terça-feira, 3 de setembro de 2013

Curiosidades sobre a Páscoa, uma festa importante para duas grandes religiões...

A Páscoa tem o nome de origem hebraico “Pessach”, significando “Passagem”. É um evento religioso cristão e judaico, considerado como a festa mais importante de ambas as religiões. No caso cristão, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte pela crucificação; os judeus comemoram a libertação do Egito e a viagem rumo à terra de Israel. Não sendo somente festas, bombons e chocolates, a data tem muitas histórias e curiosidades, e este é objetivo do post de hoje. A Páscoa pode cair em uma data entre 22 de março e 25 de abril.


1. Os eventos da Páscoa teriam ocorrido quando os judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo da escravidão do Egito. A “passagem” tem duplo sentido: passagem pelo deserto e a mudança de estação – no hemisfério norte saindo do inverno e entrando na primavera;

2. Os termos em inglês e alemão – Easter e Östern, respectivamente – parecem não ter nenhuma relação com a “passagem”, como nos idiomas latinos. As hipóteses mais aceitas relacionam os termos com “Estremonat”, nome de um antigo mês germânico, ou de Eostre, uma deusa germânica relacionada com a primavera que era homenageada todos os anos, no mês de Eostremonat. Porém, é importante mencionar que Ishtar é cognata de Inanna e Astarte (das mitologias suméria e fenícia), ambas ligadas à fertilidade, das quais provavelmente o mito de Östern, e, consequentemente, a Páscoa (direta e indiretamente), tiveram notórias influências;

3. A Páscoa cristã celebra a ressurreição de Jesus. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu por três dias, até sua ressurreição. É o dia santo mais importante da religião cristã. Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pêssach, a Páscoa judaica, que é uma das mais importantes festas do calendário judaico, celebrada por 8 dias e onde é comemorado o êxodo dos israelitas do Egito;

4. A festa tradicional associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. De fato, para entender o significado da Páscoa cristã atual, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar os antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther. Ostera (ou Ostara) é a deusa da primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida – já que a aridez fria do inverno simboliza a morte da natureza, e a primavera o renascimento;


5. Segundo a Bíblia, Deus mandou dez pragas sobre o Egito. Na última delas, disse Moisés que todos os primogênitos egípcios seriam exterminados, mas os de Israel seriam poupados. Para isso, o povo de Israel deveria imolar um cordeiro, passar o sangue do cordeiro imolado sobre as portas de suas casas, e o anjo passaria por elas sem ferir seus primogênitos. Todos os demais primogênitos do Egito foram mortos, do filho do faraó aos filhos dos prisioneiros. Isso causou intenso clamor dentre o povo egípcio, que culminou com a decisão do faraó de libertar o povo de Israel, dando início ao Êxodo de Israel para a Terra Prometida. A Bíblia judaica (Torá, ou Pentateuco) institui a celebração do Pêssach em Êxodo 12,14;

6. Na Páscoa, é comum a prática de pintar ovos; em grande parte dos países ainda é um costume comum, embora que em outros, os ovos tenham sido substituídos por ovos de chocolate. No entanto, o costume não é citado na Bíblia e, portanto, esta é uma alusão a antigos rituais pagãos;

7. A primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação associados a deusa nórdica Gefjun. A lebre (e não o coelho) era o símbolo de Gefjun. Suas sacerdotisas eram ditas capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada;

8. A versão “Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?” é bem mais comercialmente e interessante do que “Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte e destino para mim?”, que é a versão original desta rima. A lebre de Eostre poderia ser vista na lua cheia e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade. Seus cultos pagãos foram absorvidos e misturados pelas comemorações judaico-cristãs, dando início à Páscoa comemorada na maior parte do mundo contemporâneo;


9. De acordo com a tradição, a primeira celebração de Pêssach ocorreu há 3.500 anos, quando, de acordo, com a Torá, Deus enviou as dez pragas do Egito. Antes da décima praga, o profeta Moisés foi instruído a pedir para que cada família hebreia sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais (mezuzót) das portas com o sangue do cordeiro, para que não fossem acometidos pela morte de seus primogênitos;

10. É importante notar que o Pêssach significa a “passagem”, porém a passagem do anjo da morte à noite, e não a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho ou outra passagem qualquer, apesar do nome evocar vários simbolismos;

11. Pessach caracterizava-se por ser uma das três festas de peregrinação ao Templo de Jerusalém. Um mês antes da festividade, Jerusalém tinha suas estradas reformadas e poços restabelecidos para garantir o conforto dos peregrinos. Geralmente todos aqueles que distanciavam trinta dias de jornada de Jerusalém vinham para as festividades, o que aumentava a população de cerca de 50 mil para cerca de três milhões. Estes peregrinos geralmente hospedavam-se na cidade e cidades vizinhas, acampando ou em casa de conhecidos;

12. A oferenda de Pêssach constituía-se de cordeiros ou cabritos, machos, de um ano de idade, e abatidos pela família (era permitido um cordeiro por família) em qualquer lugar no pátio do Templo. O shochet efetuava o abate, e sangue era recolhido pelos cohanim em recipientes de prata e ouro, que passavam de um para outro até o cohen próximo ao altar, que derramava o sangue na base deste altar;


13. Com a destruição do Segundo Templo, a impossibilidade de haver um local de reunião e sacrifício tornou inviável a continuação dos sacrifícios de cordeiros. Inicia-se então a transformação de Pêssach em uma noite de lembranças, sem o sacrifício pascal;

14. Pêssach é hoje uma festa central do judaísmo e serve como uma conexão entre o povo judeu e sua história. Antes do início da festa, os judeus removem todos os alimentos fermentados (chamados chametz) de seus lares e os queimam. Não é permitido permanecer com chametz durante a Pêssach. Os objetos de chametz são escondidos, e outros, passíveis de um processo de casherização são mantidos, os utilizados para cozinhar passam pelo fogo, e os de comidas frias passam pela água. É proibido realizar qualquer trabalho depois de meio-dia de 14 de Nissan, ainda que um judeu possa permitir que um goy realize este trabalho;

15. A festa de Pêssach é, antes de tudo, uma festa familiar, onde nas primeiras duas noites (somente na primeira em Israel) é realizado um jantar especial chamado de Sêder de Pessach. Neste sêder a história do Êxodo do Egito é narrada, e se faz as leituras das bençãos, das histórias da Hagadá, de parábolas e canções judaicas. Durante a refeição, come-se matzá (pão ázimo) e ervas amargas;

16. Em Israel, o governo tem um programa de entrega de uma cesta básica especial para que os pobres possam ter um Pêssach completo, sem passar necessidades costumeiras. Nesta “cesta básica” inclui-se o vinho, um dos ingredientes principais da festa judaica.


Como se pode perceber, a Páscoa é uma festa extremamente interessante para duas grandes religiões, mas que além de guardar histórias muito antigas, também guarda seus segredos, tais como os paganismos ainda existentes: o coelho, os ovos etc. Mesmo assim, percebemos como é uma festa de beleza que inclui a astrologia e astronomia, como a mudança das estações.