sábado, 22 de março de 2014

Você conhece a história dos macaquinhos que tapam os olhos, boca e ouvidos?!

Garanto que você já viu aquelas peças que são três macaquinhos, em que um tapa os olhos, outro tapa os ouvidos e o terceiro tapa a boca. Você sabia que eles são conhecidos como “três macacos sábios”, e são parte importante do folclore japonês? Por lá são conhecidos como “Sanbiki no-saru”. Ganharam o mundo com a expansão do Cristianismo, quando os frades portugueses evangelizaram grande parte do Japão.


Toda a história começa com os macacos que ilustram a porta do Estábulo Sagrado, um templo do século 15 localizado no Santuário de Toshogu, em Nikko, no Japão. Sua origem não é obscura como muitas pessoas podem supor, mas de um trocadilho de palavras japonesas; seus nomes são Mizaru (o que cobre os olhos), Kikazaru (o que tapa os ouvidos) e Iwazaru (o macaquinho que tapa a boca), que seria traduzido como “não ouça o mal, não fale o mal, não veja o mal”. Gramaticalmente, a palavra “saru”, em japonês, significa “macaco” e tem o mesmo som da terminação verbal “zaru”, que está ligada à negação.

Abaixo, na foto, os macaquinhos originais que ficam em Nikko


O folclore japonês é muito distante e os etnólogos não conseguiram identificar ao certo onde começa a lenda e a verdade, pois o período medieval japonês é repleto de misturas de realidades com ficções. De acordo com o que é contado, a imagem dos macacos foi trazida por um monge budista chinês no século 13. Apesar disso, não há nenhuma comprovação dessa suposição. O que se tem certeza é que os macaquinhos chegaram à Europa através dos jesuítas portugueses e comerciantes holandeses que invadiram o Japão no século 16.

Os três macacos sábios deram, com o tempo, temática para um provérbio japonês que diz: “Nunca olhe demais, jamais ouça o que nunca ouviu e nunca levante falso do outro”. O interessante é que, gramaticalmente, “miru” significa “olhar” (tem origem no português “mirar”), “kiku” é “ouvir” e “iu” é o verbo “falar”, enquanto “zaru” dá conotação de negação. Portanto os nomes dos macaquinhos, Mizaru, Kikazaru e Iwazaru portam o sentido de não fazerem essas ações. O ditado popular é uma forma de lembrar que, se os homens não olhassem, não ouvissem e não falassem o mal alheio, teríamos comunidades pacíficas com paz e harmonia.


Como na Europa não há macacos, houve uma adaptação continental: as figuras foram substituídas por ursinhos e, assim, também ganharam o continente estando por todas as partes nos principais centros comerciais marítimos, como Veneza, Florença, Gênova, Roterdã, Hamburgo, Lisboa e Barcelona.