terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (16)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Por que falamos “Saúde!” quando alguém espirra?
Tudo teria começado na Itália medieval, no século 11, quando a população foi atacada por uma gripe fortíssima que poderia matar em poucos dias. Como naquela época não havia vacina ou remédios realmente eficazes, a Igreja recomendou que o melhor era orar a Deus pedindo proteção. Assim, quando alguém espirrava, o outro respondia: “Dominus tecum”, ou seja, “Que o Senhor esteja contigo”. Em pouco tempo as pessoas passaram a desejar o melhor ao gripado, ou seja, saúde, respondendo: “Salute!


Por que algo secreto está guardado sob sete chaves?
Desde o século 13, em Portugal, havia arcas de madeira com quatro fechaduras, destinadas a guardar documentos, joias e metais preciosos. Cada chave ficava com um funcionário da confiança do rei; com isso, o cofre só era aberto com a presença dos quatro detentores das tais chaves. Com o tempo, a população passou a falar “sete chaves” pela conotação mística que o número sete tem em nossa cultura.

A sobremesa tem alguma coisa a ver com a mesa do jantar?
Há muitos séculos, os portugueses chamavam a sobremesa de “postre”, que significava “o último”; em espanhol, por exemplo, sobremesa continua sendo “postre”. Com o tempo, acabou sendo substituído pelo termo atual, formado realmente de “sobre + mesa”. Entretanto, há muitos séculos, sobre também significava o tempo imediatamente depois de algo. No século 18, por exemplo, dizia-se que iam discutir tal assunto “sobre mesa”, ou seja, logo depois da refeição.


De onde vem o SOS como pedido de socorro?
Foi a forma mais simples adotada pela Convenção Internacional de Telegrafia, em 1908. O SOS é representado por três pontos (S), três traços (O) e três pontos (S) novamente. Cada ponto é um som breve, cada traço é um som longo. Foi escolhido por ser simples de fazer e decorá-lo. Com o tempo, nos anos 40, apareceu a versão de que seria a sigla de “Save our souls”, “Salvem nossas almas”, o que não é verdade.

De onde vem o nome do número zero?
É impressionante imaginar que a Europa passou vários séculos fazendo matemática sem uma representação do número zero, inclusive no período áureo da Grécia Antiga. Maias e astecas já tinham uma representação para ele. Bem, a palavra árabe “çifr”, “vazio”, deu origem ao zero no idioma deles, criado em 600 a.C. O árabe “çifr” deu no português “cifra” e no italiano “zefiro”. Os estudiosos apontam que o nome do número surgiu porque nos códigos italianos aparecia abreviado “zè.ro”.

Dizer que alguém fala à beça tem a ver com uma pessoa específica?
Tem sim. Tudo surgiu com Gumercindo Bessa (foto abaixo), jurista alagoano que foi adversário de Rui Barbosa na questão de incorporar, ou não, o Acre ao Brasil. Bessa apresentou uma quantidade enorme e irrefutável de pontos favoráveis à questão. Mais tarde, o então presidente Rodrigues Alves pediu que fossem entregues a ele “relatórios à Bessa”, ou seja, pontuais, exatos, irrefutáveis, detalhistas. Com o tempo, o nome Bessa acabou ganhando a cedilha e ficando “à beça”, como sinônimo de grande quantidade.