terça-feira, 9 de julho de 2013

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (22)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Por que uma mulher cheia de brincos, pulseiras e maquiagens é chamada de “perua”?
Tudo começou no século 16, na França, quando eles conheceram o peru (ave) e deram-lhe o nome de “dinde”, como eles também conheciam a galinha-d’angola, que mais tarde passou a ser conhecida como “pintade”. Neste caso há um erro, pois o peru veio da América e a galinha-d’angola veio da Índia. Já no século 18, em Paris, no auge do Absolutismo, os cidadãos chamavam de “dinde” as senhoras da corte de Luís 14 (foto abaixo), o Rei-Sol, uma vez que elas faziam barulho com tantos penduricalhos e chamavam atenção com tantas cores. No século 19 a expressão chegou a Portugal como “perua” e, assim, rapidamente veio parar no Brasil. Também temos abaixo uma imagem de Maria Antonieta, última monarca francesa antes da Revolução de 1789, comprovando que ela também era uma tremenda “dinde”.



Como nasceu a expressão “estar na pindaíba” para significar situação econômica difícil?
Para quem não sabe, pindaíba (foto abaixo) é uma plantinha cujo nome tem origem no idioma tupi “pinda’ïwa”, que por sua vez é formada por “pinda” (anzol) e “ïwa” (vara). Pindaíba era uma plantinha usada pelos índios como varinha de pescar. A expressão surgiu por volta do século 18, quando as pessoas diziam que “estar na pindaíba” era contar somente com a varinha de pescar na tentativa de matar a fome da família em tempos difíceis.


Por que “pois não” significa o mesmo que “sim”, e “pois sim” significa “não”?
Quem nos explica melhor estas expressões é Reinaldo Pimenta, em seu livro “A casa da mãe Joana”. De acordo com o autor, “pois não”, como sinônimo de “sim”, seria uma forma abreviada da frase “Pois você pensa que não farei isso?”. Assim, “pois não?” virou uma forma de a pessoa mostrar-se solícita. “Pois sim”, por sua vez, ganhou tom de ironia, virando sinônimo de “não” e antônimo de “pois não”. De acordo com alguns especialistas em língua portuguesa, “pois sim” surgiu como negativa ao reduzir-se a frase “Pois você pensa que sim, eu não”. Coisas do nosso idioma.

Qual origem da palavra “Réveillon” para a virada de ano?
A sua origem é francesa. Inicialmente era uma refeição feita muito tarde da noite, originária do verbo “réveillier”, o mesmo que “acordar”. Ou seja, praticar “réveillon” era o ato de acordar de madrugada para comer algo. Mais tarde, no século 19, passou a designar a festa de virada de um ano para outro.

Por que o dia 1º de abril é lembrado como o dia da mentira, ou dia dos bobocas?
O calendário juliano de 45 a.C. deslocou o início do ano, que era em 1º de março, para o dia 1º de janeiro. Entretanto, vários povos submetidos aos romanos continuaram com o calendário antigo por conta de resistências de tradições, já que o tempo estava ligado às festividades dos deuses. Os franceses só foram sair deste sistema em 1564, e os ingleses, em 1751! Ou seja, até então, franceses e ingleses comemoravam o ano novo em março. No interior da França e da Inglaterra, em alguns sítios e comunidades rurais a resistência foi muito maior: as pessoas passaram a comemorar o ano novo em 1º de abril, daí passaram a ser conhecidos como “os idiotas de abril”. Assim, passaram a sofrer deboche por parte da sociedade e o dia 1º de abril tornou-se o que é hoje.

Por que a cidade do Rio de Janeiro tem esse nome?
Esse é um erro de impressão que se perpetuou. Quando os portugueses chegaram à Baía de Guanabara em janeiro de 1502, tiveram a impressão de que se tratava da foz de um rio bastante largo. Como estavam no mês de janeiro, passaram a chamar aquele lugar de “rio de janeiro” – ou seja, o nome veio antes da cidade, que só foi oficialmente fundada em março de 1565.


De onde veio a expressão “kitnet” (ou “quitinete”) para um apartamento bem pequeno?
A origem é inglesa, de “kitchenet”, formado de “kitchen” (“cozinha”) + “ette” (usado, antigamente, como sufixo para diminutivo). Assim, virou sinônimo de uma cozinha bem pequena. Nos anos 50, passou a ser substantivo para apartamentos bem pequenos, que contam com sala, cozinha e banheiro.