terça-feira, 17 de setembro de 2013

Teoria da Terra oca: você conhece esse modo de pensar de uma corrente da geografia e da geologia?

Pode parecer brincadeira, mas não é. Terra oca é um conjunto de teorias desenvolvidas ao longo da história que propõem ser a Terra uma estrutura oca. As primeiras formulações científicas sobre o tema datam do século 17, pelo astrônomo britânico Edmond Halley (o mesmo que descobriu o movimento uniforme do Come Halley), que propunha um planeta formado por camadas concêntricas e espaçadas entre si – como uma cebola. Nos séculos seguintes, a tese serviu de base para o enredo de diversas obras esotéricas e literárias. Entre as teorias filiadas a essa linha de pensamento, uma das mais conhecidas é a que propõe à Terra um interior habitado por animais superiores, como mamíferos, aves e répteis, com entradas para esse lado interno localizadas nos polos terrestres.


A teoria nos tempos da Antiguidade...
Nas antigas crenças, mundos ocultos sob a superfície da Terra sempre tiveram destaque. Budistas da Ásia Central acreditavam num tal Reino de Agartha, um labirinto subterrâneo que abrigava populações de continentes extintos. Ali, seu líder sagrado, o “Rei do Mundo”, comandava esse centro de progresso intelectual, de razão desenvolvida e conhecia todas as forças da Terra, lia todas as almas, conhecia todos os destinos. Já na antiga Assíria-Babilônia, o legendário Gilgamesh teria conversado com um amigo morto sobre um mundo interior. Os antigos gregos também especularam sobre as profundezas da Terra. Aí tivemos o mito de Orfeu e Eurídice, dos mortos no reino de Hades, das crenças de Homero sobre um mundo subterrâneo, do deus que se assentava sobre o “umbigo do mundo” em túneis interiores concebidos por Platão. Egípcios acreditavam num infernal reino subterrâneo, algo como a tradicional crença cristã do inferno, com fogo, almas sofredoras e pecadoras etc.

Halley e Euler estudam essa “Terra oca”...
Com a ciência substituindo as lendas através da razão, no século 17, já havia especulações com base científica sobre um mundo interior ao nosso planeta. O astrônomo Edmond Halley, visando explicar certos fenômenos “estranhos” no campo magnético terrestre, considerou que a Terra tivesse uma casca externa e um núcleo interno separado, cada um com seu próprio campo magnético. Estudos de Halley levaram-no a apresentar à Real Sociedade de Londres, em 1692, seu estudo final que propunha a existência de três planetas concêntricos interiores à crosta terrestre, corpos do tamanho de Vênus, Marte e Mercúrio.

Adaptando essa teoria às crenças religiosas, Halley imaginou a existência de seres vivos nesses planetas interiores, sendo que a luz para esses seres provinha da atmosfera interior que era luminosa, sendo que a Aurora Boreal era consequência do escoamento dessa luminosidade pela fina camada polar. Essas teorias não foram refutadas no século 18, mas modificadas, como, por exemplo, por Leonhard Euler que considerou que no interior da Terra havia um único Sol que provia iluminação e aquecimento a uma extremamente desenvolvida civilização que vivia no interior da crosta terrestre. Ao final do século 17, o matemático escocês John Leslie concluiu que, na verdade, eram dois os sóis interiores, cujos nomes eram Plutão e Proserpina.


As teorias de Symmes...
John Clives Symmes, militar americano, apresentou em 1818 sua teoria sobre o planeta Terra, em que o mesmo era oco e habitável por dentro, possuindo internamente diversas esferas sólidas e concêntricas. Havia aberturas na crosta externa da Terra, em ambos os polos. Symmes detalhou isso em publicações subsequentes, mostrou atestados de sanidade mental e de seu caráter assinados por autoridades diversas. Convocou cem homens para partir da Sibéria no outono, com rena e trenós e, aí, entrar no interior do planeta, local quente, fértil, como muitos e normes animais e vegetais. Essa expedição não ocorreu.

Symmes foi sempre ridicularizado por suas ideias. Apresentou diversas argumentações científicas e até religiosas para defender sua teoria. Segundo ele, a nossa Terra conhecida apresentava duas aberturas circulares de diâmetro 6.500 quilômetros no Polo Norte e de 10 mil quilômetros no Polo Sul. Essas aberturas se inclinam suavemente para o interior da terra e a crosta tem uma espessura de 1.600 quilômetros. O cientista conquistou alguns fiéis apoiadores.

