sábado, 13 de abril de 2013

Viagens de Marco Polo ao Oriente: fato ou farsa?

As viagens”, um dos livros mais conhecidos e populares do período medieval. Trata-se de um diário fascinante das viagens do italiano Marco Polo ao longo da chamada “rota da seda”, que ia da Europa até a China, passando pela Índia. De acordo com os historiadores, o viajante ditou o livro a um escritor chamado Rustichello, enquanto estava preso, no ano de 1298.

Entretanto, ultimamente há uma série de dúvidas que envolvem tais relatos. Historiadores mais ousados e contemporâneos se arriscam a dizer que muito do que está neste livro não passa de uma farsa histórica para vender volumes aos europeus desejosos por conhecer. Será que, então, Marco Polo jamais teria ditado tais aventuras e desventuras? “As viagens” trata-se de um livro fraudulento? Fato ou farsa?


As viagens” é dividido em quatro livros. O primeiro descreve o Oriente Médio e a Ásia Central. O segundo, a China e as rotinas de Kublai Khan. O terceiro volume fala do Japão, Índia, Sudeste Asiático e partes da costa leste africana. Por último, o quarto livro descreve algumas das guerras entre os mongóis e algumas regiões do norte, como a Rússia. Tais livros se tornaram um raro sucesso popular em um período que a impressão ainda não existia e os livros eram extremamente caros por serem copiados a mão.

Os livros de Marco Polo ficaram populares justamente pelos relatos, por vezes fantasiosos, de terras distantes, cortes desconhecidas, povos diferentes, idiomas variados, comidas e temperos exóticos, animais que poderiam ser lendários etc. O homem do período medieval era embebido de uma forte cultura do sobrenatural e do exotismo, e por conta disso “As viagens” acabou se tornando em um sucesso imediato.


Em 1508 há o primeiro registro em português de tais aventuras e desventuras, sob o título “O livro de Marco Polo”, em Portugal. A riqueza de detalhes e a narrativa fascinante fizeram com que começassem os primeiros contos de aventuras de cavaleiros, além das rodas de contação de histórias nas feiras de comércio.

Escritos farsantes?
Apesar de ser um clássico muito importante da humanidade, “As viagens”, de Marco Polo, é um livro que está embebido de duas controversas que poderiam fazê-lo uma farsa que perdura tantos séculos. Alguns historiadores apontam uma vertente, outros apontam outra, já outros dizem que não há nenhuma farsa nestes relatos maravilhosos de grandiosas viagens que o ser humano fez durante a Idade Média.

1. Há uma poderosa corrente historiográfica que aponta dúvidas quanto à veracidade daquilo que Marco Polo teria visto e feito. Para tais estudiosos, ele simplesmente passou à frente histórias que ouviu de outros viajantes ao longo da rota da seda. Apesar de detalhados e bastante verossímeis, acredita-se que Marco Polo teria passado a seu companheiro de sela aquilo que se contava nas estalagens ao longo da rota ou nos mercados do Extremo Oriente;

2. Recentemente, alguns historiadores apontaram que Marco Polo teria realmente ditado os primeiros volumes de seu famoso livro. No entanto, com o sucesso popular, alguns falsificadores da época medieval teriam criado os demais volumes e acrescentado narrativas fantásticas cujo objetivo era incrementar as vendas com tamanho fascínio pelo longínquo e desconhecido. De acordo com outros pesquisadores, o mesmo teria ocorrido com os escritos de Nostradamus.


Em 1324 Marco Polo morreu deixando uma soma considerável de dinheiro e propriedades para sua família e para a Igreja. Não ganhou dinheiro com a venda de seus panfletos de viagens, e por isso os historiadores creem na segunda hipótese de que falsários interessados no mercado da literatura fantástica tenham acrescentado novas partes ao relato original. Até hoje debater a veracidade, ou não, de “As viagens” é um assunto bastante polêmico na Itália.