quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Explicando a astronomia dos Reis Magos e a Estrela de Belém...

Tendo, pois, nascido Jesus em Belém de Judá, em tempo do Rei Herodes, eis que vieram do Oriente uns magos a Jerusalém dizendo: ‘Onde está o Rei dos Judeus, que é nascido? Por que vimos no Oriente sua estrela e viemos adorá-lo’”. Esse primeiro versículo do capítulo 2 do Evangelho de São Mateus tem provocado uma enorme discussão teológica e astronômica sobre a natureza do corpo celeste descrito pelos Reis Magos.

Os mais diversos fenômenos astronômicos e meteorológicos foram sugeridos, no passado, para explicar a natureza da Estrela de Belém: auroras, meteoro globular (bola de fogo), luz zodiacal, meteoros, chuvas de meteoros, e o planeta Vênus (estrela vespertina ou matutina, também conhecida como Estrela Dalva), estrelas variáveis (especialmente as do tipo semelhante à Mira Ceti), a estrela Canopus, cometas, supernovas etc.


A hipótese de que a Estrela de Belém foi um cometa parece ter sido proposta pela primeira vez pelo teólogo e perito cristão Orígenes, no século 2, que supõe ter sido o cometa Halley o astro visto pelos magos. No século 8, o monge, cronologista e historiador inglês, o Venerável Bede, em sua "História eclesiástica dos ingleses" (731), afirmou que os cometas não se deslocavam jamais para o sul e por essa razão a Estrela dos Magos não poderia ter sido um deles, uma vez que aquele sinal luminoso os conduziu em direção ao sul, quando eles se deslocavam de Jerusalém para Belém. Com uma explicação tão frágil, a teoria continuou agrupando seus adeptos. Desse modo, um notável contemporâneo do Venerável Bede e doutor da igreja grega, São João Damasceno, defendeu durante toda a vida a hipótese de a Estrela de Belém ter sido um cometa, assim como Geoffrey de Meaux, em 1338. Contra tal ideia se levantou o sacerdote católico Guillaume d’Auvergene, bispo de Paris e autor de “Do universo”. Em 1665, o astrônomo francês R. Lutz escreveu em sua obra “Questões curiosas sobre o cometa de 1664”: “A estrela que surgiu para os Reis Magos, durante a adoração do Nosso Senhor no presépio, não foi seguramente um cometa, mas uma estrela milagrosa que Deus concebera. Com efeito, quando os reis paravam em seu caminho, a estrela parava também; quando eles avançavam, ela avançava também, o que não pode caracterizar um cometa natural”.

Analisando-se os registros chineses de cometas, verificou-se que a tese do cometa Halley é inaceitável. De fato, tal hipótese exigiria um erro de 12 anos na data atualmente atribuída ao nascimento de Cristo (ocorrida em 4 a.C.), pois a passagem desse cometa no início da nossa era deu-se em 25 de agosto de 12 d.C., quando os astrônomos chineses assinalaram a sua presença na constelação de Gêmeos. Por outro lado, os outros dois cometas registrados nos anais chineses apareceram, o primeiro em março do ano 5 a.C., na constelação de Capricórnio, e o segundo, em abril do ano 4 a.C., na constelação de Águia. Todos os dois muito tarde. Ainda que não possamos afirmar com segurança, é pouco provável que a Estrela de Belém tenha sido um cometa. Apesar de ser geralmente representada nos presépios de todo mundo como um cometa, é mais provável que somente uma das hipóteses de supernova ou de configuração planetária especial pudesse sobreviver dentro do contexto misterioso que sempre envolveu a mais bela das festas cristãs.


Em 11 de novembro de 1572, o astrônomo Tycho-Brahe descobriu uma brilhante estrela, próxima do zênite, na constelação de Cassiopeia. Sua cintilação e magnitude atingiu uma tal intensidade que foi visível a olho nu mesmo durante a luz do dia. Esta estrela permaneceu observável durante mais de 17 meses, período no qual inúmeras hipóteses surgiram para explicar o aparecimento dessa nova estrela, uma vez que a imutabilidade dos céus era um dogma aceito como divino e jamais posto em dúvida. Esse evento abalou totalmente os alicerces de um céu perfeito, fixo, divino e imutável.