Symmes escreveu um livro, “Symzonia: viagem de descoberta” sob pseudônimo de Adam Seaborn, onde narrava as glórias que sonhava alcançar. O Congresso autorizou a viagem de Symmes em 1828. O presidente John Quincy Adams apoiou a expedição, mas essa não interessou ao sucessor Andrew Jackson, presidente a partir de 1929, ano em que Symmes faleceu. Reynolds sucedeu Symmes nessa busca, participou em expedição aos mares do sul, a qual talvez houvesse inspirado a obra “Moby Dick” de Herman Melville. Continuou a insistir na expedição visada por Symmes, a qual somente veio a ocorrer dez anos depois da morte do visionário Symmes, sob o comando de Charles Wilkes. Reynolds não teve permissão para participar e nos quatro anos dessa viagem nada foi confirmado quanto às ideias de Symmes.


A história de Koresh...
Cyrus Read Teed, médico herborista norte-americano e combatente da Guerra Civil Americana, elaborou uma completa e surpreendente teoria sobre o interior da Terra. Em seu livro intitulado “A cosmogonia celelar, ou a Terra: uma esfera côncava”, numa revelação científica e religiosa, Teed, sob o pseudônimo Koresh (Hebraico para Cyrus), defendeu a ideia de que a humanidade vive, não na superfície externa da esfera Terra, mas em seu interior, na superfície interna dessa esfera.

Fora da esfera há um vazio. No centro da esfera fica o Sol que gira e, sendo metade luz, metade escuridão, dá impressão de anoitecer e de amanhecer. A lua é um reflexo na superfície oposta interna da própria Terra e as estrelas e planetas são luzes refletidas em painéis metálicos sobre a superfície côncava da esfera. O grande espaço interno contém uma densa atmosfera que impede a visão das terras no outro lado da face interna terrestre.

Essa estranha concepção de uma inversão geométrica era difícil de ser matematicamente refutada, tendo Teed (“Koresh”) oferecido 10 mil dólares a quem pudesse fazê-lo. Ninguém na época ousou refutar tal teoria, a qual, conforme Koresh, significava conhecer Deus e sua obra. O visionário Teed criou uma igreja, o Koreshanismo, estabeleu em Chicago a chamada Escola Mundial da Vida e passou a publicar a revista “The Flaming Sword” que existiu até 1949. Discípulos lhe davam donativos e ele comprou em 1894 um terreno de 120 hectares em Fort Myers, Flórida onde fundou a comunidade Unidade Koreshana.

Essa comunidade pretendia abrigar 10 milhões de adeptos, mas não mais que 250 fervorosos seguidores ali se estabeleceram. Teed Koresh morreu em 1908 e os seguidores ficaram de vigília junto a seu corpo aguardando a prometida ressurreição. Após quatro dias de espera infrutífera, as autoridades de saúde locais determinaram o sepultamento. Seu corpo foi depositado num enorme mausoléu com guardiães a protegê-lo 24 horas por dia até que fosse destruído por um furacão em 1921. A sede da comunidade foi transformada no Sítio Histórico do Estado Koreshano em 1961, onde discípulos de Koresh trabalharam como guias turísticos até a morte do derradeiro deles em 1982.


As visões sobre assunto de Reed e Gardner...
No século 20, com muitos exploradores vasculhando toda a superfície do planeta, era improvável a sobrevivência de ideias sobre um mundo interior à Terra. Mesmo assim, dois novos defensores da teoria apareceram, William Reed e Marshall Gardner, apresentando forte argumentação. Sua motivação foi uma série de descobertas de anomalidades relatadas por exploradores dos polos. Conforme Fridtjof Nansen, político e explorador norueguês, o ar e a água se tornavam mais quentes nas proximidades do Polo Norte, o que parecia ser causado por ventos quentes vindos do extremo norte do planeta. Outros viajantes relatavam presença de neve multicor nas proximidades do polo boreal, outros falavam de correntes quentes e acerca da presença de vida silvestre abundante e animais (aves, mamíferos e muitos mosquitos) bem alimentados nas regiões mais setentrionais da terra.

