quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

“Arquivo X”, uma série que popularizou o “indizível”...

Um dos maiores ícones midiáticos e da cultura pop dos anos 90, “Arquivo X”, ou no original “The X files”, foi uma premiadíssima série de televisão dos Estados Unidos, criada por Chris Carter. Entretanto, você deve estar se perguntando o porquê de o blog estar falando sobre ela. Bem, o fato é que “Arquivo X” trouxe à discussão vários temas que ficavam escondidos entre as comunidades de cientistas e ufólogos, quando as pessoas passaram a prestar mais atenção naquilo que estavam vendo nos arredores de casa.


A série estreou na segunda metade de 1993 e ninguém imaginava que tal ficção científica fosse render tantos lucros e se eternizar, dando fim somente em maio de 2002. Tornou-se um dos maiores sucessos do canal Fox, junto com outros programas produzidos por ele, como “Os Simpsons” e “Barrados no baile”. Na época, a Fox era um canal recém-inaugurado e buscava espaço entre os três maiores conglomerados de comunicação, por isso focou seu trabalho em novas fórmulas visando os jovens.

Slogans do programa, como “A verdade está lá fora”, “Não confie em ninguém” e “Eu quero acreditar” tornaram-se marcos importantes na cultura dos anos 90, quando a série passou a abordar temas como paranormalidade e ufologia. Casos clássicos eram reproduzidos na série e levantaram o debate sobre o que os governos estariam escondendo da população nesses casos.

Arquivo X” foi baseada na convivência de dois agentes do FBI, Fox Mulder e Dana Scully, num roteiro bem clássico e com chavões da dramaturgia: ele é crédulo, enquanto ela é cética. A série tornou-se clássica por reproduzir nas casas de milhões de pessoas narrativas de casos ainda não solucionados. Desta forma, principalmente através dos famosos slogans, os norte-americanos passaram a registrar possíveis discos voadores, procurarem ajuda de ufólogos e parapsicólogos etc.


A série ganhou popularidade mundial e ganhou filme e um spin-off na última temporada. Acabou se tornando uma das séries de maior sucesso e com maior número de temporadas da televisão norte-americana, enquanto ufólogos divergiam em críticas: uns acreditavam que o sensacionalismo manchava a área, enquanto outros apontavam que era uma chance de a população abrir os olhos e auxiliar nas investigações promovidas, tais como as da Mufon.

Atualmente, no Brasil, a série está sendo reprisada no canal a cabo TCM e é uma chance de rever um dos maiores ícones televisuais dos anos de 1990. Também suas temporadas podem ser compradas em sites especializados, como o Submarino.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

“Piratas do Caribe” no Google Earth? Fato, farsa ou marketing?

Já de início podemos dizer que não se trata de uma misteriosa ilha recém descoberta por um jovem nerd enquanto ele brincava no Google Earth. Essa possibilidade chegou a ser divulgada por emails. Trata-se, na realidade, de um incrível golpe de marketing.



Para promover o longa-metragem “Piratas do Caribe 2”, que bateu vários recordes nas bilheterias, os produtores criaram esta locação fictícia que era encontrada acessando o Google Earth. Na época foi uma brincadeira divertida que rendeu recordes de acessos ao programa.

O Google Earth tem se tornado um lugar muito popular para essas estratégias de marketing. Foram vários exemplos: um iPod gigantesco na Austrália, aliens fazendo churrasco no terraço de um prédio da Área 51, nos Estados Unidos.



Com a chegada do Google Earth, muitas pessoas já fizeram de tudo para aparecer. Muitas já escreveram mensagens em seus telhados com esperanças de que alguém leia. O futuro do Google Earth ainda é incerto, como alguns outros produtos da Google, mas não dá pra negar que este “brinquedinho” atiça a imaginação de muita gente.

Podemos garantir que se você passar alguns minutos por dia explorando esta incrível ferramenta, com certeza encontrará coisas curiosas pelo planeta.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Controle mental. Você acredita nisso? Fato ou farsa?

Controle mental tem sido usado nos últimos tempos como um termo bastante genérico para diversas teorias controversas que propõem que o pensamento das pessoas e seus comportamentos e decisões possam ser manipulados de forma variada e arbitrária. O controle mental mais conhecido é chamado de lavagem cerebral, e desde sempre é causa de imensos debates no nível científico.

O controle mental e seus métodos, além da sua própria existência, é tema de um enorme debate acadêmico entre psicólogos, neurologistas, sociólogos e demais especialistas interessados no tema. Nos últimos tempos, várias pesquisas têm sido realizadas em todo mundo e os resultados são incríveis; por exemplo, a publicidade é reconhecida como uma maneira sutil de controle mental, junto com as chamadas mensagens subliminares.


Além da publicidade em si, a lavagem cerebral também chegou ao nível religioso. Movimentos ateus apontam que o cristianismo das últimas décadas tem aplicado técnicas bastante eficazes de controle mental para prender as pessoas às suas denominações. As críticas são bastante severas contra os neopentecostais e os católicos carismáticos.

O estudo do controle mental surgiu principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, quando alguns cientistas decidiram entender o motivo de o nazismo ter agregado tantos partidários em uma lógica irreal e extremamente violenta. Foi entendido que a propaganda tem efeitos gigantescos e devastadores sobre os seres humanos, principalmente em coletividade; um dos estudiosos da comunicação chegou a dizer que o homem, em massa, não pensa e age sem reflexão. Desde então as pesquisas avançaram e as técnicas continuam sendo usadas na política, no entretenimento e na religião.


Alguns neurocientistas apontam que o controle mental pode ser bem mais antigo do que a propaganda nazifascista. A hipnose freudiana, os mantras budistas e a histeria coletiva seriam formas de controlar a mente de alguma forma, agindo em pontos específicos do cérebro. Desde a popularização destes estudos, diz-se que a CIA promove desde os anos 50 uma série de testes que seriam eticamente proibidos em seres humanos.

Geralmente, o assunto relativo a controle mental e lavagem cerebral é relegado no meio acadêmico como um assunto de pseudociência. Entretanto, os estudos envolvendo publicidade apontam que isso possa realmente acontecer em medidas certas e atitudes bastante específicas. O problema é que o debate é deixado de lado quando surgem indivíduos que afirmam terem sido controlados como robôs por seres vindos de outras galáxias. Isso torna o assunto marginalizado.

De modo geral, podemos apontar que o controle mental pode, sim, ocorrer quando feito por profissionais que conhecem os mecanismos sociais e neurológicos. A própria publicidade e a história da propaganda política evidenciam que não seja difícil manipular a opinião pública de maneira quase arbitrária.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Acusações de que o homem não pisou na Lua: seria a maior teoria da conspiração já criada?

Depois de receber uma quantidade considerável de emails, hoje estou publicando o post que fala sobre o que poderia ser a maior farsa da história, ou então naquilo que poderia ser a maior teoria da conspiração já criada por uma sociedade desde que o homem organizou-se em sociedade. Entretanto, para muitos, dizer que o homem não foi à Lua, mas que assistimos a um imenso teatro, parece muito mais loucura. De qualquer forma, o assunto é polêmico e desperta interesse nas pessoas.

Por ser um assunto muito amplo e que faz com que se prolongue demais, fiz em tópicos para não tornar o texto maçante. E agora vamos às importantes considerações, que são um resumo, por ser um assunto interessante e extremamente extenso!


1. Uma pesquisa feita em 1999 nos Estados Unidos, pelo Instituto Gallup, aponta que 89% dos norte-americanos acreditam que a alunissagem realmente ocorreu; 6% acham que não, e 5% estão indecisos quanto a esta questão;

2. Em 2009, a Nasa informou que não conseguiu encontrar os registros de voz dos astronautas durante a missão que culminou no homem dando os passos na Lua. Informou ainda que as fitas poderiam ter sido utilizadas gravando outros assuntos por cima. Isso fez aumentar a teoria da conspiração. Contudo, fotos recentes da Lua mostrariam os restos das missões Apollo na superfície do satélite;

3. A folclorista Linda Degh sugere que o filme “Capricorn one”, que apresenta uma falsa missão a Marte em uma espaçonave que se parece com as Apollo, pode ter dado um reforço à popularidade da teoria da fraude, nos anos pós-guerra do Vietnã e pós-escândalo de Watergate, quando segmentos do público americano estavam inclinados a duvidar das declarações oficiais;

4. Na Europa, duas pesquisas de opinião pública mostram resultados bastante estranhos: 28% dos russos não acreditam na alunissagem, e 40% dos europeus de seis países creem que o primeiro pouso tenha sido, sim, uma tremenda fraude norte-americana por conta da Guerra Fria;

5. Quem crê na falsidade dos pousos diz que a tecnologia da época era muito falha perante os perigos cósmicos encontrados lá fora, como radiação solar intensa, ventos solares, raios nocivos etc. Uma parte acredita que o ser humano chegou a orbitar a Lua, mas o pouso foi todo encenado em estúdios de Los Angeles com tecnologia cinematográfica;


6. Quem defende a falsidade na alunissagem aponta que o empreendimento era caro demais para a época, e que era de principal importância os norte-americanos ganharem uma frente na corrida espacial, uma vez que os soviéticos já tinham colocado o primeiro satélite artificial em órbita, o primeiro homem e o primeiro animal no espaço. Com tantos riscos, diz-se que foi melhor recorrer à encenação;