No século 16, o médico, matemático e filósofo italiano Gerolamo Cardano viu nessa estrela a mesma que conduziu os Reis Magos a Belém, enquanto o escritor e teólogo protestante suíço Théodore Bèze, discípulo de Calvino, que colocou o teatro a serviço da religião, afirmava que essa aparição anunciava a chegada à Terra do segundo Salvador, como a de Belém havia anunciado a chegada do primeiro. Outros cronistas da época, entre eles Stoffer e Leovitius, achavam que o anticristo teria nascido, enquanto alguns supunham que o fim do mundo se aproximava, anunciando-se o julgamento final para breve. As estrelas, como diziam, iriam cair do céu.


Hoje, sabe-se que as novas são estrelas que se tornam bruscamente muito luminosas. Elas aparecem subitamente. Brilham intensamente por alguns dias, enfraquecendo lenta e gradualmente até atingir o seu brilho primitivo. Em virtude de sua aparição brusca, elas são denominadas estrelas novas. O vocabulário é impróprio, pois elas existiam antes da explosão que as tornou visíveis a olho nu.

Conhecem-se dois tipos de estrelas explosivas: as novas e as supernovas. A luminosidade das novas é multiplicada por um fator de 10 mil vezes, durante dois ou três dias. As supernovas se tornam ainda mais luminosas: o brilho é multiplicado por um fator de 100 milhões de vezes o seu brilho normal. A cada ano se descobrem, em média, na nossa Galáxia, cinco novas. As supernovas são bem mais raras: uma a cada 300 anos. Até o momento se conhecem três supernovas em nossa Via-Láctea: a estrela de Tycho, a estrela de Kepler e a supernova de 1054, registrada pelos chineses e japoneses nesse ano. A origem e causa dessas explosões ainda são desconhecidas. Algumas novas são recorrentes, com um ciclo de reaparecimento bastante regular.


Foi baseado no ciclo de recorrência da estrela Alpha Coronae Borealis que o astrônomo norte-americano Richardson aventou a possibilidade de ter sido a Estrela de Belém essa nova situada na constelação de Coroa Boreal, que na época era visível próximo ao zênite em Belém de Judá. Entretanto, convém lembrar que o seu brilho de segunda magnitude teria sido pouco notável para impressionar os magos. Mais de quatro dezenas de estrela do céu têm magnitude superior.

Para os astrônomos ingleses David H. Clark, John H. Parkinson, ambos pesquisadores do Laboratório Muflord de Ciência Espacial da Universidade de Londres, e F. Stephenson, do Instituto de Ciência Lunar e Planetária da Universidade de Newcastle, a Estrela de Belém deve ter sido uma brilhante nova, registrada pelos astrônomos chineses na primavera do ano 5 a.C. O ano de ocorrência desse fenômeno não está em contradição com o provável ano de nascimento de Jesus, que, segundo especialistas católicos, deve ter ocorrido entre os anos 7 a.C. e 5 a.C. É interessante pontuar que a astronomia ao estudar a Estrela de Belém se equivale dos registros chineses porque estes não estavam imbuídos da tradição cristã medieval, portanto poderiam fazer um registro do céu mais apurado, sem referências religiosas.

Em 10 de outubro de 1604, Brunowski, aluno de Kepler, descobriu uma estrela supernova na constelação de Ofiúco. Seu brilho máximo, segundo as estimativas da época, foi equivalente ao dos planetas Júpiter e Vênus. Em fins de março de 1605, após sete meses durante os quais apresentou algumas oscilações de brilho, essa estrela deixou de ser visível. O aparecimento desse novo objeto celeste levou o nosso grande astrônomo à redação, em 1606, de quatro opúsculos: (1) “Sobre a estrela nova no pé do Serpentário”; (2) “Sobre uma estrela de terceira magnitude no Cisne”; (3) “Sobre a estrela nova do pé do Serpentário”; (4) “Sobre o verdadeiro ano notálico de Jesus Cristo, o nosso Salvador”.


O surgimento da estrela nova foi antecedido, em 17 de dezembro de 1603, por um belo e raro fenômeno de grande importância astrológica: a conjunção de Júpiter e Saturno, além de ter fascinado a mente mística de Kepler, lhe sugeriu a ideia de que a Estrela de Belém estivesse relacionada com uma conjunção análoga. De fato, após longos cálculos, Kepler concluiu que no ano 748, em Roma, ou seja, no ano 6 a.C., ocorreu um fenômeno astronômico semelhante, que poderia ter anunciado o aparecimento da Estrela.