Em 1846 foi descoberto um mamute-lanoso, animal há muito extinto, congelado na Sibéria. A criatura apresentava no estômago sinais de uma última refeição, pinhas a abetos. Cientistas deduziram na época que houvesse ocorrido um congelamento súbito em épocas remotas. Para outros, o mamute vivia recentemente em terras quentes e amenas nas proximidades do Polo Norte. Em 1913, Gardner publicou o livro “Uma viagem ao interior da Terra, ou foram os polos realmente descobertos”, e apresentou uma explicação para a história do animal supostamente extinto: os mamutes viveriam e se deslocariam no interior do planeta e por vezes aflorariam à superfície nas proximidades dos polos, ficando congelados. Por sua vez, Reed escreveu a obra “O fantasma dos polos” e explicou que a neve colorida de verde, vermelho, amarelo seria causada por pólen de vegetais e a cor preta se deveria às cinzas de vulcões, causas oriundas de um mundo interior à Terra. O aquecimento das águas era explicado por Reed e Gardner como causado por aberturas que ligavam as superfícies interna e externa da Terra, como nas ideias de Symmes.

Reed defendia a hipótese de que a crosta terrestre tinha espessura de 1.300 quilômetros e que a gravidade atraía para os pontos médios da espessura, não para o centro da esfera terrestre. Desse modo, viajantes navegariam sobre a borda das aberturas polares sem perceber que entravam e saíam do interior do planeta. Dizia, ainda, que quase todos os exploradores dos polos já haviam passado pelas bordas e entrado na superfície interna da terra. A luz da área interior viria no nosso Sol externo e entraria pelas aberturas polares. As auroras seriam originadas pelo reflexo de vulcões e incêndios no mundo interior. Reed ansiava conhecer o interior do planeta com seus vastos continentes, montanhas, rios, rica vida vegetal e animal, oceanos. Tudo isso poderia ser habitado e explorado economicamente pela população exterior, caso já não fosse já habitado por seres ainda desconhecidos.

Para Gardner, o interior do planeta seria iluminado por um Sol central com cerca de mil quilômetros de diâmetro, oriundo da nebulosa que havia originado a Terra. Declarava ainda que o mesmo ocorria com Marte e que os reflexos dessa luminosidade interior da Terra geravam as auroras. Gardner acreditava também que os esquimós deveriam ser originários do mundo interno ao planeta. Defendia a exploração econômica, com a mineração de ouro, platina e diamantes dessa área.

Ambos, Reed e Gardner, foram ridicularizados sistematicamente por leigos e pela a comunidade científica, que comparava suas suposições com as ideias do tipo “a Terra é plana”. Os dois defensores da terra oca citavam algumas autoridades que os apoiavam. Diziam que um dia suas hipóteses seriam confirmadas.


O que pensava Olaf Jansen...
Um navegador norueguês que vivia em Glendale, Califórnia, de nome Olaf Jansen, aos 95 anos de idade contou ao escritor Willis George Emerson uma incrível história supostamente real que lhe ocorrera na juventude. Emerson escreveu um livro, “O deus brumoso”, contando essa experiência de Jansen.

Jansen era adolescente em 1829, quando ele e o pai navegavam numa chalupa rumo às ilhas da Terra de Francisco José, bem ao norte do Círculo Ártico. Colhidos numa tempestade, foram ambos lançados, através de muita bruma, num local calmo, sem nuvens e provido de um sol nevoento. Haviam adentrado num mundo interior cujos nativos adoravam aquele estranho sol alaranjado e flamejante, chamado de “deus brumoso”. Os habitantes eram uma raça de benévolos gigantes de três metros de altura.

Olaf e o pai estiveram numa cidade portuária ornamentada com ouro, cercada por vinhedos e numa floresta de gigantescas árvores. Viram e comeram uvas do tamanho de laranjas e num trem velocíssimo foram à cidade de Eden onde, num palácio de ouro cravejado de pedras preciosas, encontraram um tal sumo-sacerdote. Viveram ali durante dois anos e meio e depois, sendo-lhes permitido voltar, partiram num barco, levando pepitas de ouro, voltando ao mundo exterior por uma abertura no Polo Sul. O pai de Jensen morreu quando, no Oceano Antártico, um iceberg atingiu a embarcação, mas Olaf foi salvo por um baleeiro escocês.