7. Nos Estados Unidos, a teoria conspiratória em relação aos passos do homem na Lua é comparada ao mito de que Elvis Presley não teria morrido em 1977. Ou seja, é uma narrativa associada a pessoas que tentam forçar fontes e tirar crédito de outras, sendo estas oficiais;

8. O maior problema de dar credibilidade à conspiração é que mais de 200 mil pessoas trabalharam por mais de dez anos nesta empreitada científica. Assim, ficaria impossível guardar um segredo tão funesto à história da ciência. Engenheiros aeronáuticos apontam que seria muito mais simples pousar na Lua do que criar uma mentira tão complexa e, portanto, duradoura;

9. O que mais acende a polêmica é o fato de as fitas de registro da Apollo 11 simplesmente terem sumido, justamente as imagens originais dos passos na Lua. Para quem não sabe, as imagens que vemos hoje do pouso na Lua são as que foram recebidas em tempo real por um observatório na Austrália naquela data. Atualmente há uma verdadeira caça ao tesouro na busca destas fitas, que poderiam não terem sido descartadas com gravações por cima daquelas da alunissagem;

10. Quem gosta de uma teoria da conspiração fica de olhos abertos ao descobrir que praticamente nada da Apollo 11 está em museus de história aeroespacial. A Nasa diz que não houve a preocupação na época de preservar os veículos, e muitos foram desmontados para que peças fossem reaproveitadas em outras missões;


11. Muitos membros da comunidade científica apontam que o fato de o homem pisar na Lua não trouxe grandes avanços à ciência propriamente dita. Esta foi mais uma conquista ideológica e política do que científica. Claro, não vamos negar os imensos avanços para a aeronáutica e aprimoramento de segurança de voo;

12. Teóricos da conspiração dizem que as mortes envolvendo programas espaciais soviéticos e americanos eram enormes, e por isso fazer um “show cinematográfico” era mais compensador e menos arriscado. Outros apontam que a frase clássica “É um pequeno passo para um homem, mas um grande para a humanidade” só poderia ter sido concebida num roteiro programado e não ter sido feita em improviso;

13. Grande parte dos esforços de reafirmar a teoria de falsidade da alunissagem vem da análise das fotografias e filmes que teriam sido feitos em solo lunar. Quem crê no pouso como falsidade enumera uma lista enorme do que seriam “erros” cenográficos no que diz respeito à gravidade, iluminação, radiação, uso de ferramentas etc.

14. Muitos apontam que a qualidade das imagens fotográficas é incrivelmente alta e boa, portanto profissionais de imagem teriam feito o trabalho. Entretanto, podemos explicar que no final dos anos 60, a fotografia já tinha avanços incríveis que foram possíveis após o desenvolvimento do cinema nos anos de 1930/1940. A Nasa explica que há muitas fotos de qualidade ruim, mas foram selecionadas as mais bem tiradas para uso da imprensa mundial;

15. O Sol estava brilhando. As câmeras foram preparadas para exposição em luz do dia, e não poderiam registrar pontos fracos de luz – por isso não há estrelas nas imagens. Mesmo as estrelas mais brilhantes são fracas e difíceis de ver durante do dia na Lua. A luz diurna na superfície é muito mais brilhante que na Terra. Os ajustes da câmera podem tornar um fundo bem iluminado em escuro quando o objeto em primeiro plano está bem iluminado, forçando a câmera a aumentar a velocidade do obturador para que a luz do primeiro plano não queime completamente a imagem;


16. Algumas pessoas dizem que a alunissagem foi uma farsa porque algumas sombras das fotografias são inconsistentes e que mostram o uso de potentes refletores cinematográficos, além de o cenário modificar muito pouco, mesmo sendo a caminhada supostamente tão longa;

17. A busca por colocar em terra o pouso do homem na Lua é tão grande que algumas pessoas afirmam que uma garrafa de refrigerante aparece descuidadamente nas imagens lunares, o que nunca conseguiram provar;

18. Alguns teóricos da conspiração dizem que a famosa pegada lunar ficou surpreendentemente forte e preservada, podendo ter sido feita em areia molhada. Entretanto, vale lembrar que a Lua está no vácuo do espaço, onde não há vento, umidade e erosão. Ela ficará preservada por muito tempo;

19. A prova de que o homem esteve na Lua realmente é o início de catarata que todos os astronautas tiveram, uma vez que passaram por um cinturão radioativo no espaço por 33 minutos. Apesar de toda segurança, esse seria o primeiro estágio de contaminação nuclear;

20. Alguns conspiradores dizem que o Sol na Lua faria um calor imenso, o que causaria derretimento de todo o equipamento. Entretanto, vale ressaltar que a temperatura só fica alta se houvesse uma atmosfera para prender o calor no solo lunar, o que não acontece;


21. Os adeptos desta linha de raciocínio contra a alunissagem apontam que as rochas coletadas na Lua são idênticas àquelas encontradas na Antártica;

22. Algumas pessoas dizem que a bandeira colocada na superfície lunar balançou, apesar de não haver vento na Lua. Entretanto, a análise das imagens mostra que isso não ocorre, sendo mais um capítulo da teoria infundada;

23. O programa Apollo recolheu mais de 380 quilos de rochas lunares ao longo dos anos de atividade. A análise feita por cientistas de todo mundo confirma que tais rochas realmente vieram na Lua. Nem mesmo os soviéticos refutaram a autenticidade dos rochedos, e eles seriam os mais interessados nisso. Quem é adepto da conspiração afirma que existe um “acordo de cavalheiros” mundial para concordar que o homem realmente pisou em rolo extraterrestre;

24. Conspiradores dizem que pelo menos dez pessoas relacionadas diretamente com a alunissagem morreram de forma arbitrária ao longo das décadas; ou seja, teriam sido assassinadas como ocultação de provas. Nesta lista macabra, a maioria é formada por militares e/ou astronautas e apenas dois civis. Segundo os relatos, estes indivíduos morreram em acidentes de carro, incêndios, envenenamentos etc.

25. Adeptos da teoria da conspiração alegam que não há um mapeamento físico de alta resolução da Lua, como temos o Google Earth, uma vez que poderíamos conhecer a “farsa histórica” da alunissagem em 1969, quando não encontraríamos os vestígios do homem naquele satélite;


26. No período entre julho de 1969 e dezembro de 1972, sete missões partiram da Terra em direção à Lua, das quais apenas uma não conseguiu pousar. Como resultado direto destas missões existem 5.771 fotografias, 382 kg de amostras de solo e rochas lunares, as cápsulas de retorno dos astronautas, além dos dados científicos obtidos com o coletor de partículas solares, as leituras de sismógrafos, a medição da distância Terra-Lua feita com o auxílio de espelhos deixados em três missões americanas e duas soviéticas, entre outros.

Há algum tempo, os caçadores de mitos do Discovery Channel e o programa “Fact or faked: paranomal files” (neste caso, num episódio espetacular) trabalharam com o mito de que o homem não teria pousado na Lua, investigando vários destes pontos citados acima. A conclusão é a mesma que chegamos: não há como criar uma teoria conspiratória envolvendo um número tão grande de pessoas em uma época histórica tão conturbada; no meio do embate ideológico entre capitalismo e comunismo, é óbvio que a União Soviética tentaria de tudo para demonstrar tal façanha e replicá-la em seus estúdios e, então, realmente levar seres humanos à Lua.


Neste post procuramos apenas evidenciar e mostrar os principais focos de debates nos fóruns que tentam reforçar a conspiração. Quem se interessar pode encontrar inúmeros livros e documentários que detalham melhor esse ponto da história.

Muitas vezes, acreditar em teorias conspiratórias faz com que o nível crítico diminua e o indivíduo retorne à sua infância intelectual. É importante manter em alerta o senso crítico, mas sem deixar cegar-se pelo excesso de luz (conhecimento). Podemos dizer que a ciência foi vitoriosa: o homem realmente deu seus pequenos passos no nosso único satélite natural – e descobriu que lá não estava São Jorge com o dragão.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Avrocar: a base real para os discos voadores...

Muitas pessoas ao redor do mundo afirmam categoricamente terem visto objetos estranhos voando, em formato de disco; são os discos voadores. Outros tantos chegam a afirmar que foram abduzidos por seres que controlavam tais veículos espaciais e sofreram experiências traumáticas e terríveis. O que poucos sabem, na realidade, é que houve uma linha de veículos que realmente tinham formato discoide. Você já ouviu falar no Avrocar? Pois é, este é um tema polêmico entre ufólogos, engenheiros e militares!


O Avrocar, na realidade, chamou-se Avro Canada VZ-9, desenvolvido pela Avro Aircraft do Canadá como parte de um projeto militar secreto dos Estados Unidos durante a Guerra Fria (1945-1989). Tal aeronave tinha como objetivo explorar o impulso vertical com motores nas bordas do veículo. Por isso, no ar, ele se assemelhava muito aos famosos discos voadores.

