quinta-feira, 23 de maio de 2013

Marte: um planeta que já foi habitado? Fato ou farsa?

Marte é o quarto planeta do nosso Sistema Solar, o nosso vizinho mais próximo. De noite, aparece como uma estrela vermelha, razão por que os antigos romanos lhe deram o nome de Marte, o deus da guerra. Os chineses, coreanos e japoneses chamam-lhe “estrela de fogo”. O ano marciano dura 687 dias. Mas tem semelhanças com a Terra: tem um dia com uma duração muito próxima do dia terrestre e o mesmo número de estações.

Desde sempre o planeta vermelho tem exercido enorme fascínio nos habitantes da Terra. Astrônomos, físicos, biólogos tentam entendê-lo, enquanto escritores e cineastas complementam tal fascínio com obras que falam das populações marcianas. Ainda há quem diga que o planeta, futuramente, será uma colônia terráquea, inaugurando a exploração espacial em sua plenitude. Junto a tantos estudos e apesar de tanta ficção científica, será que Marte, um dia, foi um planeta habitado?


Marte tem calotas polares que contêm água e dióxido de carbono gelados, o maior vulcão conhecido do sistema solar – o Monte Olimpo, com mais de 20 mil metros de altitude –, um desfiladeiro imenso, planícies, antigos leitos de rios secos, tendo sido recentemente descoberto um lago gelado. Os primeiros observadores modernos interpretaram aspectos da morfologia superficial de Marte de forma ilusória, que contribuíram para conferir ao planeta um estatuto quase mítico: primeiro foram os canais; depois as pirâmides, o rosto humano esculpido, e a região de Hellas no sul de Marte que parecia que, sazonalmente, se enchia de vegetação, o que levou a imaginar a existência de marcianos com uma civilização desenvolvida. Hoje sabemos que poderia ter existido água abundante em Marte e que formas de vida primitiva podem, de fato, ter surgido.


Marte tem um lugar especial na imaginação popular devido à crença de que o planeta é ou foi habitado no passado. Esta ideia surgiu devido a observações realizadas no fim do século 19 por Percival Lowell. Ele observava canais e áreas que mudavam de tonalidade com as estações do ano e imaginou Marte habitado por uma civilização antiga que lutava para não morrer de sede. De fato, o que Lowell observou ou não existia ou eram leitos secos ou mudanças naturais na coloração do planeta devido a tempestades de areia. A partir disso a boataria não parou mais: canais, pirâmides, templos, rochas esculpidas, estátuas etc.

Existem evidências que o planeta terá sido significativamente mais habitável no passado que nos dias de hoje, mas a existência de que tenha albergado vida permanece em debate acalorado. O meteorito ALH84001 (foto abaixo) que é um meteorito de origem marciana. Crê-se que terá sido projetado quando Marte foi atingido por um meteorito, microorganismos marcianos ter-se-ão agarrado e vagueou durante cinco milhões de anos pelo cosmos até cair na Antártida, onde foi descoberto. Em 1996, pesquisadores estudaram o meteorito ALH84001 e reportaram características que atribuíram a micro-fósseis deixados pela vida em Marte. O meteorito foi tido como a prova para alguns cientistas que Marte tinha atividade biológica no passado, já que contém o que parecem ser fósseis de microrganismos. Em 2005, esta interpretação permaneceu controversa sem que um consenso tenha sido atingido.


As sondas Viking continham dispositivos capazes de detectar microrganismos no solo marciano, e tiveram alguns resultados positivos, mais tarde negados por vários cientistas, resultando numa controvérsia que ainda permanece. Contudo, a atividade biológica no presente é uma das explicações que têm sido sugeridas para a presença de vestígios de metano na atmosfera marciana, mas outras explicações que não envolvem necessariamente seres vivos são consideradas mais prováveis. Mesmo que as sondas Viking não tenham encontrado provas conclusivas, não significa que não exista vida em Marte. A vida pode estar escondida na superfície ou no subsolo.

Na realidade, o clima seco e frio de Marte tornam o planeta inóspito à vida. Mas talvez não totalmente. Uma história impressionante durante as missões Apollo à Lua forneceram evidências de que a vida pode mesmo resistir a condições ainda adversas. Os astronautas descobriram que bactérias da Terra que tinham viajado para a Lua na sonda Survior X dois anos e meio antes tinham resistido num ambiente mais hostil que o encontrado em Marte.

A descoberta de vida, ou simplesmente de fósseis de uma vida desaparecida no planeta, seria um dos maiores acontecimentos de todos os tempos. A exploração de Marte pelo homem deverá acontecer no ano de 2030, pois imensos testes desde um pequeno experimental de 90 dias a um em curso feito no tempo mais exato.