Mais tarde, ao prevê a conjunção tríplice de Júpiter e Saturno para o ano 1623, Kepler relançou a hipótese de que uma conjunção idêntica, ocorrida no ano 6 a.C., poderia ter sido o sinal luminoso assinalado pelos Reis Magos, quando do nascimento de Cristo. Uma conjunção tríplice não é, como a princípio sugere o nome, uma aproximação de três planetas, mas a sucessão de três conjunções de dois planetas num curto período. Durante a conjunção de dois astros, as suas coordenadas celestes atingem valores quase idênticos num determinado instante. Numa linguagem popular, poderíamos dizer que a conjunção é a aproximação aparente de dois astros. As conjunções tiveram na Antiguidade uma grande influência sobre as mentes primitivas. Acredita-se que essas aproximações conjugavam as forças astrológicas específicas de cada astro.

Segundo Kepler, a grande conjunção não substituiu, na realidade, a Estrela dos Magos, como lhe atribuem vários autores. De acordo com as concepções aceitas na época, os fenômenos celestes influenciavam os acontecimentos terrestres ou eram sinais dos mesmos. Dessas ideias participavam Kepler, que acreditava ter sido a tríplice conjunção um evento destinado unicamente a chamar atenção dos magos para apela região do céu, onde brilhou a estrela anunciadora da chegada do Messias. Segundo o relato: “Tendo sido comunicado aos magos o aparecimento dessa estrela milagrosa, Deus, acomodando-se aos modos de pensar da época, teria feito com que a estrela brilhasse no momento em que também ocorria uma tríplice conjunção de planeta, como aconteceu com a nossa estrela”. Evidentemente, Kepler, nesse texto, aceitou que a nova estrela não constituía uma estrela normal, mas um astro milagroso. De fato, em outro trecho de sua obra, observa: “A Estrela de Cristo tem muita coisa em comum com a nossa estrela [tratando-se, aí, da nova de 1604], pois ambas coincidiram na época de sua aparição com uma conjunção tríplice”.

Essa interpretação de Kepler para a tese da Estrela de Belém encontrou vários opositores, assim como não lhe faltou o apoio de eminentes cientistas, dentre eles o famoso cronologista alemão Christian Ludwig Ideler, que, ao refazer os cálculos de Kepler com o auxílio das tábuas de Delambre, editadas no início do século 19, deduziu que a tríplice conjunção kepleriana ocorreu, na realidade, do ano 748 da fundação de Roma, ou seja, com maior precisão, respectivamente: a primeira, em 20 de maio; a segunda, em 27 de outubro; e a terceira, em 12 de novembro do ano 7 a.C.


Seria conveniente lembrar que a máxima aproximação entre esses planetas foi de cerca de um grau, ou seja, o dobro do diâmetro aparente da Lua Cheia. Era impossível, portanto, observá-los com o aspecto de um único astro, como está relatado na Bíblia, em São Mateus, 2,9. Em oposição às ideias de Kepler e Ideler, o sacerdote John Stockwell atribuiu à estrela observada pelos magos a conjunção planetária ocorrida em 08 de maio do ano 6 a.C., quando os planetas Vênus e Júpiter se apresentaram muito próximos no céu oriental.

No século 19, o astrônomo inglês C. Pritchard, na revista da Royal Astronomical Society de Londres, confirmou que uma conjunção tríplice de Júpiter e Saturno, segundo os seus cálculos, ocorreu em 29 de maio, em 29 de setembro e em 04 de dezembro do ano 7 a.C., na constelação de Peixes, que, astrologicamente, está relacionado com o povo judeu. Atualmente, um dos maiores defensores que a Estrela de Belém ocorreu a partir dessa conjunção tríplice é o astrônomo inglês David Hughes, do departamento de Física da Universidade de Sheffield.

Na verdade, toda hipótese submetida à luz da ciência deixou uma dúvida sobre a data de nascimento de Cristo, que os próprios peritos cristãos são unânimes em afirmar que teria ocorrido entre cinco e sete anos depois da data atualmente aceita. Tudo parece indicar que jamais se encontrará uma comprovação de qual estrela teria sido a que anunciou a chegada do Salvador.


