quinta-feira, 19 de junho de 2014

Fatos e farsas envolvendo o clássico do cinema “O exorcista”, de 1972...

Ninguém passa a vida sem ter ouvido falar ou ter assistido ao clássico do cinema de terror “O exorcista”, gravado em 1971 e lançado em 1972, tornando-se de cara, em 1973, um cult da cultura cinematográfica. Inúmeros são os fatos e as farsas envolvendo esta história, que muitos não sabem, mas é real. No post de hoje vamos falar um pouco do que é verdade e o que não é no meio de tantas lendas urbanas transformando um filme em verdadeiro clássico.


1. A história verídica se passou com um garoto de 14 anos de idade, cuja família era frequentadora da Igreja Luterana. Seu nome era Robbie, e sua história começa a ficar interessante em janeiro de 1949, quando ele vivia ao lado de seus pais e avós em Cottage City, Maryland. Por culpa de uma tia, Robbie aprendeu a usar as tábuas Ouija.  Logo após a morte de sua tia, ele começou a usar a tábua para se comunicar com ela;

2. Depois de algum tempo obcecado com o oculto, o jovem começou a perceber certas manifestações, barulho de pingos à noite, passos, e, até mesmo barulhos de mobílias sendo empurradas começaram a deixar os moradores com muito medo;

3. O pai de Robbie começou a ficar receoso pela a vida de seu filho, sendo que era constante às vezes em que Robbie se sentava na cama ou sofá, e esses começavam a sacudir brutalmente. Os objetos não paravam mais nos lugares, quadros se movimentavam. O próprio garoto começou a ficar atormentado com pesadelos, cada vez mais frequentes, e se sentia muito mal com sensações de enjoo, sempre ficando muito irritado e com certo desgosto a tudo e todos. Seus pais viram como solução levar o garoto a testes psicotécnicos, para ver se havia algo de errado com ele;

4. Os testes não apontavam absolutamente nada de errado, até encontrarem com o Cardeal O’Boyle, que após recebê-los já tinha certeza que algo estava “junto” ao menino. Assim que ele entrou na sala do cardeal, o ambiente se resfriou, e Robbie falou com uma voz demoníaca, dizendo palavras obscenas. Os pais então autorizaram o exorcismo;

5. Na verdade, depois a Robbie foram feitos dois exorcismos, o primeiro dramaticamente atirou-o para uma cama de um hospital, após uma família luterana ter convencido os pais a procurarem ajuda na Igreja Católica. Mesmo atado pelas mãos e pés, o garoto escapou e atacou o padre com uma mola de seu colchão;

6. Assim com o exorcismo não completado, a família decide se mudar para Saint Louis, pois no corpo do garoto apareciam ferimentos que formaram o nome da cidade. E foi lá que a família encontrou um padre e disse que poderia lhes ajudar;

7. O padre rapidamente aceita visitá-los na moradia nova, e logo após entrar, objetos começam a se mexer e o garoto não consegue ficar um segundo sem gritar, ele falava coisas sem sentido algum gritando em latim e dialetos, que, supostamente seria aramaico, seu corpo começava a ficar extremamente quente fazendo com que o lençol de sua cama pegasse fogo;

8. Robbie, no meio das chamas, parecia imune a elas, e o padre dentro do quarto começara a gritar ritos em latim. Uivando e grunhindo o garoto responde com uma voz demoníaca a quase tudo que o padre diz, retrucando em latim também. A cama em meio ao fogo começava a balançar. Por um súbito momento o garoto parou de gritar, era tudo o que o padre precisava. Ele se vira aos pais que estavam parados no corredor, e pergunta se é possível fazer o batismo;

9. Os pais quase sem escolha respondem sim. Rapidamente, o padre oferece a hóstia e o demônio rejeita de primeira, com certa insistência do padre, volta em sua decisão e a recebe. Reconhecendo o poder se São Miguel Arcanjo, o demônio é expulso;

10. O garoto teve de ser internado, pois após o exorcismo ele entrara em coma, e ficou assim por volta de quatro dias. Ao acordar foi perguntado de tudo que se lembrava, e que a única coisa se lembrava era a imagem de São Miguel Arcanjo;


11. As lendas urbanas dizem que todo o elenco morreu, inclusive a menina que foi a protagonista, Linda Blair. Entretanto, isso ocorreu com outro filme de terror, os protagonistas de “Poltergeist”. Linda Blair continua firme e forte na carreira, trabalhando em seriados norte-americanos;

12. O que reforçou a lenda urbana envolvendo o filme “O exorcista” foi a própria boataria, situação que ocorre em qualquer produção cinematográfica: alguém que quebra o pé, outra pessoa que perde o bebê, um indivíduo que bate de carro etc. Nada de sobrenatural, mas normal em uma produção que tem muitas pessoas;

