quinta-feira, 14 de março de 2013

Clube de Bilderberg: você já ouviu falar nisso?

O Clube de Bilderberg tem sido motivo de inúmeras acusações por controlar a economia e política mundiais de maneira arbitrária, não-oficial. Mas você já ouviu falar nisso? Conhece o que está por trás deste grupo seleto de pessoas? O Clube de Bilderberg é uma conferência anual não-oficial cuja participação é restrita a um número de 130 convidados, muitos dos quais são personalidades influentes no mundo empresarial, acadêmico, midiático ou político. É daí que surgem as críticas e os boatos. Devido ao fato das discussões entre as personalidades públicas oficiais e líderes empresariais (além de outros) não serem registradas, estes encontros anuais são alvo de muitas críticas (por passar por cima do processo democrático de discussão de temas sociais aberta e publicamente, uma vez que, teoricamente, vivemos em democracias e mundos livres, cujos temas sociais deveriam ser compartilhados com todos e para todos). O grupo de elite se encontra anualmente, quase em segredo, em hotéis cinco estrelas reservados espalhados pelo mundo, geralmente na Europa, embora algumas vezes tenha ocorrido nos Estados Unidos e Canadá.

O que chama atenção no caso deste clube é que as reuniões agrupam as pessoas mais influentes do mundo e a mídia só tem conhecimento do encontro depois que ele acontece. Não há cobertura, como é o caso do Fórum Econômico de Davos, também sumariamente criticado por grupos organizados da sociedade civil. No caso do Bilderberg, as coisas aconteceriam por baixo dos panos e decisões sobre nações e países inteiros seriam tomados por somente 130 pessoas.


Sobre o nome...
O nome do grupo, Bilderberg, vem do que é geralmente reconhecido como o local em que ocorreu a primeira reunião oficial em 1954, o Hotel de Bilderberg, na Holanda. Embora a conferência não seja considerada um grupo de tipo algum, muitos participantes são frequentadores regulares, e os convidados são frequentemente referenciados como pertencentes a um “secreto grupo”.

Possíveis origens e objetivos da primeira conferência...
A primeira conferência aconteceu de 29 de maio a 30 de maio de 1954. A ideia da reunião foi dada pelo emigrante polonês e conselheiro político Józef Retinger (foto abaixo). Preocupado com o crescimento do antiamericanismo na Europa Ocidental, ele propôs uma conferência internacional em que líderes de países europeus e dos Estados Unidos pudessem se reunir com o propósito de promover a discussão crítica entre as culturas dos Estados Unidos e Europa Ocidental. Retinger se aproximou do príncipe Bernard da Holanda, que concordou em promover tal ideia, em conjunto com o primeiro-ministro belga Paul Van Zeeland.


A lista de convidados deveria ter sido formada pelo convite de dois participantes de cada país, representando pontos de vista liberais e conservadores. Para que a reunião ocorresse, foi necessário organizar uma conferência anual. Um comitê executivo foi criado, sendo que Retinger foi indicado como secretário permanente. Juntamente como a organização da reunião, o comitê realizou um registro do nome dos participantes e informações para contato, com o objetivo de criar uma rede informal de pessoas que pudessem se comunicar entre si com privacidade.

Devemos ter em mente o tempo histórico que o Clube de Bilderberg foi criado. Em 1954, o mundo estava chegando ao auge da Guerra Fria, conflito ideológico entre as duas potências da época, os Estados Unidos e a União Soviética. Portanto, apontamos que o “seleto grupo” e suas preocupações são frutos de seu próprio tempo, como o avanço do pensamento comunista entre os jovens e nas universidades, o que poderia comprometer o capitalismo.

O propósito declarado do Grupo Bilderberg foi estabelecer uma linha política comum entre os Estados Unidos e a Europa Ocidental. O economista holandês Ernst van der Beugel se tornou secretário permanente em 1960, após a morte de Retinger. Príncipe Bernardo continuou a ser o presidente das conferências até 1976.

A intenção inicial do Clube de Bilderberg era promover um consenso entre a Europa Ocidental e a América do Norte através de reuniões informais entre indivíduos poderosos. A cada ano, um comitê executivo recolhe uma lista com um máximo de 100 nomes com possíveis candidatos. Os convites são enviados somente a residentes da Europa e América do Norte. A localização da reunião anual não é secreta, e a agenda e a lista de participantes são facilmente encontradas pelo público, mas os temas das reuniões são mantidos em segredo e os participantes assumem um compromisso de não divulgar o que foi discutido. A alegação oficial do Clube de Bilderberg é de que o sigilo previniria que os temas discutidos, e a respectiva vinculação das declarações a cada membro participante, estariam a salvo da manipulação pelos principais órgãos de imprensa e do repúdio generalizado que seria causado na população. Algumas teorias dizem que o Clube Bilderberg tem o propósito de criar um governo totalitário mundial.


Participantes e a natureza do “seleto grupo”...
A alegada justificativa do grupo pelo sigilo é que isso permite que os participantes falem livremente sem a necessidade de ponderar cuidadosamente como cada palavra poderia ser interpretada pelos órgãos de comunicação de massa. Alguns, entretanto, consideram a natureza elitista e secreta das reuniões como antiético em relação aos princípios da inclusão em sociedades democráticas. Adeptos e pesquisadores da teoria da conspiração acreditam que os membros de Bilderberg são, na verdade, Iluminatti.

Participantes incluem membros de bancos centrais, especialistas em defesa, barões da imprensa de massa, ministros de governo, primeiros-ministros, membros de famílias reais, economistas internacionais e líderes políticos da Europa e da América do Norte. Donald Rumsfeld é um “bilderberger” ativo. O ex-secretário de defesa dos Estados Unidos Paul Wolfowitz também é um membro.

A título de curiosidade, em 2010 a reunião ocorreu entre 04 e 06 de junho em Sitges, na Catalunha. Em 2011 os membros se reuniram em um luxuoso hotel no mês de junho em Saint Moritz, na Suíça.

Críticas sofridas e teoria da conspiração...
O Clube de Bilderberg não é um mero dispositivo das pessoas que acreditam em uma série de teorias da conspiração que rondam o mundo contemporâneo. Ele realmente existe, as reuniões realmente acontecem e são fechadas para um grupo extremamente seleto. O grande problema é que sofre críticas pelo modo de ser em si mesmo.

Em uma sociedade democrática como dizem que vivemos no Ocidente, sob a insígnia da “liberdade de expressão”, os debates mais importantes ocorrem sem a participação de organizações civis, grupos políticos etc. Há uma grande crítica de que esse grupo fechado de somente 130 pessoas disponha do destino econômico do planeta, enquanto os dez bilhões de habitantes ficam à mercê da vontade de grandes atores políticos da Europa e dos Estados Unidos, evidenciando que em pleno século 21 ainda temos um etnocentrismo arraigado.