sábado, 3 de agosto de 2013

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (23)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Como surgiu a expressão “safado” para dizer que alguém não presta?
Tudo surgiu no idioma espanhol “zafar”, o mesmo que “desembaraçar”. Ganhou o sentido de homem sem escrúpulos, sem vergonha, por sempre estar se safando (se salvando ou escapando) de situações embaraçosas. Havia na internet uma versão para a origem da palavra ligando-a a Safo e o lesbianismo, mas esta versão está errada.

Por que, no inglês, peru é “turkey” e Turquia também?
Durante a conquista espanhola do México no século 16, os europeus conheceram uma ave que os astecas haviam domesticado e davam o nome de “huexolotl”. Em 1528, a ave é levada para a Espanha e faz as graças da aristocracia, uma vez que fazia o frango comum parecer minúsculo. Os espanhóis deram-lhe o nome de “pavo”, o mesmo que “pavão”, por causa do seu tamanho. Já na Inglaterra, o nome do bicho passou a ser “Turkey bird”, uma vez que a ave era trazida por homens que negociavam mercadorias no Oriente, na Turquia, e, para os europeus, tudo que era exótico vinha da Índia ou da Turquia. Assim, o peru também passou a se chamar “turkey”, o mesmo que Turquia naquele idioma.


Como surgiu a expressão “rastafári”?
É formada por “Ras” (“Chefe”) e “Tafari”, primeiro nome de Tafari Makonnen (segunda foto abaixo), coroado imperador da Etiópia em 1930. A palavra acabou entrando para a história por ficar associada ao movimento reggae e ao cabelo, mas sua origem é muito mais profunda, associada ao rastafarianismo, uma seita jamaicana que acreditava que Tafari Makonnen fosse um messias negro, uma vez que ele aboliu a escravidão, lutou contra o imperialismo europeu em território etíope e morreu na prisão procurando melhores condições de vida para o povo africano, tornando-se uma espécie de mártir.



Por que sair de fininho é chamado de “sair à francesa”?
Os francos eram um composto de tribos de origem germânica que, no século 5, invadiram a Gália, território onde hoje está a França. Naqueles tempos, no idioma frâncico, “frank” era o mesmo que “livre”, uma vez que não pagavam impostos. Daí que no português originou o “franco/franca”, de liberdade, “zona franca”, “entrada franca” etc. Ou seja, “sair à francesa” seria sair livremente, sem problemas. Interessante notar que, na França, sair de fininho é “filer à l’anglaise”, “sair à inglesa”.

Por que a raça de cachorro chama-se “São Bernardo”?
O nome da raça do cachorro veio do Mosteiro de São Bernardo, localizado na Suíça, no alto dos Alpes. Lá, os monges aperfeiçoaram a raça através dos séculos através de inúmeros cruzamentos. Os monges criaram um cão grande, peluço e gordo para aguentar as baixas temperaturas do inverno, unindo isso tudo à sua força muscular para carregar pessoas e mantimentos.

Como teria surgido a expressão “spa” para um lugar com tratamentos relaxantes?
A primeira vem da Inglaterra, nome de uma famosa estância hidromineral na Bélgica, Spa Francochamps (onde hoje ocorre uma das corridas da Fórmula 1) (foto abaixo); no século 17, vários ingleses iam até lá se tratar com as fontes termais e massagens; assim, “spa” seria uma corruptela para a cidade belga. Outra versão é que seria a sigla inglesa “Special Personal Assistance”, que significaria “Assistência Pessoal Especial”. Por fim, outra opção é que seria uma sigla em latim “sanitas per acquas”, ou seja, “saúde pelas águas”.


Dar um tabefe (tapa) em alguém tem algo a ver com a língua árabe?
Sim, tem tudo a ver! Vem do árabe “tabih”, “cozido”. “Tabif” é, originalmente, um doce feito com leite, açúcar e ovos. Passou a ser sinônimo de bofetada porque a farinha é batida com muita força, com a mão aberta, por alguns minutos até dar ponto e liga na massa. Para quem não sabe, depois do latim, o idioma árabe é o que mais influencia o português e o espanhol, uma vez que os mouros ocuparam a Península Ibérica por 800 anos, influenciando o idioma, a arquitetura, a cultura, o modo de viver etc. É o caso de “bolacha”, que também significa dar um baita tapa; originalmente feito na Espanha, é um bolinho que se amassava muito com uns bons tapas.