De acordo com os historiadores da área militar, inicialmente foram construídos dois protótipos como veículos de teste da Força Aérea dos Estados Unidos. Mais tarde, outras unidades foram encomendadas e construídas para outros testes ao redor da América do Norte, o que poderia explicar a visão de aeronaves estranhas nas proximidades de importantes bases aéreas.

No geral, o Avrocar provou que poderia voar através do impulso vertical, mas havia graves problemas de estabilidade e de dirigibilidade, o que o deixou com baixíssimo desempenho em um momento importante da história, a iminência de um conflito entre as duas maiores potências da época. Assim, em setembro de 1961, o governo norte-americano cancelou o contrato e deu fim ao projeto.



A concepção do Avrocar é muito mais antiga; teria nascido em 1942 na Grã-Bretanha, quando engenheiros aeronáuticos pensaram que uma nave em forma de disco poderia se mover mais rápido por conta da aerodinâmica, como um brinquedo frisbee. Assim, a canadense Avro Aircraft comprou a ideia e vendeu ao governo norte-americano enquanto este gastava bilhões de dólares em projetos que tornassem seu sistema mais competitivo que o soviético.

Em geral, foram produzidos pelo menos seis Avrocars para testes diversos em bases aéreas ao redor dos Estados Unidos, dentre elas a famosa Área 51. Cada “disco voador” teve pelo menos 75 horas de voo durante estes testes, o que é considerado muito pouco e comprova o fracasso total do projeto, que consumiu muito dos cofres americanos. Contudo, até hoje é a única aeronave com formato discoide já construída. Desde 1984, um dos exemplares desta estranha nave está em exposição no Museu Nacional Aeroespacial dos Estados Unidos e causa sensação nas crianças, quando elas veem ao vivo um verdadeiro “disco voador”.



Começa a teoria da conspiração com o Avrocar...
Nem sempre as coisas são tão fáceis como parecem ser à primeira vista. Os testes com protótipos do Avrocar causaram verdadeiro furor na comunidade ufológica ao longo dos anos 50 e 60. Alguns ufólogos diziam que aquela era a prova cabal de que os governos tinham contato frequente com alienígenas e troca de informações para desenvolvimento tecnológico.

Outra corrente dizia que este era um contato compulsório. Desde o incidente em Roswell e o caso Aztec, falava-se que o governo norte-americano escondia provas importantes em suas bases, como naves interplanetárias, e realizava experimentos de engenharia reversa para entendimento do funcionamento destes equipamentos; com isso, esta corrente de ufólogos compreendeu que o Avrocar era uma tentativa terráquea de construção de Ovnis, entretanto malsucedida pela falta de tecnologia que os aliens já possuíam então e que ainda desconhecíamos.

Apesar de tantas teorias da conspiração envolvendo o Avrocar, o que podemos ter de certeza é que este foi um dos vários projetos estranhos empreendidos pelas potências mundiais nos anos da Guerra Fria. Projetos estes que consumiram dinheiro desnecessariamente dos contribuintes norte-americanos e/ou soviéticos. Esta aeronave entra para a história pela sua estranheza e, atualmente, fascínio pelo bizarro.


sábado, 19 de janeiro de 2013

O que seria a hipótese psicossocial para os avistamentos de discos voadores e extraterrestres?

Nos últimos anos, a ufologia começou a trabalhar com o que se chamou de hipótese psicossocial (HPS) ou hipótese psicocultural (HPC), cujo fundamento defende que a maior parte dos relatos de avistamentos de discos voadores e extraterrestres são mais bem explicados através da psicologia e da antropologia, em uma tentativa de racionalizar e tornar mais metódicos fenômenos ainda sem explicação da ciência.

Apesar de ser um campo muito novo de pesquisas, tem ganhando espaço no meio acadêmico – principalmente entre os novos ufólogos. Entretanto, a HPS e a HPC são confundidas com a posição “agressiva” daqueles que negam a existência de seres inteligentes em outros planetas e galáxias. Os pesquisadores das hipóteses psicossocial e psicocultural creem que este seja um tema muito interessante que merece estudo sério e cético.


A grande questão da HPS e da HPC é que ela não tem uma forma homogênea de explicar os Ovnis. São explicações diferentes para casos particulares, o que a Mufon tenta fazer há algumas décadas, quase separando o joio do trigo, os casos falsos dos que merecem destaque e investigação mais apurada. Exemplos de explicações englobadas na HPS são alucinações, fraudes e enganos com estímulos prosaicos. Devido à sua ênfase no comportamento humano, ela frequentemente busca explicar por que um fenômeno foi interpretado da maneira que foi, recorrendo a temas e influências pré-existentes.

O paradoxo da ficção científica e dos discos voadores...
Diversos autores notam o fato de que revistas, livros e filmes de ficção científica antecedem todos os temas e ideias que seriam posteriormente relacionados aos discos voadores. Bertrand Méheust, um sociólogo francês, em seu livro de 1978, “Science-fiction et soucoupes volantes”, “Ficção científica e os discos voadores”, mostra que quase todos os aspectos do fenômeno Ovni pode ser encontrado em revistas populares de fantasia no começo do século 20, muito antes do início do fenômeno Ovni como conhecido atualmente em 1947, com o registro visual de Kenneth Arnold – especificamente o famoso caso Roswell.

Tal linha de raciocínio também é defendida no artigo “Gauche encounters: filmes B e o mito Ovni”, do norte-americano Martin Kottmeyer. O artigo, que tornou o ensaísta conhecido nos círculos ufológicos, ilustra de maneira gráfica as similaridades entre extraterrestres de filmes de ficção e relatos posteriores de supostas testemunhas de discos voadores.



Alguns autores têm defendido nos últimos anos que o fenômeno alien mostra aspectos de histeria coletiva, especialmente durante as chamadas “ondas de Ovnis”, quando há vários relatos de avistamentos em uma região em um curto espaço de tempo. O psiquiatra francês George Heuyer propôs esta hipótese em 1954 em uma nota ao “Bulletin de l’Académie Nationale de Médecine”.

O que sedimenta as teorias HPS e HPC estão relacionados aos fatos históricos ligados aos avistamentos. Muitos ocorreram durante os anos da Guerra Fria, quando a espionagem entre norte-americanos e soviéticos estava e em alta e havia frequentemente testes de novos veículos militares. Outro ponto importante é a famosa “batalha de Los Angeles”, em 1942, quando o medo de um ataque japonês ao continente americano após a investida no Havaí assombrou toda a população daquela cidade.


Podemos apontar que a hipótese psicossocial (HPS) e a hipótese psicocultural (HPC) são novos mecanismos interessantes que tentam desbanalizar e desmistificar a situação encontrada no meio ufológico, sempre associada ao estereótipo do ufólogo como um indivíduo alternativo e que vive preenchido por clichês de ficção científica. São estudos que trazem mais luz a esta escuridão e que conseguiram mostrar a ligação íntima entre avistamentos após episódios midiáticos em qualquer parte do mundo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Você conhece a teoria de ocultação alienígena? Você acredita nela?

Muito se tem discutido sobre o tema nas últimas décadas; de acordo com os ufólogos, aliens estariam visitando o nosso planeta há muito tempo e, desde a década de 1940, pelo menos, os governos teriam ciência de uma série de fatos, capturado estes aliens, e os ocultado por uma série variada de motivos. Trata-se de um assunto controverso e pouco creditado na comunidade científica – e que poucos cientistas de renome e militares graduados ousam falar abertamente por conta do preconceito que ainda permeia o assunto.

Basicamente, a teoria de conspiração envolvendo ocultação alienígena se divide em vários assuntos e várias teorias diferentes, que muitas vezes se sobrepõem: exemplares de extraterrestres presos em bases militares, discos voadores capturados e em ocultados em hangares, provas diversas de existência alien suprimidas em arquivos secretos etc.


No acervo do blog, ao lado, você pode conferir vários posts que envolvem os seguintes assuntos: ufologia, teorias conspiratórias, historiografia etc. Vale a pena continuar a pesquisa por aqui!


Quem defende a teoria de ocultação alienígena afirma que vários governos do planeta têm se comunicado ou até mesmo cooperado com os ET’s, apesar das afirmações públicas em sentido oposto a isso. Alguns mais radicais apontam na direção de que os governos estariam até permitindo explicitamente a abdução alien enquanto oculta os casos.

A suposta ocultação de extraterrestres nasceu com o famoso caso ocorrido na cidade de Roswell e aumentou enormemente nos anos 50, 60 e 70, justamente no período da Guerra Fria, em territórios que estavam diretamente ligados a este embate ideológico: Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido. Para os céticos, tudo não passa de teoria militar com testes de armas secretas e espionagem.

Na cultura ocidental, talvez o lugar mais propenso a enormes teorias conspiratórias seja a base conhecida como Área 51, nos Estados Unidos. Desde a sua inauguração é um lugar recheado de simbolismo e teoria: seres de outros planetas estariam aprisionados por lá, naves alienígenas seriam guardadas a sete chaves enquanto cientistas trabalham com engenharia reversa etc.

No Brasil, os dois casos mais famosos que refletem a teoria da ocultação alien são a Operação Prato e o possível ET da cidade de Varginha, em Minas Gerais. Ambos ganharam o mundo e a atenção de ufólogos, que cobraram explicações do Exército.


