quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Operação Northwoods: quando o governo americano promoveu terrorismo para confundir seus cidadãos...

Ao longo da história recente, por inúmeras vezes, ouvimos falar da intervenção direta e indireta do governo dos Estados Unidos sobre a política de outros países – como patrocínio a ditaduras em países, como as Latinas durante os anos 1960 e 1970, ou ajuda a grupos guerrilheiros em lugares da Ásia e África – enquanto falavam publicamente em democracia, paz e justiça. Em outros aspectos temos, também, as afirmações de que o próprio governo americano foi responsável pela morte do então presidente Kennedy e pelos ataques às Torres Gêmeas e ao Pentágono, em 2001.

No entanto, há uma parte negra da história estadunidense que precisa ser estudada e lembrada pelos especialistas, principalmente após a abertura dos WikiLeaks por Julian Assange. Uma destas histórias escabrosas é a chamada “Operação Northwoods”, até hoje muito debatida e cobrada por grupos civis de direitos humanos de todo mundo, principalmente dentro dos próprios Estados Unidos. É interessante pontuar que a “Operação Northwoods” não é uma lenda urbana ou uma teoria conspiratória: ela é real e figura em muitos livros de história dos Estados Unidos.

Mas afinal de contas, o que seria essa tal “Operação Northwoods” que nunca ouvimos falar? Que nunca é citada pelos jornais? Que nunca aparece nos filmes? Bem, ela é um episódio bizarro da história da maior potência do mundo que eles mesmos gostariam de esquecer, e por isso evitam falar sobre; é quase um assunto indizível, como, por exemplo, o fato de terem perdido a Guerra do Vietnã. Vamos às explicações no texto que segue...


A chamada “Operação Northwoods” foi o codinome dado a um conjunto de planos secretos elaborados, em meados dos anos 60 e 70, pelas mais altas patentes militares dos Estados Unidos, e que visava assassinar pessoas inocentes e praticar atos de terrorismo em cidades do próprio país cujo objetivo era enganar a opinião pública americana, conduzindo-a a apoiar uma guerra contra Cuba.

Vale lembrar que durante a Guerra Fria (1945-1989), nos anos 1960, houve o episódio conhecido como “Crise dos mísseis de Cuba”, quando a União Soviética armou Cuba com ogivas nucleares sob a ameaça de atacar os Estados Unidos caso houvesse um tipo atentado à então ilha de Fidel. Durante esse período histórico houve um terrível medo de uma possível Terceira Guerra Mundial. Portanto, para os cientistas políticos que hoje investigam os eventos, era preciso ter uma cara de inimigo para combater-se.

Sob o codinome “Operação Northwoods”, esses planos incluíam o possível assassinato de refugiados cubanos, o afundamento de barcos de refugiados cubanos em alto mar, o sequestro de aviões comerciais, a explosão de um navio norte-americano e até a orquestração de terrorismo violento nas maiores cidades americanas, tais como Nova York, Miami, Chicago e Los Angeles. Vale ressaltar que a “Operação Northwoods” não é uma teoria da conspiração, muito menos um folclore urbano; os detalhes foram publicados em vários livros de testemunhas, pesquisadores etc.

Esses planos macabros foram detalhados no livro “Body of secrets: doubleday”, escrito pelo repórter investigativo James Bamford, sobre a história da maior agência de espionagem americana, a National Security Agency. Entretanto, o autor nota que esses planos não estavam diretamente subordinados àquela agência; foram elaborados com a aprovação unânime do Estado-maior das forças armadas norte-americanas, e apresentados ao secretário de Defesa Robert McNamara, em março de 1962.


Aparentemente a operação teria sido rejeitada pelas organizações civis patrióticas, e ficaram esquecidas por mais de quarenta anos. De acordo com Bamford, a “Operação Northwoods” previa a encenação de uma série de falsos ataques terroristas, alguns dos quais sobre solo americano e envolvendo a morte de civis, que seriam então atribuídos a Fidel Castro. A ideia era conseguir apoio popular para uma invasão a Cuba em meio à crise dos mísseis.

Um dos cenários propostos envolveria a simulação do sequestro e explosão de um avião comercial norte-americano. De acordo com o livro “Body of secrets: doubleday”: “Uma aeronave seria pintada e numerada na base aérea americana de Englin, como uma duplicata exata de uma aeronave civil. (...) Em uma hora designada, a duplicata seria substituída pela aeronave civil de verdade e seria carregada com passageiros seletos, todos abrigados sob pseudônimos cuidadosamente preparados. A aeronave registrada de verdade seria convertida em um drone [teleguiado]. (...) A aeronave carregando os passageiros seria baixada a uma altitude mínima e iria diretamente a um campo auxiliar na base aérea de Eglin onde preparativos teriam sido feitos para evacuar os passageiros e retornar a aeronave a seu status original. A aeronave teleguiada, enquanto isso, continuaria a voar com o plano de voo original. Quando estivesse sobre Cuba o avião teleguiado começaria a transmitir a frequência internacional de perigo ‘MAYDAY’ afirmando estar sob ataque de aeronaves MIG’s cubanas. A transmissão seria interrompida pela destruição da aeronave que seria detonada”.

Essa descrição pode parecer roteiro bizarro de um filme de superprodução de Hollywood, mas é verdade e o autor é detentor de documentos descrevendo os procedimentos envolvendo a referida operação. É por conta disso que muitos teóricos políticos creem que os atentados de 11 de setembro de 2011 poderiam ter sido orquestrados pelos próprios Estados Unidos na busca de criar uma hegemonia mais forte no Oriente Médio e patrocinar uma “guerra contra o terror”.

Como dito anteriormente, no início do texto, não é de hoje que o governo norte-americano é acusado de agir por interesse próprio sacrificando vidas de civis para atividades econômicas; vale lembrar que existem as histórias de que o próprio então presidente Kennedy e Marilyn Monroe teriam sido assassinados pelo sistema.



O alto comando militar norte-americano fez planos para desenvolver uma campanha de terror em Miami, em outras regiões da Flórida e até mesmo em Washington, a qual seria atribuída, pela imprensa norte-americana, a “comunistas cubanos” infiltrados no país. Ainda de acordo com a publicação que detalha a “Operação Northwoods”: “Essa campanha de terror seria dirigida contra refugiados cubanos asilados nos Estados Unidos. Nós afundaríamos um barco carregado de refugiados cubanos a caminho da Flórida (real ou simulado). Poderíamos promover atentados às vidas de cubanos que vivem nos Estados Unidos, até mesmo a ponto de feri-los, em ocasiões que serão amplamente divulgadas pela mídia. Explodir algumas bombas plásticas em locais estratégicos, prender alguns agentes cubanos e divulgar documentos, previamente preparados, para comprovar a participação de Cuba seria útil para divulgar a imagem de um governo cubano irresponsável a fim de conseguir apoio da mídia e da população”.

Por fim, podemos afirmar que a história envolvendo a “Operação Northwoods” faz que nós estejamos de olhos abertos para tudo que envolve a história dos Estados Unidos como potência mundial da Idade Contemporânea. Se hoje o interesse se baseia no petróleo do Oriente Médio, imaginemos daqui a uns 50 anos quando os olhos da águia norte-americana se voltarem à água potável da América do Sul.