sábado, 20 de abril de 2013

Apontamentos e curiosidades sobre a história da maçonaria no Brasil...

Muito se fala sobre a maçonaria e seus supostos mistérios. Muito se fala sobre a maçonaria em grandes acontecimentos globais, como a independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa. Mas você já parou para pensar que tal instituição teve grande papel nos acontecimentos historiográficos brasileiros? Pois é. O post de hoje vai fazer alguns desses apontamentos curiosos.



Nós estamos acostumados a assistir a alguns filmes que trabalham a questão da influência da maçonaria na política dos Estados Unidos, principalmente após a popularização dos escritos de Dan Brown. No entanto, poucas pessoas sabem que no Brasil também houve uma animadora manipulação política costurada dentro das lojas maçônicas do Rio de Janeiro e de São Paulo. O mesmo ocorreu, por exemplo, no Chile e na Argentina, cujas independências, no século 19, foram alinhavadas nesses mesmos lugares de “reuniões secretas”.

1. José Bonifácio, um dos patronos da independência, foi o primeiro grão-mestre do Grande Oriente do Brasil, loja maçônica;

2. A loja maçom Grande Oriente do Brasil influenciou enormemente no nosso processo de independência. Mais tarde, outro grão-mestre maçom fez outro acontecimento histórico: Marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a república;

3. Patrono do exército brasileiro, Duque de Caxias (foto abaixo) também era membro da maçonaria. Graças a ele houve a unidade nacional do Império, evitando que o Brasil se esfacelasse em inúmeras repúblicas – como o que houve no restante da América Latina de colonização hispânica;


4. Dom Pedro I e seu grande amigo Chalaça eram membros da maçonaria brasileira, e durante “reuniões secretas” em lojas maçônicas do Rio de Janeiro e de Londres é que foi traçado todo o planejamento para o processo de independência do Brasil em relação a Portugal e a manutenção da unidade nacional;

5. O Grande Oriente do Brasil foi uma das maiores figuras na formação política brasileira. De lá saíram importantes nomes que regeram o país desde o Império até a Velha República. Assim, no Brasil também houve forte influência da maçonaria na política, como ocorreu nos Estados Unidos;

6. A história da maçonaria no Brasil foi escrita através da atuação política e social, principalmente, profissionais liberais, jornalistas e membros do exército. Desde a sua gênese em território brasileiro, a maçonaria tem sido atuante por homens de grande poder aquisitivo;

7. A maçonaria no Brasil foi muito importante durante o movimento contra a escravidão. A Lei Ezébio de Queiroz, que extinguia o tráfico em 1850, leva o nome de um importante maçom. Em 1871 foi promulgada a Lei Visconde do Rio Branco, conhecida como “Lei do ventre livre”; o Visconde do Rio Branco (foto abaixo), como chefe de Gabinete Ministerial, foi grão-mestre do Grande Oriente do Brasil. O trabalho maçônico nessa causa só parou com a abolição da escravatura, a 13 de maio de 1888;


8. Muito do que se viu acontecer em campanhas abolicionistas foi arquitetado dentro de lojas maçons do Rio de Janeiro e de São Paulo, sob comando de ingleses interessados na expansão do mercado de consumo do país, graças à Revolução Industrial na Europa. Por isso também há atualmente a história dos “segredos maçons”, uma vez que, historicamente, as lojas maçônicas sempre foram reduto de reuniões que não podiam ocorrer abertamente por conta dos teores antigovernistas;

9. A campanha pró-república no Brasil, no final do século 19 teve início dentro das lojas maçônicas brasileiras. O trabalho teve início em Londres e nas lojas localizadas na Colômbia, Estados Unidos, Chile e Argentina. Marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da república, era grão-mestre da maçonaria no Grande Oriente do Brasil;

10. Além de Deodoro, durante a República Velha, que vai até 1930, o Brasil teve vários presidentes pertencentes à linha filosófica maçônica. Dentre eles: Floriano Peixoto, Campos Salles, Marechal Hermes da Fonseca, Nilo Peçanha, Wenceslau Brás e Washington Luís;

11. Durante os anos 30, durante o Estado Novo, Getúlio Vargas perseguiu alguns maçons liberais e, consequentemente, fechou algumas lojas em que participavam alguns dos seus adversários políticos. O mesmo aconteceu, na mesma época, na Alemanha nazista e na Argentina peronista;

12. Nos anos 40, a maçonaria continuou atuante no Brasil durante os acontecimentos hoje históricos: luta pela redemocratização, anistia de presos políticos do regime getulista, propaganda antinazista durante a Segunda Guerra etc.

13. Uma das grandes críticas que a maçonaria sofre na América do Sul, de modo geral, é a participação ativa nos governos ditatoriais dos anos 50, 60 e 70. Atualmente, alguns maçons explicam que eles simplesmente “interromperam a escalada da extrema-esquerda”; entretanto, vale lembrar que tais ditaduras promoveram torturas, mortes e sequestros – alguns deles até hoje sem explicação;


14. Nos anos 70 ocorreu a grande escalada da fundação de lojas maçônicas dentro do país. A partir desta década há a fundação de várias lojas em todo território nacional, justamente no período crítico da Ditadura Militar no país;

15. Para quem não sabe, houve um cisma ideológico dentro da maçonaria carioca durante o movimento de independência do Brasil, em 1822. Um grupo desejava a república, assim como ocorreu com nossos vizinhos latinos. O outro, liderado pelo maçon José Bonifácio, defendia a monarquia a fim de manter uma unidade nacional;

16. Curiosamente, por volta de 1824, por conta das lutas ideológicas internas após da independência, Dom Pedro I mandou que fechassem as maçonarias no Brasil, mesmo sendo ele um grão-mestre. Isso ocorreu porque ele tinha medo da onda republicana dentro de algumas correntes. A maçonaria brasileira voltou à ativa somente em 1831, com a abdicação do trono;

17. A linha republicana da maçonaria no Brasil tinha os ideários de transformar o Brasil em uma grande república, ou repartir o território em repúblicas menores, sob a forma de uma grande revolução conforme havia ocorrido na França em 1789;

18. Havia na maçonaria brasileira de espírito republicano um sentimento de que faltava na nossa sociedade uma pessoa líder como houve San Martín (foto abaixo), na Argentina e no Chile, e Simón Bolívar, no Peru, Colômbia e Venezuela, e que também era maçon, para seguir no país com uma grande revolução de cunho liberal;


19. Em resumo, todo o processo de independência do Brasil e do movimento abolicionista negro foi traçado dentro das maçonarias brasileiras, principalmente do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Salvador e do Recife.

Como podemos perceber, a história brasileira pode ser, também, bastante agitada, misteriosa, com tramas como qualquer história dos países que conhecemos. Basta pesquisarmos um pouco e nos agradarmos da prática da leitura e da curiosidade. A maçonaria, com certeza, continua tendo seu papel na política atual em todos os cantos do mundo por abrigar homens influentes, mas isso é história para um outro post.