O fato é que muito da atividade militar no período da Guerra Fria tem sido creditado à atividade alienígena na Terra enquanto outros fenômenos continuam na aura nebulosa do inexplicável e/ou inexplorável enquanto vários governos mantêm seus arquivos fechados. Muitos autores têm ganhado dinheiro publicando livros e documentários que abordam o tema de maneira sensacionalista e fantasiosa, aumentando cada vez mais o desconhecimento e o descrédito da população em geral e acirramento com governos.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O curioso caso de Travis Walton, um dos maiores clássicos da ufologia...

O caso Travis Walton diz respeito a uma série de acontecimentos com um lenhador americano (foto abaixo) a partir de novembro de 1975, quando teria sido abduzido por um disco voador no Parque Nacional de Apaches-Sitgreaves, nos Estados Unidos, sob a vista de amigos e reaparecendo cinco dias depois. O caso de Walton recebeu considerável publicidade da mídia, sendo um dos exemplos mais conhecidos de alegada abdução alienígena, e um dos poucos com testemunhas oculares. Nunca antes um relato de abdução começou da maneira relatada por Walton e seus colegas de trabalho; além disso, o caso é singular no aspecto de que o protagonista desapareceu por dias a fio, com policiais à sua procura.


Contexto do caso...
O caso começou no dia 05 de novembro de 1975. Walton era empregado de Mike Rogers, que durante nove anos fora contratado pelo Serviço Florestal para diversas tarefas. Rogers, então com 28 anos, e Walton, com 22, eram melhores amigos; Travis namorava a irmã de Roger, Dana, com quem mais tarde se casaria. Os outros homens no grupo eram Ken Peterson, John Goulette, Steve Pierce, Allen Dallis e Dwayne Smith, que viviam na pequena cidade de Snowflake, Arizona. Rogers fora contratado para podar árvores baixas e outros arbustos em uma grande área. O trabalho era o contrato mais lucrativo de Rogers, mas seu pessoal estava com o cronograma atrasado. Assim, precisavam trabalhar durante longos turnos para atender o contrato, normalmente das 6h da manhã até o por do sol.

Uma descoberta no meio da mata...
Pouco depois das 18h, no anoitecer de 5 de novembro, Roger e seu grupo haviam terminado seu trabalho naquele dia e se acomodavam na caminhonete para voltarem à cidade. O grupo informou que logo depois de começar o trajeto, viu uma luz brilhante vindo de trás de uma colina. Ao se aproximar de carro o bastante para ver a fonte da luminosidade, perceberam que esta emanava de um objeto discóide parado a uns 6m de altura e dividido por linhas verticais escuras. O disco tinha aproximadamente 2,5m de altura e 6m de diâmetro.

Rogers diminuiu a velocidade da caminhonete até parar, após o que, segundo eles, Walton saltou da caminhonete e correu em direção ao disco. Os outros homens disseram que gritaram para que Walton voltasse, mas ele continuou em direção ao disco. Os homens relataram que Walton estava quase abaixo do disco quando o objeto começou a emitir ruídos muito altos, similares aos de uma turbina. A espaçonave começou a rodopiar e Walton se abaixou atrás de uma pedra. Ao se levantar para voltar à picape sentiu como que uma alta descarga elétrica e desmaiou. Ele aparentemente não viu o que o acertou, mas seus amigos sim: um forte raio de luz azul saído do disco.

Rogers disse mais tarde que estava convencido de que Walton morrera e, assim, se afastou dirigindo rapidamente pela estrada acidentada, com medo de que o disco estivesse perseguindo a caminhonete. Quando já estavam distantes do local, Rogers olhou para trás e viu que nada os seguia. As discussões começaram sem demora. Peterson e Rogers disseram que eles deveriam voltar e pegar Walton, mas alguns rejeitaram a ideia. Logo depois, todos concordaram em voltar. Ainda estavam se aproximando do local do incidente quando Rogers, o motorista, conseguiu ver rapidamente entre as árvores, ao longe, o objeto luminoso subindo e afastando-se em alta velocidade. Quando chegaram ao lugar onde haviam abandonado Walton, estava tudo quieto. Ainda receosos, saíram do veículo juntos, mas acabaram por se separar para vasculhar melhor a área, chamando pelo amigo. Inicialmente eles ficaram aliviados por não encontrar nenhum corpo, achando que Walton havia escapado.


A busca por Travis Walton...
Aproximadamente às 19h30, Peterson ligou para a polícia. O agente Chuck Ellison respondeu à chamada. Inicialmente, Peterson informou que um membro de sua equipe de madeireiros estava desaparecido. Em seguida, Ellison se encontrou com os homens em um centro comercial, onde relataram a história, todos eles perturbados, dois em prantos, e embora estivesse cético a princípio sobre aquele relato fantástico, Ellison mais tarde refletiu que se estivessem fingindo, eram tremendamente bons naquilo. Rogers insistia em retornar ao local imediatamente para procurar por Walton, com cães farejadores, se possível. Não havia cães disponíveis, mas os policiais e alguns dos homens retornaram ao local. Três dos membros do grupo estavam perturbados demais para serem úteis em uma busca e, assim, decidiram voltar para Snowflake e relatar as más notícias aos amigos e familiares.

De volta ao local, os policiais começaram a suspeitar da história relatada pelo grupo, principalmente porque não havia nenhum indício físico para comprovar o relato. Embora mais policiais e voluntários chegassem ao local, não encontraram nenhum sinal de Walton. As noites de inverno podem ser bem frias nas montanhas e Walton usava somente jeans, uma jaqueta de brim e uma camiseta. A polícia temia que Walton pudesse sucumbir à hipotermia se estivesse perdido.

Na manhã de 06 de novembro, muitos agentes e voluntários haviam vasculhado a área no local em que Travis desaparecera. Nenhum vestígio dele fora descoberto e a suspeita aumentava entre os policiais de que a história do Ovni fora inventada para encobrir um acidente ou homicídio. No sábado de manhã, Rogers e Duane Walton chegaram ao escritório do xerife Gillespie explosivamente furiosos por terem retornado ao local e não encontrado nenhum policial lá. Naquela tarde, a polícia buscava por Travis com helicópteros, homens a cavalo e jipes.

Publicidade do desaparecimento...
No sábado, a notícia do desaparecimento de Walton já havia se espalhado internacionalmente. Repórteres, ufólogos e curiosos começaram a chegar a Snowflake. Entre os visitantes estava Fred Sylvanus, um investigador de discos voadores que entrevistara Rogers e Duane Walton. Embora repetidamente expressando preocupação pelo bem-estar de Travis, ambos os homens deram declarações que os atormentariam quando usadas pelos críticos.

Nas gravações feitas por Sylvanus, Rogers notou que, por causa do desaparecimento de Travis e da busca posterior, não conseguiria cumprir seu contrato com o Serviço Florestal e esperava que a busca por seu amigo desaparecido aliviasse a situação. Duane Walton informou que ele e Travis tinham bastante interesse em ufologia e que uns doze anos antes Duane vira um Ovni similar àquele visto pelo grupo de madeireiros. Duane relatou que ele e Travis haviam decidido que, se tivessem chance, chegariam mais perto possível de qualquer disco voador que vissem. Mais tarde, Travis diria que nunca tivera um grande interesse em ufologia, mesmo depois da suposta abdução.

Logo depois da entrevista de Sylvanus, o delegado de Snowflake, Sanford Flake, declarou que todo o caso fora uma peça engendrada por Duane e Travis. Eles haviam enganado a turma de madeireiros acendendo um balão e soltando-o no momento apropriado. A esposa de Flake discordava, dizendo que a história do marido era tão forçada quanto a de Duane Walton.


Passando pelo polígrafo...
Na segunda-feira, 10 de novembro, todos os outros membros do grupo de Rogers passaram por um teste com o polígrafo. Seu questionário perguntava se algum dos homens fizera algum mal a Travis, se sabiam onde o corpo de Travis estava enterrado e se disseram a verdade sobre terem visto um disco voador. Todos os homens negaram ter ferido Travis, negaram saber onde seu corpo estava e insistiram que realmente viram um Ovni. No final, foi constatado que todos eles estavam falando a verdade sobre o que tinham visto na floresta. Após os testes do polígrafo, o xerife Gillespie anunciou ter aceitado a história da abdução.

O retorno de Travis Walton...
Pouco antes da meia-noite de segunda-feira, 10 de novembro, Grant Neff relatou ter atendido o telefone de sua casa. Neff era casado com a irmã de Travis, Alison. O outro lado, uma voz tênue disse: “É Travis. Estou em uma cabine telefônica no posto de gasolina de Heber e preciso de ajuda. Vem me buscar”. Neff disse que, no início, pensou ser mais um trote. Contudo, antes que Neff desligasse o telefone, a pessoa falou novamente, quase histérica e gritando: “Sou eu, Grant! Estou ferido e preciso muito de ajuda. Vem logo me buscar”. Neff reconsiderou a identidade da pessoa do outro lado da linha: seu pânico parecia genuíno e, assim, Neff e Duane Walton dirigiram até o posto de gasolina.

