sábado, 12 de abril de 2014

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (33)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

O Papa é algo além do papel de chefe da Igreja Católica?
Todos nós sabemos que os Papas são os chefes supremos e maiores do Catolicismo. Entretanto, como o Vaticano é um estado (país) como qualquer outro, o Papa também exerce funções fora do mundo clerical. Com isso, para quem não sabe, ele também é: presidente do Tribunal do Vaticano, presidente da Câmara Legislativa do Vaticano, chefe do poder executivo do Vaticano e de todas as dioceses da Igreja no mundo, arcebispo de Roma e sucessor direto de São Pedro como apóstolo de Cristo.

Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea, era uma abolicionista?
Todos nós sabemos que em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que, finalmente, colocava fim à escravidão no Brasil. Alguns historiadores especulam que ela teria feito isso somente porque a burguesia estava ameaçada com medo de uma revolta negra, como acontecera no Haiti em 1804. Entretanto, a verdade é outra; em toda sua história, Isabel mostrou-se liberal, política e abolicionista. Apoiou jovens políticos e artistas durante a campanha do abolicionismo contra os barões do café, chegando a refugiar fugitivos em sua residência em Petrópolis. Quando senadora (a primeira mulher da história brasileira a ocupar este cargo), atacou com veemência a manutenção da escravidão. Outros pontos polêmicos da época que Isabel defendia eram: sufrágio feminino, voto universal para todas as camadas sociais, reforma agrária e criação de política salarial.


O Brasil foi realmente a única monarquia existente nas Américas?
Sim e não. Sim porque a monarquia foi o sistema político brasileiro que proporcionou a unidade nacional do tamanho que vemos hoje, indo desde sua independência de Portugal, em 1822, até 1889. Várias décadas com dois monarcas, Pedro I e Pedro II. Por outro lado, também temos o não. O México chegou a aplicar rapidamente, por duas vezes, a monarquia. A primeira vez foi em 1823, por oito meses, sob reinado de Agustín I – Primeiro Império Mexicano; mais tarde, a França impôs a Dinastia Habsburgo, e entre 1864 e 1867 tiveram como imperador Maximiliano I, parente direto de Napoleão Bonaparte – período conhecido como Segundo Império Mexicano. Portanto, trata-se de um erro falarmos que nosso país foi o único nas Américas a adotar a monarquia. Vale, ainda, ressaltar que a Argentina também tentou, sem sucesso, implementar a monarquia naquele país para, também, garantir a unidade das Províncias Unidas do Rio da Prata (Argentina, Bolívia, Paraguai e partes do Uruguai e Chile).

Nosso país foi o último no mundo a libertar seus escravos?
Não; isso é um erro histórico tremendamente passado à frente como se fosse verdade. No continente americano fomos quase os últimos, em 1888. A Argentina libertou seus cativos em 1853, e os Estados Unidos, em 1865. O primeiro de todos foi o Haiti, em 1804, com a revolta dos negros, que expulsou da colônia todos os franceses e brancos. Já Cuba foi o último país do nosso continente a dar abolição aos escravos, em 1898. No mundo, a escravidão só foi totalmente abolida em 1963, quando alguns países da África foram forçados pela ONU a fazerem isso. Na Europa, até 1870 era comum encontrarmos escravos em zonas rurais, principalmente ciganos e alguns judeus. Naquele continente, o último país a dar alforria a todos os escravos (ciganos e turcos) foi o território da Romênia, em 1901.


Como fazemos para curar os terríveis soluços?
O soluço talvez seja um dos problemas mais desagradáveis a alguns mamíferos. Sim, não são somente os seres humanos de sofrem deste mal. Porcos, cães, gatos e sapos costumam ter ataques de soluço também. Como a maior parte dos ataques de soluço dura apenas alguns minutos, é grande o número de tratamentos caseiros indicados. É muito difícil avaliar a eficácia de medidas tão empíricas, mas como são inócuas, vale a pena tentá-las no início da crise. Todavia, procure o médico se as crises durarem mais de 24 horas, principalmente se interferirem com o sono – pois já há no mercado medicamentos específicos para estes soluços intermitentes, com diagnóstico de mais de 24 horas. Soluço crônico usualmente requer acompanhamento neurológico. Algumas manobras caseiras recomendadas pelos médicos são: (1) prenda a respiração por alguns segundos; (2) engula uma porção de açúcar cristal (uma colher de chá), miolo de pão ou gelo moído; (3) chupe uma fatia de limão; (4) respire repetidamente dentro de um saco de papel; (5) faça gargarejos com água; (6) puxe sua língua para provocar reações de vômito; (7) coce o céu da boca com um cotonete de algodão; (7) suspenda a úvula (campainha da garganta) com uma colher de chá – cuidado, pois isso causará ânsia de vômito; e (8) erga os joelhos até o peito e incline-se sobre eles.

Por que na Inglaterra, quando chove muito, costuma-se dizer que “os leões vão beber água”?
Na realidade, isso é uma expressão de Londres que ganhou todo o Reino Unido. A cidade fica às margens do Rio Tâmisa, que corta toda a cidade e subúrbios. A margem não era muito alta e, até o século 16, a qualquer chuva ou maré mais alta, Londres era totalmente alagada; por isso os sobrados ficaram tão populares, pois as pessoas (extremamente pobres) ficaram cansadas de perderem tudo (o pouco) que tinham. Com a reforma urbanística da cidade no século 18, o Rio Tâmisa ganhou em suas margens leões de bronze que marcam a altura máxima da água para prevenir inundações. Assim, quando a água subia muito devido à chuva, já se preveniam dizendo: “Hoje os leões vão beber água”, ou seja, provavelmente haverá alagamentos na cidade. Essa expressão é usada até os dias de hoje, sendo uma das mais antigas em uso corrente nos idiomas ocidentais.