sábado, 31 de agosto de 2013

Teorias conspiratórias na Bíblia: você acredita nelas?!

Desde a popularidade do romance “O código Da Vinci”, de Dan Brown, muito se tem falado sobre supostas mensagens que estariam escondidas em determinados trechos da Bíblia, inclusive nos livros apócrifos. Essas mensagens passaram a ser popularmente conhecidas como “teorias conspiratórias bíblicas”, e aparecem em vários livros e documentários de TV, causando enorme controvérsia entre historiadores, arqueólogos, leigos religiosos, teólogos e membros do clero.


Dan Brown não foi quem inaugurou este estudo. Ele apenas pescou algumas das teorias mais polêmicas e as trabalhou no seu best-seller. Vários historiadores têm se confrontado em enormes obras historiográficas, a exemplo o precursos “E a Bíblia tinha razão” e sua contraparte: “E a Bíblia não tinha razão”. O fato é que muito do que se passou no Oriente Médio nos tempos bíblicos – entre 2.500 a.C. e 300 d.C. – está escondido e oculto em livros apócrifos que não fazem parte dos livros sagrados monoteístas.

Sobre tais teorias...
Poderíamos dizer que as teorias conspiratórias bíblicas são qualquer teoria de conspiração que postula muito do que se sabe sobre a Bíblia, dizendo que se fez um artifício para suprimir algum tipo de verdade, ou alguns segredos. Na lista de teorias bíblicas há vários tipos e para todos os gostos: aliens vagando pela Terra, Jesus sendo marido de Maria Madalena, Pedro sendo um homem extremamente sexista, Maria teria tido outros filhos além de Cristo, Jesus viajando para a Índia para “obter conhecimento dos budistas” etc. Há ainda a corrente que afirma que o Priorado de Sião tem informações secretas sobre os verdadeiros descendentes de Jesus – que teria se casado e tido filhos com Maria Madalena.

Outros estudiosos destas teorias conspiratórias apontam que a Bíblia originalmente, em hebraico, aramaico e grego trariam informações preciosas à humanidade, mas que necessitariam de interpretações mais profundas. Seriam mensagens nas suas entrelinhas, difíceis de serem compreendidas atualmente, uma vez que os documentos originais estão praticamente destruídos pelo tempo – lembrando que não há nenhum exemplar dos livros da Bíblia escritos em primeira mão, mas apenas reproduções do que já se conhecia.


Algumas das teorias apontadas pelos estudiosos...
- O dilúvio de Noé não teria ocorrido, mas sim seria uma cópia da mitologia babilônica do herói sumério Gilgamesh, cujo texto bíblico é praticamente uma cópia plagiada deste conteúdo épico, com direito à arca, aos casais dos animais etc.

- A história de Adão e Eva e o Paraíso é somente uma narrativa alegórica cosmogônica para explicar ao povo como o mundo teria sido formado a partir da vontade de Javé. Para os católicos romanos, esta já é vista como uma mitologia hebraica depois das descobertas da ciência, e por isso o criacionismo não é ensinado nas escolas católicas desde o início do século 20.

- Para os adeptos da teoria dos deuses astronautas, nos livros de Ezequiel e Daniel há referências suficientemente fortes para crermos que alienígenas passaram pela Terra com suas naves e tiveram contato direto com esses dois personagens bíblicos.

- Um dos pontos mais controversos: Jesus seria marido de Maria Madalena, e teve filhos com ela. Há algumas referências a isso em alguns evangelhos apócrifos, como os de Judas Tadeu, Tomé e Egípcios; neles, há referências de que Jesus vivia com Maria Madalena, beijava-lhe na boca e que “tiveram crianças felizes”. Em Tomé há a frase dizendo: “Ela é o apóstolo preferido de Nosso Senhor, e com Ele debate, aprende e conversa sobre as coisas da Terra e do Céu, estando ambos sempre acompanhados de sua família”. Por isso há, ainda, a teoria conspiratória de que o Priorado de Sião teria informações secretas sobre os verdadeiros descendentes de Jesus. Para confirmar as teorias do casamento de Jesus há a própria tradição judaica: Maria Madalena está presente à crucificação e, depois, vai ao sepulcro de Cristo – situações que, no judaísmo, cabem às esposas. Em um livro apócrifo diz que ela e Maria, mãe de Jesus, se vestem de luto.