Eles disseram ter encontrado Travis lá caído. Usava as mesmas roupas de quando desapareceu, ainda inadequadas, já que a temperatura era de aproximadamente -7°C, parecia mais magro e não ter se barbeado durante o tempo em que esteve ausente. Durante a viagem de volta a Snowflake, Travis parecia assustado, trêmulo e ansioso, balbuciando repetidamente sobre seres com olhos terríveis. Pensava que estivera ausente apenas por algumas horas. Quando soube que sumira por quase uma semana, pareceu atordoado e parou de falar.

Duane Walton disse que decidiu não revelar a volta de Travis imediatamente, preocupado com a condição aparentemente frágil de seu irmão. Por não avisar as autoridades, Duane seria acusado de cumplicidade na ocultação de indícios que ele e Travis poderiam não querer que a polícia visse. Na casa de sua mãe, Travis disse que tomou banho e comeu, mas que não conseguia deixar de vomitar, mesmo após refeições leves.

Após receber informação de um funcionário da companhia telefônica aproximadamente às 2h30min, a polícia soube que alguém ligara para a família Neff de um telefone público no posto de gasolina de Heber. Gillespie enviou agentes para coletar impressões digitais das cabines, mas tanto quanto os agentes puderam perceber no escuro, nenhuma das impressões era de Travis. Esse fato seria notado por críticos que pensavam que todo o caso era um trote, enquanto os que defendem o caso alegaram que um exame de impressões digitais feito no escuro, nas primeiras horas da madrugada, por dois agentes usando lanternas, dificilmente seria o ideal, sequer suficiente.


O retorno de Travis ganha as manchetes de todo o mundo...
Na tarde de terça-feira, o retorno de Travis vazou para o público. Duane recebeu um telefonema de Spaulding e disse a ele que não importunasse a família novamente. Entre outros telefonemas à procura de notícias sobre o retorno de Travis, um veio de Coral Lorenzen, da Apro, um grupo civil de pesquisa de Ovnis. Coral prometeu a Duane que ela providenciaria que Travis fosse examinado por dois médicos, um clínico geral, Joseph Saults, e um pediatra, Howard Kandell, na casa de Duane, que concordou.

Entre o telefonema de Lorenzen e o exame do médico, outro personagem apareceria e complicaria enormemente a história. Lorenzen recebeu um telefonema de um funcionário do “National Enquirer”, um tabloide americano conhecido por seu tom sensacionalista. O funcionário do “Enquirer” prometeu financiar as investigações da Apro, em troca da cooperação para ter acesso aos Walton. Uma vez que os recursos financeiros do jornal eram bem maiores que os da Apro, Lorenzen aceitou o acordo.

O exame médico revelou que Travis estava essencialmente em boas condições, mas que duas características incomuns foram notadas: um pequeno ponto vermelho na dobra do cotovelo direito de Travis, condizente com a picada de uma injeção, porém os médicos notaram que o ponto não estava próximo de nenhuma veia. A análise da urina de Travis revelou uma falta de cetonas. Isso era incomum, já que Travis estivera ausente por cinco dias com muito pouca ou nenhuma comida, conforme insistia (e sua perda de peso sugeria), e seu corpo já deveria ter começado a consumir gorduras para sobreviver, elevando os níveis de cetonas na urina. Os críticos argumentariam que essa incoerência seria um indício contra a história de Travis.

Travis especularia mais tarde que a marca em seu cotovelo poderia ter sido contraída durante o trabalho com a madeira. Os críticos especulariam que a marca demonstrava que Travis (ou outra pessoa) injetara drogas em seu sistema. Os exames médicos, porém, não encontraram nenhum indício disso. Quando o xerife Gillespie soube do retorno de Travis através da mídia, ficou furioso. Gillespie pensava ter demonstrado sua crença na história de discos voadores com seu anúncio após os testes do polígrafo. Duane, contudo, ainda estava ressentido com o que acreditava ter sido um esforço apático das buscas por Travis. Travis, então, contou a Gillespie o que acontecera durante os cinco dias em que estivera ausente. Foi a primeira vez em que contou o ocorrido a alguém, a não ser sua família e amigos mais chegados.

Dentro do suposto disco voador...
De acordo com Walton, ele foi abduzido pelo Ovni. Quando voltou a si, estava cheio de dores pelo corpo, num enorme mal-estar físico. Nos primeiros instantes não se atreveu a abrir os olhos, tal era a dor. Finalmente os abriu e começou a distinguir as primeiras formas. Percebeu que estava deitado sobre uma mesa e viu um retângulo no teto do qual saía uma luz difusa que iluminava a sala. Pensando estar num hospital e ainda com a visão debilitada, ele sentiu uma pressão no abdômen e percebeu que três figuras, provavelmente médicos, vestidos de vermelho, colocaram um estranho aparelho metálico na sua barriga.

Walton começava a achar estranha a cor das roupas dos médicos que o examinavam quando recuperou a visão abruptamente. Olhou então melhor e ficou chocado: não eram médicos que o observavam, mas sim pequenas criaturas com olhos escuros enormes. As suas cabeças eram desproporcionais em relação ao corpo e não apresentavam cabelos nem nariz ou orelhas salientes. As suas roupas eram constituídas por uma peça única, sem cintos nem qualquer tipo de adereços. “Pareciam com fetos”, diria mais tarde.

Assustado, Walton levantou-se rapidamente da mesa empurrando uma das criaturas e fazendo o aparelho que estava na sua barriga cair no chão. Ele percebeu que os seres eram bem leves e fáceis de derrubar. No entanto, Walton ainda estava muito enfraquecido e não conseguiu se aguentar nas pernas, apoiando-se na mesa. Ao ver que as criaturas aproximavam-se para agarrá-lo, tentou então vencer a sua fraqueza, pondo-se de pé e agarrando um tubo transparente de cima da mesa. Tentou quebrar a parte de cima para poder ameaçar os seres, mas o objeto era inquebrável. Os seres faziam sinais de “não” ou “pare”. Walton começou a gritar para as criaturas se afastarem. Depois de o encararem por alguns instantes, os seres saíram por uma porta atrás de si rapidamente, em direção a um corredor. Walton, nervoso, e apoiando-se numa bancada, começou a observar os estranhos objetos do aposento à procura de algo melhor para se defender caso as criaturas voltassem.

Vendo que nada acontecia, decidiu também ele sair pela porta em direção ao corredor, onde não se via ninguém. Passou por uma porta à esquerda que dava para o que parecia ser uma sala, mas não se atreveu a olhar lá para dentro, tal era o medo. Mais à frente, outra porta, desta vez à direita. Walton abrandou o passo, na esperança de encontrar ali uma saída.

Entrou numa sala redonda com três retângulos nas paredes, semelhantes a três portas fechadas. No centro da sala estava uma cadeira voltada de costas para a entrada. Walton decidiu entrar devagar, receando que alguém estivesse sentado na cadeira. Vendo que estava desocupada, aproximou-se. Observou um estranho fenômeno: à medida que se aproximava da cadeira, as paredes da sala iam escurecendo. Pontos brilhantes apareciam como estrelas. Quando chegou à cadeira, era como se as paredes tivessem ficado transparentes e ele pudesse ver o céu noturno. No braço esquerdo da cadeira ficava uma pequena alavanca e no direito um display luminoso com filas de botões coloridos. Pensando que um daqueles botões podia abrir alguma porta, Walton começou a apertá-los, sendo a única reação uma alteração dos ângulos e da posição das linhas que surgiam no display luminoso. Decidiu então sentar-se na cadeira, obviamente feita para alguém com um corpo menor que o seu. Pegando na alavanca à direita e pressionando-a para a frente, viu as estrelas todas moverem-se rapidamente para baixo, como se ele estivesse a conduzir a nave. Receoso de causar um acidente, de desviar o curso da nave e não saber voltar, decidiu não tocar em mais nada.

Voltando para a extremidade da sala, as paredes voltaram a ficar como estavam ao princípio e ele tentou encontrar algo que abrisse uma das três portas na parede, sem sucesso. Voltou à cadeira e novamente as paredes escureceram. De repente, Walton ficou surpreendido pelo que viu na porta de acesso: outro ser humano! O humanóide tinha uns dois metros de altura e vestia um capacete transparente; era musculoso, tinha cabelos loiros compridos e vestia uma roupa justa azul.

Walton correu até ele e começou a fazer várias perguntas, mas o homem manteve-se calado. Depois, agarrou Walton pelo braço. Ele achou que o homem não respondeu nada por causa do seu capacete e pensou que ele o levaria para um lugar onde ele poderia tirar o capacete e conversar. Eles finalmente foram a uma outra sala, onde Walton viu uma mulher e dois homens sentados na sala. Eles estavam vestidos iguais ao ser que o acompanhava e como ele tinham feições e corpo perfeitos. A mulher tinha um cabelo mais comprido do que os dos homens. Eles não usavam capacetes. Walton chegou a perguntar onde estava. Os seres somente olharam para ele com uma expressão serena. O ser que estava de capacete sentou Walton numa cadeira e saiu da sala.

Walton continuava a falar, e a mulher e um dos homens pegaram seus braços e colocaram numa mesa próxima, mas ainda com aquela expressão de compaixão e serenidade. Ele viu que eles não iriam responder a nada e então começou a gritar com eles. A mulher pegou um objeto que parecia uma máscara de oxigênio, mas sem tubo, e colocou no nariz e boca de Walton que perdeu a consciência e só acordou quando estava deitado perto de uma rua em Heber. Ao acordar, ele ainda pôde ver o objeto se distanciando.



