terça-feira, 6 de maio de 2014

“Szomorú vasárnap”, a canção que teria inspirados milhares de suicídios. Fato ou farsa?!

Você acredita que uma música, um filme, um livro ou uma novela seja capaz de mudar comportamentos das pessoas como indivíduos em suas liberdades numa sociedade capitalista e, talvez, próspera? Hoje vamos falar sobre uma história controversa entendida como lenda urbana na Europa e pouco conhecida no Brasil, a da música “Szomorú vasárnap”. Mas o que ela tem de especial para ser uma lenda urbana? Acredita-se que ela tenha um forte teor para induzir as pessoas a cometerem o suicídio.


Szomorú vasárnap”, em português “Domingo sombrio”, também muito conhecida na sua versão em inglês, intitulada “Gloomy Sunday”, é uma canção escrita pelo pianista e compositor autodidata húngaro Rezsö Seress (foto abaixo) em 1933. De acordo com uma lenda urbana, inspirou centenas de suicídios graças ao seu conteúdo pesado e extremamente pessimista, ou até mesmo por causa da sua melodia bizarra.

Quando a canção foi comercializada nos Estados Unidos, ficou conhecida como “a canção húngara do suicídio”. Não há nada de substancial que corrobore tais afirmações, pois nenhuma dessas alegações surge publicada na imprensa ou em quaisquer outras publicações da época. Inúmeras versões da canção foram gravadas e lançadas ao longo das últimas décadas.

Gloomy Sunday” foi lançada nos Estados Unidos em 1936 e, graças a uma brilhante campanha de publicidade, ficou conhecida como “a canção do suicídio”, o que fez com que muitas pessoas compassem o disco com curiosidade de conhecerem a melodia, que supostamente teria sido proibida de tocar em emissoras de rádio. Supostamente, depois de a ouvirem, amantes perturbados seriam compelidos a saltar da primeira janela que encontrassem, mais ou menos como os investidores depois de outubro de 1929, quando houve a Crise da Bolsa de Valores de Nova York; ambas as histórias são em grande parte mitos urbanos.


A seguir, você poderá tirar suas próprias conclusões ouvindo a música e lendo a letra traduzida para o português:




Domingo sombrio com centenas de flores
Eu estava esperando por você, querida, com uma prece
Uma manhã de domingo, correndo atrás de meus sonhos
Minha carruagem de tristeza retornou sem você
É desde então que meus domingos foram para sempre tristes
As lágrimas são minha única bebida, a tristeza é meu pão
Domingo sombrio
Neste último domingo, minha querida, por favor, venha até mim
Haverá um padre, um caixão, um sepulcro e uma mortalha
Haverá flores para você, flores e um caixão
Sobre as árvores florescentes se dará minha última jornada
Meus olhos estarão abertos para que eu possa lhe ver uma última vez
Não tenha medo de meus olhos, eu a estou abençoando mesmo na minha morte
Neste último domingo

De acordo com teóricos da literatura e especialistas em composição, o teor da música não tem um sentido tão suicida, mas, principalmente, homicida. Seria como o desfecho triste da peça “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, quando ambos os amantes terminam mortos.

Sobre o autor e mais lendas urbanas...
Rezsö Seress (foto abaixo) nasceu em 1899 e foi um pianista e compositor húngaro. Autodidata, aprendeu sozinho a tocar piano. Tornou-se conhecido por esta música, depois que sua namorada (foto abaixo com ele) terminou o relacionamento com ele, quando tinha 32 anos de idade.


A canção ganhou fama por estar associada a uma onda de suicídios, embora não exista nenhum relato sobre isso à época (deve-se a fama às chamadas lendas urbanas). Após a canção se tornar popular, Rezsö e sua namorada se reuniram brevemente. Pouco tempo depois ela suicidou-se, o que reforçou ainda mais a teoria da maldição da música.

Em 1968, Seress também cometeu suicídio na cidade de Budapeste, capital da Romênia, saltando de uma janela, ouvindo seu único sucesso mundial, “Szomorú vasárnap”. Isso aumentou ainda mais a história sombria envolvendo a canção e o que estaria por trás dela.

Na contemporaneidade há outras canções que estariam relacionadas ao suicídio, mas principalmente porque compuseram a trilha sonora de filmes obscuros, com temáticas extremamente pesadas. É o caso das duas canções a seguir, “Lux aeterna” e “Phiesope”, também associadas a uma suposta onda de suicídios nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas também acreditadas como lendas urbanas.