terça-feira, 12 de março de 2013

Seriam os Smurf’s uma corruptela do sistema de governo soviético? Fato ou farsa?

Os Smurf’s fizeram muito sucesso no Brasil com o desenho animado, na década de 1980, e mais recentemente com o filme em 3D que comemorava os 50 anos de criação destes pequenos seres azuis pelo ilustrador belga Peyò. No final da década de 80, com o início da ruína soviética, começaram os boatos de que o desenho seria uma associação ao modo de vida comunista, cujo nome dos seres, Smurf, seria uma sigla inglesa “Soviet men under red father”, “Soviéticos sob o pai vermelho”. Fato ou farsa?


Podemos dizer categoricamente que esta sigla é uma mentirinha meio boba criada no Brasil. Foi a forma encontrada para ficar mais fácil das crianças pronunciarem o nome original da série, “Les Schtroumpfs”. Em Portugal, por exemplo, o nome adotado foi “Os Estrumpfes”, mais tarde modificado para “Os Strunfs”.

No entanto, alguns estudiosos e críticos mais maliciosos apontam que Smurf’s tenham muito mais a dizer, sem mostrar, do que se possa supor. Trata-se de uma série de apontamentos que estariam escondidos debaixo do discurso infantil do próprio quadrinho (anos 50 e 60) e desenho animado (anos 80).


Suposta analogia ao comunismo e muito mais...
O desenho chamou atenção de alguns comentaristas políticos nos anos 80. Segundo eles, os Smurf’s seriam uma referência ao comunismo. A comunidade divide fraternamente tudo o que produz, não há classes sociais, vestem o mesmo tipo de roupa (calças e touca brancas), exceto o seu líder (Papai Smurf), que veste as mesmas peças de vestuário, porém na cor vermelha. Em oposição aos Smurf’s, levando em consideração a ideia de que realmente sejam comunistas, estão Gargamel e Cruel, o gato. A dupla inimiga representaria o imperialismo, a vontade de dominar os “mais frágeis”. O passatempo de Gargamel era capturar e cozinhar os Smurf’s para transformá-los em ouro numa suposta referência em oprimir a classe trabalhadora e transferir os lucros aos burgueses capitalistas.

Outras acusações ainda mencionam o desenho como sexista, uma vez que há somente três personagens femininas, sendo duas fora do âmbito de força de trabalho – uma idosa e outra criança. O sexismo surgiria a partir do momento que Smurfete só pensa em assuntos fúteis, em embelezar-se e sempre é frágil e desprotegida.

Ainda existe a acusação de que os Smurf’s seriam uma analogia de antigos vilarejos europeus pagãos vivendo em harmonia e a sua grande ameaça seria o Gargamel, representando um forasteiro com interesse em poder; este estranho seria uma analogia ao judeu dado a sua representação física (pele morena, nariz grande e cabelo encaracolado). De acordo com alguns medievalistas, o desenho representaria a “ameaça judaica” da Idade Média.

Acerca de todas estas acusações, Thierry Culliford, filho de Peyò e atual dirigente do Studio Peyò, disse que as acusações estavam entre o grotesco e a falta de seriedade


O fato é que tais apontamentos de análises da obra mais famosa de Peyò mostram o espírito da época em que foram produzidas: o fim do império soviético, momento de menos tensão com a Guerra Fria, e lembranças do Holocausto quando historiadores começaram a remexer arquivos da Segunda Guerra Mundial.

Não podemos dizer que tudo seja sempre inocente. Produções da cultura de massa, desde o século 19, são feitas com dois motivos principais: geração de lucros (indústria do lazer) e transposição de algumas ideologias e pensamentos políticos. No entanto, podemos afirmar que, neste caso dos Smurf’s tudo é farsa.