terça-feira, 20 de maio de 2014

Urinoterapia: tratamento médico à base de urina. Fato ou farsa?!

Com certeza você já deve ter ouvido falar em pessoas que consomem a própria urina logo de manhã cedo, em jejum, no café da manhã, para curar algum tipo de doença. Pode parecer nojento, mas isso tem nome: urinoterapia, e é muito mais antiga do que podemos supor.


De acordo com os profissionais, a urinoterapia é uma espécie de doutrina antiga que propõe como tratamento o uso da urina humana para fins comerciais e cosméticos. Exemplos de aplicação incluem a ingestão da própria urina ou massagem da pele com urina. Mas a urinoterapia tem duas vertentes, uma mais comum e outra nem tanto. A mais comum, se assim dizemos, é a pessoa consumir a própria urina; a menos comum e que sofre maior preconceito é o tratamento usando urina de outras pessoas e/ou de animais variados – como a vaca e o cachorro.

A urina humana constitui-se principalmente de água e ureia, sendo que este último componente possui muitos usos diferentes e comerciais. A urina também contém pequenas quantidades de milhares de outros componentes, hormônios, metabólitos incluindo corticosteroides e glicose.

Em países do Oriente como a Índia, o Nepal, o Japão, a China e a Tailândia, a urinoterapia do tipo menos comum é uma das mais usadas. Por lá há várias farmácias especializadas em vender urina de vaca para tratamento de pele, por exemplo; na China e no Nepal, urina de tigre serve para dar potência sexual – de acordo com os especialistas, o que gera grande controvérsia sobre a urinoterapia.


Pesquisas realizadas pelo Instituto Genome Alberta, no Canadá, por sete anos seguidos, envolvendo mais de vinte pesquisadores interdisciplinares sobre a composição da urina humana, em sua última versão, revelaram mais de 41 mil metabolitos e quase seis mil proteínas e DNA, provando que a urina não é um líquido simples como supunha muitos cientistas.

Argumentos polêmicos a favor da urinoterapia...
- De acordo com a Universidade de Newcastle, na Austrália, beber urina de manhã restabelece os níveis plasmáticos de melatonina;
- A urina tem sido apontada como um elemento benéfico no tratamento de câncer, controlando ou mesmo revertendo seu avanço, conforme American Cancer Society;
- A prática ganhou alguns adeptos entre esportistas como o lutador brasileiro Lyoto Machida e o mexicano Juan Manuel Márquez;
- Relatos de ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial apontam para o poder cicatrizante da urina, isto se dá porque há grande concentração de cortisona, o que a torna antisséptica, bactericida e cicatrizante, sendo excelente também para tratamento de queimaduras;
- Os japoneses e indianos já conhecem a prática da urinoterapia há milênios, sendo que os primeiros a utiliza inclusive como cosmético, supostamente rejuvenescendo a pele com a aplicação de urina. Na Índia é conhecida há milênios como “shivambhu kalpa” e possui tradição na medicina ayurveda;
- Existem depoimentos de náufragos que excederam os limites de sobrevivência marítima bebendo a própria urina e no deserto é comum os viajantes usarem a mesma para saciar a sede, na falta de água potável;
- A atriz britânica Sarah Miles bebeu sua própria urina por mais de 30 anos, relatando benefícios imunológicos, combate a alergias entre outros benefícios para a saúde;
- Muitos jogadores de baseball são recomendados a usarem a própria urina para se livrarem dos seus calos nas mãos e pés;
- A diva do mundo pop Madonna certa vez declarou que usava urina para curar pé-de-atleta e tirar os calos dos pés. Entretanto, segundo sua biografia não autorizada, ela faz uso da urinoterapia para outros propósitos, como rejuvenescimento;
- Segundo estudos preliminares do London Cancer Hospital, o uso da urina como bebida pela manhã, em jejum, ajudaria pacientes com leucemia durante o tratamento da doença com medicamentos convencionais.


Argumentos contrários à polêmica urinoterapia...
- De acordo com grande parte dos biólogos e médicos, a urina faz parte de um complexo sistema de excreção do corpo humano, ou seja, um produto fisiológico que contém o “lixo” eliminado pelo corpo e que não teria a menor utilidade, ou então esses compostos químicos não seriam eliminados;
- O uso de urina como bebida medicinal pode aumentar os níveis de ureia e creatinina no sangue, o que pode comprometer o funcionamento normal dos rins;
- Ainda não há suporte científico tradicional cientificamente comprovado de tais técnicas para a saúde.

Na verdade, não há um consenso em relação à urinoterapia. Há vários indícios de benefícios, principalmente no Oriente, onde a técnica é usada há milênios; os usuários do tratamento alegam que a medicina ainda não abriu a mente para tentar novas possibilidades, como um todo no que diz respeito aos tratamentos orientais em geral.