Os Reis Magos e a sua astronomia...
Quem eram na realidade esses Reis Magos? De onde vieram?  De acordo com historiadores, eles eram sacerdotes-astrônomos de uma das seis tribos que, segundo Heródoto, constituíam o povo meda: os paretacenos, os busas, os estrucatas, os arizantos, os búdios e os magos. Os medas não formavam um grupo autóctone. Sua origem provém de um amplo processo de deslocamento de populações indo-europeias, entre as quais se encontravam os ciganos, os turcos e os persas. Eles ocuparam a Média, que compreendia uma vasta região do nordeste da Pérsia, limitada a oeste pela Mesopotâmia e Armênia, ao norte pela Armênia, a leste pelo Mar Cáspio e o grande Deserto da Pérsia e ao sul pela Pérsia propriamente dita e a Susiana. O nome Média derivou da denominação atribuída aos habitantes dessa região: os medas.

Os magos parecem ter sido uma tribo que exercia primordialmente funções sacerdotais. Pelos helênicos foram considerados como os sacerdotes dos iranianos e mais tarde, pelos romanos, como sacerdotes de Zoroastro. De todos os medas, os magos foram aqueles que mereceram uma especial atenção dos antigos gregos e judeus, que os conheciam como notáveis sacerdotes dedicados à adoração dos astros, cujo movimento aparente conheciam com grande precisão para as suas atividades religiosas. Eram, na realidade, astrólogos, intérpretes de sonhos e adivinhos. O vocábulo “magia”, de origem grega, significava inicialmente “trabalho de magos”.


Depois da ascensão de Zoroastro, que viveu no século 7 a.C., os magos se tornaram os sacerdotes da religião zoroastra. Os sábios do Oriente que levaram presentes ao Menino Jesus eram magos. Foi no século 6 d.C. que a tradição mudou os magos em reis. Seu número foi fixado em três em virtude da natureza dos seus presentes. Segundo a tradição oriental da Igreja Ortodoxa, os magos que visitaram Jesus eram doze, e não três!

Os ensinamentos do zoroastrismo tornaram-se diretrizes da civilização persa. Os poderosos governantes da Pérsia, Ciro e Dario, conseguiram difundir tal religião em quase todo Oriente Médio. No entanto, depois que Alexandre o Grande conquistou a Pérsia, no século 4 a.C., o zoroastrismo começou a extinguir-se. Com o advento de Maomé, a religião zoroastra desapareceu quase por completo da Pérsia. Atualmente, os seus únicos seguidores são algumas comunidades rurais na Índia, Irã, Iraque e Afeganistão. A “bíblia” do zoroastrismo é o “Zend Avesta(foto abaixo) ou simplesmente “Avesta”, que pode ser encontrado para download na internet.


Aqueles que procuram estudar as primeiras tentativas de conhecer os astros não podem desconsiderar os esforços feitos pelos magos na interpretação dos fenômenos celestes. Uma das melhores fontes para conhecer as ideias astronômicas dos Reis Magos é a tradução do escritor Anquetil du Perron do “Avesta”, em 1771, em três enormes volumes. Zoroastro foi considerado por alguns autores como um astrônomo célebre. Uma das orações do “Avesta” diz: “Anuncie, Zoroastro, que aqueles que amam as coisas do céu obterão uma excelente recompensa”.

Pelas meditações deste livro sagrado, que teria sido redigido por Zoroastro, pode-se ter uma ideia da astronomia dos Reis Magos. O nosso planeta – a Terra – estaria, segundo o “Avesta”, em repouso sobre a água. De acordo com os relatos de Plutarco, em “Ísis e Osiris”, Zoroastro considerava a Terra como achatada como um disco. Conhecia as desigualdades dos dias e das noites. Dividia o ano em 365 dias em quatro estações e 12 meses, sem subdividi-los em semanas. O seu ano de 365 dias e cinco pequenos tempos aproximava-se dos 365 dias e um quarto, deduzidos pelos sacerdotes egípcios a partir do nascer helíaco de Sírius.

O Sol, que o “Avesta” cantava em sua ação, deveria ser conduzido por um carro com quatro cavalos, ideia muito análoga à do Apolo da mitologia grega. Além disso, o Sol, entre os magos persas, constituía o olho que vigiava a Terra, como as concepções dos egípcios, chineses e gregos. Como no Egito, os magos adoravam o Sol três vezes por dia: ao nascer, no meio-dia e no ocaso. Segundo alguns autores, havia uma divergência entre os egípcios e os magos: esses últimos não adoravam o ocaso, fenômeno que não devia ser comemorado, mas à tarde.

A Lua era também motivo de adoração, pois, segundo o “Avesta”, “com a Lua Nova e Cheia surgiam todas as produções”. Para o Imperador Juliano, “a Lua era a causa de todas as coisas”. Segundo Zoroastro, ela guardava a semente do Touro, o qual associavam ao crescente lunar como uma representação dos cornos desse animal. Aliás, Plutarco identificava as estátuas da deusa egípcia Ísis à Lua (foto abaixo), que possui cornos em sua cabeça.


