terça-feira, 8 de abril de 2014

O que seria uma “obsessão” de espíritos? Fato ou farsa?

Obsessão, segundo o espiritismo, seria a interferência prejudicial exercida por um espírito sobre outro, sejam eles “encarnados” (homens vivos) ou “desencarnados” (pessoas falecidas). Segundo a crença espírita, aquele que sofre a influência de seres espirituais seria, por definição, um médium.


Graus de obsessão...
No que tange aos tipos possíveis de obsessão, a doutrina espírita apresenta uma classificação em três graus de intensidade crescente, a saber:

1) A obsessão simples, que ocorre quando um espírito ou vários influenciam a mente de um médium com suas ideias, mas de maneira tal que o médium consciente percebe. A obsessão simples perturba, podendo causar constrangimento quando o médium inexperiente exprime de forma desavisada pensamentos que não são seus e somente se dá conta disso depois. No entanto, ele, médium, permanece senhor de si mesmo e reconhece quando fala ou age sob influência, sendo a ele possível, com estudo, aprender a controlar-se;

2) A fascinação é uma ação direta e constante do pensamento de um espírito sobre a mente do médium paralisando-lhe o raciocínio de tal modo que este aceita tudo que lhe é passado pelo espírito como a mais pura verdade, reproduzindo, desde informações simplórias aos mais completos disparates, como se fosse tudo fruto da mais profunda sabedoria. O espírito que se dedica à fascinação de um médium é ardiloso pois, primeiro, ele tem que ganhar a confiança irrestrita do médium para aos poucos ir dominando seu raciocínio;

3) A subjugação é uma influência tão forte sobre a mente do médium que este não mais raciocina nem age por si mesmo, agindo como marionete do espírito ou dos espíritos que o influenciam.

A obsessão simples tanto pode ser resultado da ação de espíritos voltados para o mal que querem prejudicar o médium por sentir prazer nisso, como de espíritos que identificaram no médium alguém que lhes prejudicou ou agrediu física ou moralmente em outra existência e, não tendo evoluído a ponto de perdoá-lo, dele buscam vingança. A fascinação tanto pode ser uma ação dirigida contra o médium, para fazê-lo parecer ridículo e, assim, humilhá-lo, como uma ação dirigida a um grupo ou a toda uma comunidade visando criar um movimento de oposição a outros voltados ao bem e à busca da verdade. Os casos de subjugação, finalmente, são os mais complexos, pois se trata sempre da ação de espíritos que têm profundo ódio pelo médium, tudo fazendo para lhe arruinar a existência.


Alguns teóricos da doutrina espírita e da parapsicologia apontam que a obsessão pode ocorrer em objetos inanimados, como, por exemplo, possíveis espíritos que não deixam suas casas e passam a assombrar os novos moradores, como o que aconteceu em Amytville depois do assassinato de toda a família, o que é relatado até hoje. Já em outros casos a obsessão é parte da mente sugestionada do ser humano, que passa a ver sombras, ouvir vozes que não existem; isso já se torna uma patologia que pode levar à loucura.

Da obsessão simples até a subjugação...
Analisando-se o caso de Anneliese Michel (que deu origem ao filme “O exorcismo de Emily Rose”) (foto abaixo), supõe-se que ela começou a sofrer de obsessão aos 16 anos. O fato de ela alegar desde o começo que estava sob a influência de supostos espíritos, de vê-los e querer se ver livre deles revela sob a ótica da fé, que ela estivesse, inicialmente, sob o efeito de uma obsessão simples. Infelizmente, a época, não seria possível um diagnóstico adequado e tratamento para causas psiquiátricas, de modo que a possibilidade de obsessão é mera especulação nesse caso.

No entanto, sem que tratamento algum lograsse sucesso, os crentes supunham se tratar da investida de espíritos, que aos poucos teriam conseguindo ter controle sobre sua mente e sobre seu corpo, o que caracterizaria sob o ângulo da fé espírita, um caso de subjugação, conforme se lê no artigo sobre a jovem: “Ela insultava, espancava e mordia os outros membros da família, além de dormir sempre no chão e se alimentar com moscas e aranhas, chegando a beber da própria urina. Anneliese podia ser ouvida gritando por horas em sua casa, enquanto quebrava crucifixos, destruía imagens de Jesus Cristo e lançava rosários para longe de si. Ela também cometia atos de automutilação, tirava suas roupas e urinava pela casa com frequência”.


