quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Você conhece a verdadeira história de Papai Noel? Santo católico ou figura criada pela Coca-Cola? Fato ou farsa?

O post de hoje vai elucidar uma série de perguntas que, vez por outra, recebo por email: “Qual a origem do Papai Noel?”, “De onde vem esse nome para ele?”, “De onde vem a história que ele mora na Lapônia e onde fica isso?”, “É verdade que ele é inspirado na vida de um santo católico?”, “Papai Noel foi uma criação da Coca-Cola?”, “Por que ele veste-se de vermelho?”. Na postagem de hoje vou falar sobre tudo isso e um pouco mais, uma homenagem a uma das figuras mais importantes da cultura ocidental.


Um pouco de história e de curiosidades...
Conhecemos a figura como Papai Noel, entretanto em Portugal seu nome é Pai Natal. “Noel” vem de “Noël”, que significa “Natal” em francês. Em cada cultura ele recebe um nome diferente e bem específico à origem da sua lenda, que pode ter se baseado em parte na vida de São Nicolau. Uma história quase idêntica é atribuída, nos folclores grego e bizantino, a São Basílio. Detalhe: o dia de São Nicolau é 04 de dezembro, e na Grécia a troca de presentes ocorre em 1º de janeiro, Dia de São Basílio.

De acordo com os historiadores e folcloristas, o “verdadeiro” Papai Noel foi uma pessoa de carne e osso, mais precisamente São Nicolau Taumaturgo (foto abaixo), um arcebispo turco do século 4. Ele costumava ajudar pessoas pobres da cidade de Mira, colocando moedas de ouro nas chaminés de suas casas durante a época de Natal. Mais tarde, diversos milagres foram atribuídos a São Nicolau fazendo-o por se tornar santo. Sua imagem como símbolo natalino teve origem na Alemanha, e de lá se espalhou para mundo inteiro.


Enquanto São Nicolau era originalmente retratado com trajes de bispo, atualmente Papai Noel é geralmente retratado como um homem rechonchudo, alegre e de barba branca trajando um casaco vermelho com gola e punho de manga brancos, calças vermelhas de bainha branca, e cinto e botas de couro preto. Essa imagem se tornou popular nos Estados Unidos e Canadá somente no século 19 devido à influência da Coca-Cola, que na época lançou um comercial do bom velhinho com as vestes vermelhas. E essa tem sido a imagem dele até os dias de hoje, eternizando-se.

Conforme a lenda, Papai Noel mora no Polo Norte, numa terra de neve eterna. Na versão americana, ele mora em sua casa no Polo Norte, enquanto na versão europeia frequentemente se diz que ele reside nas montanhas de Korvatunturi, na Lapônia, Finlândia. Papai Noel vive com sua esposa, Mamãe Noel, incontáveis elfos mágicos e oito ou nove renas voadoras.


Algumas correntes protestantes declaram oposição de que se ensinem crianças a acreditarem neste personagem, uma vez que há desvio das origens religiosas do verdadeiro Natal, mas de acordo com alguns teólogos isso ocorre, na verdade, porque o bom velhinho tem inspiração em um santo católico, que também faz parte do credo ortodoxo.

Divulgação da sua figura e história...
Uma das pessoas que ajudaram a dar força à lenda do Papai Noel foi Clemente Clark Moore, um professor de literatura grega de Nova York, que lançou o poema “Uma visita de São Nicolau” em 1822, escrito para seus seis filhos. Nesse poema, Moore divulgava a versão de que ele viajava num trenó puxado por renas. Ele também ajudou a popularizar outras características do bom velhinho, como o fato dele entrar pelas chaminés. O caso das chaminés, inclusive, é um dos mais curiosos na lenda de Papai Noel. Alguns estudiosos defendem que isso se deve ao fato de que várias pessoas tinham o costume de limpar as chaminés no Ano Novo para permitir que a boa sorte entrasse na casa durante o resto do ano.

No poema, várias tradições foram buscadas de diversas fontes e a verdadeira explicação da chaminé veio da Finlândia. Os antigos lapões viviam em pequenas tendas, semelhantes a iglus, que eram cobertas com pele de rena. A entrada para essa “casa” era um buraco no telhado. A última e mais importante característica incluída na figura do Pai Natal é sua blusa vermelha e branca. Antigamente, ele usava trajes verdes e costumava usar um gorro também verde na cabeça. Seu atual visual foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista “Harper’s Weeklys”, em 1886, na edição especial de Natal. Em alguns lugares na Europa, contudo, algumas vezes ele também é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo, tendo, em vez do gorro vermelho, uma mitra episcopal.


O famosíssimo mito envolvendo a Coca-Cola...
É amplamente divulgado pela internet e por outros meios que a Coca-Cola seria a responsável por criar o atual visual do Papai Noel: roupas vermelhas com detalhes em branco e cinto preto, mas é historicamente comprovado que o responsável por sua roupagem vermelha foi o cartunista alemão Thomas Nast, como dito anteriormente.