Jensen citava argumentos de Reed e Gardner, como irregularidades magnéticas, pólen nos ventos dos polos, restos de mamutes na Sibéria, para corroborar a veracidade de sua história. Acreditava também que um grupo de exploradores suecos desaparecidos no Ártico em 1897 vivessem no mundo “interior” aos cuidados dos tais gigantes bondosos.


A literatura sobre a teoria da Terra oca...
Na segunda metade do século 19 e no início do 20 surgiram obras literárias inspiradas na crença de um mundo interior ao nosso planeta. Com inspirações em diversas teorias divulgadas na época, surgiram, assim, várias obras de ficção científica se tornaram clássicos da nossa literatura. Com provável inspiração no assunto, por exemplo, Edgar Allan Poe, conhecido por sua obra de literatura fantástica, escreveu o conto “Manuscrito encontrado numa garrafa” e o romance “A aventura de Arthur Gordon Pym de Nantucket”, nos quais há relatos de navios tragados por um abismo próximo ao Polo Sul.

Julio Verne, autor de famosas obras de fantasia futurística, escreveu “Viagem ao centro da Terra”, narrativa de uma viagem feita por um professor alemão de mineralogia e seu sobrinho. A entrada num fantástico mundo subterrâneo foi por um vulcão extinto da Islândia e a volta ao nosso mundo exterior foi pela erupção de um outro vulcão, esse na ilha de Stromboli, norte da Sicília. Edward Bulwer-Lytton escreveu nos anos 1870 o livro “A raça invasora”, descrevendo uma viagem a um mundo interior, subterrâneo, onde vivia uma raça de super-homens. Tratava-se de uma sociedade perfeita, organizada ao extremo, pacífica, sem vícios, sem crimes, onde todos viviam mais de cem anos, todos eram iguais e livres, com saúde perfeita, dotados de muitas máquinas para executar as mais diversas tarefas.


O nazismo e a teoria da Terra oca...
Com a era dos ditadores do nazifascismo, a partir dos anos 30, e a consequente Segunda Guerra, houve um crescimento do obscurantismo. Isso, aliado à interrupção nas explorações aéreas das regiões polares, fez resnascer crenças sobre a Terra oca. O nazismo de Adolf Hitler adotou com simpatia as ideias de Koresh, que se haviam tornado populares com as especulações do conhecido piloto alemão da Primeira Guerra, Peter Bender. Além disso, foi criada a Sociedade Vril, grupo que defendia o livro de Lord Lytton, “A raça invasora”, como sendo uma história verdadeira.

A organização antissemita Sociedade Thule da Baviera, de Alfred Rosenberg e Rudolf Hess, dizia representar os sobreviventes da Atlântida que viviam ocultos no Himalaia, os chefes secretos do Tibete, comandados pelo Rei do Medo. Adolf Hitler possivelmente acreditava ter tido contato com um representante da tal superraça da Terra interior, como dissera a Hermann Rauschning, governador de Dantzig. O Fürher teria mandado expedições nazistas ao Tibete e à Mongólia para buscar contatos com o mundo subterrâneo. Unidades especiais haveriam vasculhado minas e cavernas na Europa buscando passagens para tal mundo interior, onde, segundo lendas proeminentes nazistas se refugiaram depois que a Alemanha nazi ruiu.


As figuras de Palmes e Shaver...
As viagens aéreas de Richard Byrd sobre os Polos Norte e Sul e suas extensas explorações na Antártica pareciam ter enterrado em definitivo as especulações sobre entradas para um mundo interior. Porém, logo surgiram insistentes contestações quando às verdadeiras descobertas de Byrd. Em 1959, o escritor americano F. Amadeo Giannini, em seu livro “Mundo além dos polos”, afirmava que Byrd em verdade entrara na “Terra interior”, 2.700 quilômetros sob o Polo Norte em 1947 e 3.700 quilômetros sob o Polo Sul em 1956. Essa ideia de que nem tudo fora revelado sobre as viagens de Byrd ganhou muitos adeptos, ansiosos por novidades, por histórias fantásticas.

