quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Você conhece a lenda portuguesa da Dama do Pé-de-Cabra?!

Esta é uma das histórias mais importantes do folclore lusitano. Foi compilada pela primeira vez por Alexandre Herculano no livro “Lendas e narrativas”, que colecionava os contos populares que povoavam (e ainda povoam a mente dos portugueses). A lenda da Dama do Pé-de-Cabra também tem outra versão, escrita em inglês no livro “A story of the dark ages”, de 1878.


A lenda portuguesa mais conhecida...
Dom Diogo Lopes, nobre senhor da área de Biscaia, caçava nos seus domínios, quando foi surpreendido por uma linda mulher que cantava. Ofereceu-lhe o seu coração, as suas terras e os seus vassalos se com ele se casasse. A dama impôs-lhe como única condição a de ele nunca mais se benzer. Mais tarde, no seu castelo, Dom Diogo apercebeu-se que a dama tinha um pé forcado como o de uma cabra. Viveram muitos anos felizes e tiveram dois filhos: Inigo Guerra e Dona Sol.

Um dia, depois de uma boa caçada, Dom Diogo premiou o seu grande alão com um grande osso, mas a podenga preta de sua mulher matou o cão para se apoderar do pedaço de javali. Surpreendido com tal violência, Dom Diogo benzeu-se. A Dama do Pé-de-Cabra deu um grito e começou a elevar-se no ar, com a sua filha Dona Sol, saindo ambas por uma janela para nunca mais serem vistas. A partir daí, foi confessar e o pároco disse que estava excomungado, sua penitência foi guerrear contra os mouros por tantos anos quanto vivera em pecado, tendo ficado cativo em Toledo. Sem saber como resgatar o pai, Dom Inigo resolveu procurar a mãe que se tornara, segundo uns, numa fada, segundo outros, numa alma penada.

A Dama do Pé-de-Cabra decidiu ajudar o filho, dando-lhe um onagro, uma espécie de cavalo selvagem, que o transportou a Toledo. Aí, o onagro abriu a porta da cela com um coice e pai e filho cavalgaram em fuga, mas, no caminho, encontraram um cruzeiro de pedra que fez o animal estacar. A voz da Dama do Pé-de-Cabra instruiu o onagro para evitar a cruz. Ao ouvir aquela voz, depois de tantos anos e sem saber da aliança do filho com a mãe, Dom Diogo benzeu-se, o que fez com que o onagro os cuspisse da cela, a terra tremesse e abrisse, deixando ver o fogo do inferno, que engoliu o animal. Com o susto, pai e filho desmaiaram. Dom Diogo, nos poucos anos que ainda viveu, ia todos os dias à missa e todas as semanas se confessava. Dom Inigo nunca mais entrou numa igreja e crê-se que tinha um pacto com o diabo, pois, a partir de então, não havia batalha que não vencesse.


A versão da lenda portuguesa que foi publicada em inglês...
Na atual região da Beira Alta, mais concretamente na aldeia histórica de Marialva, vivia há muitos séculos uma donzela muito formosa. Certo dia um nobre encantado com a sua beleza e querendo desposá-la encomendou os serviços de um sapateiro pedindo-lhe que fizesse uns sapatos para a donzela em questão. Como se tratava de uma surpresa, o sapateiro teria de arranjar uma maneira de conseguir fazer um molde dos pés da donzela para acertar no tamanho do pé. Certo dia e sem que esta desse por isso, espalhou farinha aos pés da cama da donzela para que quando esta se levantasse, deixasse a marca na farinha espalhada no chão, e assim foi. O sapateiro percebeu pela forma deixada no chão que a donzela tinha “pés de cabra”, mas mesmo assim fez os sapatos adequados. Quando o nobre entrega o presente à donzela, esta com o desgosto de saber que já todos sabiam do seu defeito atirou-se da torre do castelo. A donzela chamava-se Maria Alva e ainda hoje, mesmo em ruínas, podemos ver a torre do castelo.