Papai Noel até então era representado com roupas de inverno, porém na cor verde (com detalhes prateados ou brancos), típico de lenhadores. O que ocorre é que em 1931 a Coca-Cola realizou uma grande campanha publicitária vestindo Papai Noel ao mesmo modo de Nast, com as cores vermelha e branca, o que foi bastante conveniente, já que estas são as cores de seu rótulo. Tal campanha, destinada a promover o consumo de Coca-Cola no inverno (período em que as vendas da bebida eram baixas na época), fez um enorme sucesso e a nova imagem de Papai Noel espalhou-se rapidamente pelo mundo. Portanto, a Coca-Cola contribuiu para difundir e padronizar a imagem atual, mas não é responsável por tê-la criado.



Papai Noel na Lapônia, Finlândia...
Nos países do norte da Europa, diz a tradição que o Papai Noel não vive propriamente no Polo Norte, mas sim na Lapônia, mais propriamente na cidade de Rovaniemi (foto abaixo), onde de fato existe o “escritório do Papai Noel”, bem como o parque conhecido como “Santa Park”, que se tornou uma atração turística do local. Criou-se inclusive um endereço oficial como a residência do Papai Noel, que recebe cartas de todo o planeta:

Santa Claus
FIN 96930 – Arctic Circle
Rovanieni, Lapland
Finland



Além disso, há o site oficial, a saber: http://www.santaclausoffice.fi

Em função disso, a região de Penedo, distrito de Itatiaia, no Rio de Janeiro, que é uma colônia finlandesa, se autodeclarou como a “residência de verão” do Papai Noel.



A história das renas do Papai Noel...
As renas do Papai Noel são as únicas renas do mundo que sabem voar, ajudando-o a entregar os presentes para as crianças do mundo todo na noite de Natal. Quando o Papai Noel pede para serem rápidas, elas podem ser as mais rápidas renas do mundo. Mas quando ele quer, elas tornam-se lentas. Todo esse mito foi inventado na Europa, no século 19.

A quantidade de renas que puxam o trenó é controversa, tudo por causa da rena conhecida como Rudolph, ou Rodolfo. Existe uma lenda que diz que Rodolfo teria entrado para equipe de renas titulares por ter um nariz vermelho e brilhante, que ajuda a guiar as outras renas durante as tempestades. E, a partir daquele ano, a quantidade de renas passou a ser nove, diferente dos trenós tradicionais, puxados por oito renas. Tal lenda foi criada em 1939 e retratada no filme “Rudolph, a rena do nariz vermelho”. Os nomes das renas em inglês são: Rudolph, Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner e Blitzen. E em português são: Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago.



Envio de correspondências ao bom velhinho...
Como vimos logo acima, há um “endereço oficial” da casa do Papai Noel na Finlândia e um website. Ambos recebem milhares de correspondências – físicas e eletrônicas – todos os anos. Algumas destas cartas chegam a ser respondidas, para sorte de algumas crianças do planeta! Historicamente, cartas para santos ou de cunho religioso são uma prática existente desde a Antiguidade, mas apenas a partir do século 19 surgiu no mundo o ato de enviar cartas ao Papai Noel como um cunho familiar, ou seja, os pais da criança leem as cartas dela, e com a condição de serem bem comportadas durante o ano, recebem o presente como sendo de autoria do Papei Noel; às vezes de forma tão ensaiada que chegam a acreditar fielmente em sua existência, identicamente ao Coelho da Páscoa.

No Brasil, os Correios oficialmente recebem cartas endereçadas ao Papai Noel desde 2001, e o número de mensagens correspondidas equivaleu em 2008 em aproximadamente metade, selecionadas de acordo com o contexto ou com o valor financeiro do presente. As mensagens são enviadas aos funcionários do Correios, mas todos os brasileiros podem se voluntarear como um Papai Noel diretamente nas agências dos Correios do país, apadrinhando uma criança pobre. Os correios dos países escandinavos também têm programas parecidos.


Nome do Papai Noem em outros países e culturas...
Alemanha e Áustria: Nikolaus, ou Weinachtsmann (“Homem do Natal”)
Argentina, Colômbia, Espanha, Paraguai, Peru e Uruguai: Papá Noel
Chile: Viejito Pascuero
Croácia: Djed Mraz
Dinamarca: Julemanden
Eslovênia: Bozíczek
Estados Unidos: Santa Claus (referência a São Nicolau)
Finlândia: Jöulupükki
França: Père Noël
Itália: Babbo Natale
Inglaterra: Father Christmas
Japão: Santa Kurosu
Holanda: Kerstman (“Homem do Natal”)
Portugal: Pai Natal
Rússia: Ded Moroz
Suécia: Jultomte

Roupa do Papai Noel...
A versão americana moderna do traje pode ser atribuída à obra de Thomas Nast, embora muitas vezes se pense incorretamente que Haddon Sundblom desenhou o traje no seu trabalho de publicidade para a Coca-Cola. O trabalho de Sundblom padronizou a imagem ocidental do Papai Noel, e a imagem popularizada de roupa vermelha adornada com pele branca. Isto se tornou na imagem do bom velhinho norte-americano, enquanto que em alguns países europeus, onde São Nicolau continua popular, a roupa usada está mais próxima de roupas religiosas, incluindo a mitra de um bispo.

Antes do trabalho de Nast, o traje de Papai Noel tinha como cor o castanho, embora também fosse desenhado com trajes verdes. Antes da publicidade da Coca-Cola, a imagem do personagem estava num estado de fluxo. Foi retratado numa grande variedade de formas, incluindo as formas modernas e, em alguns casos, como um gnomo.