13. De acordo com os anais históricos do cinema, a equipe técnica sofreu horrores durante a produção. O homem que refrigerava o quarto onde aconteceram as cenas de possessão morreu de maneira inexplicável. Um vigia noturno que cuidava dos cenários foi morto a tiros durante uma madrugada. Um carpinteiro cortou o polegar fora. Outro serrou o dedão do pé;

14. Na época do auge do filme, muitos religiosos e igrejas processaram o estúdio e os produtores, simplesmente alegando que se tratava de uma péssima influência para os jovens e crianças (mesmo esse filme não sendo recomendado para o público infantil);

15. Os olhos são muito grandes para as produções cinematográficas de Hollywood. É por isso que os sucessos têm tantas continuações, como “Jogos mortais”, “Piratas do Caribe”, “Sexta-feira 13”, entre outros. Em 1977 os produtores criaram uma nova história: “O exorcista 2, o herege”, desta vez a partir de uma história imaginada, e não real como a primeira;

16. Em 1990 foi lançado “O exorcista 3”, que teoricamente não é uma sequência dos anteriores. O filme se baseia no livro “O espírito do mal”, de William Peter Blatty, autor do primeiro “O exorcista”. Foi ideia dos produtores trocar o título e inserir referências ao clássico de 1973 para atrair público. O enredo se inspirou num serial killer verdadeiro, confundindo ainda mais as coisas;

17. De acordo com os estudiosos do caso real, o menino que deu origem à história do primeiro filme tinha cortes profundos na pele, que apareciam espontaneamente, mas exames psicológicos mostravam o contrário: inteligência enorme e saúde mental perfeita;

18. Ainda segundo as testemunhas do caso, o processo de exorcismo durou quatro meses, o que não é considerado longo pelos cristãos que praticam o exorcismo. De acordo com eles, se uma pessoa for possuída por uma legião de demônios fortes, o processo pode demorar até quatro anos para “limpar espiritualmente” o indivíduo;

19. Em 1986 caiu nas mãos da imprensa o diário de um padre que havia participado deste exorcismo nos anos 1940. Neste diário estavam documentados todos os processos e procedimentos feitos no garoto, mostrando que muitas partes pesadas não haviam aparecido no filme, como um diácono que havia levado mais de cem pontos no braço depois de ter sido atacado com um pedaço de ferro da cama pelo jovem garoto endemoniado;

20. Ainda segundo os relatos do diário, que virou peça rara e importantíssima, vários padres jesuítas continuaram fazendo um trabalho espiritual com a família do menino. Durante um mês a casa dele e de outros parentes próximos sofreu intervenção religiosa com um procedimento conhecido como “libertação espiritual”;


21. Segundo o que estava descrito no diário, as possessões ocorriam à noite, quando o menino se debatia com selvageria, praguejava e dizia “coisas heréticas”, adentrando a madrugada e terminando somente por volta das 7h da manhã do dia seguinte;

22. Os cortes que apareciam no peito do garoto eram ainda mais sinistros, parecendo rabiscou ou arranhões feitos por espinhos, onde as palavras “INFERNO” e “ÓDIO” podiam ser lidas em sangue. Os padres rezavam quase continuamente em latim, pois acreditavam que isto iria apressar Cristo, que iria confrontar o diabo naquele corpo;

23. Segundo o diário do diácono, no domingo de Páscoa de 1949, depois de muitas noites de trabalhos espirituais de exorcismo, o menino se recuperou;

24. Médicos e céticos que leram o diário sugerem que o menino poderia estar sofrendo de gravíssimos males psiquiátricos, tais como: (1) automatismo: ação de maneira mecânica ou involuntária, uma característica de algumas formas de esquizofrenia; (2) síndrome de Tourette: desordem na personalidade, na qual as vítimas gritam descontroladamente, soltam grunhidos, debatem-se e usam linguagem suja ou indecente; e (3) desordem obsessiva e compulsiva: ataca na forma de ansiedade com pouca relevância para eventos atuais, ou denota extrema urgência de realizar atos não necessários ou irrelevantes;

25. De acordo com os padres jesuítas que acompanharam o caso, os sacerdotes que fizeram o exorcismo já morreram e o menino que teve a possessão demoníaca já tem quase 80 anos de idade, casou-se duas vezes e já é avô de vários netos. Vivendo na anonimidade, nunca mais teve problemas com o mundo sobrenatural, e hoje é católico fervoroso;

26. Atualmente, a Igreja Católica é reticente em relação a exorcismos, apesar de o então Papa João Paulo II ter exorcizado uma garota em 1982. Entretanto, de acordo com o padre Amorth, especialista em ritualística, cerca dos 50 mil exorcismos que estudara em sua vida acadêmica, somente uns 80 ele chamaria de possessões genuínas;

27. Atualmente, a recomendação da Igreja Católica é que os sofredores de possessões procurem recursos médicos e psicológicos e, em último caso, procurem a ajuda de um padre experiente e vivido, que, por sua vez, consultará o bispo ao qual está hierarquicamente ligado. Assim, antes de praticar o exorcismo, a Igreja Católica faz um colegiado com sacerdotes e médicos para saber se trata-se de fato, farsa, possessão ou uma simples doença;

