quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Teorias da conspiração envolvendo o aquecimento global: fato ou farsa?

Nas últimas décadas muito se tem falado sobre o aquecimento global, também conhecido como efeito estufa. De acordo com as ciências que estudam o fenômeno, trata-se do aumento de gás carbônico na nossa atmosfera, causando mais calor – que fica preso na Terra sem poder haver dissipação –, associado à diminuição das florestas, poluição no ar, causando até mesmo diminuição das calotas polares – que se derretem por causa da temperatura mais alta –, modificação no clima etc.

Entretanto, há alguns movimentos – científicos, leigos, apocalípticos e religiosos – que contestam as afirmações dos cientistas em relação ao aquecimento global e ao efeito estufa na atmosfera. As razões e motivos apontados são os mais diversos, e alguns chegam a falar em “teoria da conspiração do aquecimento global” a fim de que a sociedade aja de maneira que os grandes governos mundiais queiram, gerando comportamento, por exemplo.

O post de hoje vai falar um pouco sobre o que seriam estas tais “teorias de conspiração do aquecimento global”, mostrando o que estas pessoas pensam e alegam. E a cada ano mais indivíduos mudam de lado, tornando-se adeptos desta filosofia que diz que estamos em jogo muito poderoso de interesses para a humanidade no futuro.


As teorias da conspiração do aquecimento global são um conjunto de alegações de que, em todo mundo, através de atos de má conduta profissional, política e criminal, a ciência detrás do aquecimento global de formação antropogênica (ação direta do homem) tem sido inventadas e está sendo perpetuado por motivos financeiros ou ideológicos. Os defensores de tais alegações referem-se ao consenso científico como um “embuste do aquecimento global”, ou “fraude do aquecimento global”, causando enorme controversa entre as cadeiras científicas, políticas, sociais.

O atual aquecimento do sistema climático seria inequívoco para o pequeno grupo, e os cientistas saberiam disso, mas 90% deles, cientistas, acreditam que as concentrações crescentes de gases do efeito estufa produzidos pela atividade humana estariam causando todos esses efeitos colaterais. Estes resultados são reconhecidos pelas academias nacionais de ciência de todos os principais países industrializados, menos por essa pequena comunidade que rema contra uma gigantesca maré.

Apesar deste amplo consenso científico internacional com inúmeras pesquisas, as alegações feitas foram que esses pesquisadores e instituições fariam parte de uma conspiração científica global. Há várias alegações de má administração da informação, principalmente após o email controverso do Painel Climático Internacional, onde cientistas falavam entre si que era importante alterar dados de pesquisas para alarmar alguns governos e empresas. Diante disso, oito comissões investigaram essas alegações e relatórios publicados, cada um não encontrando nenhuma evidência de fraude ou de má conduta científica. Mesmo diante deste escândalo internacional, o consenso científico de que o aquecimento global está ocorrendo como resultado da atividade humana manteve-se inalterada.


Alguns exemplos de que o aquecimento global seria uma fraude...
Em um discurso proferido para o Comitê de Meio Ambiente do Senado dos Estados Unidos, em julho de 2003, intitulado “A ciência da mudança climática”, o senador James Inhofe (republicano) concluiu fazendo a seguinte pergunta: “Com tanta histeria, tanto medo, toda a falsa ciência, pode ser que o pandemônio do aquecimento global seja o maior embuste da história mundial, né?”. Ele ainda afirmou: “Algumas parte do processo do Painel Internacional do Clima se assemelha a um julgamento ao estilo soviético, em que os fatos são predeterminados, e supera a pureza ideológica”. Inhofe sugeriu que os partidários do Protocolo de Quioto, como Jacques Chirac, estariam visando a governança global.