Teste do polígrafo omitido e mais controvérsia...
Nesse meio tempo, Spaulding anunciara à imprensa que ele havia entrevistado Walton por duas horas e descobriu incoerências no relato. O “Phoenix Gazette” publicou uma história, relatando suas alegações de que “os Walton temiam a revelação” de uma mentira cuidadosamente fabricada. O xerife Gillespie providenciou um teste de polígrafo, mas quando a realização do teste vazou para a imprensa, Duane o cancelou, acreditando que Gillespie quebrara sua promessa de manter o teste em segredo.

O “National Enquirer” queria que Travis se submetesse ao polígrafo o mais rápido possível e providenciou um, após Duane insistir que ele e Travis teriam o poder de vetar qualquer divulgação pública dos resultados do teste. Alguém poderia crer que Travis estava por demais perturbado para se submeter ao polígrafo.

Ao entrevistar Travis antes do início do teste, o especialista conseguiu que Travis admitisse duas coisas: primeiro, que já fumara maconha algumas vezes, embora não usasse a droga regularmente, e segundo, que ele e o irmão mais novo de Mike Rogers haviam fraudado cheques alguns anos antes, alterando folhas de pagamentos. Esse era seu único caso sério com a lei – Travis cumprira dois anos em condicional, sem outros incidentes –, mas Travis continuou profundamente embaraçado pelo episódio da fraude de cheques. Em certa ocasião, ele alegou ter sido preso pelo crime, quando na verdade passou dois anos em condicional por ser réu primário.

O especialista, então, administrou o teste do polígrafo, que permanece envolto em controvérsias. Travis diz que o homem se comportou de maneira não profissional, enquanto o especialista insiste que Travis, além de não passar no teste, tentou fraudá-lo. Após concluir o exame, determinou-se que Travis estava mentindo. Algumas vezes Travis prendia a respiração, num esforço para enganar a máquina.

Os Walton, a Apro e o “National Enquirer” concordaram, então, em manter os resultados desse teste em segredo, devido em grande parte, insistiam, às dúvidas sobre os métodos e a objetividade. Oito meses depois, quando o público soube dessa decisão, houve mais acusações de engodo e encobrimento. Posteriormente, Travis se submeteria a dois exames poligráficos adicionais e passaria em ambos, embora os resultados omitidos do primeiro teste permanecessem como uma nódoa e fossem mencionados em quase todas as discussões do caso e o sejam até o hoje.

Philip J. Klass, jornalista de aviação por profissão, mas também conhecido antagonista de histórias de discos voadores, lançou uma crítica conjunta e constante contra as alegações de Travis, alegando especialmente que havia forte motivo financeiro para todo o caso. Segundo Klass, Rogers sabia que não conseguiria concluir seu contrato com o Serviço Florestal e engendrou um esquema para invocar a cláusula de caso fortuito do contrato, rescindindo-o, dessa forma, sem inadimplência.

Klass e outros também notaram que o programa “O incidente do Ovni” fora transmitido pela rede NBC apenas algumas semanas antes do desaparecimento de Travis. Esse filme feito para a televisão era um relato ficcional baseado na abdução dos Hill, o primeiro caso amplamente publicado de abdução por alienígenas. Klass e outros especularam que Walton se inspirara no programa. Walton negou ter assistido o filme.


As consequências do caso...
Em 1978, Walton publicou “The Walton experience”, com sua própria narrativa do evento e suas consequências. O livro apresenta alguns erros fundamentais que prejudicam seriamente o caso. Embora Travis proclame virtuosamente que pretende somente relatar os eventos e não interpretá-los, grandes partes do livro são nada mais que altamente especulativas, recriações puramente imaginativas do autor. Por exemplo, após ter ficado inconsciente por causa do facho de luz azul, Walton apresenta um diálogo preciso, romanesco, descrevendo as conversas de seus colegas após se afastarem em pânico. Ainda assim, Walton nunca menciona se está parafraseando com base no que relataram a ele, se entrevistou os outros para determinar quem disse o que, ou se simplesmente presumiu o que disseram. Após o furor inicial ter diminuído, Walton continuou em Snowflake e veio se tornar capataz da madeireira, casando-se com Dana Rogers, com quem teve vários filhos. Além do filme baseado nesse encontro, Travis apareceu ocasionalmente em convenções ou especiais de TV sobre discos voadores.


Apesar da ampla publicidade, o caso ainda permanece totalmente controverso. Céticos e crédulos continuam debatendo se Travis Walton e sua abdução são um fato ou uma farsa. Ele mantém um site até hoje que relata o seu caso – que pode ser visitado clicando aqui. Acreditamos que as circunstâncias pesam mais para o lado da farsa, quando houve necessidade de romper com o governo americano por um trabalho que não estava sendo feito. Ufólogos continuam debatendo sobre este caso, hoje clássico do ambiente alien que nos permeia.

sábado, 12 de janeiro de 2013

O dilúvio de Noé: aconteceu ou não? Ele também estaria presente em outras culturas?

O termo “dilúvio” pode ser bem genérico: uma quantidade absurda de chuva capaz de inundar toda uma região e devastá-la totalmente. Entretanto, em sentido restrito, o termo se refere ao caso relatado na Bíblia de uma chuva imensa que teria inundado todo o globo terrestre enquanto Noé protegia todos os animais em uma imensa arca. Apesar do relato judaico, há referências de dilúvios em diversas culturas e mitologias. Porém não há evidências científicas que comprovem o caráter universal de tal acontecimento. O máximo de credibilidade que se pode atribuir a estes mitos são acontecimentos isolados que realmente aconteceram em algum momento da história de cada povo.

Um acontecimento como o dilúvio deixaria suas marcas no planeta, todavia nada, hoje, foi encontrado que comprove que tal catástrofe aconteceu. Quanto aos sedimentos e fósseis marinhos em todas as grandes montanhas do mundo, são sedimentos de superfícies marinhas ou terrestres que foram deslocadas pelo choque das placas tectônicas.

Antropólogos dizem que há mais de cem mil narrativas de dilúvios em povos e culturas diferentes do mundo e todas elas, coincidentemente ou não, são no início destas civilizações. O tal dilúvio também é descrito em fontes americanas, asiáticas, sumérias, assírias, armênias, egípcias e persas, entre outras, de forma basicamente semelhante ao episódio bíblico, porém em algumas civilizações se relata sobre inundações em vez de chuvas torrenciais: uma divindade decide limpar a Terra de uma humanidade corrupta, ou imperfeita, e escolhe um homem bom aos seus olhos para construir uma arca para abrigar sua criação enquanto durasse a inundação.


O dilúvio judaico-cristão...
Na Bíblia, no livro do “Gênesis”, é mostrado o arrependimento de Javé em ter criado o homem, devido à maldade que este espalhara na Terra. Neste arrependimento, decide fazer um enorme dilúvio, fazendo desaparecer tudo que havia sido criado até então. Porém, decide poupar Noé, por este ter agido bem, e lhe recomenda fazer uma arca de madeira, e abrigar, junto com sua família, um casal de cada espécie existente. Entretanto, arqueólogos não encontraram nenhuma evidência significante que comprove a existência do dilúvio. Desde os tempos mais antigos, aventureiros têm se dedicado a encontrar a referida arca. Atualmente, alguns ramos da teologia católica veem o dilúvio como uma maneira criacionista de explicar a formação do mundo. Outros pesquisadores tentam a todo custo comprovar a realidade de toda esta inundação. (Recentemente, escrevi um post sobre o livro de um destes pesquisadores: “A Bíblia tinha razão”. Para ler, clique aqui!). Em geral, historiadores e teólogos apontam que o dilúvio de Noé tem fundamentos em outra mitologia, a suméria, que realmente tem semelhanças impressionantes.

O dilúvio sumério...
O mito sumério do dilúvio conta os feitos do rei da cidade de Uruk, Gilgamesh, que parte em uma jornada de aventuras em busca da imortalidade, nesta busca encontra as duas únicas pessoas imortais: Utanapistim e sua esposa, estes contam a ele como conquistaram tal sorte, esta é a história do dilúvio. O casal recebeu o dom da imortalidade ao sobreviver ao dilúvio que consumiu a raça humana. Na tradição suméria, o homem foi dizimado por incomodar aos deuses. Segundo este mito, o deus Ea, por meio de um sonho, apareceu a Utanapistim e lhe revelou as pretensões dos deuses de exterminar os humanos através de um dilúvio. Ea pede a Utanapistim que renuncie aos bens materiais e conserve o coração puro. Utanapistim, então, reúne sua família e constrói a embarcação que lhe foi ordenada por Ea, estes ficam por sete dias debaixo do dilúvio que consome com os humanos. Nesta história, Utnapistim também coloca casais de animais na tal embarcação e, por fim, solta um corvo para ver se encontrava terra seca. As semelhanças com a história de Noé são surpreendentes.