- Nos livros apócrifos de Tomé e de André há referências de que Pedro era um homem extremamente ciumento, invejoso e sexista, retirando da comunidade cristã as mulheres. Para ele, como durante por muito tempo, o papel da mulher era de cuidar da casa, dos filhos e procriar. Por essa razão Maria Madalena acabou sendo figurada como uma mulher mundana, perdida, prostituta; entretanto, na Bíblia, não há menção de que a prostituta prestes a ser apedrejada seja ela. Ainda em André há a afirmação de que Pedro tramou contra apóstolos para estar próximo a Jesus e tinha receio das influências de Maria Madalena no grupo.

- De acordo com outros teóricos, o período que há um hiato da vida de Jesus na Bíblia, entre os 12 e os 30 anos seria o período que ele esteve na Índia em viagem, quando teria conhecido o budismo e recolhido vários conhecimentos para si, e, por isso, há várias semelhanças entre as duas religiões. Entretanto, este estudo é o menos pesquisado e menos creditado, pois nenhum dos outros tantos livros apócrifos cita tal viagem.

- De acordo com os protestantes, Maria teria tido outros filhos além de Jesus. Entretanto, os teólogos refutam essa afirmação a partir da tradução da Bíblia, dos livros apócrifos e da própria história de Cristo. As pessoas que os protestantes alegam serem irmãos de Jesus são filhos de Maria, mulher de Cléofas. Jesus teve irmãos, mas filhos de José, que era viúvo e em idade avançada quando se casou com Maria – de acordo com os livros apócrifos, eram cinco filhos já adultos. Judas Tadeu, por exemplo, tido como irmão de Jesus, na verdade era seu primo; no hebraico antigo, as palavras “irmão” e “primo” eram escritas da mesma forma. Além disso, há a própria história do Cristo: quando crucificado, Jesus conversa com sua mãe, que está na presença de Maria Madalena e do apóstolo João – sem a presença de nenhum suposto filho ajudando sua mãe neste momento de extrema dor. Além disso, depois da crucificação, Maria (já viúva e que contava com cerca de 50 anos) e Maria Madalena vão morar, juntas, com João. Todas essas informações estão contidas na “Bíblia oficial” e são confirmadas em livros tidos como apócrifos por católicos e protestantes.


Outros debates bastante polêmicos...
No livro “The Christ conspiracy: the greatest fable ever sold”, o autor afirma que Jesus e o cristianismo foram criados por membros de várias sociedades através dos tempos para unificar o Império Romano que começava a ruir, assim sendo, fundando uma “religião do Estado”, e que estas pessoas basearam-se em numerosos mitos e rituais que existiam anteriormente e, em seguida construi-os ao cristianismo que existe hoje. Este mesmo ponto de vista é especulado no controverso documentário “Zeitgeist”, que pode ser encontrado gratuitamente na internet com legendas em português.

Outro livro, “Channeling of spiritualism”, o autor confirma a teoria apontada acima e aponta outras hipóteses: Maria Madalena era um dos apóstolos de Jesus, talvez até o único discípulo, mas este fato foi suprimido pela Igreja primitiva, machista e sexista. Neste livro, o maior segredo da cristandade é a família atual herdeira do sangue de Jesus, fruto do casamento com Maria Madalena.


Enfim, o assunto é bastante rico historicamente e totalmente controverso teologicamente, uma vez que fere tradições milenares e a fé das pessoas, que é inabalável. Fé e razão nunca poderão se encontrar, filosoficamente falando, pois a primeira é o ato de acreditar no impossível e o outro usa o racionalismo para pôr em dúvida todos os pressupostos analisados. Na internet é possível conhecer e ler os demais evangelhos apócrifos que contam mais detalhes desta “vida oculta” do ministério de Jesus.