quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Pomo de ouro: uma lenda que ainda fascina muitas pessoas...

Na mitologia grega, o pomo de ouro é um elemento muito importante, uma vez que em vários elementos dos contos mitológicos deste povo, muitos heróis tiveram que resgatar tal maçã escondida para um fim específico. Ao longo do tempo, o pomo de ouro foi introduzido a outros elementos da nossa cultura do Ocidente, o que verificaremos neste post de hoje.


Na mitologia da Grécia Antiga aparecem três histórias envolvendo pomos de ouro. Hipomene aposta com Atalanta, uma caçadora virgem que prometeu casar com o homem que pudesse vencê-la numa corrida terrestre. Ela perde ao pegar três pomos de ouro de Afrodite que Hipomene coloca em seu caminho. Noutro caso, o jardim de Hespérides é o pomar de Hera, onde crescem árvores que dão maçãs douradas da imortalidade. No local está o dragão Ladão, vigia de Hera contra invasores. Um dos doze trabalhos de Hércules era justamente roubar pomos de ouro do jardim. Em mais uma ocorrência, Zeus promove um banquete pelo casamento de Peleu e Tétis. Estando fora da lista de convidados, a deusa da discórdia Éris coloca uma maçã dourada na cerimônia, com uma inscrição onde se lê “Para a mais justa”. Três deusas desejam a maçã: Hera, Atena e Afrodite. Zeus se lembra de Páris como o mais belo dos homens mortais, e sabia que ele julgaria uma competição de touros. Hares é enviado sob forma de touro para participar. Sendo um deus, era perfeito em todos os aspectos e ganhou a competição. Zeus agora sabia que Páris faria bom julgamento, e o envia a maçã, indicando que as deusas deveriam aceitar sua decisão sem discussão. Cada uma delas oferece a Páris uma oferta para obter a maçã. Hera o oferece ser um rei famoso e poderoso. Atena o oferece ser sábio, mais que alguns dos deuses. Afrodite o oferece a mulher mais linda como esposa. Esta é a escolhida, e a mulher oferecida foi Helena de Troia, o que eventualmente resultou na Guerra de Troia. A maçã de Éris é posteriormente chamada de “pomo da discórdia”.



Já na mitologia nórdica dos vikings, maçãs douradas garantem a vida eterna e juventude permanente para os deuses, e são cultivadas pela deusa Iduna. Certo dia, Loki, Odin e Thor acampam. Um gigante disfarçado de águia intercepta Loki e o faz prometer capturar Iduna para ele se casar com ela e também garantir imortalidade, o que é aceito. Os deuses não sentem falta das maçãs no começo, mas logo requisitam a presença da moça. Loki confessa o ato e aceita resgatar a deusa; sendo bem sucedido, os deuses novamente desfrutam da vida eterna.


É interessante pontuar que em todos os casos citados acima, as maçãs douradas são frutos que levaram à imortalidade, aos prazeres da vida para poucos privilegiados (deuses) e que acabam se tornando em frutos de disputas, discórdias e trapaças. Não é à toa que associaram a maçã ao fruto do pecado, quando Eva teria dado uma a Adão no Paraíso bíblico do Judaísmo. Entretanto, é digno de nota que a Bíblia não fala qual seria este fruto, dizendo tão-somente que Eva havia dado “um fruto” a Adão. A título de curiosidade, foi na Idade Média que as populações europeias associaram o pomo/maçã a este ato, justamente pelos contos mitológicos que haviam sido passados de geração para geração, de cultura para cultura.


Também é digno de nota curiosa o fato de que em diversas línguas, as laranjas são consideradas como “maçãs douradas”, talvez pelo seu tamanho e formato, parecidos nos dois frutos. Por exemplo, o termo grego “xrusomeliá” e o termo latino “pomum aurantium” descrevem laranjas como maçãs douradas. Outras línguas como o alemão, o finlandês, o hebraico e o russo possuem etimologias mais complexas para a palavra “laranja”, mas que possuem essa mesma origem.

De acordo com os estudiosos em antropologia e etnologia, uma das razões para se considerar a laranja como mágica em tantas histórias é o fato de dar flores e frutas simultaneamente, diferentemente do que ocorre em outras árvores que dão frutos. Frequentemente, o termo “maçã dourada” também é usado para se referir ao marmelo, um fruto do Oriente Médio.

O tomate, desconhecido para os gregos antigos, é conhecido como “pomodoro” em italiano, significando “maçã de ouro” (vindo de “pomoo d’oro”), uma vez que é um fruto americano que só chegou à Europa no século 17. Pelos motivos de o recém-descoberto continente americano ser um lugar exótico, cheio de populações indígenas nuas e “inocentes” aos olhos europeus, os italianos acreditavam que o tomate poderia ser a tal “fruta do pecado” citada na Bíblia, no livro do Gênesis.