quinta-feira, 25 de abril de 2013

Contatados: sobre as pessoas que afirmam terem tido contato com entidades extraterrestres...

Contatados são pessoas que afirmam terem tido alguma experiência de contato com entidades extraterrestres. Geralmente, é comum o discurso de que lhes foram dadas mensagens importantes ou profunda sabedoria. De acordo com os ufólogos, na maior parte dos casos os encontros são únicos e ocorrem somente uma vez na vida do contatado, mas em outros, o indivíduo afirma ter encontros constantes com tais entidades aliens.

Como um fenômeno cultural, os contatados passaram a ter maior notoriedade a partir do final dos anos 40, justamente após o incidente de Roswell, em 1947, que oficialmente inaugura a ufologia contemporânea. De um modo geral, os relatos são sempre parecidos, mas os contatados ainda esbarram no preconceito e ceticismo da sociedade e das autoridades, por isso encontram conforto em pequenos grupos.


Em 1956, Leon Festinger, Henry Riecken e Stanley Schachter foram os primeiros membros da comunidade científica a iniciarem o estudo dos contatados. Até hoje há somente quatro trabalhos científicos sérios estudados e publicados sobre tais fenômenos, o que implica em grande ceticismo por parte de todos. Alguns antropólogos norte-americanos iniciaram uma nova corrente da disciplina que tenta estudar esses contatos, investigando-os como folclore contemporâneo e lenda urbana.

Um desses estudos sérios publicados foi uma dissertação de mestrado de psicologia, de 1994, e aponta que, de modo geral, os contatados alegam experiências benéficas enquanto que os abduzidos alegam experiências chocantes e extremamente negativas, causando danos psicológicos.

O astrônomo J. Allen Hynek, criador da escala de contatos, descreveu os contatados como “pessoas que tiveram a visitação de seres extraterrestres, geralmente benignos, cuja finalidade é manter alguma espécie de comunicação com seres humanos”. Hynek também apontou que quase todos falam que há uma “mensagem de importância cósmica” para a humanidade.

Contatados tornou-se um fenômeno cultural a partir da década de 40 e aumentou nos anos 50, virando uma verdadeira febre nos anos 70 e 80. Muitos supostos contatados passaram a ganhar a vida dando palestras e escrevendo livros sobre tal experiência. Isso ocorre até os dias de hoje. Correntes céticas afirmam que os contatados são desonestos em suas reivindicações e relatos. A psicóloga Susan Clancy diz que tais histórias são falsas memórias inventadas, criadas em uma mistura de fantasia, distorção de memória, alucinações de sono e “analfabetismo científico”.


Em seus relatos de experiências, os contatados dizem que os aliens os chamam de “irmãos do espaço”, geralmente tendo aparência semelhante à do ser humano e maneiras de agir parecidas. Os aliens alertam para o exagero de violência e criminalidade na Terra, perigo das guerras, doenças e infestações, armas nucleares etc. O ufólogo Curtis Peebles fez um resumo das características dos relatos dos contatados:

1. Contato pessoal e/ou mental com “irmãos espaciais”, com aparência quase totalmente humana;
2. Os contatados também voaram a bordo de discos voadores, e viajaram para o espaço e para outros planetas;
3. Os “irmãos do espaço” querem ajudar a humanidade a resolver os seus problemas, parar os testes nucleares e impedir a destruição de outra forma inevitável da raça humana;
4. Isto será possível de maneira muito simples pela irmandade espalhando uma mensagem de amor e fraternidade em todo o mundo;
5. Outros seres sinistros, como os grandes governos, ameaçam tal irmandade para continuar o acobertamento de OVNI’s e suprimir a mensagem de esperança.

Embora a expresão “contatado” não tenha sido usada até a década de 1950, estudiosos no assunto observaram que desde séculos passados houve experiência de encontro entre aliens e seres humanos, com tentativas de descrição destas entidades. É este o principal foco dos teóricos dos deuses astronautas, viajantes espaciais e do tempo. Apesar de não estar basicamente ligada a discos voadores, há uma série de relatos antigos de avistamentos de luzes e de contatos com entidades “estranhas”; na própria Bíblia há tais relatos com seres de vida inteligente, como há no livro de Daniel.

No início do século 18, pessoas como Imanuel Swedenborg alegaram terem contato psíquico com habitantes de outros planetas. Em 1758, Swedenborg publicou um livro detalhando supostas viagens a planetas distantes com tais seres. Entretanto, o cético J. Gordon Melton observa que a viagem planetária de Swedenborg para em Saturno, o planeta mais conhecido naquela época; ele não visitou Urano, Netuno ou Plutão porque não eram planetas descobertos pela astronomia, o que mostraria um charlatanismo.


Algum tempo depois, Helena Blavatsky, conhecida mais como Madame Blavatsky, a fundadora da teosofia, fez alegações parecidíssimas com as de Swedenborg. Em 1891, Thomas Blott publicou o clássico “O homem de Marte”; nele, o autor alega ter encontrado um marciano nos Estados Unidos. Por mais estranho que possa parecer, Blott jurava que o tal marciano se comunicava com ele em inglês!

Outro livro sobre contatos foi “Da Índia até Marte”, de 1900, escrito por Theodore Flournoy. O autor detalhou as alegações de Helene Smith, que, enquanto em transe, ditava informações recolhidas a partir de suas visitas psíquicas até Marte – inclusive um alfabeto marciano e um idioma que ela poderia escrever e falar. Flournoy determinou que as alegações de Smith eram falsas, com base na fantasia e imaginação. Seu idioma “marciano” era simplesmente uma versão deturpada do idioma francês.

