terça-feira, 1 de abril de 2014

Você sabe as verdades sobre a “Bíblia Satânica”, usada em alguns ocultismos? Fato ou farsa?

Hoje vamos falar sobre um dos livros mais controversos da atualidade e bastante procurado pelos ocultistas e satanistas, mas raramente editado por editoras. É fácil encontrá-lo em PDF na internet, mas quase impossível, em português, em forma física. Trata-se da Bíblia Satânica, um livro dito sagrado, escrito pelo satanista Anton LaVey em 1969. Contém uma coleção de ensaios, observações e rituais mágicos que formam a base do satanismo de LaVey que enfatiza Satã como uma força da natureza.


Na introdução (prefácio) do livro, LaVey opina contra algumas práticas conhecidas como ocultistas: “Este livro foi escrito porque, com muitas poucas exceções. Escritor após escritor, no esforço de apresentar os princípios das ‘magias branca e negra’, tiveram sucesso em obscurecer o conjunto em questão tão prejudicialmente que o estudante de magia dá asas à estupidez, empurrando uma prancheta sobre uma Tábua de Ouija, ficando em pé dentro de um pentagrama esperando um demônio se apresentar a ele, facilmente lançando I-Ching de modo pomposo como muitos antigos pretensiosos. Em geral, fazendo papel de tolo para si aos olhos daqueles que realmente conhecem”.

De acordo com LaVey, a Bíblia Satânica revela o verdadeiro satanismo e despreza técnicas ocultistas onde o satanista se protege contra a entidade que irá invocar. Os denuncia como pretensos satanistas, mas não conhecem realmente. Afirma que um satanista verdadeiro não se esconde por detrás de um pentagrama e revela o que um satanista de fato não faz preces de invocação e não invoca uma entidade como se faz nos terreiros e ainda o denomina seu “Santo”. Esclarece que os tais são satanistas, mas sob uma capa de “magia branca” que os torna meros repetidores de dogmas do Cristianismo, sem o serem. A esses, o verdadeiro satanista escarnece, pois o a Bíblia Satânica afirma dos tais que eles temem invocar entidades infernais, apenas invocando espíritos que podem ser aprisionados, quando o verdadeiro satanista não aprisiona ou se protege da entidade que invoca, ele vive em comunhão com a mesma.

A Bíblia Satânica relata que “Lúcifer ascendeu”, mais uma vez para proclamar que: “esta é a época de Satã” e que “mostrará que a salvação do homem depende da sua própria contradição”. Afirmando que essa é uma revelação do que denomina a “Palavra da Matéria” e elucida que a vida é uma “preparação para todo e qualquer deleite eterno”.


No livro, Satã faz o que chama de “Denúncia infernal”, onde afirma que “[...] o demônio tem sido atacado pelos homens de Deus e que nunca há uma oportunidade para o príncipe das trevas responder do mesmo modo”, além de denunciar que sem seu “satânico inimigo”, as várias religiões que professam Deus entrariam em colapso. Assim sendo, LaVey acaba fazendo uma mistura de teoria literária: o maniqueísmo do Romantismo – sem o mal não existiria o bem; sem o feio não haveria o bonito; sem o escuro não haveria o claro etc.

E continua sua denúncia afirmando: “Nestes séculos, todos de maledicência que o demônio tem recebido, ele nunca revidou seus infamadores, mas agora ele sente que é hora de replicar e mostrar o seu poder”. Finaliza conclamando todos os seus seguidores a estudarem “suas leis”, compiladas por LaVey.


Dentre os dogmas apresentados na Bíblia Satânica, há alguns muito importantes, como “morte ao fraco e saúde ao forte”, e proclamação à força satânica: “[...] Escute-me que confundirei multidões extasiadas”, além de estabelecer como enfrentará Deus em um combate, afirmando que irá questionar as leis do homem e as de Deus – as Leis Mosaicas em particular: “Eu exigirei as razões da sua regra de ouro e perguntarei a origem e a finalidade dos seus dez mandamentos”.