O dilúvio hindu...
Na mitologia do hinduísmo, o dilúvio acontece quando o deus Matsya se transforma em uma pequena carpa e aparece para um rei bondoso, avisando a ele que o dilúvio estava próximo e que iria devastar toda a humanidade que não fosse bondosa como este monarca. Assim, Matsya ajudou este rei idoso a construir um barco enorme que abrigava toda a sua família, algumas sementes e animais. Depois de algumas semanas navegando a esmo pelo planeta, o rei encontrou terra firme, o Himalaia, e lá iniciou uma nova era do povo hindu.

O dilúvio grego...
A mitologia grega relata a história de um grande dilúvio produzido por Poseidon, que por ordem de Zeus havia decidido pôr fim à existência humana, uma vez que estes haviam aceitado o fogo roubado por Prometeu. Deucalião e sua esposa Pirra foram os únicos sobreviventes. Prometeu disse a seu filho Deucalião que construísse uma arca e nela introduzisse um casal de cada animal. Após algumas semanas, eles aportaram em um rochedo onde construíram um oráculo em agradecimento a tudo que passaram e sobreviveram.

Dilúvio maia...
A mitologia do povo maia relata a existência de um dilúvio enviado pelo deus Huracán. Os deuses, após terminarem a criação do mundo, decidiram criar seres capazes de lhes exaltar e servir. São criados então os primeiros seres humanos, moldados em barro. Porém, esses seres de barro não eram resistentes ao clima e à chuva e logo se desfizeram em lama. Então, os deuses criaram o segundo tipo de seres humanos, a partir de madeira. Essa segunda humanidade, ao contrário da primeira, prosperou e rapidamente se multiplicou em muitos povos e cidades. Mas esses seres feitos de madeira não agradaram aos deuses. Eles eram secos, não temiam aos deuses e não tinham sangue. Se tornaram arrogantes e não praticavam sacrifícios aos seus criadores. Então, os deuses decidem exterminar essa segunda humanidade através de um dilúvio. Ao contrário da maioria dos outros relatos conhecidos sobre dilúvios, nenhum indivíduo foi poupado.

Outros dilúvios...
Ao longo das décadas, antropólogos têm se interessado no levantamento de mitologias dos povos através da oralidade. Relatos diversos de dilúvios foram encontrados, ainda, entre tribos africanas, povoados ameríndios e núcleos incas nos Andes.


A hipótese histórica e o que a ciência entende...
A consistência de tais histórias de dilúvios em culturas totalmente diferentes e ao redor de todo o planeta fez com que muitos pesquisadores, ao longo das décadas, procurassem vestígios que comprovassem a existência de todo este aguaceiro planetário. Alguns geólogos acreditam que tenham sido casos locais de chuvas muito fortes e/ou tsunamis que entraram para os anais mitológicos. De acordo com a antropologia, muitos mitos têm um fundo de verdade.

Em 1998, os geólogos da Universidade de Columbia William Ryan e Walter Pittman elaboraram a teoria de que o dilúvio que nos referimos, na verdade, seria um mito derivado de uma fantástica catástrofe natural, ocorrida por volta do ano 5600 a.C., nas margens do atual Mar Negro. Segundo as proposições dos dois pesquisadores, o evento regional teria provocado a migração de diversos grupos sobreviventes – o que explicaria o caráter dito universal (que se encontra em várias culturas) do famoso dilúvio.

Atualmente é sabido que durante algum tempo o Mar Negro esteve fechado ao Mediterrâneo e que há várias vilas submersas. Assim, quando irrompeu o Estreito de Bósforo (onde hoje está a cidade turca de Istambul), toda a água invadiu o espaço enchendo o local.


Para os geólogos, o evento foi provocado pelo degelo ocorrido ao final da última glaciação. Em suas pesquisas, analisaram as formações geológicas e imagens submarinas, concluindo que uma grande quantidade de água marinha rompeu o atual estreito de Bósforo, com a elevação paulatina e excessiva do Mar Egeu e dali para o Mar de Mármara, ocasionando a abrupta inundação do Mar Negro.

Há ainda a hipótese de que uma grande inundação tenha ocorrido na Mesopotâmia, causada pelos rios Tigre e Eufrates, por uma elevação anormal do nível da água, causando devastação por toda a região em algum momento. Essa alternativa, no entanto, não transmite corretamente a vívida descrição de caos que os relatos parecem mostrar, pela escala monumental que a lenda assume.

No geral, é a maior concordância da ciência: o grande dilúvio foi um relato mítico de uma catástrofe mundial causada pela força destrutiva da natureza, muito provavelmente no Mar Negro ou até mesmo no Mar Mediterrâneo, quando o Estreito de Gibraltar poderia ter se rompido. O caso específico do Mar Negro traz tantas provas interessantes que vale a pena um post no futuro. Até lá!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (15)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Quarto de dormir tem alguma coisa a ver com matemática?
O quarto onde nós costumamos dormir ganhou este nome na Roma Antiga por ser ¼ dos aposentos básicos de uma casa normal, da plebe. A casa era constituída de sala de visitas, a copa, a cozinha e o quarto. O banheiro faltava, daí as pessoas frequentavam banhos públicos, muito comuns naquela época; somente as mansões dos mais ricos tinham seus banheiros próprios.

Quebrar o galho de alguém tem alguma coisa a ver com a umbanda?
Sim, tem tudo a ver. A origem vem do orixá Exu, que tem uma multiplicidade de formas, como Exu Caveira, que protege os cemitérios. De acordo com a religião umbanda, quando o objetivo é matrimonial, usam-se oferendas de madeira e evocação do Exu Quebra-Galho, que tem esse nome por ser protetor das matas. Alguns dizem que ele tem esse nome por se transformar em macaco.


Onde fica o “quinto dos infernos”?
Não há quatro infernos e teria surgido um quinto. E este lugar fica, mesmo, no Brasil. No século 18, quando Portugal está a todo vapor recolhendo nossos metais preciosos, inventa o imposto sobre o ouro, cujo objetivo é recolher para a coroa 20% do metal extraído, o chamado “quinto”. Como as pessoas da metrópole tinham horror ao Brasil – quente, sujo, cheio de índios e escravos –, diziam “Lá vem a nau com o quinto dos infernos”.

Qual a origem da expressão “rameira” referindo-se a prostituta?
A origem vem de “ramo” mesmo, a planta. É que no século 15, em Portugal, quando os bares queriam anunciar discretamente que também oferecia serviços sexuais, penduravam ramos de árvores na porta. O ramo de árvore surgiu como ideia de ser sutil sem cair na grosseria numa sociedade falsamente pudica e cristã.

Como surgiu o nome “robô”?
Tudo surgiu no idioma tcheco, “robota”, que significa “trabalho forçado”. “Robotnik” eram os trabalhadores forçados. A palavra apareceu numa peça de Karel Capek, em 1921. Na peça, uma fábrica criava trabalhadores mecânicos que, por conta dos trabalhos forçados, se rebelavam contra os patrões.


O sanduíche tem origem no nome de uma pessoa?
Tudo tem início na Inglaterra do século 18. John Montagu (imagem abaixo) era o conde de Sandwich, conhecido pela política de trapaças descaradas. Em 1762, ele passou quase 24 horas em uma mesa de jogo apostando altas quantias de dinheiro. Para o jogo não parar, ordenou aos serviçais que servissem uma refeição rápida mas que desse sustento ao estômago; mandou colocar presunto, carne e molho com pão. Estava inventado o sanduíche, que ganhou seu nome porque era servido sempre que havia jogatina em sua residência.


De onde vem a expressão “santo do pau oco”?
A partir do século 18, Portugal extorquia o Brasil com altíssimos impostos sobre o ouro e a prata recolhidos de Minas Gerais. O contrabando rolava solto, quando a coroa decidiu que o ouro só passava a valer se estivesse em barras com o selo da metrópole. Assim, os traficantes descobriram um meio de transportar o tráfico sem serem perturbados: santos ocos recheados de ouro em pó. Afinal que soldado iria perturbar a Igreja – ainda detentora de tanto poder e prestígio naquela época – querendo fiscalizar um carregamento de santos?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Nova Era: a teoria conspiratória fundamentada na religião...

Desde os anos 60, com movimentos sociais e políticos dos hippies, dos ambientalistas, das mulheres, dos negros e dos homossexuais fundamentou-se um grupo chamado Nova Era (geralmente, também, usado o termo em inglês, “New Age”), que possui muitas subdivisões mas uma linha concreta: a influência de filosofias orientais e misticismos com proposta de um novo modelo de sociedade para o futuro. Nesse movimento, o homem e a natureza se entenderiam a partir de atitudes simples.

Mas por que a Nova Era é, muitas vezes, tão polêmica? Trata-se da primeira teoria conspiratória com bases religiosas no século 20. Cristãos argumentam que uma série de práticas e símbolos são tentativas de um grupo anticristão de dominar o mundo e propagar crenças animistas, místicas e até ateístas entre as pessoas.


Os adeptos da Nova Era entendem que a chamada “era de aquário” derramaria na consciência dos homens um novo desejo de viver, desta vez em paz com os povos. O problema apontado pelo cristianismo é que o caminho para esta paz entre todos se fundamenta em crenças sem a presença de Jesus Cristo: yoga, meditação, gurus místicos, cristais, numerologia, sincretismos diversos etc.

