Ilha Bermeja. Entretanto, ele mesmo afirmou que a hipótese parece ser louca. Outros cientistas sugeriram que a pequena ilha poderia muito bem desaparecer graças à erosão da água do mar. Em 2009, o cientista e professor universitário Julio Sierra repetiu a “jornada” do Onjuku, de acordo com os registros náuticos da Marinha mexicana; as conclusões foram as mesmas anteriores: no local indicado por centenas de mapas não há traço algum da existência de uma ilha, ou a existência de uma ilha destruída por alguma ocasião natural ou humana.


De acordo com muitos geólogos e oceanógrafos, a Ilha Bermeja nunca existiu e a crença na sua existência se fundamentou apenas no erro de mapeamento perpetuado ao longo dos séculos. Aliás, esses “erros” eram comuns na cartografia dos séculos 15, 16, 17 e 18, pois os exploradores inventavam ilhas em seus mapas para observarem se seus mapas estavam sendo copiados à revelia por piratas à procura de embarcações espanholas repletas de ouro vindo das colônias americanas.