terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Você conhece as Pirâmides de Güímar, na Espanha?! Fato ou farsa?!

As Pirâmides de Güímar, ou também conhecidas como Majanos de Chacona, estão localizadas na Ilha de Tenerife, no Arquipélago das Canárias, na Espanha. São cinco construções em forma de pirâmides escalonadas, e trazem enorme curiosidade científica por serem extremamente semelhantes às pirâmides astecas e maias no México. Muitos teóricos dos deuses astronautas alegam que esta seria uma forte comprovação de que as sociedades “primitivas” estavam ligadas a elos comuns – neste caso, “deuses” alienígenas.


As Pirâmides de Güímar se enquadram historicamente no século 19, época da exploração colonial das Ilhas Canárias, à procura da “conchinilla”, um inseto parasita da figueira, e do qual se extraía uma tinta muito apreciada e cara naquela época em que não existiam tintas sintéticas como hoje. Essa exploração era tão rentável que várias fazendas apareceram naquele solo infértil cheio de rochas vulcânicas; as pedras extraídas durante a preparação dos campos nessas propriedades eram amontoadas formando estruturas piramidais, como as de Güímar.

Ainda hoje, existem numerosos exemplos desse tipo de construções agrícolas em Tenerife. No caso das de Güímar, existe até uma ata de compra de propriedade, registrada em cartório, datada de 1854, em que a presença das pirâmides não é mencionada. Mas em um documento de partição de terras, datado de 1881, estas estruturas são mencionadas pela primeira vez. A data de construção fica, portanto, dentro do intervalo de 1854 a 1881 – sendo que aí nasce a contradição entre historiadores e ufólogos.


Para muitos historiadores, as pirâmides foram erguidas entre 1854 e 1881 pelas pessoas que tentavam reformular o solo na busca do plantio de figueiras. Os registros cartoriais não apontam tais formações antes disso. Enquanto isso, ufólogos e teóricos dos deuses astronautas dizem que as datações de carbono 14 mostram que as formações são muito mais antigas, de séculos atrás. Para os ufólogos, há muitas evidências claras de que as pirâmides não são simples amontoados de pedras, mas situações propositais, como veremos nos estudos a seguir.

Orientação astronômica das pirâmides...
Em 1991, três pesquisadores do Instituto de Astronomia das Canárias descobriram que o complexo principal das Pirâmides de Güímar está orientado astronomicamente. Este complexo marca, por um lado o pôr do Sol no dia do solstício de verão e por outro, o nascer do Sol no dia do solstício de inverno. Descobriram também o fenômeno do “ocaso duplo” do Sol no dia do solstício de verão: o Sol se põe primeiro atrás de uma borda saliente de uma cratera, reaparece por um instante ao superar a tal saliência e se põe, finalmente, no fundo da cratera. As orientações solsticiais fizeram algumas pessoas pensar que as pirâmides eram antigos templos.


A hipótese de Heyerdahl...
Também em 1991, o famoso investigador Thor Heyerdahl estudou as pirâmides e concluiu que elas não poderiam ser simples amontoados casuais de pedras. Por exemplo, as pedras nos cantos das pirâmides mostram claras marcas de tratamento e o solo havia sido nivelado antes da construção das pirâmides. Segundo ele, este material é pedra dos campos mais próximos, e sim, rochas de lava.

A pesar de suas investigações, Heyerdahl não pôde descobrir a idade das pirâmides nem responder a pergunta de quem as construiu, mas defendia que os guanches teriam vivido em uma caverna abaixo de uma das pirâmides. Até a conquista espanhola nos finais do século 15, Güímar teria sido a residência de um dos dez menceyes (reis) de Tenerife. Heyerdahl também propôs a teoria de que as Ilhas Canárias teriam servido de base para um suposto movimento de embarcações entre as Américas e o Mediterrâneo. A rota mais rápida de fato passa pelas Ilhas Canárias, que também foi usada por Cristóvão Colombo. Em 1970, Heyerdahl demonstrou que era possível navegar entre a África do Norte e o Caribe usando métodos antigos. Ele mesmo navegou do Marrocos a Barbados em um barco de feito de papiro.


A posição dos arqueólogos em relação a isso tudo...
A maioria dos arqueólogos defende que as pirâmides foram construídas por agricultores que haviam tirado rochas de seus campos de cultivo, tal como se fazia comumente em outras regiões das Ilhas Canárias. Tais construções são chamadas “paredões” no meio rural. Além disso, muitos habitantes da própria localidade de Güímar atribuem essa mesma função às estruturas piramidais lá encontradas.

Por outro lado, não existem provas que demonstrem que estas pirâmides tenham sido construídas pelos guanches, nativos, nem que tais construções tenham uma idade superior a 200 anos. Também, não há provas inquestionáveis de que na antiguidade tenham ocorrido viagens de povos mediterrâneos ao continente americano, como as que defende Heyerdahl. De fato, tais teorias são rechaçadas por praticamente todos os historiadores. Muitos arqueólogos alegam que as Pirâmides de Güímar não passam de mera propaganda turística e que as teorias de Heyerdahl carecem de fundamento histórico.


Possível influência da Maçonaria nas pirâmides...
Recentemente surgiu a proposta de que a Maçonaria poderia ter influído nas orientações astronômicas das Pirâmides de Güímar. Esta proposta se baseia na influência que a Maçonaria tinha nas Canárias e na Espanha no último terço do século 19, na importância do simbolismo solsticial na Maçonaria e no fato de que o proprietário da fazenda, Antonio Díaz Flores, desde 1854, era maçom. É de se notar que esta proposta não altera em nada a idade nem a finalidade da construção dada pelos historiadores (século 19 e exploração agrícola), incindindo somente na motivação de incluir a componente estética das orientações solsticiais.