Tratamento...
Na visão espírita, nem toda perturbação emocional tem origem espiritual, sendo sempre importante a averiguação médica das origens da mesma. Identificando-se, porém, uma ocorrência de obsessão, recomenda-se o tratamento de suas causas, ao mesmo tempo em que o tratamento médico lhe trata os efeitos.

Como o espiritismo vê, na obsessão e na subjugação, a ação de espíritos desencarnados que odeiam o médium e querem se vingar dele, aos quais chama de obsessores, ele preconiza o esclarecimento dos mesmos à luz da Lei de Causa e Efeito ao mesmo tempo em que enseja ao médium e àqueles que se preocupam com ele uma ação efetiva em busca do autoaprimoramento, baseada no estudo da doutrina espírita e na dedicação à caridade.

O tratamento da obsessão, chamado de desobsessão, é sempre feito em um centro espírita. Nele se utiliza a Lei de Causa e Efeito na tentativa de mostrar aos obsessores que aquele por quem eles nutrem ódio hoje, em função de lhes ter feito mal em existência passada, teria, em existência ainda mais remota, sido a vítima cujos agressores teriam sido eles, ocasião em que teriam plantando a semente do mal que mais tarde os viria a afligir. Quebrar o círculo vicioso do ódio entre obsessor e obsediado é tarefa que requer do esclaredor espírita, paciência, perseverança e conhecimento dos mecanismos da vida. A desobsessão espírita é baseada no amor, pois procura ver a todos, obsessores e obsidiados, como irmãos e irmãs queridos necessitando de esclarecimento.

Entretanto para a psicologia, psiquiatria e parapsicologia a história pode ser bem diferente. A obsessão seria um estado patológico na mente de pessoas previamente sugestionadas ao sobrenatural. E é isso que a parapsicologia tenta desbanalizar: explicar que somente 2% dos casos investigados teriam explicação sobrenatural – ou poderíamos dizer uma falta de explicação lógica até que a ciência tenha embasamento de pesquisa. Assim, o melhor tratamento não seria através da religião, mas sim de sessões psicanalistas e medicamentos psiquiátricos para aplacar as crises, como a negligência destes no caso de Anneliese, na Alemanha.


Obsessão e missão do médium...
Alguns teóricos do Espiritismo dizem que os grandes casos de obsessão e subjugação são traços para a missão do médium que carrega isso consigo, a fim de que a sociedade veja que existe um mundo espiritual e uma terrível batalha travada entre as forças do bem e do mal, e que esta batalha pode chegar ao mundo físico, através de possessões demoníacas ou obsessões espíritas, por exemplo. Desta maneira, em linhas gerais, tais casos seriam um alerta para que as pessoas entendessem e adentrassem na glória de Deus a fim de combaterem todo o mal da terra.


Outras considerações importantíssimas...
De acordo com o código internacional de doenças, o CID-10, a obsessão não passa de transtornos psiquiátricos, sendo os mais comuns segundo a psiquiatria: depressão, esquizofrenia, intoxicação por uma substância psicoativa, overdose, síndrome pós-traumática, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno bipolar, transtorno de múltiplas personalidades e transtornos psicóticos agudos e transitórios.

Muitos médicos explicam que é preciso tratamento halopático urgente nestes casos e não somente as crenças espirituais porque pode prejudicar a saúde do paciente, conforme aconteceu com o famoso caso de Anneliese Michel, gerando o julgamento histórico que tornou-se no filme “O exorcismo de Emily Rose”. Enfatizamos que, segundo essas definições o estado de possessão, segundo a definição médica, deve incluir aqueles de transe involuntários e não desejados, mas exclui aqueles ligados ao contexto cultural ou religioso do sujeito. Não pode, portanto, ser tomado como um reconhecimento dos fenômenos espirituais pela medicina.