28. Segundo as instruções da Igreja Luterana, o exorcismo deve ser algo simples mesmo que a palavra pareça medonha. Uma simples reza e a convocação do nome de Jesus Cristo, além de usar versículos específicos da Bíblia;

29. Reconhecendo os perigos do exorcismo, algumas religiões estão banindo tais práticas e substituindo-as por absolvições e bênçãos. Ao mesmo tempo, as igrejas pentecostais e fundamentalistas, em incrível ascensão popular, atraem multidões para seus cultos de “cura”, que garantem libertação imediata do demônio. Os críticos mantêm a posição de que tais ritos atraem aqueles que querem chamar atenção para si próprios. Argumentos similares podem ser usados para explicar os casos individuais, mas não se pode levar em consideração os depoimentos de pessoas idôneas que testemunharam aterradores, e aparentemente inexplicáveis, eventos durante um exorcismo;

30. Voltando ao caso do menino endemoniado que gerou o filme “O exorcista”, de acordo com informações de dentro do Vaticano, o caso é verdadeiro e há documentos assinados por 48 testemunhas idôneas comprovando a possessão e o exorcismo;


31. Esse exorcismo que deu origem ao filme acabou se tornando uma espécie de lenda urbana nos Estados Unidos. De acordo com o que contam, a casa onde ocorrera o verdadeiro exorcismo teria ocorrido em Mount Rainier, na esquina da Bunker Hill com a 31st Street. Supostamente, após a mudança da família, a casa mostrou-se “invendável” e foi utilizada pelos Bombeiros local como local de treinamento, não admirando ter sido queimada totalmente. Após 25 anos, a prefeitura utilizou o terreno para construir uma praça;

32. De acordo com o diário do padre, um rabino também esteve presente em duas sessões de exorcismo pelo jovem garoto madrugada adentro, mas este abandonou o caso acreditando que se tratava se uma doença psicológica relativamente comum, conhecida como esquizofrenia psicótica;

33. Ainda no diário consta que o menino falava fluentemente várias línguas desconhecidas por ele, um fenômeno conhecido como xenoglossia. O garoto debatia com os exorcistas fluentemente em latim, aramaico e hebraico;

34. Depois do exorcismo bem sucedido, a família do menino começou a passar por uma investigação paranormal e religiosa, vindo a descobrir que tudo teve início quando a tia do menino passou a levá-lo a sessões espíritas e a iniciá-lo na brincadeira do Tabuleiro Ouija. Quando a tia morreu, este começou a usar o tabuleiro para tentar comunicar-se com ela e saber como era o além;

35. Durante um episódio em que o menino estava aterrorizado pela força desconhecida, a sua mãe gritou “se és tu, Tillie, bate três vezes”. Imediatamente se somou uma aragem fria, que entrelaçou o seu sopro gélido à volta da mãe de Roland, da sua avó e mesmo dele próprio. Então se ouviram três batimentos distintos no chão, que todos os três ouviram. A senhora Doe perguntou, excitantemente, “se realmente és tu, Tillie, bate quatro vezes”. De novo os três ouviram quatro batidas no chão, mas muito mais perturbadoras;

36. Segundo o diário do padre que presenciou essa atividade de exorcismo que estamos abordando neste post, refere-se a uma cena clássica do filme: o incrível vômito da menina do filme. Este vômito com tremenda pontaria e numa quantidade absurda realmente ocorreu e, de acordo com o diário, o vômito foi de “quantidades absurdas e anormais”;

37. Ao contrário do que acontece no enredo do filme, somente as três primeiras noites do exorcismo aconteceram na casa da família que sofria com o fenômeno sobrenatural. Foi decidido que tudo aconteceria numa ala de um hospital psiquiátrico de Saint Louis para proteger os padres, os familiares e não chamarem atenção da vizinhança da família;

38. De acordo com os relatos do diário do sacerdote que acompanhou tudo, o menino gritou para o rabino, em hebraico fluente: “Estou no inferno, eu sou do inferno, e eu te vejo. Você está no inferno e vai morrer em 1957”;

39. Em uma das noites, depois de horas a recitar orações, o exorcista Bowdern e os companheiros ficaram alarmados quando Roland se sentou completamente direito e anunciou, numa voz troante, ser o Arcanjo Miguel e ordenou ao demônio que abandonasse o menino;

40. Mesmo com a publicação do diário, muito deste fenômeno sobrenatural de exorcismo acabou tornando-se uma lenda urbana muito forte nos Estados Unidos e Canadá, principalmente após o lançamento do filme e de suas sequências. Vários meios de comunicação, ao longo das décadas, tentaram investigar o caso e tentar encontrar a pessoa que passou por este sofrimento físico e espiritual, mas a Igreja se recusa a abrir o caso e revelar nomes.