De acordo os astrofísicos de agências espaciais do mundo todo, uma viagem exploratória com seres humanos até Marte demoraria cerca de 16 meses de duração, o que é um período muito longo só na ida. Caso a colonização espacial venha a acontecer, Marte é a escolha ideal pelas suas condições mais próximas à Terra que outros planetas e deverá ser um destino ideal para o aventureiro do futuro devido aos seus enormes vulcões, desfiladeiros imensos e mistérios por resolver – dentre eles descobrir o passado do planeta vermelho, se um dia houve vida ou não por lá.

Em 1969, as fotos obtidas pela missão Mariner revelaram algo de diferente no sul de Marte, em Hellas (fotos abaixo), região marciana circular de aproximadamente 2,5 milhões de quilômetros quadrados. Ao contrário de todas as outras regiões anteriormente fotografadas, Hellas apresentava-se desprovida de crateras. Noachis está crivada de crateras em número normal; a seguir a Noachis situa-se Hellespontus, no interior de Hellas e não apresenta qualquer cratera. Sabendo-se que toda a superfície marciana foi fortemente bombardeada por meteoritos, a ausência de crateras nesta área resultaria de uma força niveladora, força essa que poderia estar relacionada com uma invulgar concentração de calor e umidade, condições propícias à evolução da vida, dizem alguns entusiastas.



Outro dado curioso caracteriza a região de Hellas: as mudanças de cor conforme as estações, escurecendo na primavera e tornando-se de novo mais clara no outono. Isto levou a que se sugerisse que, durante a primavera e o verão, na região havia um surto periódico de vegetação. Essa afirmação abalou a comunidade científica durante muitos anos. Uma imagem tirada no ano 2000 procurava desvendar o antigo mistério. A imagem mostrava evidências de água submersa (que emerge à superfície), tempestades de areia e congelação que indicam uma mudança sazonal. Desconhece-se que materiais terão produzido o brilho uniforme no terreno de Hellas.



As fotografias de Marte tiradas pela sonda Mariner 4, em 1965, mostraram um planeta árido, sem rios ou oceanos ou qualquer sinal de vida. Mais tarde revelou também que a superfície (ao menos as partes fotografadas) era coberta por crateras, indicando a inexistência de placas tectônicas ou de qualquer forma de ciclos climáticos nos últimos quatro bilhões de anos. A espaçonave também descobriu que Marte não possui campo magnético que protegeria o planeta de potenciais raios cósmicos que podem ameaçar a existência de vida. A Mariner também foi capaz de calcular que a pressão atmosférica do planeta impede a existência de água líquida na superfície. Após a Mariner 4, a procura por vida em Marte mudou para uma busca por formas de vida microscópicas ao invés de organismos multicelulares, devido ao ambiente ser muito hostil para estes.



A missão inicial das sondas Viking da década de 1970 era levar experimentos feitos para detectar microorganismos em solo marciano. A grande dificuldade dessas missões era que o conhecimento da NASA sobre as condições da superfície de Marte era limitado somente ao acervo fornecido pela Mariner 4, portanto os testes das Vikings eram formulados para busca de vida similares às encontradas na Terra. Todavia, dos quatro experimentos levados a cabo, os experimentos classificados trouxeram resultados enigmáticos mostrando aumento da produção de gás carbônico na primeira exposição à água e nutrientes.

Contudo, esse sinal de vida foi contestado por muitos cientistas, ao afirmarem que elementos químicos superoxidantes no solo teriam produzido esse efeito sem presença de vida. Em oposição, também foi afirmado que as experiências averiguadas detectaram que eram tão poucos organismos metabolizantes no solo marciano que seria impossível detectá-los.

Uma reanálise dos dados das missões Viking feita 30 anos após o programa foi feita à luz do conhecimento de extremófilos, seres adaptados à situações extremas de vida, sugerem que os testes da Viking não eram sofisticados o suficiente para detectar tais formas de vida, e talvez até as tenha matado durante o procedimento. A ideia central é que, ao contrário de ser destruído pelos altos níveis de peróxido de hidrogênio e outros oxidantes, as formas de vida em Marte poderiam usar esses elementos químicos para ajudá-los a sobreviver. Por exemplo, o peróxido de hidrogênio impediria a água dentro de uma célula de congelar a -50°C e é higroscópica (capaz de absorver água), um artifício útil num planeta árido. Os pesquisadores citam o Acetobacter peroxidans como um exemplo conhecido de micróbio que usa peróxido de hidrogênio em seu metabolismo.


Há ainda alguns cientistas que afirmam que se havia vida nos locais de pouso da Viking, talvez tenham sido mortos durante a exaustão dos foguetes durante o pouso. Observações feitas no final dos anos 90 pela Mars Global Surveyor confirmaram a suspeita de que Marte, ao contrário da Terra, não mais possui um campo magnético substancial, aumentando potencialmente a ameaça à vida pela radiação cósmica que pode alcançar a superfície do planeta. Cientistas também especulam a possibilidade de que a falta de proteção devido ao diminuto campo magnético ajudou o vento solar dissipar grande parte da atmosfera de Marte no curso de bilhões de anos.