Os adeptos da Nova Era entendem que a era cristã, período também conhecido como “era de peixes” (cada era astrológica duraria, em média, 2.151 anos), foi um período brutal para a história da humanidade, com guerras religiosas, intolerância, conquistas de povos, massacres, genocídios e torturas.

Para os teólogos, a Nova Era não se encaixaria numa nova religião ou seita, mas sim numa filosofia de vida fundamentada em misticismos milenares e teorias pseudocientíficas.


Algumas das crenças dos adeptos da Nova Era são...
1. Todo ser vivo tem uma alma e, portanto, deve ser respeitado como unidade;

2. Não existe um único Deus, mas sim deuses diferentes de maneiras diferentes. Assim, cada um de nós temos um pouco de um deus dentro da gente. Somos, então, entidades divinizadas na Terra;

3. Somos regidos por leis espirituais complexas que refletem do passado no presente e no futuro (reencarnação) e isso faz com que tenhamos uma missão na vida;

4. A ciência ocidental, metódica, cartesiana, precisa aprender a conviver com os chamados conhecimentos espirituais, como cromoterapia, homeopatia, parapsicologia etc;

5. As grandes religiões necessitam abrir espaço para a figura feminina, pois sempre foram patriarcais enquanto na natureza o gênero criador é o feminino;

6. Tudo o que acontece em nossas vidas tem um significado específico de fundo espiritual. Assim, corta-se o entendimento do livre-arbítrio, uma vez que tudo já está escrito;

7. A mente humana tem poderes fortíssimos e ainda desconhecidos, que podem ser aprimorados a partir de técnicas de yoga e meditação;

8. É preferível ser vegetariano, uma vez que a carne animal é símbolo de sangue e sacrifício.


À luz da razão podemos dizer que o movimento da Nova Era surgiu em um momento da história em que o homem vinha de uma série de tropeções na sua existência: pós-Segunda Guerra, Guerra Fria, Guerra do Vietnã, racismo nos Estados Unidos, processo de descolonização na África, ditaduras latinas etc. É por isso que a Nova Era surge afirmando que vivemos num tempo regido pela morte e pelos interesses de potências mundiais.

Entretanto, já vivemos a era de aquário, tão esperada pelos adeptos desta filosofia, e nada mudou. O ser humano continua sedento de poder, as potências mundiais permanecem se confrontando pelo domínio de campos de petróleo no Oriente Médio, as religiões ainda se desafiam e milhões de inocentes morrem anualmente nestes embates.

O cristianismo demonizou o movimento da Nova Era e fundamentou como uma teoria conspiratória de dominação global por ele fundamentar-se naquilo que a religião não crê e sempre condenou, além de não inserir o retorno de Jesus neste “cronograma da salvação da humanidade”, e isso ficou mais insistente com movimentos cristãos mais radicais, como o neopentecostalismo e a Renovação Carismática.

sábado, 5 de janeiro de 2013

O Tio Sam e a lenda de um barril de carne...

Samuel e Ebenezer Wilson afirmavam categoricamente que possuíam a maior empresa de carnes enlatadas de Nova York, capaz de abater e embalar diariamente mais de 150 cabeças de gado. Consequentemente, quando os Estados Unidos entraram em guerra com a Grã-Bretanha, em 1812, os irmãos, seguros de si mesmos, procuraram conseguir – e obtiveram – um contrato para o abastecimento de barris de carne de vaca e de porco às tropas no front.

Samuel Wilson (foto abaixo) ficou encantado com a grande oportunidade de triplicar seu negócio. Era um homem jovial e popular, conhecido como Tio Sam, cujo chapéu alto e cabelereira grisalha se destacavam na comunidade. Era sempre com muita satisfação que permitia aos visitantes percorrerem a sua fábrica no condado de Troy, se quisessem ver a sua imensa produção.


Um dia, um dos visitantes, que notou que todos os barris tinham marcadas as iniciais E.A.–U.S. (que representavam o contratante governamental Elbert Anderson e United States), perguntou a um dos trabalhadores o que aquelas marcam significavam. “Na verdade não sei, a não ser que queiram dizer Elbert Anderson e Uncle Sam (Tio Sam)”, respondeu o rapaz.

A graça não tardou a difundir-se. Os visitantes contaram-na em suas casas e os empregados da firma que foram mobilizados também a levaram para o exército. Os caricaturistas aproveitaram a ideia da década de 1830 e, embora o próprio Sam tivesse morrido em 1854, o Congresso outorgou-lhe finalmente um local permanente no coração da nação. Em 1861 aprovou uma resolução reconhecendo Samuel Wilson como um dos símbolos dos Estados Unidos, junto à estrela e à águia.


Há fontes que, atualmente, veem enorme semelhança do rosto de Tio Sam com o presidente Andrew Jackson; outras, com o presidente Abraham Lincoln. Mesmo com o congresso americano o colocando como um símbolo importante do folclore americano, ele só ficou popular graças às charges da revista “Punch”.

O famoso cartaz “I want you”...
Em 1917, o artista James Flagg desenhou Tio Sam em um cartaz com o dedo em riste, e com a frase “I want you for U.S. Army” – “Eu quero você para o Exército dos Estados Unidos” –, encomendado pelas Forças Armadas americanas, que recrutava soldados para a Primeira Guerra Mundial. Este pôster foi inspirado pelo cartaz de Lord Kitchner, feito três anos antes do Tio Sam. Kitchener era o Secretário de Guerra da Grã-Bretanha quando estourou o conflito. Tio Sam foi um símbolo histórico do exemplo de poder dos norte-americanos. Os Estados Unidos, para mostrar mais superioridade ainda, fez frases para incentivar as pessoas que iam pra guerra lutar por seu país como: “Continuemos unidos”, ou “Deus abençoe a América”.



Graças a esta série de cartazes, Tio Sam não só tornou-se o símbolo folclórico maior da cultura norte-americana, como também virou a quase personificação da dominação dos Estados Unidos em todo o mundo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Uma história de séculos: o pavor dos malignos lobisomens!

“Mesmo aquele de coração puro
Que reza à noite as suas preces
Se pode tornar um lobo
Quando o acônito floresce
À luz brilhante do luar”

Assim reza uma canção antiga que fala do risco de transformação em lobisomem. Assim como os vampiros assombravam os países do Leste Europeu durante a Idade Média, também os lobisomens perturbavam a Europa Setentrional e Ocidental na mesma época. Essas lendas podem ter tido origem a partir dos mitos dos deuses noruegueses, que alguns deles podiam se tornar lobos e ursos em dias de lua cheia. No século 16, durante a perseguição às bruxas, admitiu-se que elas poderiam se transformar em lobo para atacar as vilas e viajantes.

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De acordo com os relatos da época, um lobisomem tinha características sombrias: sobrancelhas unidas, enormes garras, orelhas pontiagudas, corpo peludo e dedo polegar tão grande que fica do tamanho do dedo médio. Além, claro, do comportamento canino agressivo e selvagem. Poderia se deslocar como um humano, sobre duas patas, ou correr como um cão. Durante um ataque, primeiro cortava a garganta da vítima e depois devorava suas entranhas.

Num tempo em que a mentalidade do povo era repleta de situações sobrenaturais e após uma peste violentíssima, não é difícil de imaginar como a população ficaria assustada. O pavor de encontrar um lobisomem na sua vila era iminente.

Na Itália do século 16, acreditava-se que crescia pelos até mesmo dentro dos corpos de lobisomens. Há registros que em 1541, um suspeito foi morto e escalpelado para conferir a veracidade deste mito. Também se chegou a suspeitar que o impopular rei britânico João Sem Terra (foto abaixo) seria um lobisomem. Uma crônica medieval narra que monges teriam ouvido terríveis uivos na sepultura do rei.



De acordo com o folclore, são muitos os processos pelos quais um homem pode se tornar um terrível lobisomem. Gervase Tillburry, um sacerdote inglês do século 14, afirma que aquele que tomar banho de riacho numa noite de lua cheia tornar-se-ia uma besta. Já no folclore italiano, uma criança poderia nascer lobisomem se fosse concebida em noite limpa de lua nova. Na França a coisa era mais simples: bastava dormir ao relento sob a luz da lua cheia em uma sexta-feira.

Na Irlanda há a história de que São Patrício amaldiçoou uma vila inteira por conta da falta de fé. Com isso, a cada sete anos todos se tornavam lobisomens e cometiam atitudes bestiais, como um devorando ao outro. Nesta parte da Europa, para se transformar num deste ser maligno bastava beber a água de um riacho que um lobo tivesse acabado de passar.

Variados também são os meios usados contra esses animais. Na França, bastava exorcizar a pessoa chamando pelo nome dela de batismo três vezes, e o de Cristo quatro vezes. Outro método indicado era extrair-lhe três gotas de seu sangue na fase animalesca e depois aplicar nesta mesma pessoa, em fase humana. Outra forma infalível era alvejar bala de prata que acabara de ser benta por um monge (parecido método também contra vampiros).


Apesar da origem nórdica, o mito do lobisomem aparece em quase todas as culturas. Depois da colonização da América, percebemos que ele chegou aos Estados Unidos e ao Brasil. Antropólogos creem que a história possa ter se originado dos relatos de pessoas com a raiva, doença atualmente praticamente extinta em seres humanos.