quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Fogo-de-santelmo: você já ouviu falar neste fenômeno natural tão estranho?

O fogo-de-santelmo – também conhecido como fogo de São Telmo, ou fogo de Santo Elmo – tem despertado a curiosidade dos seres humanos desde o início da humanidade, há milênios. Assustador para os leigos, muito simples para os estudiosos, mas em ambos os casos são simplesmente fenômenos fascinantes que geraram lendas, histórias, boatos e folclores. No post de hoje vamos nos debruçar a explicar um pouco sobre esse fenômeno da natureza. Voilà!


Genericamente, o fogo-de-santelmo consiste em uma descarga eletroluminescente provocada pela ionização do ar num forte campo elétrico provocado pelas descargas elétricas. Mesmo sendo chamado de “fogo”, é na realidade um tipo de plasma provocado por uma enorme diferença de potencial atmosférico, parecendo mais com um relâmpago insistente, que demora a apagar.

O fenômeno deve seu nome a São Pedro Gonçalves Telmo ou a Santo Erasmo, também conhecido como Santo Elmo, ou São Telmo, santos padroeiros dos marinheiros e barqueiros, que haviam observado o fenômeno desde a Antiguidade, e acreditavam que a sua aparição era um sinal propício e que acalmava a tempestade. Ou seja, desde os tempos mais antigos o fogo-de-santelmo está envolvido com o obscuro, o sobrenatural, o outro mundo, espíritos etc.

Fisicamente, é um resplendor brilhante de cor branco-azulado que, em algumas circunstâncias, tem o aspecto de um fogo com faísca dupla (ou tripla), que surge de estruturas altas e pontiagudas – tais como: mastros, cruzes de igrejas, chaminés etc. Como antigamente, há muitos séculos, as estruturas mais altas eram as igrejas e templos de um modo geral, o fenômeno ganhou as conotações sobrenatural e religiosa. Ele se observa com frequência nos mastros dos barcos durante as tormentas elétricas no mar, alterando a bússola, para desassossego da tripulação. Benjamin Franklin já observara, em 1749, que o fenômeno é de natureza elétrica, desbanalizando o “achismo” com relação ao obscurantismo do fenômeno.



O fogo-de-santelmo também ocorre com frequência em aviões – e há vários vídeos na internet mostrando-os. Também aconteciam nos dirigíveis, quando eles eram comuns e, com isso, havia risco para passageiros e tripulantes, já que muitos deles eram inflados com hidrogênio, gás extremamente inflamável e explosivo. Ao longo da história, por exemplo, temos vários registros de acidentes com dirigíveis e várias mortes por conta disso.

Outro ponto interessante é que o fogo-de-santelmo pode aparecer entre as pontas dos chifres dos bovinos durante as tormentas elétricas, e em objetos afiados e pontiagudos em meio a um tornado. Entretanto, vale ressaltar que ele não é o mesmo que o fenômeno denominado raio globular, mesmo estando relacionados.

Na Grécia Antiga, a aparição de um único fogo-de-santelmo era chamado de Helena, e, quando eram dois, eram chamados de Castor e Pólux, todos eles relacionados a personagens míticos extremamente importantes para a religião daquela época.


Historicamente, referências ao fogo-de-santelmo podem ser encontradas em mitologias gregas, chinesas, celtas, coreanas, romanas etc. Na China medieval, por exemplo, era sinal de boa viagem para os marinheiros, uma vez que eles entendiam o fenômeno como bênçãos da deusa Mazu. Na obra clássica do português “Os Lusíadas”, Camões se refere ao fogo-de-santelmo como “corpus sanctos”.

Até Charles Darwin, durante sua jornada mundial em seu navio Beagle, para estudar a evolução das espécies, escreveu sobre o fogo-de-santelmo em sua embarcação, na altura do Rio da Prata, na Argentina, já apontando sobre um possível fenômeno meteorológico e físico, desbanalizando o folclore de diversos países.

Curiosamente, em 1899 o físico Nikola Tesla criou um fogo-de-santelmo em suas experiências laboratoriais, comprovando que este era um fenômeno elétrico que poderia ser produzido e repetido em laboratório, o que abriu ainda mais o campo para o estudo da eletricidade controlada. Ou seja, poderíamos dizer que graças ao fogo-de-santelmo, atualmente, temos energia elétrica em nossas casas, trabalho etc.

Um fato interessante é que as caixas pretas do avião da Air France, do voo 447, que ligava o Rio de Janeiro a Paris, e caiu no oceano em 2009, mostrou que antes de cair, o avião teve imensa atividade de fogo-de-santelmo por longos 23 minutos, o que poderia ter ajudado na queda do avião, mas isso são simples suposições.


De modo geral, o fogo-de-santelmo sempre esteve envolto de mistério, mitologias, folclores e associações religiosas. Somente no século 19 que houve os primeiros estudos relacionando-os a fenômemos físicos e metereológicos. Entretanto, até mesmo o mestre Shakespeare usou o fenômeno para ilustrar uma das suas peças teatrais, “A tempestade”.

É válido notar que no Ocidente o fogo-de-santelmo sempre foi associado a eventos ruins, enquando que no Oriente ocorria o contrário: boa viagem, bons fluidos, boa proteção etc. Sempre o que é desconhecido pelo ser humano é atribuído ao desconhecido, aos deuses, ao Deus, à fé etc. Entretanto, a ciência cartesiana, metódica, construtura, veio criar uma nova visão sobre a ocorrência deste fenômeno, o fogo-de-santelmo.