terça-feira, 1 de julho de 2014

Câmaras de gás: “industrialização da morte” pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial...

Recentemente, falamos sobre a metodologia dos triângulos coloridos que os nazistas colocaram no macabro sistema estatal durante o período de 1933 a 1945, subjugando eslavos, ciganos, judeus, comunistas, lésbicas, gays etc. Hoje vamos abordar a chamada “industrialização da morte”, ou “burocratização da morte”, quando milhões de pessoas morreram em câmaras de gás instaladas em campos de extermínio no Leste Europeu.



Alguns historiadores revisionistas preconceituosos teimam em dizer que não houve Holocausto e não houve mortes em campos de extermínio do sistema nazista, sendo que outros chegam a afirmar que estes campos de concentração sequer existiram! Mas a História aponta que as primeiras câmaras de gás não eram de concreto, mas móveis.

De acordo com a historiografia, o primeiro uso da câmara de gás aconteceu já na Alemanha nazista, quando um caminhão frigorífico especialmente montado matou vários soldados desertores e “traidores” do sistema então em vigor. Mas elas não foram totalmente demolidas em 1945 junto com a vitória dos Aliados; em alguns estados dos Estados Unidos a câmara de gás ainda é usada como forma de pena de morte para os condenados da justiça.



As câmaras de gás móveis foram substituídas por câmaras de tijolos ao lado de fornos crematórios à medida que os campos de extermínio precisavam acelerar a morte de seus presos doentes e enfraquecidos, que já não serviam mais para o sistema industrial bélico alemão na Segunda Guerra Mundial. Juntos, os campos de Auschwitz, Birkenau, Chelmno, Treblinka e Sobibor foram responsáveis por muitas mortes nessas câmaras macabras, criando a “burocratização da morte”, quando o Estado alemão mecanizou os processos de dizimação dos indivíduos.

Estas câmaras eram hermeticamente vedadas, cobertas de azulejos brancos e com chuveiros acoplados no teto, pois também serviam de salão de banho para os presos saudáveis. Quando os condenados eram carregados até lá, um poderoso e mortal gás chamado Zyklon B era jogado do teto dentro do salão de banho. O Zyklon B, produzido pela afamada indústria farmacêutica Bayer, era o nome comercial, mas na verdade, tratava-se do ácido cianídrico um gás muito utilizado até hoje nas câmaras de gás norte-americanas.

Mas não era uma fumaça aspergida. O ácido cianídrico usado para esse fim é uma pastilha em forma de cristais que uma vez exposto ao ar entra em processo de sublimação, e após algumas horas começa a liberar o gás mortífero e altamente letal quando inalado. Para se ter uma ideia, mesmo em pequenas doses, ao ser respirado o gás cianídrico entra pela corrente sanguínea, até chegar às células, onde bloqueia a ação das mitocôndrias e desse modo, as células ficam sem produzir energia ocorrendo a seguir a morte por asfixia. O gás também é usado em grandes celeiros na eliminação de certas pragas.



Em alguns casos também era realizado um cuidadoso trabalho para que as vítimas realmente pensassem que tomariam banho e sairiam de lá vivas. Os alemães ordenavam que todos ficassem nus e depois recebiam um cabide numerado para que colocassem suas roupas e após o “banho”, pudessem vesti-las. Também eram obrigadas a levantar os braços ao entrar a fim de que houvesse mais espaço para acomodar mais gente, e antes de entrar no “chuveiro”, tinham seus cabelos cortados por prisioneiros que habitavam o campo havia mais tempo, e em um espetáculo de sadismo, algumas vezes, os alemães convocavam uma banda para entreter os prisioneiros antes de levá-los à câmara.

Assim que as portas se fechavam, a luz era apagada e um soldado jogava os granulados dentro do salão para começarem a ser inalados pelos prisioneiros. Entretanto, para se ter ideia do desespero, o espetáculo de morte durava até três horas e a banda continuava a tocar para que os outros prisioneiros não ouvissem os gritos e pedidos de clemência. Muitas vezes as paredes tinham de ser lavadas cuidadosamente após cada utilização, pois no desespero, várias pessoas se jogavam contra elas para morrerem mais rápido com traumatismo craniano.





O Zyklon B foi inicialmente desenvolvido pela Bayer para ser utilizado como pesticida, para matar piolhos, pulgas e carrapatos transmissores de tifo, que era uma doença endêmica na época da Segunda Guerra. A casa ou alojamento com pragas eram bem fechadas e os cristais eram jogados em seu interior. Depois de seis horas, todos os insetos estavam mortos – por isso a morte de seres humanos chegava a demorar três horas de suplício.

Os prisioneiros começaram a reparar que seus companheiros que iam tomar “banho” não voltavam e, em seguida, os fornos crematórios começavam a soltar rolos negros de densa fumaça. Assim espalhou-se o terror em relação ao banho coletivo, pois as pessoas não sabiam se realmente seria um banho.

Em 1944, nos dois campos de concentração mais terríveis, Auschwitz e Birkenau, as câmaras de gás funcionaram pela última vez na Alemanha nazista. Depois disso, o gás cianídrico passou a alimentar o terror no corredor da morte dos Estados Unidos, e ainda o faz até os dias de hoje. Recentemente, a Bayer voltou a ser manchete polêmica na Europa quando tentou lançar um pesticida com o nome Zyklon B, o que acabou não acontecendo.

Esse post serve para o leitor entender como acontece a “burocratização da morte” através do Estado, quando a vida e a individualidade do ser humano são deixadas de lado por motivos sectários. Hoje aprendemos neste texto que a morte na câmara de gás era muito tensa, sofrida e um show de sadismo por parte dos alemães daqueles tempos, que viram nas câmaras de gás a “solução final”.