sábado, 23 de março de 2013

Você conhece detalhes sobre o “misticismo” nazista? Teria sido ele um partido ou uma religião?

O chamado “misticismo nazi” é um termo estudado com mais afinco há pouco tempo por alguns historiadores, que apontariam as superstições, paranormalidades, misticismos, esoterismos e profecias sobre os quais o regime alemão se fundou para sedimentar seu discurso de salvação do povo ariano. Alguns historiadores chegam a falar que, basicamente, Adolf Hitler teria fundado uma religião paralela com base no discurso do cristianismo luterano. Outros pesquisadores norteiam que o ideário racista europeu da época é que serviu de pontapé para tais “crenças”; oficiais nazistas de alta patente como Himmler, Hess e Darré, por exemplo, foram conhecidos pelos seus interesses no misticismo e na paranormalidade.

A partir deste pensamento, no post de hoje nos propusemos a refletirmos alguns tópicos interessantes referentes a este ramo de estudos, o “misticismo” nazista, que hoje é tema de muitos livros, documentários e artigos. Será que isso é um fato ou uma farsa?


1. Há muito tempo na Alemanha e nos territórios que fizeram parte da Prússia havia a crença da superioridade da raça ariana, que, pelo folclore germânico, teria sido responsável pela construção de Atlântida. O pensamento também dizia que ela foi “enfraquecida” a partir da miscinegação dos povos. Em 1912 havia na Alemanha uma ordem antissemita (a Germanenorden) que já pregava uma limpeza étnica europeia em favor dos germânicos;

2. No nazismo, Adolf Hitler era ocasionalmente comparado com Jesus Cristo, tido como um suposto messias enviado por Deus para reerguer a glória alemã depois da suposta vergonha na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Por isso, era comum em orfanatos uma oração estranha: “Führer, meu Führer, que me foste enviado por Deus, protege-me e mantém-me vivo por muito tempo. Salvastes a Alemanha da mais profunda miséria, a ti te devo o meu pão de cada dia. Führer, meu Führer, minha fé, minha luz. Führer meu Führer, não me abandones. Amém”;

3. Apesar de o nazismo pregar a moral, os bons costumes e a religiosidade, muitos dos membros do alto partido eram ateus ou praticavam paganismo medieval, geralmente cultos germânicos da era medieval;

4. Com a queda do Terceiro Reich o esoterismo hitleriano tinha ficado sem Hitler, que, morto, podia agora ser tornado numa divindade. Savitri Devi tentou ligar a idelogia ariana com os indianos pró-independência, especialmente hindus. Para eles a suástica era um símbolo particularmente importante, significando a unidade entre os hindus e os alemães;

5. Muitos alemães diziam que Hitler não havia morrido em 1945 e estava na Antártica planejando seu plano de vingança e retorno, comandando uma frota de discos voadores e guiado por “deuses”. Essa crença no retorno de Hitler não teve muita força e logo foi um movimento sufocado tanto por americanos quanto por soviéticos;


6. Nas escolas alemãs do período nazista, no ensino de moral, ética e religião era comum o ensinamento de uma biografia deturpada de Adolf Hitler, como se fosse a vida de um messias que salvava seu povo da miséria e da vergonha. Por inúmeras vezes ele era comparado com Jesus Cristo e a leitura do livro “Minha luta” se tornava uma prática tão comum como ler a Bíblia;

7. Em 1935, Himmler fundou a Sociedade Ahnenerbe, que tinha como objetivo “comprovar cientificamente” a superioridade da raça ariana, a “natural marginalização” dos judeus e ciganos, bem como encontrar as ruínas de Atlântida e a localização do Santo Graal;

8. Hitler patrocinou com recursos públicos diversas expedições científicas do nazismo com objetivo de encontrar objetos folclóricos e comprovar existências bizarras: o Santo Graal, as ruínas de Atlântida, a lança que feriu Jesus na cruz, a Pedra Filosofal etc.

