quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ilusão da bailarina: um fato muito interessante para enganar nossa mente...

O nome original é “The silhouette illusion”, conhecida em português como “A ilusão da bailarina”, e é uma ilusão ótica dinâmica multi-estável que se assemelha a uma bailarina a rodar sobre o próprio eixo. Esta obra, da autoria do designer japonês Nobuyuki Kayahara, implica a acepção perceptiva de uma direção aparente no movimento de rotação da figura. Num primeiro contato com esta ilusão, alguns observadores veem-na rodar no sentido dos ponteiros do relógio e outros no sentido contrário aos ponteiros do relógio, causando um interessante truque na mente.


Análise do efeito...
Esta ilusão de ótica é originada pela falta das pistas visuais que são necessárias para se estabelecer a profundidade da figura. Com os dados que estão disponíveis, é tão possível que os braços, quando se dirigem para um dos lados, estejam rodando pela frente como por detrás. Portanto, a bailarina tanto roda no sentido dos ponteiros do relógio quando o pé que se vê no chão é o esquerdo, como roda no sentido contrário quando o pé que se vê no chão é o direito.


Uma vez que não há dados visuais na silhueta que indiquem qual dos lados está a ser apresentado, ela tanto está numa como na outra perna, porque quando a sua imagem se dirige para um dos lados é interpretada como estando voltada para cá ou para lá do observador. Os perfis, esquerdo e direito, são as posições menos ambíguas na aparente rotação da figura. Contudo, mesmo assim, também não é possível determinar qual das pernas está no chão, e se ela se movimenta pela parte anterior ou posterior do círculo quando se dirige para um dos lados.

A pista que falta e a que é dada...
Pode dizer-se, portanto, que a causa que origina este efeito está na necessidade de ver resolvida a ambiguidade, combinada com uma interpretação a três dimensões de uma imagem que só tem duas. A pista que falta é a que conduz à leitura da profundidade do corpo na representação da figura. Sem ela o observador deveria ver somente uma figura que se move de um lado para o outro. No entanto, embora não esteja presente a pista que leva a decodificar a profundidade do corpo, está presente a pista que leva a decodificar a profundidade do espaço que este ocupa.

Espaço que se observa na oscilação deste para cima e para baixo, enquanto percorre o seu movimento de um lado para o outro. Esta curta oscilação vertical sincronizada com o longo movimento horizontal, produz o desenho de um círculo paramétrico com rotação horizontal, criando assim a sensação contínua da profundidade do movimento. E como o ponto de vista do observador sobre a bailarina se localiza na sua cintura, o círculo desenhado tanto pode estar a ser percepcionado por cima como por baixo. Quando o círculo é percepcionado por cima a figura roda no sentido dos ponteiros do relógio, quando o círculo é percepcionado por baixo ela roda no sentido contrário, e vice versa.

Testes no cérebro e o cientificismo...
Esta ilusão foi irresponsavelmente identificada como método científico para fazer testes de personalidade, supostamente determinando qual dos dois hemisférios cerebrais do observador em questão é predominante no momento da observação, caso a figura rode para um ou para o outro lado. Seguindo este ponto de vista supostamente científico, do qual resta apresentar prova, a ilusão da bailarina tornou-se conhecida como o “teste do cérebro direito vs. cérebro esquerdo”, e foi assim que se divulgou pela internet, dos finais de 2007 aos inícios de 2008.


De acordo com os proponentes desta ilusão como teste de personalidade, se no momento em que inicia a sua observação, o sujeito da análise vê a imagem a rodar no sentido contrário aos ponteiros do relógio, isso significa que o hemisfério esquerdo predomina, se ele vê a imagem a rodar no sentido dos ponteiros do relógio, predomina o hemisfério direito.

Todavia, Steven Novella, diretor da Escola de Medicina da Universidade de Yale, afirma que o teste é um completo absurdo e não serve para o que foi proposto. Novella diz ainda que embora esta noção de que temos uma predominância de um hemisfério sobe o outro esteja difundida na consciência pública, e os hemisférios funcionem bem sozinhos e tenham aptidões diferentes, é como um todo único que funcionam e não em separado como se imagina.

Sugestão do corpo e do cérebro diante da imagem...
A auto-sugestão desempenha um papel fundamental na interpretação deste tipo de fenômeno. Para resolver a ambiguidade criada pela falta de dados, o observador adota inconscientemente um sentido para a rotação, e só depois de uma observação continuada é que este sentido pode, eventualmente, mudar de direção. Dependendo da percepção do observador, a direção aparente de rotação da bailarina pode mudar uma série de vezes, embora alguns observadores tenham muita dificuldade em ver alguma mudança na direcção. Todavia, há uma aprendizagem que pode fazer-se.


Uma das formas a que se pode recorrer para forçar a mudança de direção da rotação, ou tentar controlar a sua direção, é usar a imaginação. O observador pode fazer um esforço de imaginação na sua mente para visualizar a bailarina a rodar no sentido contrário ao que via antes de fechar os olhos, e ao ter conseguido fazer a visualização voltar a abri-los devagar. Não basta pensar que se vai ver a figura a rodar ao contrário, é preciso estar a vê-la na imaginação. Para isto pode ser eficaz imaginar o círculo de rotação desenhado pelo pé estendido, como estando observado abaixo ou acima do campo de visão.

Se se conseguir imaginar o círculo a rodar lá em baixo a bailarina rodará no sentido dos ponteiros do relógio, se se conseguir imaginar o círculo a rodar lá em cima ela rodará no sentido contrário. Outra forma de fazê-lo é focar a atenção numa zona periférica da imagem, exterior ou interior à figura, mantendo o movimento da rotação no campo visual periférico, e lentamente voltar a olhar para a bailarina. Também pode ser de utilidade experimentar inclinar a cabeça enquanto se olha para a figura, ou mover-se em várias direções.


A solução para se conseguir ver a bailarina a rodar para ambos os sentidos possíveis da sua rotação sem dificuldade, está na inclusão dos dados visuais que a imagem tem em falta, para que se possa determinar, sem qualquer sombra de dúvida, a profundidade na representação do seu corpo, e assim eliminar a ambiguidade que produz o efeito da ilusão de ótica.