Nos anos 40, Ray Palmer, editor de revistas sensacionalistas e o escritor imaginativo Raymond Bernard insistiam em afirmar que Byrd fora forçado a manter secretas essas reais viagens intraterrestres. Em sua revista, Palmer publicou uma série de artigos de Richard Sharpe Saver, um soldador da Pensilvânia, que teria contactado uma raça de criaturas que viviam no interior da Terra, os “deros”, os quais utilizavam raios invisíveis para influir em todos os acontecimentos do planeta. Essas publicações chamadas de “O mistério Shaver” provocaram uma grande onda de cartas de leitores que diziam ter encontrado deros, o que levou Palmer a afirmar que, se os relatos de Shaver fossem ilusões, muitas outras pessoas sofriam as mesmas alucinações.

Mesmo provas mais conclusivas quanto à inexistência de uma terra interna, como a navegação do submarino norte-americano USS Skate sob a calota polar do norte, sob comando de James Calvert, quando a embarcação emergiu exatamento no Polo Norte, não convenceram Palmer. Em 1970, o então editor desde 1957 da revista “Flying saucers”, publicou uma fotografia da Terra feita a partir de um satélite onde se via uma mancha negra circular na área do Polo Norte, que Palmer identificou como a entrada para o “mundo interior”.

Porém, os defensores dessas ideias fantásticas resistem a qualquer descoberta científica que venha a invalidar suas teorias, uma vez que o que realmente existe nas profundezas da Terra ainda é fruto de especulações e suposições científicas com base apenas em verificações indiretas, estando sempre sujeito a novas pesquisas e descobertas.



Argumentos contrários e controversos...
A imagem da estrutura da Terra, obtida através do estudo das ondas sísmicas é bastante diferente da teoria da Terra oca. A análise da propagação das ondas sísmicas permite a obtenção do modelo com crosta, manto, núcleo externo líquido e núcleo interno sólido. A densidade média da Terra é 5.515 kg/m³. Uma vez que a densidade média do material da superfície é apenas em torno de 3.000 kg/m³, devemos concluir que materiais mais densos existem dentro do núcleo da Terra. Medições sísmicas mostram que o núcleo é dividido em duas partes, um núcleo interno sólido com um raio de aproximadamente 1.220 quilômetros e um núcleo externo líquido, aproximadamente 3.400 quilômetros maior. O núcleo interno sólido foi descoberto em 1936 por Inge Lehmann e acredita-se ser composto principalmente de ferro e níquel. Nos estágios iniciais da formação da Terra, cerca de 4,5 bilhões de anos atrás, o derretimento teria causado substâncias mais densas a afundar em direção ao centro em um processo chamado de diferenciação planetária, onde materiais menos densos teriam migrado para a crosta.

Outro conjunto de argumentos científicos contra uma Terra oca ou qualquer planeta oco vem da gravidade. Objetos massivos tendem a se aglutinarem gravitacionalmente, criando objetos esféricos sólidos que chamamos estrelas e planetas. A esfera sólida é a melhor forma de minimizar a energia potencial gravitacional de um objeto físico, ter um vazio é desfavorável no sentido energético. Além disso, matéria ordinária não é forte o suficiente para suportar uma forma oca de dimensões planetárias contra a força da gravidade, uma casca do tamanho do planeta oco com a espessura conhecida observada da crosta da Terra, não seria capaz de atingir equilíbrio estático com a sua própria massa e entraria em colapso.

Alguém no interior de uma Terra oca não experimentaria uma atração significativa para fora e não pararia facilmente na superfície interna, mas sim, a teoria da gravidade implica que uma pessoa no interior seria quase sem peso. Isto foi mostrado pela primeira vez por Newton, cujo teorema matemático prevê uma força gravitacional (da casca) zero em todos os lugares dentro de uma casca oca esfericamente simétrica de matéria, independentemente da espessura da casca. A força gravitacional minúscula surgiria a partir do fato de que a Terra não tem uma forma perfeitamente simétrica esférica, bem como as forças de outros corpos, como a lua. A força centrífuga da rotação da Terra puxaria uma pessoa (na superfície interna) para fora se a pessoa estiver viajando na mesma velocidade que o interior da Terra e em contato com o solo no interior, mas mesmo a força máxima centrífuga no equador é somente 1/300 da gravidade normal da Terra para a velocidade de rotação do planeta.

A massa do planeta também indica que a hipótese da Terra oca é inviável. Fosse a Terra oca, com a densidade observada, sua massa seria muito menor e, portanto, sua gravidade na superfície externa seria muito menor do que é.