LaVey revela que o satanismo puro vai além de rituais com pentagramas e se contrapõe a toda forma de adoração. Estabelece o Livro de Satã: “Aquele que disser que você precisa se curvar a mim é o meu inimigo mortal”. E o autor continua a insultar os cristãos e a Jesus Cristo: “Eu mergulhei o meu dedo indicador no sangue úmido do seu impotente e louco redentor, e escrevi na borda da sua coroa de espinhos: ‘O verdadeiro príncipe do mal – o rei dos escravos’”.

O livro ainda estabelece que “todas as convenções” que bloqueiam o sucesso do diabo foram “bloqueadas”, e declara que já foi vitorioso contra Jesus Cristo declarando: “Eu olhei abismado o olho vítreo do seu apavorante Jeová, e arranquei-o pela barba; eu elevei o machado das cinzas e abri um caminho na sua caveira comida de vermes”. Em seguida afirma que o crucifixo simboliza incompetência, e “questiona os dogmas morais”. Ensina como o satanista deve proceder: “Nenhum credo deve ser aceito sobre a autoridade de uma ‘divina’ natureza. Religiões devem ser colocadas em debate. Nenhum dogma moral pode ser tomado como absoluto”.

A dica para o satanista é que os dogmas foram criados pelo homem e “aquilo que o homem pode criar, o homem pode destruir”. Estabelece também uma obrigação ao satanista: “Ascender o novo homem para levá-lo ao sucesso material”. Afirmando ser seu oponente, os dogmas do Cristianismo e os dogmas morais, o que classifica como “mentiras”. Esclarece qual o combate mais difícil de vencer: “A mentira que tem sido inculcada na criança desde pequena no joelho da mãe – é mais perigosa de combater do que contra a sorrateira pestilência".


Em outra parte da Bíblia do Satanismo há alguns questionamentos feitos por LaVey: “Por que eu não deveria odiar os meus inimigos? Não somos todos nós animais predatórios por instintos? Se os homens pararem de depredar os outros, eles poderão continuar a existir? Não é a desprezível filosofia da pessoa servil que vira as costas quando chutado?”. E conclui com princípios: “Odeie seus inimigos, atinja-os dilacerando e desmembrando-os, pois autopreservação é a lei suprema. Quem mostra a outra face é um cão covarde”.

Em um outro ponto do livro de LaVey, proclama-se contra a existência de um céu de glórias radiantes e cuja a existência de um inferno onde os pecadores queimam, e adverte: “Aqui e agora é nosso dia de júbilo”. Reafirmando que não há um redentor vivo, pois segundo Satã, o homem deve dizer: “Eu sou o meu próprio redentor”.

Na finado do livro, LaVey faz um arrazoado sobre bênçãos e maldições. Onde abençoa os “fortes”, e amaldiçoa os “submissos na honradez que serão pisados sobre a representação de Satã”; abençoa os “vitoriosos”, e amaldiçoa os “pobres de espírito”; abençoados os “destruidores da falsa esperança” afirmando que “eles são os verdadeiros Messias”, e amaldiçoa os “adoradores de Deus”; abençoa os “valentes” e amaldiçoa os que acreditam existir o “bem e o mal”; abençoa os que “pensam no que é melhor para si” e amaldiçoa as "ovelhas de Deus". Segundo o livro, os amaldiçoados ficam na posição “daqueles que ensinam mentiras por verdades e verdades por mentiras”, e os abençoados são os que tem uma “mente poderosa”.


De uma maneira geral, concordamos com a teologia e a história das religiões ao afirmar que o livro escrito por LaVey é uma Bíblia “às avessas” cujo autor faz uma série de manifestos e parece viver sob um maniqueísmo à luz de algum distúrbio mental. Pode ser que algum defensor anônimo de LaVey apareça neste post comentando sua inteligência, mas em momento algum falamos que ele seria burro ou de QI baixo. Na realidade, o satanismo parece pregar tudo aquilo que o Cristianismo é a favor somente pelo fato de querer “ser do contra”.