terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Monstro de Montauk: o que você pensa sobre este caso? Fato ou farsa?

O chamado “monstro de Montauk” é uma carcaça desconhecida levada para a terra em uma praia na zona de Montauk, no Estado de Nova York, nos Estados Unidos, em julho de 2008. A verdadeira identidade da criatura e a veracidade da história que contam têm sido motivo de amplo debate com controvérsias e especulações. Não se sabe ao certo o que realmente ocorreu com a tal carcaça animal (foto abaixo).


A história começou em 23 de julho de 2008, com um artigo do jornal local “The independent”. Jenna Hewitt, junto de três amigos, disseram que viram a tal criatura pela primeira vez no dia 12 do mesmo mês, a duas milhas de onde se encontrava no dia 23. A tal praia é um local muito frequentado por surfistas, um local de proteção ambiental. Na matéria, Jenna dissera: “Estávamos procurando um lugar para nos sentar quando vimos algumas pessoas olhando para alguma coisa. Não sabíamos o que era. Brincamos que talvez fosse alguma poluição trazida pela correnteza”.

A foto que Jenna tirou da criatura correu o mundo pelos jornais com a seguinte legenda: “O cão de Bonacville”, uma corruptela ao clássico livro de aventuras do detetive Sherlock Holmes, “O cão dos Baskervilles”. O artigo começava a especular algumas hipóteses: uma espécie de tartaruga sem casco, ou um animal mutante resultado de experimentos feitos no Centro de Zoonoses de Plum Island. Entretando, um biólogo ouvido por jornalistas disse que se tratava de um guaxinim (foto abaixo) faltando parte da sua mandíbula superior.



Houve rumores de que o animal foi retirado do lugar por uma equipe desconhecida, em um furgão sem identificação. O “The independent” disse que uma fonte ouvida afirmou que o “monstro de Montauk” tinha o tamanho de um gato doméstico, e que havia se decomposto naturalmente, sendo que a maré alta levou o restante da carcaça. Parte da imprensa chegou a especular que Jenna Hewitt e seus amigos haviam forjado a história, e que ela estava escondendo o corpo do bicho em sua casa, em formol, o que sua família negou prontamente.

Jenna e seus amigos apareceram em vários canais de TV dando entrevistas sobre o caso. Enquanto a imprensa especulava que o caso não se passava de um engodo, uma telespectadora de Los Angeles, do outro lado dos Estados Unidos, afirmou que o “monstro de Montauk” era verdadeiro, e que no dia anterior ao avistamento de Jenna, ela também havia reparado na criatura e tirado fotos dela.

A criptozoóloga Loren Coleman foi quem criou o termo “monstro de Montauk” em 29 de julho de 2008. O apelido ganhou fama através da internet de maneira instantânea e a imagem ganhou o mundo junto com todo o mistério. Fotografias e vídeos ganharam a internet em e-mails e blogs, enquanto a mídia especulava cada vez mais sobre a real identidade daquele animal; com o tempo, começou a ganhar fama de lenda urbana. Por fim, chegou a ser tema de documentários da TV a cabo sobre alienígenas, animais de classificação ainda desconhecida pelo homem etc.


O paleontólogo Darren Nash estudou as fotografias e concluiu que a dentição e as patas dianteiras eram de um guaxinim, e sua aparência estranha era causada pela decomposição em meio aquático, uma vez que grande parte da sua pelagem fora removida pela água.

Relatórios especuladores traziam outras possibilidades para o monstro de Montauk, como uma tartaruga sem seu casco protetor – mesmo com a possibilidade de uma tartaruga não viver sem sua concha, pois danificaria sua coluna e também pelas tartarugas não terem dentes. Também se ventilou a hipótese de ser um cachorro, ou até mesmo experimentos de cruzamentos feitos no Centro de Zoonoses, localizado ali próximo de onde o corpo foi encontrado. De modo geral, quase todos os especialistas entrevistados pela mídia diziam que era quase impossível identificar a identidade real do “monstro” porque houve a decomposição na água, o que altera imensamente a característica física do bicho.

William Wise, diretor do Laboratório de Vida Marinha da Universidade de Brooks também estudou a foto com companheiros de trabalho, que considerou o “monstro” como uma farsa muito bem montada por alguém através de moldes de látex, embora, para ele, também poderia haver a possibilidade de ser um cadáver de um cão muito doente ou um coiote. Wise ventilou algumas possibilidades interessantes: (1) Guaxinim: as pernas parecem ser muito longas em relação ao corpo; (2) Tartaruga marinha: as tartarugas não têm dentes, como a criatura encontrada; (3) Roedor: os roedores em geral têm dois grandes dentes curvados na ponta da arcada dentária, o que não aconteceu com o animal encontrado; (4) Cachorro ou coiote: embora o corpo pareça ser de um animal da espécie canina, nem a cabeça nem as patas são de caninos; e (5) Ovelha ou outro ovino: embora as patas e a cabeça pareçam um pouco de um ovino, as ovelhas não têm dentes afiados porque não são animais carnívoros.

No dia 1º de agosto, um jornal publicou fotos de um rato d’água australiano (foto abaixo), que tem inúmeras semelhanças com o tal “monstro”, como patas, rabo, bico, tamanho etc. No mesmo dia, na Inglaterra, a BBC colocou no ar um documentário esclarecendo o que poderia ser a verdade sobre o monstro de Montauk; todos os entrevistados acreditavam que se tratava de um guaxinim em avançado estado de decomposição prejudicado pela água. Em inúmeros blogs da internet, paleontólogos, biólogos e veterinários explicavam o processo de decomposição de um corpo na água e na terra, e mostravam fotos de guaxinins mortos nos dois casos para comprovar as semelhanças com o fato de Montauk.


Em 05 de agosto de 2008, a rede de TV Fox fez a especulação de que o animal morto poderia ser uma capivara, apesar deste animal não ter cauda. No mesmo dia, o mesmo canal de TV entrevistou um homem que não quis se revelar dizendo que o exército norte-americano havia roubado o bicho morto de seu quintal, o que fez aumentar as teorias da conspiração e o sensacionalismo sobre o caso.

No dia 30 de março de 2011, uma criatura de aparência estranha foi encontrada em Northville, também no Estado de Nova York; o estudante que havia encontrado o animal recordou-se do caso de Montauk. Em julho de 2012 outra criatura parecida também apareceu morta perto da Ponte do Brooklyn, na cidade de Nova York; embora antes de as autoridades identificarem ambas as criaturas como cadáveres de filhotes de porcos, o assunto do monstro de Montauk voltou com tudo à mídia sensacionalista.

Atualmente, o caso de Montauk não é mais tão lembrado a não ser por pessoas que creem na possibilidade de hibridismo entre animais feitas de maneira arbitrária em laboratórios, ou até mesmo restos de alienígenas na Terra. Nos dias de hoje há um consenso de que o verdadeiro monstro de Montauk tratava-se de um rato aquático australiano, que por não ser nativo da América, as pessoas estranharam sua forma na praia onde estava seu corpo.