quinta-feira, 27 de junho de 2013

Vara de condão e varinha mágica: um assunto curioso e interessante, fatos e farsas...

Uma varinha mágina, vara de condão, ou ainda varinha de condão, é um dos elementos mais importantes da bruxaria e da cultura popular cinematográfica envolvendo o ocultismo, a bruxaria e a magia. A vara de condão consiste, então, em uma vara reta, fina, presa à mão, podendo ser de madeira, marfim, cristal ou metal (geralmente precioso nas histórias infantis), sendo um objeto lendário usado em diversas mitologias, principalmente as europeias. Geralmente, na língua moderna, a varinha é vista como um objeto cerimonial e/ou tendo associações com magia, mas houve outros usos.


A varinha mágina aparece nos contos de fadas europeus porque muitos folclores daquele continente contêm histórias envolvendo fadas ou deuses que fazem uso deste objeto mágico. “Cinderela”, “Branca de Neve”, “Bela Adormecida”: todos esses clássicos infantis contam presença com bruxas ou fadas que usam varinhas mágicas com poderes incríveis que não são bem utilizados pela humanidade quando se apossam de uma dela.

No mercado popular...
No Brasil, foi lançado em 1978 o “Manual de mágicas do Mandrake”, com instruções passo a passo de como fazer uma varinha mágica para jogos de ilusão. O manual acabou tornando-se sensação; em capa dura, é fartamente ilustrado em 190 páginas coloridas e repleto de lições para quem queria se tornar um “mago”. Os truques de salão, com moedas, baralhos e varinha mágica, eram ensinados por Mandrake, Princesa Narda e Lothar, com a ajuda do coelho mascote do Mandrake. O manual apresentava, ainda, o universo do ilusionismo, com textos curtos sobre os mais diversos assuntos, entre eles mágicos famosos e a ética dos mágicos, dentre outros. O manual vinha acompanhado de um “visor mágico” que possibilitava a leitura de determinadas páginas “secretas”.


Simbolismo da vara de condão...
Em cerimônias governamentais formais e eclesiásticas, funcionários especiais podem carregar uma vara do ofício ou bastão do ofício representando seu poder. Um exemplo é o cetro real. Compare, neste contexto, a função cerimonial da maça, do cetro, e do bastão de ofício. Esta é uma prática de longa data; do Antigo Egito existem hieróglifos mostrando sacerdotes segurando pequenos bastões. A prática pode ser mais antiga ainda, pois antropólogos acreditam que algumas pinturas de cavernas, datadas da Idade da Pedra, mostrando pessoas portando pequenas varas, retratam os líderes das tribos com suas varas atestando o seu poder.

Ou seja, sociologicamente, por extensão, a vara de condão representa o poder paranormal, da feitiçaria, que vai além do mundo físico. Aí o cetro real e o bastão representam o poder na terra, no mundo físico; seriam eles uma corruptela deste poder paranormal, metafísico etc.


Usos religiosos...
Na época dos faraós do Egito Antigo eram deixados na tumba itens como utensílios de higiene, armas contra possíveis inimigos, amuletos contra serpentes e também textos mágicos com uma varinha mágica que possibilitaria que a alma pudesse utilizá-la na vida pós-morte. O cajado de Moisés, por exemplo, era uma vara de Hazel, muito conhecida na mitologia egípcia e no folclore daquela região. Já na mitologia grecorromana, o deus Hermes tinha uma varinha especial chamada Caduceu.

Na maçonaria também há o uso de objetos parecidos com varas de condão com várias simbologias, o mesmo ocorre na bruxaria, na religião wicca e no zoroastrismo – religião de origem iraniana. Essas varinhas têm propósitos diferentes, mas todas elas estão ligadas à simbologia de o ser humano poder controlar, supostamente, algo paranormal ou representa-lo como tendo algum poder além dos demais (como o cetro real, que significa o poder de governança sobre um povo).

Os praticantes da wicca usam acessórios mágicos incluindo varinhas para canalizar a energia. Na wicca, a varinha representa o elemento fogo, ou algumas vezes ar e é comumente feita de madeira, mas encontra-se também de metal ou de cristal. Em alguns grupos wiccas mais ricos há verdadeiras joias: varinhas de condão de ouro com pedras preciosas que são passadas de geração em geração.

Alguns antropólogos identificaram que tribos da Ásia Central fazem uso da vara de condão em cerimônias importantes em que, no momento que a pessoa tem a varinha em suas mãos passa a ter o poder da fala, do discurso, da palavra, portanto todos os outros participantes do culto ou dos festejos devem ficar calados até o momento propício. Em algumas tribos esse poder da fala não é atribuído ao ser humano, mas sim quem porta tal vara passa a incorporar espíritos do passado, que falam através daquela pessoa, incorporada. Norta-se, mais uma vez, a ligação da vara de condão com o mundo sobrenatural, servindo constantemente de ponte entre lá e cá.

Usos na ficção...
Varinhas mágicas comumente aparecem em obras de ficção como uma ferramenta para lançar feitiços sobre os outros. Poucas outras denominações comuns existem, de modo que as capacidades da varinha variam muito pouco. Note que tais varinhas preenchem basicamente o mesmo papel de bastão de bruxo, embora geralmente os bastões transmitam uma imagem mais “séria”; uma fada madrinha definitivamente precisa usar uma varinha, possivelmente com uma estrela na ponta, por exemplo. A primeira varinha de destaque na ficção aparece no clássico grego “Odisseia”: a de Circe, que é usada para transformar os homens de Odisseu em animais. Contos de fadas italianos as colocam nas mãos de poderosas fadas pela tardia Idade Média.


Basicamente podemos perceber que a vara de condão que vemos tanto na ficção nos contos de “Cinderela”, por exemplo, tem uma história muito maior do que poderíamos supor. São ações de grupos que a antropologia estuda, e que representam algum tipo de poder até hoje – como o cetro real. A vara de condão serve para curar, enfeitiçar, condenar, mas principalmente serve como simbolismo de que quem a porta tem um poder maior ou superior aos outros seres humanos.