9. Os escritórios de comando das escolas foram forçados a incentivar a encenação de peças de sagas nórdicas para que as crianças ficassem cada vez mais habituadas com as narrativas e nomes dos deuses vikings. O objetivo era criar uma nova cultura folclórica com bases no germanismo;

10. Estranhamente, no dia 30 de julho de 1933, mais de cem mil nazistas tinham-se reunido em Eisenach para declarar querer tornar a origem germânica como nova realidade divina, restaurando Odin, Baldr, Freya, e os outros deuses teutônicos nos altares da Alemanha – assim, Wotan deveria estar no lugar de Deus e Siegfried no lugar de Cristo. Especialistas atualmente explicam que o objetivo dos nazistas seria varrer do mapa a noção ocidental que temos de Deus, por ter origem no judaísmo;


11. Por volta de 1935-1936, Joseph Goebbels, ministro de Propaganda no regime nazista, apresentava o nazismo como se fosse uma religião a ser respeitada, chegando a falar em uma “nova fé genuinamente germânica”;

12. Muito antes de o nazismo chegar ao poder, já havia na Prússia e na Alemanha, mais tarde, o Movimento da Fé Germânica, que pregava a chamada “fé ariana”, dizendo que os alemães e povos irmãos (suecos, holandeses, dinamarqueses) seriam superiores aos demais e levariam o mundo a numa nova era. Tal movimento dizia que as provações pelos quais a Alemanha passou não seriam meros acontecimentos históricos, mas sim esforço espiritual para tornar os arianos mais fortes em sua fé. A teoria teológica do Movimen da Fé Germânica serviu amplamente de base para o tal “misticismo nazi”;

13. Curiosamente, em 1937, frente a tudo isso já lido, o Papa Pio XI publicou uma encíclica católica condenando o nazismo, onde o documento diz: “Damos graças, veneráveis irmãos, a vós, aos vossos sacerdotes e a todos os fiéis que, defendendo os direitos da Divina Majestade contra um provocador neopaganismo, apoiado, desgraçadamente com frequência, por personalidades influentes, haveis cumprido e cumpris o vosso dever de cristãos”;

14. Em 1937, alguns partidários nazistas publicaram em toda Alemanha artigos de jornais que doutrinavam o povo em alguns pontos básicos: a Alemanha deveria ser uma terra-prometida para os arianos, a Alemanha deveria voltar-se à sua “antiga fé”, as igrejas cristãs deveriam ser destruídas por terem cultos herdados dos judeus, o Estado deveria se tornar em uma “nova Igreja” e deveria haver uma “fé nacional”;

15. Em 1938, o regime nazista instituiu no calendário de algumas cidades o Festival Nórdico de Solstício de Verão. Trata-se de uma festividade folclórica que acabou acindo em desuso nos países escandinavos desde que eles adotaram o cristianismo como fé. Neste ano, a festa em Hesselberg foi a que teve maior público e orçamento do governo. Nesta festa, Julius Streicher, amigo pessoal de Hitler e editor de vários jornais antissemitas, disse: “Se olharmos para as chamas deste fogo sagrado e nelas lançarmos os nossos pecados, poderemos baixar desta montanha com as nossas almas limpas. Não precisamos nem de padres nem de pastores”;


16. A partir de 1938, o nazismo começou a sua perseguição pelo que é conhecido como baixo clero: padres e pastores de pequenas igrejas em áreas camponesas e subúrbios pobres. Quando a guerra irrompe, a partir de 1939, vários sacerdotes e ministros protestantes são presos e deportados para o leste, sendo mortos em campos de concentração;

17. Historioradores dizem que estudar o nazismo em sua totalidade é um fenômeno muito difícil, uma vez que ele é algo que extrapola o regime totalitário. Ele chega à antropologia, política, economia e até mesmo a religião, como podemos perceber neste post.


De modo geral podemos dizer que não se trata uma farsa a história correspondente ao “misticismo nazi”. Hitler e seus partidários tinham objetivos bem específicos em criarem uma nação imaginada, com folclore e religião construídos sobre alicerces dos próprios folclores medievais germânicos e nórdicos. O objetivo era apagar da memória cultural elementos que estivessem ligados ao cristianismo, por este ter profundas raízes judaicas.

Entretanto, Hitler não compreendia que não é tão simples criar uma cultura. Muito menos apagar duas culturas extremamente antigas: a cristã e a judaica. Acreditar em paranormalidades e gastar fundos públicos em pesquisas vãs (como encontrar as ruínas de Atlântida) mostra como havia desestrutura naquele sistema que ruiu dentro de si mesmo ao eliminar várias populações e etnias.