sábado, 16 de março de 2013

“Armário de Davy Jones”: a história de um folclore oceânico de muitos séculos...

Provavelmente você nunca deve ter ouvido falar nesta expressão, “o armário de Davy Jones” ou “o baú de Davy Jones”, mas se assistiu aos filmes “Piratas do Caribe” com certeza sabe quem é o dono deste armário ou baú. É que este personagem aparece nestes longa-metragens. Mas Davy Jones, antes de ser personagem de filme hollywoodiano, faz parte do folclore caribenho emaranhado de mitos e lendas sobre piratas, assaltos a barcos etc.


Sobre a expressão, o “armário”...
Essa expressão, “armário de Davy Jones” é usada nos países do Caribe e no sul dos Estados Unidos para definir o fundo do mar, o local de descanso dos marinheiros afogados e de qualquer outra pessoa que morre no mar. Assim, por extensão, as vítimas do Titanic estariam guardadas no armário de Davy Jones; seria o eufemismo para a morte no oceano. O armário de Davy Jones é o purgatório, céu e inferno de quem morre no mar. Nele, as pessoas enfrentam seus medos mais profundos.

Davy Jones é o nome de um suposto pirata considerado o mal supremo dos sete mares. Entretanto, continua icógnita a origem do nome Davy Jones, podendo ser um marinheiro sinistro e sobrenatural ou só uma definição mais estável dos temores dos marinheiros.

A lenda diz que é o próprio Jones quem arrasta as almas até o fundo do mar. A reputação de Jones e seu armário desenvolveram muito medo entre os marinheiros, fazendo com que hesitem ao entrar em maiores detalhes, mas nem toda a visão sobre a lenda é ruim. Em tradições associadas aos marinheiros que cruzam a linha do Equador, Davy Jones era um leal assistente de Netuno, deus romano dos mares.

Por que, então, “armário” ou “baú”?
Até hoje persiste a dúvida de por que seja usado o termo “armário” ou “baú” para designar o local de descanso dos falecidos no mar. A hipótese mais aceita é a que Davy Jones fosse o responsável pela morte de muitos marinheiros e, temendo as consequências de seus crimes, trancava tudo que pudesse incriminá-lo num armário de madeira. Porém, como a alma de quem morre em águas marinhas permanece presa no armário de Davy Jones, é provável que o nome armário tenha surgido porque um armário sirva para abrigar coisas, como o fundo do mar abriga a alma de todos que foram levados por ele.


Sobre Davy Jones...
Há muitos questionamentos sobre a veracidade se este homem tenha ou não existido no século 18. Segundo o folclore, ele atormentava marinheiros, atraía tempestades, confundia capitães para que errassem a rota etc. Por esta ordem de características, no Caribe acabou sendo sinônimo para o próprio diabo.

O filme “Piratas do Caribe” apresenta uma versão totalmente errada da lenda deste personagem, afirmando que ele poderia controlar a besta marinha Kraken, que era seu animal de estimação. Um erro de tempo e espaço. Davy Jones é personagem caribenho do século 18; Kraken é um animal mitológico dos vikings da era medieval. Na mesma produção há o erro referente ao navio fantasma Holandês Voador.


De acordo com etnólogos, a lenda de Davy Jones é bastante temporal e reflete a sociedade dos séculos 17/18, quando a pirataria era muito forte e corsários ingleses assaltavam navios espanhóis que seguiam para a Europa abarrotados de ouro e prata vindos do México. Estes eram tempos bastante difíceis e ainda se acreditava que o mar fosse um embarque para a morte – navegações frágeis, despreparo das equipes de marinheiros, falta de alimentação decente, excesso de doenças perigosas. Ou seja, quem pudesse ver Davy Jones, no contexto da lenda, é porque já não estava no seu juízo perfeito, provavelmente atacado pelo escorbuto, muito comum nas tripulações naquela época.