Os magos adoravam também os planetas. Eles acreditavam que eram emissores de calor. Mercúrio era designado como Tir; Vênus era Anahid; Marte, Behram; Júpiter era Anhouma; e Saturno era Kevan. Segundo Heródoto, os persas ofereciam seus sacrifícios ao Sol, à Lua, à Terra, a Vênus, ao fogo e ao vento.

Na cosmologia dos magos, encontramos, como relata o astrônomo francês Camille Flammarion em sua “Historie du ciel” (1872): “Um emblema engenhoso de um ovo misterioso que representava a forma esférica do mundo”. Tal ideia nos lembra a concepção moderna do ovo primitivo, que segundo o astrônomo belga George Lemaitre, seria a origem do universo que hoje se expande. Aliás, segundo Zoroastro, as injustiças que se observavam no universo seriam consequência da existência de duas ações dualistas no mundo: uma causa primeira do bem, representada por Ahura Mazda, o deus da luz, a que se opunha o princípio do mal, Angro Mainius Arimã. Na origem do mundo Zoroastro imaginou o “tempo sem limites”, quando Ahura Mazda criou o ovo que Arimã perfurou, introduzindo o mal. A cosmologia zoroastra é muito análoga à das religiões da época, com uma criação sucessiva da Terra, das árvores, dos animais, colocando no final a criação do homem.

Todas essas ideias da astronomia primitiva desenvolvidas pela figura misteriosa de Zoroastro se aproximavam de determinadas concepções idênticas muito difundidas no vale do Nilo, na Pérsia, na Arábia, na China e mesmo nas tribos que viveram na América Central. Parece que a estrutura do pensamento humano seguiu uma mesma sequência evolutiva, fazendo com que a astrologia tivesse sido um dos primeiros estágios da história da astronomia primitiva. Esse tipo de acontecimento faz com que a famosa teoria dos deuses astronautas tenha tanta popularidade entre alguns estudiosos, que se perguntam: “Como pode os povos tão díspares terem uma ideia tão parecida se não através de um mensageiro comum que passou pela Terra explicando a mesma coisa?”; este é um assunto bastante controverso.


Em resumo, os magos eram originários de uma tribo meda na qual os homens mais importantes desempenhavam funções sacerdotais na religião persa. Ora, a astrologia era uma das principais ocupações dos sacerdotes persas, a quem o povo atribuía forças e conhecimentos secretos devido às suas previsões astronômicas. Desse modo, a palavra “magos” passou a ser sinônimo de feiticeiros nas obras astronômicas e astrológicas grecorromanas. Com este sentido foi usada nos livros bíblicos (Atos 8, 9-11 e 13, 6-8; Mateus 2, 1) designando os sábios do Oriente. Por outro lado, é muito difícil afirmar se os magos eram sacerdotes persas ou astrólogos babilônicos. Tanto uns como outros acreditavam na influência dos astros sobre os acontecimentos terrestres, assim como na sua ação anunciadora dos eventos benéficos e maléficos. Sabe-se pela Bíblia que eles moravam no Oriente de Israel, o que pode significar a Arábia, a Mesopotâmia, a Babilônia ou a Pérsia. Aceitando essas hipóteses, e considerando a importância astrológica da conjunção tríplice de Saturno e Júpiter, somos levados a acreditar que esse fenômeno tenha muito provavelmente constituído a chamada Estrela de Belém. Por outro lado, analisando os prováveis caminhos percorridos pelos magos, concluímos que, se partissem de quaisquer destes pontos, chegariam a Jerusalém a tempo de assistir aos primeiros meses de Jesus Cristo.


É hábito comemorar a visita dos Reis Magos ao menino Jesus em 06 de janeiro. Entretanto, a escolha desta data é uma convenção religiosa. Na realidade, a visita deve ter ocorrido em outro dia e mês do ano em que Jesus teria nascido. No Oriente, até o século 4, o nascimento de Cristo era celebrado em 06 de janeiro. Assim também o início do ano novo foi, até 1564, comemorado no dia de Natal. Na França, sob o reinado dos merovíngios da Idade Média, o ano começava em 1º de março, dia de revista das tropas; sob os carolíngios, começava no Natal e sob os capetos, nos dias 22 de março e 25 de abril, respectivamente.