terça-feira, 4 de março de 2014

Considerações polêmicas [e que provavelmente você não sabia] sobre o clássico literário “Alice no país das maravilhas”...

1.Alice no país das maravilhas” é a obra mais conhecida de Charles Dodgson, publicada em 1865 sob o pseudônimo de Lewis Carroll. É uma das obras mais conhecidas daquilo que os estudos literários ingleses chamam de “non-sense”;

2. Para quem não tem ideia, o conto está cheio de referências debochadas aos desafetos de Dodgson à época da publicação, como vizinhos, inimigos políticos, parentes etc.

3. De acordo com os teóricos literários, a obra torna-se um primor por conter “dois livros” em um só texto: um para crianças (repleto de contos de fadas, terras encantadas, feitiçarias) e outro para adultos (repleto de críticas sociais, mensagens subliminares, alusões políticas);

4. Para quem não sabe, “Alice no país das maravilhas” tem uma continuação: “Alice do outro lado do espelho”;


5. Em 1862, durante um passeio de barco pelo Rio Tâmisa, Charles Dodgson, na companhia do seu amigo Robinson Duckworth, conta uma história de improviso para entreter as três irmãs Liddell (Lorina, Edith e Alice). Eram filhas de Henry George Liddell, vice-chanceler da Universidade de Oxford;

6. A maior parte das aventuras foi baseada e influenciada em pessoas, situações e edifícios de Oxford e da Christ Church, por exemplo, o “buraco do Coelho” simboliza as escadas na parte de trás do salão principal na Christ Church;

7. Essa história imprevista deu origem, em novembro de 1864, ao manuscrito de “Alice debaixo da terra”, com a finalidade de oferecer a Alice Liddell a história transcrita para o papel. Mais tarde, influenciado tanto pelos seus amigos como pelo seu mentor George MacDonald (também escritor de literatura infantil), decidiu publicar o livro e mudou a versão original;

8. A obra, quando publicada, foi um sucesso absoluto por conta dos dois contextos explanados anteriormente: o adulto (político) e o infantil (lúdico). Rapidamente a tiragem se esgotou das prateleiras, e entre os fãs de “Alice no país das maravilhas” estão o poeta Oscar Wilde e a Rainha Vitória;

9. Em 1865, devido ao sucesso estrondoso na Grã-Bretanha, a obra foi editada pela primeira vez – sem quaisquer direitos do autor, que nem mesmo sabia do que havia acontecido com sua história no outro lado do Atlântico;

10. Em 1869, a obra é publicada pela primeira vez em idioma que não seja o inglês: em alemão e em francês, também fazendo enorme sucesso pelo contexto temporal da época, tanto para crianças como para os adultos ligados na política britânica do seu enorme império mundial;


11. Para alguns teóricos de literatura comparada, o enredo de “Alice no país das maravilhas” é bem semelhante ao encontrado em “João e Maria”, por conter uma espécie de conto de terror contado para educar as crianças na era vitoriana;

12. Em uma parte do texto, Alice sai desesperada pela floresta e encontra-se com uma lagarta azulada que, calmamente, bebe seu chá de cogumelos e fuma um narguilé. Em vistas do comportamento “politicamente correto” das mídias, seria caso de censura um conto infantil com um personagem desta estirpe;

13. Alguns dos personagens foram retirados de estátuas encontradas nos arredores da igreja que Dodgson frequentava na época que dava os primeiros traços na história em questão;

14. O autor do livro tinha um sério problema de gagueira, e, por isso, criou o personagem Dodô em sua própria homenagem;

15. O Chapeleiro Louco tem esse nome por conta da indústria da época vitoriana, devido ao vapor de mercúrio usado na fabricação de feltro que causa transtornos psicóticos, fazendo parecer que todos os chapeleiros e sapateiros tivessem transtornos mentais;


16. A Rainha de Copas é confundida com a Rainha Vermelha, que aparece na sequência da história, “Alice no outro lado do espelho”, mas não têm nenhuma característica em comum, exceto o caráter de serem ambas rainhas. A Rainha de Copas pertence a um baralho de cartas que está presente no primeiro livro, enquanto a Rainha Vermelha é representada por uma peça de xadrez vermelha, dado que o xadrez é o tema presente do segundo livro;

17. O livro pode ser interpretado de várias maneiras. Uma das interpretações diz que a história representa a adolescência, com uma entrada súbita e inesperada (a queda na toca do coelho, iniciando a aventura), além das diversas mudanças de tamanho e a confusão que isso causa em Alice, ao ponto de ela dizer que não sabe mais quem é após tantas transformações (o que se identifica com a psicologia adolescente);

18. No capítulo oitavo, três cartas estão a pintar rosas brancas de vermelho, porque acidentalmente plantaram uma roseira de rosas brancas, cor que a Rainha odeia. As rosas vermelhas simbolizam a Casa Inglesa de Lancaster, enquanto as rosas brancas são um símbolo da casa rival York, fazendo deste modo alusão à Guerra das Duas Rosas;

19. O livro inspirou várias adaptações cinematográficas e televisivas. Porém os filmes originais e mais conhecidos mundialmente são “Alice in Wonderland”, de 1951, feito em animação tradicional, e o de 2010 dirigido por Tim Burton com a participação de Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco, ambos da Walt Disney;

20. Em 1903 apareceu o primeiro tipo de adaptação de “Alice no país das maravilhas” para o cinema através de um filme mudo – filme este que pode ser encontrado facilmente na internet por ter se tornado um grande clássico “cult”;


21. Dodgson, para quem não sabe, era pedófilo. Uma de suas frases mais polêmicas foi: “Gosto de crianças, exceto meninos”. Um dos seus hobbies era desenhar e fotografar meninas nuas ou seminuas, entre elas Alice Liddell, que deu origem à personagem de seu livro;

22. Por temor que estas imagens desnudas criassem embaraços para as meninas mais tarde, pediu que após a sua morte fossem destruídas ou devolvidas às crianças ou a seus pais. Quatro ou cinco fotos ainda sobrevivem;

23. Outro ponto polêmico da vida do autor era o hobbie de enviar cartas e poemas de amor às crianças que fotografava nuas ou com pouca roupa. Dizem que Alice foi o seu grande amor. O maior detalhe é que as sessões de fotografia eram feitas com total consentimento dos familiares das crianças que ele mantinha certo “relacionamento”;

24. A protagonista do livro realmente existiu, chamando-se Alice Pleasance Liddell (1852-1934), sendo filha de um pastor da igreja onde Dodgson frequentava. Graças às fotografias de conteúdo erótico e às cartas enviadas pelo autor, acredita-se que viveu um romance pedófilo com ele;

25. Em 1880 Alice casou-se com Reginald Hargreaves. Dodgson não estava presente no casamento, mas enviou-lhe, por meio de um amigo, um presente e um pequeno poema de tristeza. Ela teve três filhos, os quais viveram com ela até sua morte em Hampshire.