Contatos aliens entre 1900 e 1950...
Dois dos primeiros contatados nesse período foram William Magoon e Guy Ballard – esse, seguidor da teosofia de Madame Blavatsky. O livro de Magoon, “Cura psíquica” foi publicado em 1930, onde ele afirma que havia sido transportado até Marte; segundo ele, um lugar como a Terra, com várias cidades, automóveis, aparelhos de rádio etc. Ballard teve mais impacto social através do movimento que ele fundou. Em 1935, Ballard afirmou que, alguns anos antes, ele e mais de cem outras pessoas testemunharam a aparição de supostos doze venusianos em uma caverna; tais seres tocavam uma doce música enquanto exibiam imagens da vida em Vênus. Depois, as entidades aliens afirmaram que a Terra passaria por tribulações terríveis, fome, guerra, doenças.

George Adamski, que mais tarde tornou-se o contatado mais proeminente desse período, também tinha certo interesse em atividades místicas e ocultistas. Em 1930, ele fundou a Ordem Real do Tibete e dizia receber mensagens de seres vindos de Vênus. Entretanto, céticos e teólogos apontam que tais mensagens eram interpretações próprias de filosofias do budismo e do hinduísmo.

O ufólogo Christopher Partridge aponta que as pessoas que afirmam terem sido contatadas antes de 1947, quando do episódio de Rosswel, nunca afirmam o avistamento de discos voadores. E geralmente sempre falavam em Vênus e Marte, planetas que povoavam a mente da sociedade desde o século 19 através da literatura de ficção científica, como “Guerra dos mundos”. Em vez de Ovnis, havia uma tradição muito forte do contato extraterrestre através de sessões espíritas e hipnose.


Contatos na “era Ufo”, pós-1947...
A partir de 1947, com o caso até então misterioso e surpreendente em Rosswel fez ocorrer um verdadeiro “boom” de alegações de contatos aliens e abduções, praticamente uma histeria coletiva por conta das coberturas da mídia. O radialista John Nebel entrevistou vários contatados em seu programa durante muitos anos; a história era sempre a mesma: seres humanoides, viagens interplanetárias, mensagens de paz e conforto etc.

No final dos anos 50, muitos contatados já falavam que não havia contato físico, mas psíquico e em transe. Desta forma, muitos dos contatados diziam passar por tal estado em sessões espíritas, o que tirou o crédito do estudo dos ufólogos, que não sabiam se estavam trabalhando com entidades aliens ou espirituais.

A fim de dar crédito a tais relatos surpreendentes, no início dos anos 60 alguns contatados passaram a tirar fotos dos discos voadores e das alegadas entidades com quem mantinham conversa constante. Entretanto, especialistas céticos apontavam várias fraudes e truques nas fotografias, como o uso até de ovos de galinha e jogo de luzes para produzir o que se desejava, tecnologia mágica rudimentar.


Por mais de duas décadas o contatado George Tassel organizou uma grande convenção de outros contatados no Deserto do Mojave. Entre 1950 e 1965, Buck Nelson, outro contatado também realizou uma série de palestras e convenções similares. Embora tais convenções tenham se tornado escassas atualmente, as pessoas continuam fazendo reivindicações sobre contatos.

Nos anos 50, o fazendeiro Billy Meier, de origem suíça, alegou ter tido uma experiência de contato alien e acabou se tornando uma pessoa proeminente neste meio quando deu um contexto religioso à coisa, arrebanhando algumas milhares de pessoas. Segundo a doutrina, havia uma luta no mundo entre aliens bons e aliens maus, os governos sabiam disso, mas não comunicavam para não alarmar a população global. Alguns indivíduos estavam atuando dominados pelos seres malignos, enquanto outros estariam atuando com os bons aliens. Outro exemplo é o Movimento Raeliano, que ganhou atenção internacional com as suas reivindicações de clonagem humana bem sucedida. Seu líder, Rael, afirma ter sido contatado por extraterrestres desde 1970.



Respostas às alegações dos contatados e as polêmicas que envolvem o assunto...
Até mesmo no campo da ufologia alguns supostos contatados são vistos como lunáticos; sendo a ufologia a mais interessada em comprovar tais contatos, isso mostra como o assunto é controverso. Alguns ufólogos tentam até mesmo evitar o assunto porque isso proderia prejudicar o estudo “sério” do fenômeno Ovni. O ufólogo Jacques Vallée afirma que “nenhum investigador sério nunca foi muito preocupado com as reivindicações dos contatados”.

O astrônomo renomado Carl Sagan expressou ceticismo sobre contatados e contato alienígena, em geral, observando que as vítimas destes contatos respondem rapidamente a perguntas vagas, mas quando confrontados com questões técnicas e/ou específicas, silenciam.

Algum tempo após o fenômeno dos contatados ter diminuído, no início dos anos 90, o historiador David Michael Jacobs observou alguns fatos interessantíssimos: as contas bancárias dos contatados mais proeminentes cresceu enormemente graças a convenções elaboradas, palestras e livros escritos; além disso, esses contatados proeminentes raramente davam datas mais concretas, mas apenas divagando em meses e anos.

O fenômeno dos contatados ressurgiu com maior ímpeto no final dos anos 90 e meados dos anos 2000, quando os canais de TV a cabo começaram a iniciar séries de programas sensacionalistas abordando o assunto, entrevistando supostos contatados e ufólogos que creem no fenômeno. Isso aumentou enormemente as alegações de contatos e abduções.