Um artigo no jornal “Washington Post” descreveu os pontos de vista dos céticos em relação ao aquecimento global, dizendo que o pesquisador William Gray seria um “criador de teorias da conspiração”, dizendo: “Ele fez uma lista de quinze motivos para a ‘histeria’ do aquecimento global e do efeito estufa. A lista inclui a necessidade de chegar a um inimigo comum no mundo pós-Guerra Fria”. Neste artigo, os céticos falam da ascensão da figura de Al Gore (foto abaixo) como “defensor do meio-ambiente”, coisa que, dizem, ele nunca foi, para melhorar sua imagem perante o mundo e tentar vencer, futuramente, as eleições para presidente dos Estados Unidos.


Ainda há mais críticas, desta vez vindas da Europa. Alguns cientistas acusaram que muitos pesquisadores inventam dados alarmantes a fim de conseguirem mais do que respaldo internacional, mas também financiamento dos governos para continuarem com seus empregos e suas “supostas pesquisas que nunca chegam a uma conclusão de fato”. Esses grupos europeus também falam de uma suposta conspiração elaborada em todo o mundo, principalmente depois do escândalo da troca de e-mails entre pesquisadores. De acordo com o pesquisador Clive Hamilton, “esses grupos torcem para que seus resultados apocalípticos destruam a humanidade, tudo em favor do dinheiro, mas em troca há a panaceia das pessoas comuns”.

Alguns dos motivos para essa “conspiração”...
Aqueles que afirmam que o aquecimento global tem sido falsamente promovido pelos governos e pela mídia alegam vários motivos bizarros, incluindo alguns destes listados abaixo, que seriam os “principais” e “mais evidentes”:

1. Um desejo por parte das Nações Unidas e os seus patrocinadores para promoção um sistema de governo mundial ou governança global;
2. Desejo por parte dos pesquisadores das ciências do clima para atrair o apoio financeiro;
3. Alguns políticos republicanos, nos Estados Unidos, afirmam que a teoria do aquecimento global seja: “esquerdista, comunista, ideologicamente antiamericana e antiglobalização”;
4. Desejo por parte dos líderes políticos conservadores, incluindo Margaret Thatcher e Helmut Kohl, para promoverem a energia nuclear ao mesmo tempo atrair o apoio político dos grupos “Verdes”;
5. Desejo por parte dos líderes políticos de esquerda para promoverem o socialismo. Por conta disso, o então presidente checo Vaclav Klaus disse que “essa ideologia prega a terra e a natureza sob as palavras de ordem e proteção – semelhantes aos marxistas”;
6. Nick Minchin, ex-líder da oposição no Senado australiano, afirmou na TV que “para a extrema esquerda a mudança climática oferece a oportunidade de fazer o que sempre quis fazer: reclassificar o Ocidente, e como o comunismo foi um desastre, agora abraçam a causa do falso ambientalismo criando teorias apocalípticas”;
7. De acordo com um editorial de Peter Menzies no jornal “Calgary Herald”, em 1998, “não importa se a ciência seja totalmente falsa em relação ao efeito estufa desde hajam benefícios ambientais e políticos nesse pensamento”;
8. Em 1993, Timothy Wirth, ex-senador democrata norte-americano, escreveu um artigo polêmico que afirmava: “Temos que montar a questão do aquecimento global, mesmo que essa teoria esteja errada. Precisamos fazer a coisa certa em termos de política e economia”.

Esses são somente alguns pontos apontados para as críticas de que o aquecimento global e o efeito estufa estariam sendo falseados pelos governos e por parte da comunidade científica. O assunto permanece em pauta, e em uma pauta baseada em polêmicas e acusações.

No ambiente religioso não é diferente. Entre os neopentecostais republicanos dos Estados Unidos há um enorme consenso de que o aquecimento global seja uma marca do Anticristo contra a ordem mundial. Tais adeptos desta teoria religiosa apontam que Deus jamais deixaria o ser humano, Sua obra perfeita e “maior”, padecer em meio a tantos cataclismas, e por isso o aquecimento global seria uma teoria “bizarra” e contraditória conforme o pensamento cristão, que seria o “puro e verdadeiro”.


Críticas sobre as supostas teorias conspiratórias do aquecimento global...
Steve Connor interliga os termos “fraude” e “conspiração” dizendo: “Lendo o resumo técnico deste projeto do Painel Internacional Climático (IPCC), é claro que ninguém poderia ir embora com a impressão de que a mudança climática é uma farsa conspiratória pelo estabelecimento da ciência, como alguns querem fazer crer”. Em outro artigo direcionado à teoria da conspiração, Harold Evans descreveu tal “teoria” como sendo “no estilo político paranoico identificado pelo renomado historiador Richard Hofstadter”, e chegou a sugerir que “se acontecer de você estar no mercado para uma teoria da conspiração hoje, há grupos de pressão como o Greenpeace”, ou seja, se houvesse uma farsa na teoria do aquecimento global, grandes empresas financiariam pesquisas contra, com grande poder de marketing.

O documentário “A grande fraude do aquecimento global” recebeu enormes críticas. George Monbiot o descreveu como “a mesma velha teoria da conspiração de que temos ouvir da indústria de negação para os últimos dez anos”. Da mesma forma, em resposta a James Delingpole, Monbiot afirmou: “as teorias de conspiração habituais [...] trabalham para suprimir a verdade verdadeira, o que, presumivelmente, agora inclui praticamente toda a comunidade científica e todos, desde a Shell até o Greenpeace, desde o Sol até nós e a ciência”.

O ex-ministro britânico do Meio Ambiente e Agricultura, David Miliband, apresentou uma refutação fos principais pontos deste documentário e afirmou: “Sempre haverá pessoas com teorias da conspiração tentando nivelar para baixo o consenso científico. Mas faz parte da própria ciência o debate democrático, de contradição de ideias, mas a ciência da mudança climática parece verdade para mim”. John Houghton, antigo copresidente do Painel Internacional do Clima também se manifestou: “A pessoa mais importante no programa era Lord Lawson, ex-ministro das Finanças, que não é um cientista, e que mostra pouco conhecimento da ciência, mas que é parte da criação de uma teoria da conspiração que questiona os motivos e a integridade da comunidade científica mundial, especialmente representados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas”.


Continuando o debate cada vez mais polêmico...
A maior parte dos pesquisadores diz que não há nenhuma evidência de que o aquecimento global seja uma farsa, mas pelo contrário, há graves evidências de que ele seja verdadeiro como nunca; assim, os pesquisadores dizem que quem defende tal teoria conspiratória são pessoas controversas e que padecem da falta de informação. Em geral, os críticos dizem que os indivíduos e as organizações têm mantido o debate do aquecimento global para gerar a governança de alguns países industrializados, promovendo campanhas e elegendo determinadas pessoas.

Desde o final da década de 1980, segundo os críticos, esta campanha climática tem sido muito bem financiada e coordenada por renomados cientistas para conseguirem mais fundos. Entretanto, os cientistas rebatem a informação com um raciocínio lógico: se o efeito estufa é uma farsa, empresas poluidoras e destruidoras do meio ambiente poderiam fazer a contrainformação, apresentando relatórios contrários ao consenso científico. Os cientistas adeptos da teoria da conspiração dizem que este aquecimento do planeta é normal e faz parte um importante ciclo, ora de aquecimento, ora de resfriamento.

Para polemizar ainda mais o assunto, o Greenpeace apresentou evidências de que a indústria de energia e petrolíferas financiavam grupos de negação das mudanças climáticas. Neste relatório de 2011, há a afirmação de que nove entre dez cientistas que afirmam que as mudanças não estão ocorrendo têm laços com grandes petrolíferas, como a Exxon, British Petroleum, Shell etc. Nenhuma destas empresas confirma ou nega tais afirmações do relatório da ONG. Em 2005, a Royal Society, da Inglaterra, divulgou um relatório parecido, afirmando que as maiores petroleiras do mundo distribuíram mais de 2 bilhões de dólares para grupos de contrainformação afirmarem e propagarem esta teoria da conspiração.